{"id":4109,"date":"2026-08-18T10:42:49","date_gmt":"2026-08-18T13:42:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=4109"},"modified":"2026-08-18T10:42:57","modified_gmt":"2026-08-18T13:42:57","slug":"retrospecto-tributario-11-08-a-18-08","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=4109","title":{"rendered":"Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 11\/08 a 18\/08"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>STF suspende julgamento sobre troca de \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos judiciais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Data: 10\/08\/2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ministro Cristiano Zanin, do&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/\">Supremo Tribunal Federal<\/a>, pediu destaque no julgamento que discute a validade da substitui\u00e7\u00e3o da taxa Selic pelo \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) como o \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos judiciais e administrativos nos processos que envolvem a Uni\u00e3o. Com isso, a an\u00e1lise do caso ser\u00e1 reiniciada no Plen\u00e1rio f\u00edsico da corte, ainda sem data marcada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zanin \u00e9 o relator da a\u00e7\u00e3o, que estava sendo julgada no Plen\u00e1rio virtual desde a \u00faltima sexta-feira (7\/8). Al\u00e9m do pr\u00f3prio relator, somente o ministro Gilmar Mendes havia votado, abrindo diverg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contexto do caso<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a come\u00e7ou com a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2024\/lei\/l14973.htm\">Lei 14.973\/2024<\/a>, que passou a prever a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria desses dep\u00f3sitos \u201cpor \u00edndice oficial que reflita a infla\u00e7\u00e3o\u201d. Mais tarde,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/portaria-mf-n-1.430-de-4-de-julho-de-2025-640275309\">uma portaria de 2025 do Minist\u00e9rio da Fazenda<\/a>, em vigor desde o primeiro dia de 2026, especificou que a corre\u00e7\u00e3o deve ser equivalente \u00e0 varia\u00e7\u00e3o acumulada do IPCA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Servi\u00e7os (CNS), a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT) e a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade (CNSa\u00fade) contestam tanto a lei quanto a portaria e pedem que seja restabelecida a taxa Selic.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com as entidades, a altera\u00e7\u00e3o estabeleceu um tratamento desigual entre o Fisco e o contribuinte. Isso porque d\u00e9bitos tribut\u00e1rios continuam a ser atualizados pela Selic, que incorpora juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, enquanto o IPCA aplic\u00e1vel aos dep\u00f3sitos reflete apenas a infla\u00e7\u00e3o, sem qualquer remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voto do relator<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zanin votou por validar a aplica\u00e7\u00e3o do IPCA. Segundo ele, a jurisprud\u00eancia do STF estabelece que a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria deve ser definida pela lei. A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\">Constitui\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;n\u00e3o garante nem mesmo a recomposi\u00e7\u00e3o integral do poder de compra. Assim, \u201co novo regime nada subtrai ao depositante, que recebe a varia\u00e7\u00e3o integral do \u00edndice oficial de pre\u00e7os\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O magistrado reconhece que as regras anteriores, vigentes por mais de duas d\u00e9cadas, eram mais vantajosas para o depositante. Mas isso era somente uma consequ\u00eancia da legisla\u00e7\u00e3o que vigorava. \u201cN\u00e3o h\u00e1 direito adquirido a regime jur\u00eddico\u201d, explicou Zanin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse entendimento j\u00e1 foi aplicado pelo Supremo \u00e0 corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria das contas do FGTS, \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria dos servidores inativos e ao c\u00e1lculo da remunera\u00e7\u00e3o dos servidores p\u00fablicos, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto destacado pelo relator \u00e9 que o ordenamento jur\u00eddico garante a devolu\u00e7\u00e3o do valor dado em garantia. As novas regras atendem a essa exig\u00eancia, com a recomposi\u00e7\u00e3o do poder de compra pelo \u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ministro admitiu que a diferen\u00e7a acumulada entre o IPCA e a Selic pode ser expressiva, mas isso ocorre justamente porque a Selic inclui juros reais. Ou seja, no novo regime, o depositante n\u00e3o perde o que depositou, mas apenas o rendimento que o capital teria alcan\u00e7ado em uma aplica\u00e7\u00e3o remunerada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zanin ressaltou que os juros n\u00e3o s\u00e3o um direito do depositante, pois o dep\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 um investimento. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, as autoras da a\u00e7\u00e3o reivindicam o rendimento embutido na taxa Selic e chamam isso de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, o que n\u00e3o \u00e9 adequado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele acrescentou que o IPCA se aplica somente aos dep\u00f3sitos feitos a partir de 2026 e que a mudan\u00e7a j\u00e1 havia sido antecipada mais de um ano antes. Nenhum valor depositado antes disso deixou de receber a Selic, segundo o relator.