{"id":3968,"date":"2026-01-27T08:52:40","date_gmt":"2026-01-27T11:52:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=3968"},"modified":"2026-01-27T08:52:43","modified_gmt":"2026-01-27T11:52:43","slug":"retrospecto-tributario-20-01-a-27-01-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=3968","title":{"rendered":"Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 20\/01 a 27\/01"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Receita negocia com empresas e evita bilh\u00f5es de reais em autua\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita Federal sentou \u00e0 mesa com contribuintes para debater teses tribut\u00e1rias e deixou de lavrar, em apenas dois casos, autua\u00e7\u00f5es fiscais que somariam cerca de R$ 32 bilh\u00f5es. As discuss\u00f5es ocorreram dentro do Programa Confia. Um deles, de R$ 30 bilh\u00f5es, envolve empresas do setor el\u00e9trico que questionavam tributa\u00e7\u00e3o sobre a devolu\u00e7\u00e3o a consumidores de cr\u00e9ditos da chamada \u201ctese do s\u00e9culo\u201d \u2013 a exclus\u00e3o do ICMS do c\u00e1lculo do PIS e da Cofins. No outro, de R$ 2 bilh\u00f5es, a negocia\u00e7\u00e3o com uma \u00fanica empresa era sobre tributa\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O Confia cria um relacionamento entre grandes empresas e a Receita e pode ajudar a solucionar, de forma consensual, controv\u00e9rsias tribut\u00e1rias, evitando lit\u00edgios e o contencioso administrativo, segundo explicou Fl\u00e1vio Campos, auditor fiscal e coordenador do Centro Confia, em entrevista ao Valor. Nas duas situa\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s a discuss\u00e3o pr\u00e9via dos temas no \u00e2mbito do programa, o \u00f3rg\u00e3o concluiu que n\u00e3o caberia o lan\u00e7amento dos cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios. No caso da \u201ctese do s\u00e9culo\u201d, a partir do questionamento de uma empresa, o entendimento foi estendido a todo o setor el\u00e9trico.<\/p>\n\n\n\n<p>Criado em setembro de 2022, o programa come\u00e7ou em uma fase experimental com nove empresas, operou com estrutura reduzida at\u00e9 agosto de 2024 e, na sequ\u00eancia, entrou na fase piloto, com 20 empresas. Agora, avan\u00e7a para o modelo permanente, ap\u00f3s ter sido institu\u00eddo por lei complementar aprovada no ano passado. No dia 26 deste m\u00eas, estar\u00e3o abertas as candidaturas para a nova etapa e a previs\u00e3o inicial \u00e9 de 40 vagas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os crit\u00e9rios de acesso combinam requisitos quantitativos, como classifica\u00e7\u00e3o como \u201ccontribuinte especial\u201d, receita bruta declarada m\u00ednima de R$ 2 bilh\u00f5es e m\u00ednimo de R$ 100 milh\u00f5es em d\u00edvidas tribut\u00e1rias declaradas. H\u00e1 tamb\u00e9m crit\u00e9rios qualitativos, que incluem hist\u00f3rico de conformidade tribut\u00e1ria e aduaneira, perfil de lit\u00edgio, estrutura organizacional de governan\u00e7a tribut\u00e1ria e sistema de gest\u00e3o de conformidade tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na modalidade permanente, o Confia vai prever novos benef\u00edcios para as empresas participantes, como o \u201cSelo Confia\u201d, redu\u00e7\u00e3o de 1% a 3% na CSLL, veda\u00e7\u00e3o ao registro ou \u00e0 averba\u00e7\u00e3o de arrolamento de bens e direitos, prioridade em servi\u00e7os da Receita e prefer\u00eancia em licita\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da possibilidade de autorregulariza\u00e7\u00e3o sem multa, com prazos definidos e op\u00e7\u00e3o de parcelamento.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o os mesmos benef\u00edcios do Programa Sintonia com acr\u00e9scimos, al\u00e9m de um \u201cgerente de relacionamento\u201d. A empresa passa a ter um auditor fiscal como ponte para d\u00favidas, mas precisa abrir suas informa\u00e7\u00f5es para a Receita Federal \u2013 o que desincentiva alguns contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a fase inicial e o piloto, o Confia resultou em cerca de R$ 500 milh\u00f5es em cr\u00e9ditos regularizados, ou seja, arrecada\u00e7\u00e3o direta para o Estado, sem lit\u00edgio. Aproximadamente R$ 300 milh\u00f5es em multas deixaram de ser pagas pelas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a fase permanente, a expectativa \u00e9 de R$ 1 bilh\u00e3o em autorregulariza\u00e7\u00e3o no primeiro ano, embora esse n\u00e3o seja o objetivo central do programa, que busca mudar o comportamento dos contribuintes no longo prazo, e n\u00e3o apenas resolver passivos pontuais, afirmou o coordenador do Centro Confia.<\/p>\n\n\n\n<p>No programa, os temas a serem discutidos podem ser apresentados tanto pela Receita Federal quanto pelas empresas. Quando o contribuinte leva espontaneamente um planejamento ou interpreta\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e concorda com o entendimento da Receita, um eventual pagamento que tenha de ser feito pode ocorrer sem aplica\u00e7\u00e3o de multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no caso de haver revela\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria pela empresa, mas ela discordar da Receita, o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio \u00e9 constitu\u00eddo sem multa, apenas com incid\u00eancia de juros, preservando o direito de discuss\u00e3o no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o de Recursos Fiscais (Carf). Caso a controv\u00e9rsia avance ao Judici\u00e1rio, passa a incidir apenas multa de mora a partir desse momento. \u201cN\u00e3o posso deixar de constituir o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio. Mas vou constituir o cr\u00e9dito, se for uma revela\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, sem nenhuma penalidade\u201d, explicou Campos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de a Receita identificar inconsist\u00eancias e levar o tema ao contribuinte no \u00e2mbito do Confia, \u00e9 poss\u00edvel a regulariza\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito sem multa, inclusive com parcelamento, diferentemente do procedimento padr\u00e3o atual, em que a penalidade chega a 75%.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso o contribuinte discorde do entendimento da Receita, o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio \u00e9 constitu\u00eddo com previs\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o da multa. Pelas regras do programa, h\u00e1 abatimento de 20% quando o tema \u00e9 tratado pela primeira vez pela empresa, outros 20% se a conduta estiver amparada por tese com respaldo no Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) ou no Supremo Tribunal Federal (STF) e mais 20% quando a diverg\u00eancia \u00e9 considerada imaterial, definida como valores inferiores a 10% do que a empresa paga de tributos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Campos, o principal ganho do programa \u00e9 permitir que a Receita reduza a inseguran\u00e7a jur\u00eddica ao consolidar entendimentos sobre temas complexos, regularizando situa\u00e7\u00f5es do passado e induzindo mudan\u00e7as de comportamento para o futuro. Com a amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de empresas, a expectativa \u00e9 que grandes temas tribut\u00e1rios passem a ter a \u201cposi\u00e7\u00e3o institucional\u201d do Fisco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDeixa de ser a posi\u00e7\u00e3o de um auditor e passa a ser a posi\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o. A ideia \u00e9 evitar lit\u00edgio e, se tiver diverg\u00eancia, trabalhar a quest\u00e3o para que se julgue logo. Hoje, gasta-se de 20 a 30 anos para ter uma posi\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro. Em 2 ou 3 anos [com o Confia] consigo pacificar um tema\u201d, afirmou. Em alguns casos, segundo o auditor, a Receita pode inclusive atuar conjuntamente com o contribuinte no Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2026\/01\/19\/receita-negocia-com-empresas-e-evita-bilhoes-de-reais-em-autuacoes.ghtml\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Comiss\u00e3o aprova incentivos fiscais para saneamento e define \u00f3rg\u00e3o de monitoramento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o de Desenvolvimento Urbano da C\u00e2mara dos Deputados aprovou, em dezembro, projeto de lei que autoriza o governo a criar incentivos fiscais para empresas que investirem em saneamento b\u00e1sico. O texto tamb\u00e9m atribui ao Comit\u00ea Interministerial de Saneamento B\u00e1sico (CISB) a fun\u00e7\u00e3o de monitorar a aplica\u00e7\u00e3o desses incentivos.<\/p>\n\n\n\n<p>O colegiado aprovou o parecer do relator, deputado Hildo Rocha (MDB-MA), ao Projeto de Lei 4952\/24, de autoria do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM). O relator recomendou a aprova\u00e7\u00e3o do projeto, com emendas.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta visa acelerar a universaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de saneamento, cujas metas s\u00e3o para 2033. Em seu parecer, o relator citou estudos que indicam que, no ritmo atual de investimentos, a universaliza\u00e7\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada apenas em 2070.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O setor p\u00fablico, por si s\u00f3, n\u00e3o possui a capacidade de investimento para suprir essa demanda&#8221;, afirmou Hildo Rocha.<\/p>\n\n\n\n<p>Altera\u00e7\u00f5es no texto<br>Uma das emendas atribui ao Comit\u00ea Interministerial de Saneamento B\u00e1sico a fun\u00e7\u00e3o de monitorar a aplica\u00e7\u00e3o dos incentivos. A proposta original previa a cria\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Nacional de Acompanhamento para essa tarefa. Segundo o relator, a mudan\u00e7a busca dar &#8220;maior racionalidade administrativa e evitar a sobreposi\u00e7\u00e3o de estruturas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Rocha tamb\u00e9m removeu a lista espec\u00edfica de incentivos fiscais do texto original, que previa redu\u00e7\u00f5es em impostos, como o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Com a mudan\u00e7a, o projeto passa a dar uma autoriza\u00e7\u00e3o geral para o governo criar o regime de incentivos, sem detalhar previamente quais impostos ser\u00e3o afetados.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 hoje<br>Hoje, os incentivos fiscais para o saneamento s\u00e3o indiretos: eles beneficiam o investidor que compra t\u00edtulos de d\u00edvida do setor (deb\u00eantures) ou reduzem impostos sobre materiais de constru\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o diminuem o Imposto de Renda sobre a opera\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pr\u00f3ximos passos<br>O projeto tramita em car\u00e1ter conclusivo e segue para an\u00e1lise das comiss\u00f5es de Finan\u00e7as e Tributa\u00e7\u00e3o; e de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela C\u00e2mara e pelo Senado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/1238890-comissao-aprova-incentivos-fiscais-para-saneamento-e-define-orgao-de-monitoramento\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Empresas podem ressarcir via precat\u00f3rio cr\u00e9ditos da tese do s\u00e9culo, dizem TRFs<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>Em decis\u00f5es recentes, Tribunais Regionais Federais (TRFs) t\u00eam autorizado o ressarcimento, via precat\u00f3rio, de cr\u00e9ditos relativos ao Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social (PIS) e \u00e0 Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) j\u00e1 habilitados para compensa\u00e7\u00e3o na esfera administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os contribuintes recorreram ao Judici\u00e1rio para resguardar os cr\u00e9ditos acumulados ap\u00f3s o julgamento da \u201cTese do S\u00e9culo\u201d, em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela exclus\u00e3o do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) da base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es. Muitas empresas tentaram utilizar esses cr\u00e9ditos pela via da compensa\u00e7\u00e3o, mas, com a redu\u00e7\u00e3o da atividade empresarial, deixaram de gerar d\u00e9bitos suficientes para absorv\u00ea-los dentro do prazo de cinco anos do tr\u00e2nsito em julgado estabelecido pela Receita Federal. Agora, correm o risco de perder os ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento dos TRFs t\u00eam sido amplamente favor\u00e1vel aos contribuintes. No TRF da 4\u00aa Regi\u00e3o, decis\u00f5es recentes da 2\u00aa Turma t\u00eam reconhecido a legitimidade da mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia: \u00e9 poss\u00edvel desistir da compensa\u00e7\u00e3o administrativa e ajuizar a\u00e7\u00e3o para buscar a restitui\u00e7\u00e3o via precat\u00f3rio. Esse posicionamento foi adotado nos processos de n\u00famero 5013192-42.2024.4.04.7107 e 5001096-80.2024.4.04.7111.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambas as decis\u00f5es, o tribunal afirmou que desistir do cumprimento de senten\u00e7a para viabilizar a compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica ren\u00fancia ao direito material de restitui\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, mas apenas a uma de suas modalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>O TRF da 5\u00aa Regi\u00e3o segue o mesmo entendimento. Na Apela\u00e7\u00e3o 0802715-23.2023.4.05.8302, a 3\u00aa Turma fixou que a escolha pela compensa\u00e7\u00e3o ou pelo precat\u00f3rio n\u00e3o torna os meios mutuamente excludentes. O Tribunal ainda destacou que somente o decurso do prazo prescricional pode extinguir a pretens\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito e que o pedido administrativo n\u00e3o impede posterior restitui\u00e7\u00e3o via precat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Origem do debate<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o julgamento da \u201cTese do S\u00e9culo\u201d, os contribuintes que optaram por compensar os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios relativos \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o PIS e \u00e0 Cofins passaram a enfrentar um novo desafio: o fim do prazo de cinco anos para compensa\u00e7\u00e3o e a possibilidade de perda desse ativo tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, o STF decidiu que o ICMS n\u00e3o integrava a base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins, e permitiu a recupera\u00e7\u00e3o dos valores pagos indevidamente a partir de 15 de mar\u00e7o de 2017, observando-se o prazo de prescri\u00e7\u00e3o quinquenal. A defini\u00e7\u00e3o foi feita no Recurso Extraordin\u00e1rio 574.706 (Tema 69 da Repercuss\u00e3o Geral) e representou uma vit\u00f3ria significativa aos contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p>A tributarista Aretha Soller Vilas Boas, s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Frizzo e Feriato Advocacia Empresarial, explica que muitos contribuintes optaram inicialmente pela compensa\u00e7\u00e3o administrativa, considerando que, \u00e0 \u00e9poca, tinham d\u00e9bitos suficientes para absorver os cr\u00e9ditos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, no mesmo ano da decis\u00e3o proferida pela Suprema Corte, a Receita Federal editou a Instru\u00e7\u00e3o Normativa (IN) 2.055\/2021, a qual, na interpreta\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabelece prazo de cinco anos para consumos dos cr\u00e9ditos, contado do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que reconhece o cr\u00e9dito. O artigo 74-A, par\u00e1grafo 2\u00ba, da Lei 9.430\/96 complementa esse entendimento ao refor\u00e7ar prazos e limites quantitativos para compensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a tributarista, mudan\u00e7as no cen\u00e1rio econ\u00f4mico e na atividade de diversas empresas reduziram o faturamento e, consequentemente, os d\u00e9bitos de PIS\/Cofins, Imposto de Renda sobre Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) aptos \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o. Assim, \u201chouve um delay entre o ac\u00famulo do cr\u00e9dito, corrigido pela Selic, e a diminui\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito, que n\u00e3o est\u00e1 sendo suficiente para consumi-lo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, os contribuintes passaram a buscar alternativas para evitar a perda dos cr\u00e9ditos acumulados. Segundo especialistas ouvidos pelo JOTA, a principal sa\u00edda tem sido o ajuizamento de a\u00e7\u00f5es judiciais para solicitar o ressarcimento do cr\u00e9dito remanescente por meio de precat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestas demandas, Villas Boas explica que s\u00e3o apresentados os c\u00e1lculos detalhando o que foi compensado e o saldo remanescente, e pedindo pela expedi\u00e7\u00e3o do precat\u00f3rio. \u201cSe n\u00e3o houvesse prazo para compensa\u00e7\u00e3o, os contribuintes permaneceriam na via administrativa. Mas, na imin\u00eancia do prazo expirar, ingressamos com a\u00e7\u00f5es judiciais explicando o contexto\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma linha, Fernanda Pazello, s\u00f3cia da \u00e1rea tribut\u00e1ria do TozziniFreire Advogados, destaca que muitas empresas v\u00eam optando pela via judicial devido ao risco de perderem seus cr\u00e9ditos por limita\u00e7\u00e3o temporal. \u201cA nosso ver, a recupera\u00e7\u00e3o via precat\u00f3rio \u00e9 a alternativa mais vi\u00e1vel diante de um cen\u00e1rio criado pelo pr\u00f3prio governo\u201d, resume.<\/p>\n\n\n\n<p>O que alega a Receita Federal?<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita Federal tem impugnado pedidos de ressarcimento ao alegar a preclus\u00e3o do direito, sob o argumento de que o contribuinte, ao habilitar o cr\u00e9dito, renuncia \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo judicial, conforme prev\u00ea a IN 2.055\/2021. O \u00f3rg\u00e3o sustenta que as modalidades de restitui\u00e7\u00e3o &#8211; compensa\u00e7\u00e3o e precat\u00f3rio &#8211; seriam mutuamente excludentes, de modo que a op\u00e7\u00e3o pela via administrativa implicaria ren\u00fancia e impediria o posterior pedido de ressarcimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi o entendimento adotado pelo \u00f3rg\u00e3o no processo 5005154-50.2024.4.04.7007, que tramita na 1\u00aa Vara Federal de Francisco Beltr\u00e3o, no estado do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A assinatura da certid\u00e3o de ren\u00fancia, exigida para habilitar o cr\u00e9dito administrativamente, seria, segundo a Receita, o instrumento que impediria o posterior pedido judicial. Entretanto, o documento serve apenas para evitar duplicidade de restitui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o implica ren\u00fancia ao direito material, conforme sustenta a tributarista do escrit\u00f3rio Frizzo e Feriato.<\/p>\n\n\n\n<p>O que dizem os especialistas?