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O magistrado lembrou que, em casos tribut\u00e1rios, o dep\u00f3sito \u00e9 facultativo. O contribuinte pode discutir o tributo na esfera administrativa ou judicial sem fazer dep\u00f3sito, assim como pode, por exemplo, pagar o tributo e pedir a devolu\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o na qual se aplica a Selic. \u201cA redu\u00e7\u00e3o da vantagem financeira de uma entre v\u00e1rias alternativas processuais n\u00e3o equivale a obstruir nenhuma delas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l5172compilado.htm\">C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (CTN)<\/a>, o dep\u00f3sito estabiliza a d\u00edvida \u2014 isto \u00e9, enquanto dura a discuss\u00e3o, o cr\u00e9dito fica livre de atualiza\u00e7\u00e3o e juros. Por isso, o relator apontou que o depositante j\u00e1 tem um benef\u00edcio que outras formas de garantia n\u00e3o proporcionam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o depositante perde a disputa, o dinheiro \u00e9 transferido de forma definitiva para os cofres p\u00fablicos e o cr\u00e9dito \u00e9 extinto pelo valor depositado, \u201csem falta nem sobra\u201d, independentemente da varia\u00e7\u00e3o dos \u00edndices no curso do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, Zanin observou que a jurisprud\u00eancia do STF atrela a Selic ao atraso no pagamento. Mas no dep\u00f3sito n\u00e3o h\u00e1 atraso, pois a cobran\u00e7a est\u00e1 suspensa. Assim, a aplica\u00e7\u00e3o da Selic seria o mesmo que conceder juros sem justificativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diverg\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gilmar Mendes considerou inconstitucionais as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela lei e pela portaria. Na sua vis\u00e3o, o \u00edndice que remunera os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios deve ser o mesmo aplicado aos dep\u00f3sitos judiciais ou administrativos (que suspendem tais cr\u00e9ditos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Gilmar, de fato n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel exigir que o \u00edndice escolhido contenha remunera\u00e7\u00e3o. Por outro lado, o Estado n\u00e3o pode devolver os valores com um \u00edndice inferior \u00e0quele aplicado aos seus pr\u00f3prios cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o se revela constitucionalmente admiss\u00edvel que a Uni\u00e3o estabele\u00e7a disciplina que coloque o contribuinte em manifesta posi\u00e7\u00e3o de desvantagem em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio Estado, sem a exist\u00eancia de crit\u00e9rio de diferencia\u00e7\u00e3o juridicamente leg\u00edtimo, racional e compat\u00edvel com a ordem constitucional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele lembrou que os dep\u00f3sitos judiciais e extrajudiciais referentes a tributos e contribui\u00e7\u00f5es federais s\u00e3o encaminhados \u00e0 Conta \u00danica do Tesouro Nacional. Segundo Gilmar, se isso \u00e9 permitido pela legisla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o faz sentido, ao final da disputa, submeter o contribuinte a um \u00edndice de atualiza\u00e7\u00e3o inferior \u00e0quele usado pela Uni\u00e3o para recompor o valor de seus cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O decano do STF reconheceu que o regime jur\u00eddico pode ser alterado, mas as modifica\u00e7\u00f5es precisam seguir os limites da Constitui\u00e7\u00e3o. Um dos princ\u00edpios dela \u00e9 a isonomia, que pro\u00edbe a aplica\u00e7\u00e3o de regimes distintos a situa\u00e7\u00f5es equivalentes sem fundamento leg\u00edtimo, racional e razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe, ao final, a pretens\u00e3o tribut\u00e1ria \u00e9 reconhecida como indevida, n\u00e3o se mostra compat\u00edvel com a isonomia impor ao particular uma recomposi\u00e7\u00e3o inferior \u00e0quela assegurada ao Estado quando figura na posi\u00e7\u00e3o de credor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelas regras anteriores, a Selic era aplicada no levantamento de dep\u00f3sitos, na cobran\u00e7a de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios e na compensa\u00e7\u00e3o ou restitui\u00e7\u00e3o de tributos pagos indevidamente (repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito). Agora, os dep\u00f3sitos n\u00e3o s\u00e3o mais corrigidos por um \u00edndice que tamb\u00e9m remunera o capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, quem paga um imposto que n\u00e3o precisava e depois busca a repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito fica sujeito \u00e0 Selic. Mas o contribuinte que opta por fazer um dep\u00f3sito e consegue uma decis\u00e3o favor\u00e1vel fica sujeito ao IPCA. De acordo com o magistrado, esse depositante n\u00e3o pode receber um tratamento econ\u00f4mico inferior \u00e0queles que efetuam o pagamento e depois obt\u00eam a restitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gilmar ressaltou que o contribuinte permanece privado dos recursos depositados enquanto dura a discuss\u00e3o administrativa ou judicial. Assim, n\u00e3o \u00e9 adequado \u201ctratar a escolha de um instrumento legalmente previsto para garantir a controv\u00e9rsia e suspender a exigibilidade como fator suficiente para reduzir a prote\u00e7\u00e3o patrimonial do contribuinte quando comparado \u00e0quele que optou por realizar o pagamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/voto-Zanin-correcao-IPCA-depositos-judiciais-processos-Uniao.pdf\">aqui<\/a>&nbsp;para ler o voto de Zanin<br>Clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/voto-Gilmar-correcao-IPCA-depositos-judiciais-administrativos-Uniao.pdf\">aqui<\/a>&nbsp;para ler o voto de Gilmar<br>ADI 7.905<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-jur-dico wp-block-embed-consultor-jur-dico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ReDKFkMd8g\"><a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-ago-10\/zanin-suspende-julgamento-sobre-troca-de-indice-de-correcao-de-depositos-judiciais\/\">STF suspende julgamento sobre troca de \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos judiciais<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"\u201cSTF suspende julgamento sobre troca de \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos judiciais\u201d \u2014 Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-ago-10\/zanin-suspende-julgamento-sobre-troca-de-indice-de-correcao-de-depositos-judiciais\/embed\/#?secret=HYwvr6D7EK#?secret=ReDKFkMd8g\" data-secret=\"ReDKFkMd8g\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Relator no STJ vota contra rever modula\u00e7\u00e3o da tese do Sistema S<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Data: 12\/08\/2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os embargos de diverg\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o admiss\u00edveis para questionar a modula\u00e7\u00e3o dos efeitos promovida em julgamento submetido ao rito dos recursos repetitivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esse entendimento, o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, votou por n\u00e3o conhecer do \u00faltimo recurso em que a Fazenda Nacional tenta aumentar ainda mais a arrecada\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es ao Sistema S.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O julgamento foi iniciado em sess\u00e3o virtual da Corte Especial do STJ nesta quarta-feira (12\/8), com dura\u00e7\u00e3o at\u00e9 a pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira (18\/8).