<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas t\u00eam rebatido o entendimento da Receita. Ricardo Cosentino, s\u00f3cio da \u00e1rea tribut\u00e1ria do escrit\u00f3rio Mattos Filho, argumenta que a certid\u00e3o de ren\u00fancia n\u00e3o extingue o direito ao cr\u00e9dito, mas apenas a execu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo judicial, por exig\u00eancia da pr\u00f3pria Administra\u00e7\u00e3o. Ele lembra que a S\u00famula 461 do STJ garante ao contribuinte o direito de optar entre precat\u00f3rio e compensa\u00e7\u00e3o para receber valores reconhecidos judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Fernanda Pazello, n\u00e3o h\u00e1 impedimento para que o contribuinte altere a forma de recupera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, seja nos autos principais da a\u00e7\u00e3o, seja por meio de nova demanda. \u201cO principal argumento \u00e9 o de que as duas alternativas \u2013 compensa\u00e7\u00e3o ou precat\u00f3rio \u2013 s\u00e3o modalidades postas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do contribuinte para recuperar o ind\u00e9bito tribut\u00e1rio, e a desist\u00eancia de uma das modalidades n\u00e3o importa em ren\u00fancia ao direito de repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito ou ao cr\u00e9dito em si\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma vis\u00e3o \u00e9 compartilhada por Carolina Argente de Almeida Padilla, advogada s\u00eanior do \/asbz. Ela destaca que a posi\u00e7\u00e3o dos contribuintes est\u00e1 alinhada ao entendimento do STF no Tema 1.262, segundo o qual a restitui\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito reconhecido judicialmente deve observar o regime constitucional de precat\u00f3rios, n\u00e3o sendo admitida restitui\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Villas Boas acrescenta ainda que a perda dos cr\u00e9ditos configuraria enriquecimento il\u00edcito por parte da Receita. \u201cA forma pretendida pela Receita faria o contribuinte abrir m\u00e3o de ativo tribut\u00e1rio reconhecido judicialmente, o que \u00e9 inconceb\u00edvel\u201d, afirma. Para ela, a repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito continua \u00edntegra; o que muda \u00e9 apenas a modalidade de compensa\u00e7\u00e3o para ressarcimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.jota.info\/tributos\/empresas-podem-ressarcir-via-precatorio-creditos-da-tese-do-seculo-dizem-trfs\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Comiss\u00e3o aprova incentivo fiscal para apoio a projetos culturais e esportivos em pequenos munic\u00edpios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 20\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o do Esporte da C\u00e2mara dos Deputados aprovou o <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/1145447-projeto-direciona-recursos-incentivados-para-esporte-e-cultura-em-pequenos-municipios\">Projeto de Lei 4612\/24<\/a>, que permite que empresas destinem at\u00e9 4% do valor do Imposto de Renda devido para projetos de inclus\u00e3o social por meio do esporte em munic\u00edpios com menos de 50 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto tamb\u00e9m destina a esses mun\u00edcipios 5% dos recursos doados ou patrocinados a projetos culturais com valor maior que R$ 500 mil. O montante poder\u00e1 ser inclu\u00eddo no valor a ser deduzido do Imposto de Renda do incentivador.<\/p>\n\n\n\n<p>Os parlamentares acolheram o parecer da relatora, deputada Luisa Canziani (PSD-PR), pela aprova\u00e7\u00e3o da proposta, de autoria do deputado Thiago de Joaldo (PP-SE).<\/p>\n\n\n\n<p>Luisa Canziani afirmou que o texto desconcentra a aplica\u00e7\u00e3o dos recursos de incentivo ao esporte e \u00e0 cultura, de modo que cidades menos populosas sejam beneficiadas por projetos esportivos e culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs pequenos munic\u00edpios, muitas vezes sem quaisquer equipamentos esportivos e culturais, tamb\u00e9m s\u00e3o, por sua pr\u00f3pria natureza, locais de vulnerabilidade social\u201d, acrescentou a relatora.<\/p>\n\n\n\n<p>Pr\u00f3ximos passos<br>O projeto ainda ser\u00e1 analisado, em car\u00e1ter conclusivo, pelas comiss\u00f5es de Cultura; de Finan\u00e7as e Tributa\u00e7\u00e3o; e de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Para virar lei, precisa ser aprovado pela C\u00e2mara e pelo Senado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/1239183-comissao-aprova-incentivo-fiscal-para-apoio-a-projetos-culturais-e-esportivos-em-pequenos-municipios\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o de Conformidade gera regulariza\u00e7\u00e3o de contribuintes e evita a exclus\u00e3o de parcelamentos do Simples Nacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 20\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00eas de dezembro, a Receita Federal promoveu a\u00e7\u00e3o de conformidade direcionada aos contribuintes do Simples Nacional com parcelas em atraso, contemplando os parcelamentos Convencional, Especial, Pert e Relp.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa, que teve como objetivo evitar a exclus\u00e3o por inadimpl\u00eancia dos contribuintes do Simples Nacional dos programas de regulariza\u00e7\u00e3o, resultou no envio de 483.517 comunica\u00e7\u00f5es. Desse total, 325.468 comunica\u00e7\u00f5es foram efetivamente lidas, o que levou \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o de R$ 250,4 milh\u00f5es em valores vencidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A modalidade Parcelamento Convencional concentra os maiores volumes: mais de 448 mil comunica\u00e7\u00f5es e regulariza\u00e7\u00e3o superior a R$ 234 milh\u00f5es, evidenciando o impacto positivo das a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, inclusive entre contribuintes com elevado n\u00famero de parcelas devedoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas modalidades Especial, Pert e Relp, embora os valores absolutos sejam menores, os resultados indicam ades\u00e3o relevante \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a leitura das comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita Federal destaca que a a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de parcelas em atraso ser\u00e1 perene e realizada de forma peri\u00f3dica, como parte de sua estrat\u00e9gia permanente de promo\u00e7\u00e3o da conformidade tribut\u00e1ria e de cobran\u00e7a ativa da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Rescis\u00e3o e regulariza\u00e7\u00e3o na Receita Federal<\/p>\n\n\n\n<p>Os contribuintes que n\u00e3o atenderam ao chamado de regulariza\u00e7\u00e3o e se enquadram em hip\u00f3tese de rescis\u00e3o do parcelamento, ser\u00e3o exclu\u00eddos dos programas de regulariza\u00e7\u00e3o. Nestes casos \u00e9 poss\u00edvel solicitar o reparcelamento por meio do servi\u00e7o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/pt-br\/servicos\/parcelar-imposto-simples\">Parcelar d\u00edvidas do Simples Nacional<\/a>, dispon\u00edvel no s\u00edtio eletr\u00f4nico da Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>O reparcelamento poder\u00e1 ser em at\u00e9 60x, com parcela m\u00ednima mensal de R$ 300,00. A Receita Federal lembra que o parcelamento de d\u00e9bitos na esfera administrativa n\u00e3o tem incid\u00eancia de honor\u00e1rios e encargos legais, sendo uma vantagem a repactua\u00e7\u00e3o feita no \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como orienta\u00e7\u00e3o final, a Receita Federal recomenda que contribuintes e profissionais de contabilidade acessem regularmente o Centro Virtual de Atendimento (e-CAC) para verificar a exist\u00eancia de parcelas em aberto nos parcelamentos do Simples Nacional. A consulta peri\u00f3dica \u00e0 Caixa Postal e aos servi\u00e7os de parcelamento dispon\u00edveis no e-CAC permite a identifica\u00e7\u00e3o tempestiva de pend\u00eancias e a ado\u00e7\u00e3o das medidas necess\u00e1rias para a regulariza\u00e7\u00e3o, evitando a rescis\u00e3o do parcelamento, a exclus\u00e3o dos programas de regulariza\u00e7\u00e3o e a gera\u00e7\u00e3o de novos encargos decorrentes da inadimpl\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.gov.br\/receitafederal\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2026\/janeiro\/acao-de-conformidade-gera-regularizacao-de-contribuintes-e-evita-a-exclusao-de-parcelamentos-do-simples-nacional\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Portal de Servi\u00e7os do Comit\u00ea Gestor do IBS entra em opera\u00e7\u00e3o e marca nova etapa da reforma tribut\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 20\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de implementa\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria sobre o consumo entrou em uma nova fase com o lan\u00e7amento do Portal de Servi\u00e7os do Comit\u00ea Gestor do Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (CGIBS). Dispon\u00edvel desde 13 de janeiro de 2026, a plataforma nasce como o principal ponto de entrada da rela\u00e7\u00e3o entre o novo sistema tribut\u00e1rio, os contribuintes e os entes federativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste est\u00e1gio inicial, o Portal de Servi\u00e7os do CGIBS disponibiliza conte\u00fados institucionais, perguntas frequentes (FAQ) e informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas sobre o novo imposto. A plataforma j\u00e1 conta tamb\u00e9m com o Servi\u00e7o de Atendimento ao Contribuinte (SAC), embora o acesso aos atendimentos esteja, por ora, restrito \u00e0s empresas que integram o projeto piloto. O desenvolvimento do Portal de Servi\u00e7os e da Plataforma de Atendimento ocorreu de forma colaborativa entre os estados de Minas Gerais, respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o do portal de servi\u00e7os, e do Cear\u00e1, encarregado do desenvolvimento da estrutura de atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O portal integra a estrutura institucional do CGIBS, entidade criada para coordenar, administrar e harmonizar a aplica\u00e7\u00e3o do IBS, imposto de compet\u00eancia compartilhada entre estados, munic\u00edpios e o Distrito Federal, institu\u00eddo no \u00e2mbito da reforma tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do CGIBS e de seu Portal de Servi\u00e7os decorre diretamente da aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei Complementar n\u00ba 108, de 2024, e da regulamenta\u00e7\u00e3o do novo modelo de tributa\u00e7\u00e3o sobre o consumo. O Comit\u00ea Gestor foi institu\u00eddo como uma entidade p\u00fablica de natureza federativa, aut\u00f4noma, colegiada e intergovernamental, respons\u00e1vel por garantir coordena\u00e7\u00e3o, uniformidade e seguran\u00e7a jur\u00eddica na aplica\u00e7\u00e3o do IBS em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o Portal de Servi\u00e7os surge como um instrumento essencial para operacionalizar essa nova l\u00f3gica federativa, baseada na coopera\u00e7\u00e3o entre os entes e na centraliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Rachel Krug Einsfeld, auditora-fiscal da Receita Estadual do Rio Grande do Sul e coordenadora do SubGT respons\u00e1vel pelo Portal no \u00e2mbito do pr\u00e9-Comit\u00ea Gestor, a plataforma foi concebida para ser o \u00fanico canal de relacionamento do IBS.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Portal de Servi\u00e7os do IBS nasce com o objetivo de ser o ponto central de todos os servi\u00e7os relacionados ao IBS. No futuro, qualquer intera\u00e7\u00e3o do contribuinte com o Comit\u00ea Gestor do IBS vai partir desse portal\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>Centralizar servi\u00e7os e informa\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>O Portal de Servi\u00e7os do CGIBS ser\u00e1 atualizado constantemente, na medida em que novos servi\u00e7os aos contribuintes forem sendo oferecidos&nbsp; , transformando a plataforma no principal canal de atendimento e de intera\u00e7\u00e3o com o IBS.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA lacuna que o portal vem preencher \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de relacionamento e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os do Comit\u00ea Gestor para a sociedade. Agora, esse relacionamento passa a acontecer dentro do portal\u201d, afirma Rachel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Al\u00e9m do atendimento aos contribuintes, o portal tamb\u00e9m foi pensado para atender estados e munic\u00edpios. J\u00e1 h\u00e1, inclusive, a previs\u00e3o de uma \u00e1rea espec\u00edfica para os entes federativos, com acesso logado, consultas e intera\u00e7\u00e3o direta com o sistema do IBS.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 apenas um portal para contribuintes. Ele tamb\u00e9m ser\u00e1 o ponto de rela\u00e7\u00e3o com estados e munic\u00edpios. \u00c9 um processo inovador, algo que n\u00e3o existia antes\u201d, destaca a auditora.<\/p>\n\n\n\n<p>Constru\u00e7\u00e3o cont\u00ednua<\/p>\n\n\n\n<p>Embora j\u00e1 esteja dispon\u00edvel ao p\u00fablico, o Portal de Servi\u00e7os do CGIBS ainda se encontra em fase inicial de implementa\u00e7\u00e3o. O foco, neste momento, \u00e9 a disponibiliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e a consolida\u00e7\u00e3o do canal oficial do IBS.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, ocorre o Projeto Piloto do Sistema de Apura\u00e7\u00e3o Assistida do IBS, sob acompanhamento do Grupo de Coordena\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gica do CGIBS. O piloto envolve, por enquanto, cerca de 130 empresas e tem como objetivo testar, validar e aperfei\u00e7oar as solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas do novo sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Pr\u00f3ximos passos e servi\u00e7os previstos<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os primeiros servi\u00e7os que devem ser disponibilizados no Portal de Servi\u00e7os est\u00e1 a consulta tribut\u00e1ria, que dever\u00e1 ser aberta em breve. J\u00e1 o servi\u00e7o de apura\u00e7\u00e3o do IBS ainda est\u00e1 em desenvolvimento e passa por testes no \u00e2mbito do projeto piloto.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras funcionalidades previstas incluem a amplia\u00e7\u00e3o gradual do acesso aos servi\u00e7os; a inclus\u00e3o de novos m\u00f3dulos conforme o sistema evolui; o lan\u00e7amento de um chatbot, previsto para o primeiro trimestre de 2026, para facilitar o esclarecimento de d\u00favidas; al\u00e9m da atualiza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de conte\u00fados, normas e orienta\u00e7\u00f5es sobre a Reforma Tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ideia \u00e9 que munic\u00edpios, estados e contribuintes tenham um local \u00fanico de refer\u00eancia, evitando informa\u00e7\u00f5es divergentes e concentrando tudo em um s\u00f3 canal oficial\u201d, refor\u00e7a Rachel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ao centralizar informa\u00e7\u00f5es e orientar contribuintes, o Portal de Servi\u00e7os do CGIBS cumpre papel estrat\u00e9gico na transi\u00e7\u00e3o da Reforma Tribut\u00e1ria, refor\u00e7ando a previsibilidade, a transpar\u00eancia e a seguran\u00e7a jur\u00eddica do novo sistema.<br>&nbsp;\u201c\u00c9 um processo cont\u00ednuo. O portal est\u00e1 iniciando agora, mas foi pensado para crescer junto com o IBS e se tornar o principal canal de relacionamento do novo sistema tribut\u00e1rio\u201d, conclui a auditora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.cgibs.gov.br\/portal-de-servicos-do-comite-gestor-do-ibs-entra-em-operacao-e-marca-nova-etapa-da-reforma-tributaria\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Nova lei da reforma tribut\u00e1ria alimenta tese contra ITCMD em estados com al\u00edquota fixa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 21\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a nova&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp227.htm\">Lei Complementar 227\/2026<\/a>&nbsp;\u2014&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-14\/lula-sanciona-com-vetos-ultimo-projeto-sobre-a-reforma-tributaria\/\">\u00faltima etapa<\/a>&nbsp;da regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria \u2014 n\u00e3o tenha trazido inova\u00e7\u00f5es sobre o Imposto de Transmiss\u00e3o Causa Mortis e Doa\u00e7\u00e3o (ITCMD) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc132.htm\">Emenda Constitucional da reforma (EC 132\/2023)<\/a>, sua mera publica\u00e7\u00e3o levanta mais uma tese contra as cobran\u00e7as feitas pelos estados sem al\u00edquota progressiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, oito estados t\u00eam al\u00edquota fixa de ITCMD, o que est\u00e1 previsto em leis locais. Com base em outra regra da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\">Constitui\u00e7\u00e3o<\/a>, tributaristas defendem que essas normas estaduais perderam efic\u00e1cia de forma autom\u00e1tica a partir da san\u00e7\u00e3o da LC 227\/2026. Portanto, cobran\u00e7as baseadas nelas seriam indevidas.<\/p>\n\n\n\n<p>O trecho constitucional em quest\u00e3o \u00e9 o \u00a7 4\u00ba do artigo 24, segundo o qual \u201ca superveni\u00eancia de lei federal sobre normas gerais suspende a efic\u00e1cia da lei estadual, no que lhe for contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A LC 227\/2026 determina que o ITCMD tenha al\u00edquota progressiva \u201cem raz\u00e3o do valor do quinh\u00e3o, do legado ou da doa\u00e7\u00e3o\u201d. Isso significa que os estados s\u00e3o obrigados a criar diferentes faixas de cobran\u00e7a: a al\u00edquota deve aumentar de forma gradativa conforme o valor ao qual ela ser\u00e1 aplicada, com um teto de 8% (estipulado em uma resolu\u00e7\u00e3o do Senado). Para isso, \u00e9 necess\u00e1ria a aprova\u00e7\u00e3o de uma lei estadual em cada um deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido ao \u00a74\u00ba do artigo 24 da Constitui\u00e7\u00e3o,&nbsp;Leonardo Aguirra de Andrade, s\u00f3cio do Andrade Maia Advogados, entende que as leis estaduais atuais n\u00e3o podem mais ser aplicadas caso contrariem a nova lei complementar federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o cen\u00e1rio nos estados que ainda n\u00e3o aprovaram leis para estabelecer o ITCMD progressivo: S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Esp\u00edrito Santo, Mato Grosso do Sul, Paran\u00e1, Roraima, Bahia e Piau\u00ed. Nestes dois \u00faltimos, a al\u00edquota atual \u00e9 progressiva para heran\u00e7as, mas fixa para doa\u00e7\u00f5es. Nos outros seis, \u00e9 fixa para qualquer situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A progressividade do imposto sobre heran\u00e7as e doa\u00e7\u00f5es foi estabelecida originalmente pela EC 132\/2023, ou seja, n\u00e3o \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o da LC 227\/2026. Antes da nova lei, tributaristas j\u00e1&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2025-abr-16\/judiciario-comeca-a-receber-acoes-contra-itcmd-em-estados-com-aliquota-fixa\/\">defendiam<\/a>&nbsp;que as cobran\u00e7as nesses oito estados eram indevidas por contrariarem a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Magistrados, no entanto,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2025-abr-16\/judiciario-comeca-a-receber-acoes-contra-itcmd-em-estados-com-aliquota-fixa\/\">rejeitam<\/a>&nbsp;essa tese por entenderem que os estados ainda teriam tempo para adaptar suas legisla\u00e7\u00f5es sobre o tema e que a al\u00edquota fixa permaneceria v\u00e1lida enquanto isso n\u00e3o acontecesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, a partir da publica\u00e7\u00e3o da LC 227\/2026 e da interpreta\u00e7\u00e3o do \u00a7 4\u00ba do artigo 24 da Constitui\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um novo argumento contra a cobran\u00e7a do ITCMD em al\u00edquota fixa, que tamb\u00e9m deve ser levado ao Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Problema escancarado<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Roberto Andrade, do escrit\u00f3rio Madrona Advogados, diz que, embora as previs\u00f5es da LC 227\/2026 sejam \u201cmais do mesmo\u201d, o advogado entende que a nova lei \u201cescancara ainda mais a inconstitucionalidade das legisla\u00e7\u00f5es estaduais que at\u00e9 agora n\u00e3o se adaptaram\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de adequa\u00e7\u00e3o dos estados, diz, ganhou novos contornos do ponto de vista das argumenta\u00e7\u00f5es que devem chegar aos tribunais. \u201cPara fatos geradores que ocorrerem a partir de agora, al\u00e9m de viola\u00e7\u00e3o ao inciso VI do \u00a7 1\u00ba do artigo 155 da Constitui\u00e7\u00e3o (acrescido pela EC 132\/2023), haver\u00e1 tamb\u00e9m viola\u00e7\u00e3o ao \u00a74\u00ba do artigo 24.