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta do relator \u00e9 meramente aplicar&nbsp;<a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-jun-03\/stj-mantem-modulacao-da-tese-das-contribuintes-ao-sistema-s\/\">a posi\u00e7\u00e3o firmada pelo colegiado<\/a>&nbsp;presencialmente em junho, em julgamento sob relatoria da ministra Maria Thereza de Assis Moura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambos os casos atacaram julgamento de&nbsp;<a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/2024-mar-13\/stj-derruba-limite-para-calculo-de-contribuicoes-ao-sistema-s\/\">tese vinculante sobre as contribui\u00e7\u00f5es ao Sistema S<\/a>&nbsp;pela 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o de 2024. Como o Tema 1.079 dos repetitivos tinha dois recursos representativos, cada embargos de diverg\u00eancia foi distribu\u00eddo a um ministro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato de o processo de relatoria do ministro Og Fernandes ser pautado para julgamento virtual na Corte Especial j\u00e1 indicava que dificilmente haveria uma reviravolta, o que \u00e9 coerente, j\u00e1 que a controv\u00e9rsia \u00e9 exatamente a mesma j\u00e1 enfrentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso ainda contar\u00e1 com os votos de onze ministros \u2014 o presidente Herman Benjamin s\u00f3 vota em caso de empate e, outros dois, Ricardo Villas B\u00f4as Cueva e Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, se declararam impedidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quest\u00e3o de modula\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso parte da tese da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/stj-derruba-limite-para-calculo-de-contribuicoes-ao-sistema-s\/\">afastou o limite de 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/a>&nbsp;para a base de c\u00e1lculo n\u00e3o apenas das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, mas tamb\u00e9m das contribui\u00e7\u00f5es parafiscais a Sesi, Senai, Sesc e Senac.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Houve modula\u00e7\u00e3o temporal dos efeitos da tese: ficou decidido que ela incide para todas as empresas, exceto aquelas que, at\u00e9 25 de outubro de 2023, tinham decis\u00e3o judicial ou administrativa favor\u00e1vel para manter a base de c\u00e1lculo das contribuintes com o limite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-set-16\/modulacao-da-tese-das-contribuicoes-ao-sistema-s-cria-problema-concorrencial\/\">Essas privilegiadas<\/a>&nbsp;puderam manter a contribui\u00e7\u00e3o limitada at\u00e9 2 maio de 2024, data em que o ac\u00f3rd\u00e3o da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o foi publicado. A partir desse per\u00edodo, o limite deixou de valer para todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A modula\u00e7\u00e3o foi justificada pela altera\u00e7\u00e3o de uma \u201cjurisprud\u00eancia dominante\u201d, requisito que o artigo 927, \u00a7 3\u00ba do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm\">C\u00f3digo de Processo Civil<\/a>&nbsp;exige para a modula\u00e7\u00e3o temporal das teses vinculantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa domin\u00e2ncia consistiu em dois precedentes colegiados da 1\u00aa Turma e 13 anos de decis\u00f5es monocr\u00e1ticas de integrantes da 2\u00aa Turma. Para a Fazenda Nacional, isso n\u00e3o representa jurisprud\u00eancia dominante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora \u00e9 tarde<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em junho, a Corte Especial decidiu que &nbsp;\u00e9 imposs\u00edvel opor a modula\u00e7\u00e3o de efeitos feita pela 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o a algum ac\u00f3rd\u00e3o paradigma que tenha sido decidido em condi\u00e7\u00f5es de similitude f\u00e1tica, pois a decis\u00e3o de modular \u00e9 espec\u00edfica, tomada com base na seguran\u00e7a jur\u00eddica e no interesse social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ficou vencido na ocasi\u00e3o o ministro Og Fernandes, para quem os embargos seriam plenamente cab\u00edveis por envolver a diverg\u00eancia na interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de uma norma de lei federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No julgamento virtual iniciado nessa quarta, ele ressaltou que o tema poderia gerar quest\u00e3o processual aut\u00f4noma suscet\u00edvel de uniformiza\u00e7\u00e3o pela Corte Especial, mas ressalvou a pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o para aplicar o precedente anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cImp\u00f5e-se a ado\u00e7\u00e3o da mesma solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, em observ\u00e2ncia aos princ\u00edpios da seguran\u00e7a jur\u00eddica, da isonomia e da coer\u00eancia jurisprudencial\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-jun-09\/stj-confirma-cenario-desigual-criado-pela-modulacao-da-tese-do-sistema-s-2\/\">Como mostrou<\/a>&nbsp;a revista eletr\u00f4nica&nbsp;Consultor Jur\u00eddico, a confirma\u00e7\u00e3o da modula\u00e7\u00e3o manteve o cen\u00e1rio de desigualdade entre contribuintes, que s\u00e3o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-18\/fim-do-limite-para-contribuicoes-ao-sistema-s-atinge-grandes-empregadores\/\">atingidos de maneira desigual&nbsp;<\/a>pelo fim do teto de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra conclus\u00e3o \u00e9 a da possibilidade de formar jurisprud\u00eancia dominante&nbsp;<a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-jun-10\/stj-indica-que-decisoes-individuais-compoem-formacao-de-jurisprudencia-dominante-2\/\">por meio de decis\u00f5es monocr\u00e1ticas<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/98130da2-b93a-4950-8520-604ad1312419.pdf\">aqui<\/a>&nbsp;para ler o voto do relator<br>EREsp 1.898.532<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-jur-dico wp-block-embed-consultor-jur-dico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"0acIOHt3wY\"><a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-ago-12\/relator-no-stj-vota-contra-rever-modulacao-da-tese-do-sistema-s\/\">Relator no STJ vota contra rever modula\u00e7\u00e3o da tese do Sistema S<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"\u201cRelator no STJ vota contra rever modula\u00e7\u00e3o da tese do Sistema S\u201d \u2014 Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-ago-12\/relator-no-stj-vota-contra-rever-modulacao-da-tese-do-sistema-s\/embed\/#?secret=uvppOsXrmr#?secret=0acIOHt3wY\" data-secret=\"0acIOHt3wY\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1\u00aa se\u00e7\u00e3o do STJ valida al\u00edquota zero de PIS\/Cofins com efeito retroativo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Data: 12\/08\/2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 1\u00aa se\u00e7\u00e3o do STJ decidiu que a regulamenta\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio tribut\u00e1rio pode alcan\u00e7ar fatos geradores anteriores quando o pr\u00f3prio ato regulamentar prev\u00ea efeitos retroativos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esse entendimento, o colegiado reconheceu a aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota zero de PIS\/Cofins \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de aeronave realizada antes da edi\u00e7\u00e3o de decreto que adequou a regulamenta\u00e7\u00e3o aos limites previstos em lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Benef\u00edcio fiscal<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A controv\u00e9rsia envolvia a efic\u00e1cia temporal de decretos editados para regulamentar benef\u00edcio institu\u00eddo pela lei 10.925\/04 e a exist\u00eancia de entendimentos divergentes no STJ acerca da possibilidade de normas infralegais produzirem efeitos retroativos para viabilizar a frui\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sess\u00e3o nesta quarta-feira, 12, o relator, ministro Gurgel de Faria, explicou que a lei 10.925\/04, ao alterar o art. 8\u00ba da lei 10.865\/04, instituiu al\u00edquota zero de PIS\/Cofins-Importa\u00e7\u00e3o para aeronaves classificadas na posi\u00e7\u00e3o 8.802 da NCM \u2013 Nomenclatura Comum do Mercosul e autorizou a regulamenta\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio pelo Poder Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sequ\u00eancia, o decreto 5.171\/04 regulamentou a desonera\u00e7\u00e3o e estabeleceu que seus efeitos seriam produzidos a partir de 26\/7\/04, data da publica\u00e7\u00e3o da lei instituidora do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o relator, por\u00e9m, o decreto tamb\u00e9m introduziu uma condi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o constava da legisla\u00e7\u00e3o: a exig\u00eancia de que a aeronave fosse utilizada no transporte comercial de cargas ou passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posteriormente, o decreto 5.268\/04 retirou essa restri\u00e7\u00e3o, adequando a regulamenta\u00e7\u00e3o ao texto legal. O novo ato, contudo, n\u00e3o repetiu expressamente a disposi\u00e7\u00e3o que estabelecia a retroatividade do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Retroatividade preservada<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Gurgel de Faria, a retirada da condi\u00e7\u00e3o indevidamente criada pelo primeiro decreto n\u00e3o significou a revoga\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula que estabelecia a produ\u00e7\u00e3o de efeitos desde a publica\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme observou, \u201c\u00e0&nbsp;luz dos arts. 2\u00ba, \u00a7 1\u00ba, e 6\u00ba da LINDB, a retroatividade prevista no primeiro decreto subsiste na aus\u00eancia de revoga\u00e7\u00e3o expressa ou incompatibilidade absoluta, alcan\u00e7ando os fatos geradores ocorridos desde a vig\u00eancia da lei instituidora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o ministro, o Poder Executivo, ao exercer o poder regulamentar previsto no art. 84, IV, da Constitui\u00e7\u00e3o, limitou-se a conferir fiel execu\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o que estabeleceu a desonera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, segundo o relator, a regulamenta\u00e7\u00e3o assegurou efic\u00e1cia ao benef\u00edcio fiscal tamb\u00e9m no per\u00edodo compreendido entre a entrada em vigor da lei e a publica\u00e7\u00e3o do decreto que suprimiu a restri\u00e7\u00e3o criada inicialmente pelo Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caso concreto<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso analisado, a importa\u00e7\u00e3o envolvia aeronave classificada na posi\u00e7\u00e3o 8.802 da NCM e a declara\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o foi registrada em 26\/7\/04, justamente a data a partir da qual o primeiro decreto havia determinado a produ\u00e7\u00e3o de efeitos do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disso, Gurgel de Faria concluiu que a empresa tinha direito \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota zero de PIS\/Cofins-Importa\u00e7\u00e3o na opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o voto, o relator reconheceu que a cl\u00e1usula de retroatividade estabelecida pelo decreto original permaneceu v\u00e1lida mesmo ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o do ato regulamentar posterior que suprimiu restri\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel com a lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O entendimento foi acompanhado pelo colegiado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo Relacionado:&nbsp;EAREsp 1.252.267<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.migalhas.com.br\/quentes\/462219\/1-secao-do-stj-valida-beneficio-fiscal-com-efeito-retroativo\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>STJ define in\u00edcio de vig\u00eancia de benef\u00edcio fiscal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Data: 14\/08\/2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que benef\u00edcio fiscal deve passar a valer na data da vig\u00eancia da lei, mesmo que regulamenta\u00e7\u00e3o posterior n\u00e3o tenha previs\u00e3o de efeito retroativo. O entendimento, que beneficia os contribuintes, pode afetar o julgamento de outros casos em que a regulamenta\u00e7\u00e3o da lei tenha demorado para sair.