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada&nbsp;Gabriela Grigoletto, do escrit\u00f3rio \/asbz, explica que a Uni\u00e3o tem a fun\u00e7\u00e3o de estabelecer normas gerais em temas tribut\u00e1rios, o que foi exercido por meio da LC 227\/2026. Por isso, ela concorda que, \u201cpara fatos geradores posteriores \u00e0 lei complementar, \u00e9 poss\u00edvel defender que n\u00e3o seria poss\u00edvel aos estados exigirem o ITCMD a partir de uma al\u00edquota fixa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConsequentemente, qualquer pretens\u00e3o de cobran\u00e7a, seja em al\u00edquotas maiores ou menores ao novo par\u00e2metro a ser estabelecido, estaria comprometida at\u00e9 que cada estado promova a devida adequa\u00e7\u00e3o legislativa \u00e0s faixas progressivas\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p>Juliana Lemos, s\u00f3cia da \u00e1rea Tribut\u00e1ria do Trench Rossi Watanabe, considera que o \u00a74\u00ba do artigo 24 d\u00e1 \u201cmaiores chances de \u00eaxito\u201d \u00e0 discuss\u00e3o judicial, j\u00e1 que \u201co comando do inciso VI do \u00a71\u00ba do artigo 155 da Constitui\u00e7\u00e3o foi regulamentado em esfera nacional\u201d pela lei complementar sancionada neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 elementos para defender a impossibilidade de cobran\u00e7a leg\u00edtima do ITCMD \u00e0 al\u00edquota fixa por aus\u00eancia de fundamento de validade da norma estadual, em virtude da clara incompatibilidade com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal e agora com a LC 227\/26\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Grigoletto lembra que, \u201cao analisar temas similares, o Supremo Tribunal Federal j\u00e1 decidiu pela necessidade de edi\u00e7\u00e3o de novas leis estaduais depois da edi\u00e7\u00e3o da lei complementar federal, vedando a cobran\u00e7a imediata baseada em legisla\u00e7\u00f5es locais preexistentes que n\u00e3o guardem suporte na norma geral superveniente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em casos de repercuss\u00e3o geral sobre o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-nov-06\/suspensao-de-seguranca-mantem-violacoes-dos-direitos-fundamentais\/\">diferencial de al\u00edquota (Difal) do ICMS<\/a>&nbsp;e sobre o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2020-jun-23\/icms-incide-importacao-feita-quem-nao-comerciante\/\">ICMS de importa\u00e7\u00f5es<\/a>, por exemplo, o STF estabeleceu que uma lei estadual n\u00e3o pode mais ser aplicada se for incompat\u00edvel com uma lei complementar federal posterior, argumenta Aguirra de Andrade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, de acordo com ele, essa l\u00f3gica vale para leis estaduais \u201cque n\u00e3o est\u00e3o em conformidade com a LC 227\/2026\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Jogo duro<\/p>\n\n\n\n<p>Embora reconhe\u00e7a que a regra constitucional \u00e9 clara quanto \u00e0 suspens\u00e3o da efic\u00e1cia das leis estaduais incompat\u00edveis com uma lei federal,&nbsp;Luiz Gustavo Bichara, s\u00f3cio-fundador do Bichara Advogados, acredita que, nesse caso, haver\u00e1 uma tend\u00eancia do Judici\u00e1rio de preservar os efeitos das normas com previs\u00e3o de al\u00edquota fixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ponto cr\u00edtico, segundo ele, \u00e9 que a nova lei complementar foi publicada j\u00e1 neste ano. Leis estaduais eventualmente aprovadas e sancionadas em 2026 s\u00f3 poder\u00e3o produzir efeitos a partir de 2027, devido \u00e0 regra constitucional conhecida como anterioridade anual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, mesmo que os estados decidam adaptar suas legisla\u00e7\u00f5es \u00e0 LC 227\/2026, as novas leis n\u00e3o poderiam ser aplicadas de imediato. Assim, impedir a cobran\u00e7a do ITCMD com base nas leis atuais que preveem al\u00edquota fixa \u201cseria uma medida muito extrema, dificilmente acolhida pelo Judici\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Bichara tamb\u00e9m aponta que a nova lei complementar \u201ctraz apenas um mandamento gen\u00e9rico de observ\u00e2ncia \u00e0 progressividade, sem estabelecer regras espec\u00edficas, como faixas de valores e al\u00edquotas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado ainda lembra que o STF j\u00e1&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2015-nov-05\/inconstitucionalidade-iptu-progressivo-nao-impede-cobranca-minima\/\">validou<\/a>&nbsp;cobran\u00e7as baseadas em leis consideradas inconstitucionais ao analisar o IPTU progressivo, estabelecido pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc29.htm\">EC 29\/2000<\/a>. Devido \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o quanto aos impactos financeiros para as prefeituras, a corte manteve as cobran\u00e7as nas al\u00edquotas m\u00ednimas previstas nas leis municipais anteriores a esta Emenda Constitucional.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-jur-dico wp-block-embed-consultor-jur-dico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"UA5TgqgBYN\"><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-21\/nova-lei-da-reforma-tributaria-alimenta-tese-contra-itcmd-em-estados-com-aliquota-fixa\/\">Nova lei da reforma tribut\u00e1ria alimenta tese contra ITCMD com al\u00edquota fixa<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Nova lei da reforma tribut\u00e1ria alimenta tese contra ITCMD com al\u00edquota fixa&#8221; &#8212; Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-21\/nova-lei-da-reforma-tributaria-alimenta-tese-contra-itcmd-em-estados-com-aliquota-fixa\/embed\/#?secret=s9eUEYdKqq#?secret=UA5TgqgBYN\" data-secret=\"UA5TgqgBYN\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Lei Complementar consolida medida j\u00e1 adotada pelo CARF e suspende sess\u00f5es e prazos processuais entre 20 de dezembro e 20 de janeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 21\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>Agora \u00e9 lei: entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive, n\u00e3o ser\u00e3o realizadas sess\u00f5es de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e o curso dos prazos processuais ficar\u00e1 suspenso. A medida, que j\u00e1 vinha sendo adotada administrativamente pelo \u00f3rg\u00e3o, foi incorporada ao ordenamento jur\u00eddico por meio da Lei Complementar n\u00ba 227\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova regra atende a uma antiga demanda da advocacia tribut\u00e1ria e alinha o funcionamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF) \u00e0s pr\u00e1ticas j\u00e1 consolidadas no processo judicial. Com a altera\u00e7\u00e3o legislativa, o per\u00edodo de recesso passa a contar com respaldo legal expresso, conferindo maior seguran\u00e7a jur\u00eddica a contribuintes e profissionais que atuam no contencioso administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Medida j\u00e1 adotada pelo CARF<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2024, o CARF havia estabelecido, por meio da Portaria n\u00ba 1.501\/2024, a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es de julgamento entre 20 de dezembro e 20 de janeiro. Contudo, os prazos processuais s\u00e3o disciplinados pelo Decreto n\u00ba 70.235\/1972, norma com for\u00e7a de lei, o que impedia que a portaria pudesse determinar formalmente a suspens\u00e3o desses prazos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa limita\u00e7\u00e3o gerava questionamentos e inseguran\u00e7a quanto \u00e0 contagem dos prazos no per\u00edodo de recesso, situa\u00e7\u00e3o que foi definitivamente solucionada com a edi\u00e7\u00e3o da Lei Complementar n\u00ba 227\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o advogado tributarista e presidente da Comiss\u00e3o Especial de Assuntos Tribut\u00e1rios da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio de Janeiro &#8211; OAB-RJ, Maur\u00edcio Faro, a suspens\u00e3o de prazos no per\u00edodo de recesso no CARF era um pleito da advocacia tribut\u00e1ria desde a implementa\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Processo Civil &#8211; CPC de 2015 que instituiu a referida medida nos processos judiciais. A ado\u00e7\u00e3o dessa sistem\u00e1tica por meio da edi\u00e7\u00e3o da Lei Complementar 227\/26 representa um grande avan\u00e7o para a advocacia e mais uma vez prova a efici\u00eancia do di\u00e1logo entre os entes, haja vista que o apoio da Procuradoria da Fazenda Nacional \u2013 PFN, e da presid\u00eancia do CARF foram fundamentais para essa medida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.gov.br\/carf\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2026\/lei-complementar-consolida-medida-ja-adotada-pelo-carf-e-suspende-sessoes-e-prazos-processuais-entre-20-de-dezembro-e-20-de-janeiro\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>LC 227 cria sistema h\u00edbrido de contagem de prazos. Carf estuda poss\u00edveis ajustes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 21\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/carf\">Carf<\/a>) tem avaliado internamente poss\u00edveis ajustes nos prazos processuais ap\u00f3s as mudan\u00e7as introduzidas pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/lcp\/lcp227.htm\">Lei Complementar 227\/2026<\/a>, a segunda etapa de regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria. A norma, resultado da san\u00e7\u00e3o do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2438459\">PLP 108<\/a>, estabeleceu prazos centrais do contencioso administrativo em dias \u00fateis, mas manteve a regra geral de contagem prevista no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/d70235cons.htm\">Decreto 70.235\/1972<\/a>&nbsp;em dias corridos, o que, na pr\u00e1tica, criou um sistema \u201ch\u00edbrido\u201d de contagem. Ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/\">JOTA<\/a>, o presidente Carlos Higino Ribeiro de Alencar afirmou que analisa as alternativas de altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo desenho faz com que diferentes atos do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/processo-administrativo-fiscal\">processo administrativo fiscal<\/a>&nbsp;observem crit\u00e9rios distintos de contagem de prazo, combinando dias \u00fateis com dias corridos dentro do mesmo rito. Esse formato tem sido visto com ressalvas tanto no Carf quanto por representantes dos contribuintes, considerando tamb\u00e9m a reorganiza\u00e7\u00e3o trazida pela reforma, que atribuiu \u00e0&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/cbs\">CBS<\/a>&nbsp;o julgamento no conselho e ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/ibs\">IBS<\/a>&nbsp;um contencioso pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais quest\u00f5es reside no regramento do recurso especial, que, no \u00e2mbito do IBS e da CBS, teve prazo estabelecido em 10 dias \u00fateis. Para os demais tributos federais manteve-se o prazo de 15 dias corridos, l\u00f3gica que tamb\u00e9m se aplica a outros prazos, como embargos de declara\u00e7\u00e3o e agravos.<\/p>\n\n\n\n<p>As mudan\u00e7as tamb\u00e9m atingiram impugna\u00e7\u00f5es a autos de infra\u00e7\u00e3o e o recurso volunt\u00e1rio, que passaram de 30 dias corridos para 20 dias \u00fateis, tanto para os novos tributos quanto para os demais.<\/p>\n\n\n\n<p>O tribunal avalia diferentes cen\u00e1rios e deve se posicionar em breve. O ideal quanto ao recurso especial, na vis\u00e3o do presidente, seria igualar o prazo dos demais tributos ao do IBS e CBS (de 10 dias \u00fateis). \u201cVamos analisar se poder\u00edamos fazer algo. Estamos estudando e analisando\u201d, afirmou o presidente ao&nbsp;JOTA.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Carf ainda n\u00e3o est\u00e1 claro se um eventual ajuste viria por meio de portaria ou de altera\u00e7\u00e3o do regimento interno do \u00f3rg\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/ricarf\">Ricarf<\/a>). \u201cH\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande, vamos debater com o Minist\u00e9rio da Fazenda porque achamos que esse formato de contagem pode gerar muita d\u00favida e induzir ao erro\u201d, disse o presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ouvidos pelo&nbsp;JOTA&nbsp;avaliam que uma altera\u00e7\u00e3o no Ricarf poderia ajustar a quest\u00e3o de forma mais r\u00e1pida.<\/p>\n\n\n\n<p>Os novos prazos j\u00e1 est\u00e3o em vigor, mas permanecem suspensos em raz\u00e3o do recesso do Carf, que termina nesta ter\u00e7a-feira (20\/1). A Lei Complementar 227\/2026, inclusive, instituiu o per\u00edodo de recesso entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, com a suspens\u00e3o do curso dos prazos processuais neste intervalo tanto no Carf quanto nas Delegacias Regionais de Julgamento (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/drj\">DRJ<\/a>). Embora o recesso j\u00e1 fosse adotado pelo conselho, ainda n\u00e3o havia previs\u00e3o de suspens\u00e3o de prazos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros prazos<\/p>\n\n\n\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o de inconformidade, apresentada nos casos de n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00f5es, permaneceu com prazo de 30 dias corridos. J\u00e1 para atos processuais que n\u00e3o tenham prazo espec\u00edfico previsto, foi fixado o prazo de 10 dias \u00fateis. Ambos valem para todo o processo administrativo fiscal, incluindo tanto IBS e CBS quanto os demais tributos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que dizem especialistas<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a na contagem de prazos promovida pela Lei Complementar 227\/2026 \u00e9 vista com preocupa\u00e7\u00e3o por tributaristas, por aumentar a complexidade do processo administrativo fiscal, especialmente quando comparada ao Judici\u00e1rio, onde a contagem se d\u00e1, de forma uniforme, em dias \u00fateis. Para especialistas, a conviv\u00eancia, no mesmo rito, de prazos contados em dias \u00fateis e em dias corridos, sem uma padroniza\u00e7\u00e3o clara, pode comprometer o exerc\u00edcio do direito de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da tributarista Thais de Laurentiis, do Rivitti e Dias Advogados, n\u00e3o houve uma avalia\u00e7\u00e3o do processo administrativo fiscal como um todo quando o texto promoveu altera\u00e7\u00f5es pontuais em determinados prazos, como impugna\u00e7\u00e3o e recurso volunt\u00e1rio, sem revisar o conjunto das regras procedimentais previstas no Decreto 70.235 e no Regimento Interno do Carf.<\/p>\n\n\n\n<p>Laurentiis destaca ainda que, na pr\u00e1tica, os prazos do processo administrativo fiscal sempre foram inferiores ao necess\u00e1rio diante da complexidade das provas e da interpreta\u00e7\u00e3o das autua\u00e7\u00f5es fiscais federais, de modo que a nova din\u00e2mica tende a refor\u00e7ar a import\u00e2ncia da busca pela verdade material ao longo do processo administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido, Natalie Matos, do Mattos Filho, avalia que a aus\u00eancia de uniformiza\u00e7\u00e3o na forma de contagem dos prazos soa \u201cincoerente\u201d. Segundo ela, essa fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada pelo fato de instrumentos que historicamente seguiam l\u00f3gica semelhante, como a impugna\u00e7\u00e3o e a manifesta\u00e7\u00e3o de inconformidade, passarem a observar crit\u00e9rios distintos de contagem. Al\u00e9m disso, a migra\u00e7\u00e3o de alguns prazos para dias \u00fateis acaba, na pr\u00e1tica, reduzindo o tempo dispon\u00edvel para a defesa do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.jota.info\/tributos\/lc-227-cria-sistema-hibrido-de-contagem-de-prazos-carf-estuda-possiveis-ajustes\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Tributa\u00e7\u00e3o sobre bets poder\u00e1 garantir isen\u00e7\u00e3o de IR a professores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 21\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>Profissionais do magist\u00e9rio que recebam at\u00e9 R$ 10 mil mensais poder\u00e3o ficar isentos do imposto de renda (IR), de acordo com projeto que aguarda tramita\u00e7\u00e3o no Senado. O texto prev\u00ea que a perda de arrecada\u00e7\u00e3o decorrente da isen\u00e7\u00e3o ser\u00e1 compensada pelo imposto sobre apostas de quota fixa, as chamadas bets.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto (<a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/170956\">PL 5.143\/2025<\/a>), do senador Fabiano Contarato (PT-ES), modifica a <a href=\"https:\/\/normas.leg.br\/?urn=urn:lex:br:federal:lei:1988-12-22;7713\">Lei 7.713, de 1988<\/a>, que regula as isen\u00e7\u00f5es e dedu\u00e7\u00f5es do IR, e beneficia professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e do ensino superior quanto \u00e0 renda que tenha origem exclusiva no exerc\u00edcio da atividade docente.<\/p>\n\n\n\n<p>Contarato avalia que a isen\u00e7\u00e3o de IR a professores ter\u00e1 baixo impacto fiscal, mas prop\u00f4s a vincula\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o do imposto sobre as bets \u2014 estabelecido pela <a href=\"https:\/\/normas.leg.br\/?urn=urn:lex:br:federal:lei:2023-12-29;14790\">Lei 14.790, de 2023<\/a> \u2014 para assegurar o equil\u00edbrio fiscal da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>A justifica\u00e7\u00e3o do projeto aponta que, apesar dos esfor\u00e7os para reduzir a defasagem salarial dos professores, os docentes brasileiros seguem ganhando menos que outros profissionais com a mesma qualifica\u00e7\u00e3o. Para Contarato, a situa\u00e7\u00e3o limita o cumprimento do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/normas.leg.br\/?urn=urn:lex:br:federal:lei:2014-06-25;13005\">Lei 13.005, de 2014<\/a>), que previa a equipara\u00e7\u00e3o das remunera\u00e7\u00f5es at\u00e9 2024, e torna a carreira do magist\u00e9rio menos atrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA medida tem por objetivo valorizar a carreira docente e estimular a perman\u00eancia de profissionais qualificados tanto na educa\u00e7\u00e3o infantil, fundamental e m\u00e9dia \u2014 base estruturante de todo o sistema educacional \u2014 quanto no ensino superior, respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica dos futuros profissionais do pa\u00eds\u201d, explica o senador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2026\/01\/21\/tributacao-sobre-bets-podera-garantir-isencao-de-ir-a-professores\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Lei muda prazo para recurso em processos fiscais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 21\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei Complementar n\u00ba 227, de 2026, que regulamentou a reforma tribut\u00e1ria, alterou o prazo para recursos em processos administrativos fiscais federais. A mudan\u00e7a parece singela: altera de 30 dias corridos para 20 dias \u00fateis o per\u00edodo para impugna\u00e7\u00e3o. Mas, segundo advogados, pode reduzir em at\u00e9 quatro dias o limite para apresentar defesa a depender da data de intima\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a Receita Federal diz que pode at\u00e9 aumentar, em alguns casos.<\/p>\n\n\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o se limita a recursos volunt\u00e1rios e impugna\u00e7\u00f5es, n\u00e3o muda em rela\u00e7\u00e3o aos embargos de declara\u00e7\u00e3o, recurso especial ou contra compensa\u00e7\u00f5es fiscais negadas, por exemplo. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que esses per\u00edodos agora estariam descasados, o que pode gerar inseguran\u00e7a jur\u00eddica e reduzir a ampla defesa em determinados casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a lei complementar ampliou o prazo para a Receita Federal instaurar fiscaliza\u00e7\u00e3o contra empresas \u2013 passou de 60 para 90 dias corridos. De acordo com especialistas, pode indicar que o Fisco deve entregar autos de infra\u00e7\u00e3o mais robustos, ao mesmo tempo que quer tornar as a\u00e7\u00f5es fiscais mais r\u00e1pidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo levantamento, existem hoje nove tipos de recursos em processos fiscais federais. Antes, eram quatro prazos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles variavam entre 5 dias corridos, como nos embargos de declara\u00e7\u00e3o \u2013 recurso que, em geral, n\u00e3o muda o resultado de julgamento, apenas esclarece alguma omiss\u00e3o na decis\u00e3o \u2013 a 60 dias corridos, para fiscaliza\u00e7\u00f5es. Agora, s\u00e3o seis tipos de prazos processuais diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para recursos especiais que tratem da Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS), que substitui o PIS e a Cofins, \u00e0 C\u00e2mara Superior do Carf, por exemplo, considera-se 10 dias \u00fateis. J\u00e1 os recursos especiais de outras mat\u00e9rias \u00e0 mesma C\u00e2mara Superior, considera-se 15 dias corridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tese, as modifica\u00e7\u00f5es s\u00f3 valem para novas intima\u00e7\u00f5es, n\u00e3o para os prazos processuais em curso, de acordo com especialistas ouvidos pelo Valor. Al\u00e9m disso, pela lei, eles ficaram suspensos de 20 de dezembro a 20 de janeiro. As altera\u00e7\u00f5es constam no artigo 173 da Lei Complementar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota ao Valor, a Receita diz que o prazo passa a ser em dias \u00fateis para estar alinhado com o C\u00f3digo de Processo Civil (CPC). \u201cAl\u00e9m disso, caminha para acelerar a temporalidade do processo\u201d, acrescenta. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, os processos que estiverem nas fases processuais a partir da vig\u00eancia da nova norma j\u00e1 estar\u00e3o sujeitos a esses prazos.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 que os novos prazos processuais s\u00f3 sejam aplicados para as novas intima\u00e7\u00f5es, na linha do que decidiu o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) ao analisar mudan\u00e7as de prazos trazidas pela altera\u00e7\u00e3o do CPC em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o, ao ampliar o prazo de fiscaliza\u00e7\u00e3o, acrescenta, mostra que houve um privil\u00e9gio para essa \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em nota, a Receita diz que h\u00e1 diferen\u00e7a na contagem de prazos porque algumas hip\u00f3teses n\u00e3o se enquadram no prazo \u00fatil processual ou n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal. Um exemplo \u00e9 a intima\u00e7\u00e3o para apresentar documenta\u00e7\u00e3o complementar durante uma fiscaliza\u00e7\u00e3o, na fase preparat\u00f3ria da a\u00e7\u00e3o fiscal. \u00c0 hip\u00f3tese, aplica-se o artigo 5\u00ba, inciso I, da LC 227\/2026, da contagem em dias corridos. \u201cO prazo \u00e9 definido no pr\u00f3prio termo de intima\u00e7\u00e3o, mas sua contagem ser\u00e1 em dias corridos, pois n\u00e3o se enquadra nas hip\u00f3teses de prazo \u00fatil processual\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2026\/01\/21\/lei-muda-prazo-para-recurso-em-processos-fiscais.ghtml\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/noticiasfiscais.com.br\/2026\/01\/22\/arrecadacao-federal-bate-recorde-de-r-289-trilhoes-em-2025\/\"><strong>Arrecada\u00e7\u00e3o federal bate recorde de R$ 2,89 trilh\u00f5es em 2025<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 22\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A arrecada\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o com impostos e outras receitas teve recorde em 2025, alcan\u00e7ando R$ 2,89 bilh\u00f5es, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Receita Federal, junto aos resultados do m\u00eas de dezembro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com 2024, houve aumento anual real de 3,75%, ou seja, considerada a infla\u00e7\u00e3o em valores corrigidos pelo \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 o melhor desempenho arrecadat\u00f3rio para os meses de dezembro.&nbsp;No \u00faltimo m\u00eas de 2025, a arrecada\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou R$ 292,72 bilh\u00f5es, representando um acr\u00e9scimo, corrigido pelo IPCA, de 7,46%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados sobre a arrecada\u00e7\u00e3o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/receitafederal\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/publicacoes\/relatorios\/arrecadacao-federal\">est\u00e3o dispon\u00edveis no site<\/a>&nbsp;da Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os bons resultados da economia, al\u00e9m do aumento de impostos, s\u00e3o os principais fatores para a alta da arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o n\u00fameros bonitos, um crescimento importante, considerando o patamar alto do ano anterior [2024]\u201d, destacou o secret\u00e1rio especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, durante a apresenta\u00e7\u00e3o dos dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os valores se referem a tributos federais, como Imposto de Renda (IR) de pessoas&nbsp;f\u00edsicas e empresas, receita previdenci\u00e1ria, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF), Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social\/Contribui\u00e7\u00e3o para Financiamento da Seguridade Social (PIS\/Cofins), entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Arrecada\u00e7\u00e3o com royalties e dep\u00f3sitos judiciais, que n\u00e3o s\u00e3o apurados pela Receita Federal, tamb\u00e9m entram na conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s receitas administradas pelo \u00f3rg\u00e3o, o valor arrecadado em 2025 ficou em R$ 2,76 trilh\u00f5es, representando acr\u00e9scimo real de 4,27%.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no m\u00eas passado, a arrecada\u00e7\u00e3o da Receita Federal alcan\u00e7ou R$ 285,21 bilh\u00f5es, alta real de 7,67%.<\/p>\n\n\n\n<p>A base de compara\u00e7\u00e3o, entretanto, est\u00e1 influenciada por eventos n\u00e3o recorrentes ou altera\u00e7\u00f5es de legisla\u00e7\u00e3o que ocorreram em 2024 sem contrapartida em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, houve recolhimento extra de R$ 13 bilh\u00f5es do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) &#8211; Rendimentos de Capital, referente \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o de fundos exclusivos, o que n\u00e3o ocorreu em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei que muda o IR incidente sobre fundos de investimentos fechados e sobre a renda obtida no exterior por meio de&nbsp;offshores&nbsp;foi sancionada em dezembro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m houve uma arrecada\u00e7\u00e3o at\u00edpica do Imposto de Renda Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e da Contribui\u00e7\u00e3o Social Sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL), que incidem sobre o lucro das empresas. Em 2024, o recolhimento extra foi R$ 4 bilh\u00f5es, enquanto no ano passado chegou a R$ 3 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSem considerar os pagamentos at\u00edpicos, haveria um crescimento real de 4,82% na arrecada\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de janeiro a dezembro de 2025\u201d, informou a Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaques no ano<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados foram influenciados positivamente, principalmente, pelas vari\u00e1veis macroecon\u00f4micas, diante do comportamento da atividade produtiva, principalmente servi\u00e7os. O setor teve um crescimento de 2,72% de dezembro de 2024 a novembro de 2025 (fator gerador da arrecada\u00e7\u00e3o do acumulado do ano).<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o industrial subiu apenas 0,17% no per\u00edodo acumulado.&nbsp;J\u00e1 o valor em d\u00f3lar das importa\u00e7\u00f5es, vinculado ao desempenho industrial, teve alta de 2,11% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025.&nbsp;Tamb\u00e9m houve crescimento de 10,9% da massa salarial no acumulado do per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas o setor de venda de bens teve um decr\u00e9scimo de 0,16% no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o do IOF&nbsp;influenciou o desempenho da arrecada\u00e7\u00e3o que somou R$ 86,48 bilh\u00f5es de janeiro a dezembro de 2025, alta de 20,54% na compara\u00e7\u00e3o com o acumulado de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse desempenho pode ser pelas opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 sa\u00edda de moeda estrangeira, a cr\u00e9dito destinado a pessoas jur\u00eddicas e referentes a t\u00edtulos ou valores mobili\u00e1rios, sobretudo em decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es legislativas\u201d, cita a Receita.<\/p>\n\n\n\n<p>Em junho do ano passado, o governo aumentou a cobran\u00e7a em algumas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, por meio do Decreto 12.499\/2025. A medida foi derrubada posteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>A arrecada\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria teve aumento de 3,27%, chegando a R$ 737,57 bilh\u00f5es, em raz\u00e3o, especialmente, do aumento da massa salarial.<\/p>\n\n\n\n<p>A alta da arrecada\u00e7\u00e3o do PIS\/Cofins em fun\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m do desempenho das entidades financeiras e da taxa\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de apostas&nbsp;online&nbsp;(bets) em 2025 \u00e9 outro destaque apontado pela Receita. Ela chegou a R$ 581,95 bilh\u00f5es no ano passado, alta de 3,03% em rela\u00e7\u00e3o a 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas a receita com as casas de apostas virtuais subiu mais de 10.000%, passando de R$ 91 milh\u00f5es para quase R$ 10 bilh\u00f5es no acumulado do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m houve crescimento da arrecada\u00e7\u00e3o dos tributos sobre com\u00e9rcio exterior, diante da alta das taxas de c\u00e2mbio e do aumento das al\u00edquotas m\u00e9dias desses tributos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2025, houve crescimento real de 9,49% da arrecada\u00e7\u00e3o desse item e de 12,91% sobre rendimentos de residentes no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00faltima rubrica \u00e9 um agregado de arrecada\u00e7\u00e3o vol\u00e1til e tem surpreendido positivamente este ano, com crescimento robusto calcado na arrecada\u00e7\u00e3o de&nbsp;royalties&nbsp;e rendimento de trabalho e tamb\u00e9m nos Juros sobre Capital Pr\u00f3prio (JCP) \u2500 forma de uma empresa dividir parte do lucro com os acionistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do recorde do ano, h\u00e1 uma desacelera\u00e7\u00e3o que reflete o desempenho, especialmente, do setor industrial e vendas de bens. A arrecada\u00e7\u00e3o com o IRPJ\/CSLL, por exemplo, teve alta de apenas 1,27%, enquanto o IPI aumentou os mesmos 1,27%, diante da atividade industrial praticamente est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2026-01\/arrecadacao-federal-bate-recorde-de-r-289-trilhoes-em-2025\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>60% das teses tribut\u00e1rias de repercuss\u00e3o geral do STF desde 2007 s\u00e3o pr\u00f3-Fisco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 22\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos tribut\u00e1rios de repercuss\u00e3o geral julgados pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/\">Supremo Tribunal Federal<\/a>&nbsp;desde o in\u00edcio dessa sistem\u00e1tica (em 2007), 60,6% das decis\u00f5es foram favor\u00e1veis ao Fisco. Por outro lado, apenas 37,7% dessas a\u00e7\u00f5es tiveram desfecho pr\u00f3-contribuinte. As informa\u00e7\u00f5es foram publicadas pelo&nbsp;Valor Econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando considerados apenas os casos relativos a PIS e Cofins, 62% das decis\u00f5es foram favor\u00e1veis \u00e0 Receita e 38% ao contribuinte. Quanto ao ICMS, seis em cada dez decis\u00f5es foram a favor do Fisco estadual, enquanto o contribuinte venceu em 40% dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo, tramitaram na corte, entre 2007 e 2025, 344 casos de repercuss\u00e3o geral envolvendo Direito Tribut\u00e1rio. O Supremo conseguiu analisar 229 processos desse contingente (89% do total).