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo analisado pela 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o envolve a Lei n\u00ba 10.925, publicada em 26 de julho de 2004, que alterou o artigo 8\u00ba, par\u00e1grafo 12\u00ba, inciso VI, da Lei n\u00ba 10.865, de 2004, e instituiu a al\u00edquota zero de PIS e Cofins-Importa\u00e7\u00e3o na compra de aeronaves e autorizou a regulamenta\u00e7\u00e3o pelo Executivo. Alguns dias depois, foi editado o Decreto n\u00ba 5.171, que regulamentou o benef\u00edcio e previu no artigo 7\u00ba, inciso II, a produ\u00e7\u00e3o de efeitos a partir da data de edi\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa regulamenta\u00e7\u00e3o, no entanto, restringiu o benef\u00edcio. Valeria apenas aeronaves usadas no transporte comercial de cargas e de passageiros. Posteriormente, o Decreto n\u00ba 5.268 suprimiu essa restri\u00e7\u00e3o e n\u00e3o trouxe nenhuma previs\u00e3o sobre a cl\u00e1usula de retroatividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso \u00e9 da Minerva, que tinha comprado uma aeronave no mesmo dia em que a lei foi publicada, em 26 de julho de 2004. Ela entrou com mandado de seguran\u00e7a para garantir a libera\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o na alf\u00e2ndega sem pagamento do imposto, e teve o pedido atendido em primeira inst\u00e2ncia. O Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o (TRF-3) manteve a decis\u00e3o favor\u00e1vel ao contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o caso chegou ao STJ, por\u00e9m, a 2\u00aa Turma entendeu que a lei que precisa de regulamenta\u00e7\u00e3o tem efic\u00e1cia limitada. Portanto, s\u00f3 passa a ser v\u00e1lida com a edi\u00e7\u00e3o da norma regulamentadora posterior. Havia, contudo, outros precedentes do mesmo colegiado que davam raz\u00e3o ao contribuinte. Assim, o caso foi levado \u00e0 1\u00ba Se\u00e7\u00e3o para dirimir a diverg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No julgamento, a 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o entendeu que o Executivo, ao exercer seu poder regulamentar, s\u00f3 garantiu a execu\u00e7\u00e3o da lei que instituiu a desonera\u00e7\u00e3o, \u201cassegurando a efic\u00e1cia normativa para frui\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio fiscal no per\u00edodo anterior \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do regulamento\u201d. No caso concreto, como a importa\u00e7\u00e3o foi registrada durante a vig\u00eancia da lei, a empresa obteve o direito \u00e0 al\u00edquota zero de PIS e Cofins-Importa\u00e7\u00e3o (EAREsp 1252267).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA retroatividade prevista no primeiro decreto subsiste na aus\u00eancia de revoga\u00e7\u00e3o expressa ou incompatibilidade absoluta, alcan\u00e7ando os fatos geradores ocorridos desde a vig\u00eancia da lei instituidora\u201d, afirmou o relator, ministro Gurgel de Faria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adriano Moura, s\u00f3cio de tribut\u00e1rio do Mattos Filho, atuou no processo defendendo a empresa. Ele diz que n\u00e3o existe um padr\u00e3o de tempo para que ocorra a regulamenta\u00e7\u00e3o de norma instituindo benef\u00edcios fiscais. \u201cAcreditamos que este foi um caso de resist\u00eancia pontual, n\u00e3o \u00e9 muito comum essa discuss\u00e3o na Justi\u00e7a\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria dos precedentes pr\u00f3-Fisco era da 1\u00aa Turma. Em 2012, o colegiado negou recurso de um banco e considerou que a Lei n\u00ba Lei 9.718, de 1998, que previa a exclus\u00e3o das receitas transferidas a outra empresa da base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins, \u00e9 norma de efic\u00e1cia limitada, \u201cexigindo regulamenta\u00e7\u00e3o para se tornar aplic\u00e1vel\u201d (REsp 1199538).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, a 2\u00aa Turma j\u00e1 tinha decidido que a Lei n\u00ba 11.051, de 2004, apesar de ter caracter\u00edstica de norma de efic\u00e1cia limitada, teve sua aplica\u00e7\u00e3o viabilizada por uma instru\u00e7\u00e3o normativa que apenas repetiu e detalhou, minimamente, a norma legal. Dessa forma, o colegiado reconheceu o direito de uma agropecu\u00e1ria \u00e0 suspens\u00e3o de cobran\u00e7a de PIS e Cofins sobre bens produzidos por cooperativa (REsp 1160835).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Lia Drezza, tributarista do Sanmahe Advogados, o entendimento poder\u00e1 ser invocado por contribuintes que preencheram os requisitos materiais de um benef\u00edcio espec\u00edfico, mas que, por qualquer raz\u00e3o, s\u00f3 puderam habilitar-se quando saiu o ato de regulamenta\u00e7\u00e3o. \u201cO relator aplicou ao caso, de forma correta, o disposto no artigo 84, IV, da Constitui\u00e7\u00e3o, que autoriza o Executivo a apenas expedir decreto para a fiel execu\u00e7\u00e3o da lei. Poder regulamentar de segundo grau, n\u00e3o compet\u00eancia normativa aut\u00f4noma, portanto\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a decis\u00e3o do STJ preserva a rela\u00e7\u00e3o entre a lei e o regulamento, afirma Renato Ramalho, s\u00f3cio do Heleno Torres Advogados. \u201cA pr\u00f3pria lei j\u00e1 havia institu\u00eddo a desonera\u00e7\u00e3o e definido a data a partir da qual ela produziria efeitos. Ao decreto coube disciplinar sua aplica\u00e7\u00e3o, sem criar benef\u00edcio novo ou ampliar o alcance da lei\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Ramalho, reconhecer efeitos desde a vig\u00eancia da norma legal evita que o tempo necess\u00e1rio \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o reduza, na pr\u00e1tica, \u201cuma desonera\u00e7\u00e3o que o legislador j\u00e1 havia concedido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Procurada pelo Valor, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional informou que n\u00e3o iria se manifestar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2026\/08\/14\/stj-define-inicio-de-vigencia-de-beneficio-fiscal.ghtml\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2026\/08\/14\/tribunal-reduz-tributacao-mensal-sobre-dividendos.ghtml\"><strong>Tribunal reduz tributa\u00e7\u00e3o mensal sobre dividendos<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Data: 14\/08\/2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desembargador federal Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF-4) concedeu liminar que pode reduzir, na pr\u00e1tica, a tributa\u00e7\u00e3o mensal sobre lucros e dividendos distribu\u00eddos a pessoas f\u00edsicas. Ele determinou que a reten\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda (IRPF) seja compat\u00edvel com a tributa\u00e7\u00e3o anual projetada, quando os pagamentos mensais estiverem entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Lei n\u00ba 15.270, de 2025, estabeleceu a reten\u00e7\u00e3o de 10% no m\u00eas quando lucros e dividendos forem superiores a R$ 50 mil \u2013 com eventuais ajustes na declara\u00e7\u00e3o do IRPF. Mas tamb\u00e9m traz a tributa\u00e7\u00e3o anualizada, que cresce gradualmente de 0% a 10% para rendimentos entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, a decis\u00e3o reduz a al\u00edquota de 10% cobrada sobre valores acima de R$ 50 mil no caso de, anualizado, o montante n\u00e3o atingir o patamar previsto para esse percentual. A decis\u00e3o atende a pedido feito pela Flamil Com\u00e9rcio, Transporte Rodovi\u00e1rio e Log\u00edstica e por uma pessoa f\u00edsica. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ir\u00e1 recorrer da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o \u00e9 um importante precedente para os contribuintes, segundo especialistas. E \u00e9 concedida em um momento em que o governo n\u00e3o consegue atingir a meta de arrecada\u00e7\u00e3o projetada para a tributa\u00e7\u00e3o de dividendos. A meta para este ano, ap\u00f3s revis\u00e3o, \u00e9 de R$ 17 bilh\u00f5es. No primeiro semestre, por\u00e9m, a receita alcan\u00e7ada foi de R$ 2,2 bilh\u00f5es. Muitas empresas anteciparam distribui\u00e7\u00f5es ainda em 2025. Outros pontos j\u00e1 foram judicializados, como a incid\u00eancia da tributa\u00e7\u00e3o nos regimes do Simples Nacional e lucro real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na a\u00e7\u00e3o, a empresa e o s\u00f3cio pediam para afastar a reten\u00e7\u00e3o de 10% estabelecida pela Lei n\u00ba 15.270, de 2025, incidente sobre lucros e dividendos distribu\u00eddos acima de R$ 50 mil mensais. Apontaram que, em 2025, o s\u00f3cio recebeu R$ 492,55 mil e, portanto, se o patamar de rendimentos anuais se repetir, a reten\u00e7\u00e3o ter\u00e1 que ser devolvida integralmente (processo n\u00ba 5026333-41.2026.4.04.0000).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na decis\u00e3o, o desembargador entendeu que a reten\u00e7\u00e3o antecipada da al\u00edquota m\u00e1xima de 10% para todos os casos n\u00e3o seria compat\u00edvel com a sistem\u00e1tica da tributa\u00e7\u00e3o anual. Para ele, pode resultar na antecipa\u00e7\u00e3o de valores superiores ao imposto efetivamente devido, comprometendo a disponibilidade financeira do contribuinte at\u00e9 a restitui\u00e7\u00e3o no ajuste anual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sistem\u00e1tica, acrescenta, acabaria por impor uma antecipa\u00e7\u00e3o excessiva de recursos, e seria uma afronta ao princ\u00edpio da capacidade contributiva. \u201cO legislador ordin\u00e1rio, de modo ileg\u00edtimo, criou mecanismo de financiamento da Uni\u00e3o \u00e0s custas de antecipa\u00e7\u00f5es exageradas, a serem restitu\u00eddas apenas a partir do ano seguinte e com juros somente a contar do ajuste\u201d, afirma ele na decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na liminar, o desembargador determinou que a Uni\u00e3o deixe de exigir, nos pagamentos mensais de lucros e dividendos entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, reten\u00e7\u00e3o superior ao percentual correspondente \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o anual projetada a partir do rendimento mensal. A reten\u00e7\u00e3o deve ser calculada por meio de al\u00edquota \u201cpresumidamente equivalente\u201d \u00e0 anual, preservando o ajuste definitivo na declara\u00e7\u00e3o anual do imposto de renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o n\u00e3o afasta a tributa\u00e7\u00e3o como um todo, mas identifica uma quest\u00e3o muito relevante, de que a reten\u00e7\u00e3o mensal usa sempre a al\u00edquota m\u00e1xima de 10%, mesmo para quem ganha s\u00f3 um pouco acima do limite e a pr\u00f3pria f\u00f3rmula da lei para o ajuste anual demonstra que essa pessoa dever\u00e1 pagar uma al\u00edquota bem menor, segundo explica Valter Lobato, s\u00f3cio do Sacha Calmon Misabel Derzi Consultores e Advogados e professor da UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA reten\u00e7\u00e3o na fonte cobra antecipadamente mais do que ser\u00e1 devido no ajuste final, o que fere a capacidade contributiva, praticidade e razoabilidade. Funciona, na pr\u00e1tica, como um \u2018empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio\u2019 disfar\u00e7ado, porque o montante s\u00f3 ser\u00e1 devolvido depois, sem juros at\u00e9 o ajuste, sem lei complementar e sem respaldo constitucional\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Helena Trentini, s\u00f3cia do Heleno Torres Advogados a decis\u00e3o \u00e9 relevante porque n\u00e3o afasta a tributa\u00e7\u00e3o m\u00ednima das altas rendas, mas questiona a forma de antecip\u00e1-la. Trentini aponta que, do ponto de vista econ\u00f4mico, a discuss\u00e3o envolve n\u00e3o apenas a carga tribut\u00e1ria definitiva, mas tamb\u00e9m o custo financeiro da antecipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAo estabelecer uma reten\u00e7\u00e3o proporcional, a decis\u00e3o procura aproximar o recolhimento mensal da obriga\u00e7\u00e3o anual prov\u00e1vel\u201d, explica. Para a advogada, contudo, \u00e9 preciso cautela porque se trata de decis\u00e3o monocr\u00e1tica, provis\u00f3ria e restrita \u00e0s partes do processo. \u201cN\u00e3o declara a invalidade da Lei n\u00ba 15.270\/2025 nem autoriza os demais contribuintes a reduzir automaticamente a reten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Rodrigo Schwartz, advogado tributarista no escrit\u00f3rio Menezes Niebuhr, j\u00e1 existem pedidos e decis\u00f5es sobre reten\u00e7\u00e3o no Simples e no lucro real, mas esse caso \u00e9 diferente e juridicamente consistente. \u201c\u00c9 uma tese nova e endere\u00e7a a situa\u00e7\u00e3o de muitos contribuintes\u201d, afirma. O advogado afirma que muitos s\u00f3cios ficam abaixo da cobran\u00e7a no teto (10%) no ano, mas eventualmente atingem em alguns meses e acabam sendo cobrados. \u201cNo fim do ano ele ter\u00e1 restitui\u00e7\u00e3o, mas sem atualiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 para Marcio Alabarce, s\u00f3cio do Canedo, Costa, Pereira e Alabarce Advogados, \u00e9 poss\u00edvel discordar da nova tributa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o pelo caminho adotado na decis\u00e3o. Para ele, a decis\u00e3o \u201ccontraria uma experi\u00eancia acumulada de muitas d\u00e9cadas com os regimes de antecipa\u00e7\u00e3o de impostos\u201d. Ainda segundo o advogado, reten\u00e7\u00e3o semelhante ocorre no c\u00e1lculo do pr\u00f3prio IR sobre os rendimentos de trabalho, ocorre com o come-cotas de fundos de investimento, em in\u00fameros outros tributos. \u201cNo ajuste anual, eventuais saldos, a maior ou menor, ser\u00e3o computados e ser\u00e1 feito o ressarcimento, se for o caso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2026\/08\/14\/tribunal-reduz-tributacao-mensal-sobre-dividendos.ghtml\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>STF suspende julgamento sobre exclus\u00e3o do Refis em casos de parcelas \u00ednfimas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Data: 17\/08\/2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um pedido de vista do ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a interrompeu, na \u00faltima sexta-feira (14\/8), o julgamento em que o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal discute a exclus\u00e3o de contribuintes do Programa de Recupera\u00e7\u00e3o Fiscal (Refis) do governo federal nos casos de \u201cparcelas \u00ednfimas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fim da sess\u00e3o virtual estava previsto para esta ter\u00e7a-feira (18\/8). Antes da suspens\u00e3o, dois ministros haviam se posicionado a favor da exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Refis \u00e9 um programa de parcelamento de d\u00edvidas tribut\u00e1rias. O julgamento diz respeito aos casos em que os valores pagos pelas empresas a cada m\u00eas s\u00e3o insuficientes para reduzir a d\u00edvida de forma significativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com um relat\u00f3rio da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o, anexado ao Projeto de Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (PLDO) de 2025, o julgamento tem um impacto poss\u00edvel de at\u00e9 R$ 80 bilh\u00f5es nas contas p\u00fablicas federais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contexto<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2013, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PFGN), \u00f3rg\u00e3o da AGU, emitiu um parecer para estipular que, caso os valores recolhidos pelos contribuintes fossem insuficientes para amenizar saldos de d\u00edvidas do Refis, os pagamentos n\u00e3o seriam considerados v\u00e1lidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a PGFN, isso justifica a exclus\u00e3o do parcelamento, com base no inciso II do artigo 5\u00ba da Lei 9.964\/2000, que instituiu o Refis. Esse trecho prev\u00ea que a empresa ser\u00e1 exclu\u00edda se n\u00e3o pagar a d\u00edvida por tr\u00eas meses consecutivos ou seis meses alternados \u2014 o que ocorrer primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O argumento da PGFN \u00e9 que o d\u00e9bito n\u00e3o pode \u201cexistir de forma perene\u201d devido ao baixo valor das parcelas pagas. Isso porque o objetivo do parcelamento \u00e9 quitar o d\u00e9bito em tempo razo\u00e1vel. Assim, na vis\u00e3o da \u00f3rg\u00e3o, a impossibilidade de adimpl\u00eancia deve ser equiparada \u00e0 inadimpl\u00eancia, o que permite excluir empresas do programa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, contribuintes foram exclu\u00eddos do Refis e suas d\u00edvidas chegaram a patamares alt\u00edssimos, devido a juros e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. O entendimento da PGFN mais tarde foi respaldado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2021, o Conselho Federal da OAB acionou o Supremo para questionar a exclus\u00e3o de contribuintes com base no recolhimento de parcelas \u00ednfimas ou que tornem as d\u00edvidas impag\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 em 2023, poucos dias antes de se aposentar, o ent\u00e3o relator do caso no STF, ministro Ricardo Lewandowski, concedeu liminar para suspender tais exclus\u00f5es e determinar a reinclus\u00e3o dos contribuintes \u201cadimplentes e de boa-f\u00e9\u201d que pagaram os devidos valores desde a ades\u00e3o ao Refis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o ministro, a PGFN ultrapassou os limites de sua compet\u00eancia. Para ele, o Poder Legislativo deveria ser o respons\u00e1vel por criar possibilidades de exclus\u00e3o de contribuintes do Refis. Em 2024, o Plen\u00e1rio confirmou a liminar. Agora, o STF analisa o m\u00e9rito da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voto do relator<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ministro Cristiano Zanin, sucessor de Lewandowski na Corte e que herdou a relatoria do caso, validou a tese da PGFN. Ele foi acompanhado por Gilmar Mendes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zanin tamb\u00e9m sugeriu manter os contribuintes que foram reinclu\u00eddos ou permaneceram no Refis por for\u00e7a da liminar referendada pelo Plen\u00e1rio. Por outro lado, prop\u00f4s que o valor das presta\u00e7\u00f5es dessas empresas seja revisado, para permitir a quita\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito em prazo razo\u00e1vel. Caso isso n\u00e3o aconte\u00e7a, elas tamb\u00e9m poder\u00e3o ser exclu\u00eddas por inadimpl\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o relator, manter contribuintes com parcelas \u00ednfimas equivaleria a perpetuar o d\u00e9bito, o que contraria a ess\u00eancia do Refis. Na sua vis\u00e3o, qualquer parcela que n\u00e3o sirva para saldar o d\u00e9bito ao longo do tempo configura inadimpl\u00eancia e autoriza a exclus\u00e3o do programa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, isso \u00e9 resultado de uma interpreta\u00e7\u00e3o literal da lei. Afinal, a legisla\u00e7\u00e3o nunca autorizou a perman\u00eancia indefinida no programa a partir de pagamentos simb\u00f3licos. \u201cA administra\u00e7\u00e3o apenas extrai do texto legal o sentido que lhe \u00e9 pr\u00f3prio: o de que o pagamento incapaz de amortizar o d\u00e9bito n\u00e3o satisfaz a obriga\u00e7\u00e3o assumida no parcelamento\u201d, explicou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O magistrado tamb\u00e9m destacou que a perman\u00eancia, nesses casos, viola a isonomia tribut\u00e1ria, pois prejudica contribuintes que quitaram regularmente suas d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ADI 7.370<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-jur-dico wp-block-embed-consultor-jur-dico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"UVAyvHyptm\"><a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-ago-17\/stf-suspende-julgamento-sobre-exclusao-do-refis-em-casos-de-parcelas-infimas\/\">STF suspende julgamento sobre exclus\u00e3o do Refis em casos de parcelas \u00ednfimas<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"\u201cSTF suspende julgamento sobre exclus\u00e3o do Refis em casos de parcelas \u00ednfimas\u201d \u2014 Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-ago-17\/stf-suspende-julgamento-sobre-exclusao-do-refis-em-casos-de-parcelas-infimas\/embed\/#?secret=7bBqDMggxa#?secret=UVAyvHyptm\" data-secret=\"UVAyvHyptm\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desembargadores do TRF-3 afastam majora\u00e7\u00e3o de 10% sobre lucro presumido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Data: 17\/08\/2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presun\u00e7\u00e3o de lucro \u00e9 uma forma de tributa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o um benef\u00edcio fiscal ou ren\u00fancia de receita. Por isso, o crit\u00e9rio que a Lei Complementar 224\/2025 usa para majorar em 10% o lucro presumido de empresas com faturamento superior a R$ 5 milh\u00f5es, a fim de calcular IRPJ e CSLL, n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Valor do faturamento n\u00e3o indica por si s\u00f3 que lucro das empresas \u00e9 superior<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse foi o fundamento dos desembargadores Nery J\u00fanior e Wilson Zauhy, respectivamente da 3\u00aa e da 4\u00aa Turmas do Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o, para afastar em car\u00e1ter preliminar o acr\u00e9scimo de 10% de tributa\u00e7\u00e3o sobre a presun\u00e7\u00e3o de lucro de duas empresas distintas. As decis\u00f5es ainda ser\u00e3o julgadas no m\u00e9rito por cada colegiado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As controv\u00e9rsias envolveram uma distribuidora de energia, com sede em Sorocaba (SP), e uma cl\u00ednica de sa\u00fade feminina, que atua na regi\u00e3o metropolitana da capital paulista. Individualmente, cada empresa ajuizou um mandado de seguran\u00e7a para afastar a majora\u00e7\u00e3o de 10% nos percentuais de presun\u00e7\u00e3o de lucro aplic\u00e1veis ao Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e \u00e0 Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse aumento foi institu\u00eddo pela Lei Complementar 224\/2025, especificamente sobre a parcela de receita bruta anual que excede R$ 5 milh\u00f5es. A norma passou a considerar a modalidade de lucro presumido como benef\u00edcio fiscal, e para tanto instituiu este percentual para reduzir \u201cincentivos fiscais\u201d, conforme o inciso VII do \u00a7 4\u00ba e o \u00a7 5\u00ba do artigo 4\u00ba da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na primeira inst\u00e2ncia, os ju\u00edzos da 8\u00aa e da 17\u00aa Vara C\u00edvel Federal de S\u00e3o Paulo rejeitaram os pedidos. Ambos destacaram que a lei complementar, no inciso I do \u00a7 3\u00ba do artigo 4\u00ba, fixou o lucro real como sistema padr\u00e3o de tributa\u00e7\u00e3o do IRPJ e da CSLL.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformadas, ambas as empresas impetraram agravo de instrumento no TRF-3. Elas sustentaram, em s\u00edntese, que o artigo 44 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional categoriza o lucro presumido como padr\u00e3o de tributa\u00e7\u00e3o, assim como o lucro real e o lucro arbitrado, e n\u00e3o como ren\u00fancia a receita ou benef\u00edcio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entendimentos similares<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dois desembargadores apresentaram teses semelhantes para acolher preliminarmente os pedidos das autoras. Na 3\u00aa Turma, Nery J\u00fanior interpretou que a lei complementar pode violar o conceito de renda e da capacidade econ\u00f4mica contributiva, pois estaria considerando o faturamento, e n\u00e3o o lucro, para cobrar os tributos disputados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cReferido par\u00e2metro, al\u00e9m de desvirtuar da forma de tributa\u00e7\u00e3o presumida, posto que baseado em progressividade de receita, apura\u00e7\u00e3o que mais se aproxima da tributa\u00e7\u00e3o pelo lucro real \u2013 ou mesmo do lucro arbitrado -, divide em dois os optantes pelo lucro presumido sem qualquer crit\u00e9rio t\u00e9cnico [aqueles que faturam mais ou menos do que R$ 5 milh\u00f5es], indicando poss\u00edvel viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da igualdade tribut\u00e1ria\u201d, considerou o magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 na 4\u00aa Turma, o relator Wilson Zauhy considerou que equiparar o lucro presumido a benef\u00edcio fiscal violaria o princ\u00edpio constitucional da legalidade estrita. Para o desembargador, o volume do faturamento por si s\u00f3 n\u00e3o indica aumento na lucratividade da empresa, ou seja, a majora\u00e7\u00e3o de 10% poderia representar um acr\u00e9scimo de imposto sobre um lucro que nunca existiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambos os desembargadores convergiram ao afirmar que o lucro presumido \u00e9 forma de tributa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o benef\u00edcio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo 5020537-96.2026.4.03.0000<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo 5021685-45.2026.4.03.0000<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-jur-dico wp-block-embed-consultor-jur-dico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"gelFe8VNJO\"><a href=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-ago-17\/desembargadores-do-trf-3-afastam-majoracao-de-10-sobre-lucro-presumido\/\">Desembargadores do TRF-3 afastam majora\u00e7\u00e3o de 10% sobre lucro presumido<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"\u201cDesembargadores do TRF-3 afastam majora\u00e7\u00e3o de 10% sobre lucro presumido\u201d \u2014 Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/conjur.com.br\/2026-ago-17\/desembargadores-do-trf-3-afastam-majoracao-de-10-sobre-lucro-presumido\/embed\/#?secret=dpZfgYTENu#?secret=gelFe8VNJO\" data-secret=\"gelFe8VNJO\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>STF suspende julgamento sobre troca de \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos judiciais Data: 10\/08\/2026 O ministro Cristiano Zanin, do&nbsp;Supremo Tribunal Federal, pediu destaque no julgamento que discute a validade da substitui\u00e7\u00e3o da taxa Selic pelo \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) como o \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos judiciais e administrativos nos processos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4069,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[9,29,33,63,96,73],"class_list":["post-4109","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-retrospecto-tributario","tag-amaral-yazbek","tag-empresas","tag-negocios","tag-noticia-do-dia","tag-reforma-tributaria","tag-retrospecto-tributario"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Retrospecto Tribut\u00e1rio - 19\/02 a 23\/02<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"As principais atualiza\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias que voc\u00ea n\u00e3o pode perder est\u00e3o aqui. 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