<\/p>\n\n\n\n<p>Os tributos sobre consumo est\u00e3o em 42% das teses estabelecidas pelo Supremo. Todos eles ser\u00e3o gradualmente extintos e substitu\u00eddos at\u00e9 a conclus\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-nov-12\/a-reforma-tributaria-e-a-reforma-do-judiciario\/\">reforma tribut\u00e1ria<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao total de processos com repercuss\u00e3o geral analisados pelo STF no per\u00edodo, os casos tribut\u00e1rios representam 24%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-jur-dico wp-block-embed-consultor-jur-dico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"NUD7fE7L1s\"><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-22\/60-das-teses-tributarias-de-repercussao-geral-do-stf-desde-2007-sao-pro-fisco\/\">60% das teses tribut\u00e1rias de repercuss\u00e3o geral do STF desde 2007 s\u00e3o pr\u00f3-Fisco<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;60% das teses tribut\u00e1rias de repercuss\u00e3o geral do STF desde 2007 s\u00e3o pr\u00f3-Fisco&#8221; &#8212; Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-22\/60-das-teses-tributarias-de-repercussao-geral-do-stf-desde-2007-sao-pro-fisco\/embed\/#?secret=3eZe20XwVw#?secret=NUD7fE7L1s\" data-secret=\"NUD7fE7L1s\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Contradi\u00e7\u00f5es legislativas de 2026: entre a conformidade cooperativa e a ind\u00fastria das multas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 22\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo de uma \u00fanica semana do ano de 2026, o ordenamento jur\u00eddico brasileiro foi destinat\u00e1rio de duas leis complementares com ineg\u00e1vel impacto estruturador na rela\u00e7\u00e3o entre o contribuinte e a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Trata-se das Leis Complementares n\u00ba 225\/2026 e n\u00ba 227\/2026, cujos conte\u00fados, ao nosso sentir, revelam uma contradi\u00e7\u00e3o que merece ser objeto de reflex\u00e3o pela comunidade jur\u00eddica, especialmente no contexto da implementa\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria do consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira das referidas leis, a Lei Complementar n\u00ba 225\/2026, pretendeu, conforme expressamente anunciado no seu art. 1\u00ba, \u201cestabelecer normas gerais relativas aos direitos, \u00e0s garantias, aos deveres e aos procedimentos aplic\u00e1veis \u00e0 rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do sujeito passivo, contribuinte ou respons\u00e1vel, com a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria\u201c. Em linhas gerais, o diploma normativo busca densificar os princ\u00edpios da seguran\u00e7a jur\u00eddica, da boa-f\u00e9 objetiva e da prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a leg\u00edtima no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda, a Lei Complementar n\u00ba 227\/2026, regulamentou a segunda fase da reforma tribut\u00e1ria do consumo, dispondo sobre aspectos operacionais da fiscaliza\u00e7\u00e3o do IBS \u2013 Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os. Todavia, ao disciplinar a destina\u00e7\u00e3o do produto da arrecada\u00e7\u00e3o das multas punitivas, o legislador parece ter criado um mecanismo de incentivos perversos que, na pr\u00e1tica, pode estimular exatamente o oposto daquilo que se pretendeu alcan\u00e7ar com a Lei Complementar n\u00ba 225\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 3\u00ba da Lei Complementar n\u00ba 225\/2026 estabelece um extenso rol de deveres da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, dentre os quais destacamos os seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cArt. 3\u00ba A administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria deve:<\/p>\n\n\n\n<p>I \u2013 respeitar a seguran\u00e7a jur\u00eddica e a boa-f\u00e9 ao aplicar a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria;<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 reduzir a litigiosidade;<\/p>\n\n\n\n<p>III \u2013 observar as formalidades essenciais \u00e0 garantia dos direitos dos contribuintes;<\/p>\n\n\n\n<p>IV \u2013 facilitar e auxiliar o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias do sujeito passivo;<\/p>\n\n\n\n<p>V \u2013 adequar meios e fins que imponham menor onerosidade aos contribuintes;<\/p>\n\n\n\n<p>(\u2026)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Parece-nos evidente que o conjunto de dispositivos contidos no artigo 3\u00ba da Lei Complementar n\u00ba 225\/2026 anuncia um caminho de fortalecimento da rela\u00e7\u00e3o cooperativa entre o Fisco e o contribuinte. A reda\u00e7\u00e3o dos incisos revela uma op\u00e7\u00e3o clara do legislador complementar pela primazia da orienta\u00e7\u00e3o, da autorregulariza\u00e7\u00e3o e da conformidade volunt\u00e1ria em detrimento da postura meramente sancionat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, destacam-se os incisos XIII a XVII e XX do artigo 3\u00ba, que imp\u00f5em \u00e0 administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria o dever de considerar o grau de coopera\u00e7\u00e3o do contribuinte na aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, adotar medidas de transpar\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o, promover a\u00e7\u00f5es de orienta\u00e7\u00e3o, adaptar as obriga\u00e7\u00f5es aos setores econ\u00f4micos e, especialmente, informar ao contribuinte sobre eventuais inadimpl\u00eancias ou inconsist\u00eancias, possibilitando a autorregulariza\u00e7\u00e3o antes da lavratura do auto de infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, o artigo 4\u00ba da Lei Complementar n\u00ba 225\/2026 estabelece como direito do contribuinte \u201creceber comunica\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es claras, simples e facilmente compreens\u00edveis sobre a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e os procedimentos necess\u00e1rios ao atendimento de suas obriga\u00e7\u00f5es\u201c. Trata-se de dispositivo que materializa o princ\u00edpio da transpar\u00eancia e imp\u00f5e \u00e0 administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria um dever positivo de comunica\u00e7\u00e3o clara e acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise sistem\u00e1tica dos referidos dispositivos permite concluir que, no desenho normativo idealizado pela Lei Complementar n\u00ba 225\/2026, a lavratura de autos de infra\u00e7\u00e3o deveria constituir a \u00faltima alternativa da fiscaliza\u00e7\u00e3o, reservada apenas para os casos em que, esgotadas as possibilidades de orienta\u00e7\u00e3o e autorregulariza\u00e7\u00e3o, o contribuinte persistisse no descumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse modelo de conformidade cooperativa, amplamente adotado em jurisdi\u00e7\u00f5es desenvolvidas e recomendado pela OCDE, fundamenta-se na premissa de que a maioria dos contribuintes deseja cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias e que o papel da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria deve ser, precipuamente, o de facilitar esse cumprimento volunt\u00e1rio. A postura sancionat\u00f3ria, nessa perspectiva, deve ser reservada para os casos de descumprimento deliberado ou contumaz.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos dias ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da Lei Complementar n\u00ba 225\/2026, foi publicada a Lei Complementar n\u00ba 227\/2026, que regulamentou a segunda fase da reforma tribut\u00e1ria do consumo. O diploma, entre outras mat\u00e9rias, disciplinou a sistem\u00e1tica de fiscaliza\u00e7\u00e3o do IBS e a destina\u00e7\u00e3o do produto da arrecada\u00e7\u00e3o das multas punitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Incentivo<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 4\u00ba da Lei Complementar n\u00ba 227\/2026 atribuiu ao Comit\u00ea Gestor do IBS a compet\u00eancia para coordenar as atividades de fiscaliza\u00e7\u00e3o realizadas pelas administra\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias dos estados, do Distrito Federal e dos munic\u00edpios. Todavia, \u00e9 nos par\u00e1grafos do referido dispositivo que reside a quest\u00e3o central deste estudo. Vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cArt. 4\u00ba Compete ao CGIBS coordenar, com vistas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o entre os entes federativos, as atividades de fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es principal e acess\u00f3rias relativas ao IBS, realizadas pelas administra\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, vedada a segrega\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o entre esferas federativas por atividade econ\u00f4mica, porte do sujeito passivo ou qualquer outro crit\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a71\u00ba. O valor integrante do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio relativo ao IBS que corresponda a multa punitiva e aos juros de mora sobre ela incidentes pertence aos entes federativos que promoverem a fiscaliza\u00e7\u00e3o, nos termos do caput deste artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a72\u00ba. Na hip\u00f3tese de haver 2 (dois) ou mais entes federativos interessados no desenvolvimento de atividades concomitantes de fiscaliza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo sujeito passivo, mesmo per\u00edodo objeto da fiscaliza\u00e7\u00e3o e mesmos fatos geradores, o procedimento ser\u00e1 realizado de forma conjunta e integrada, e caber\u00e1 ao CGIBS disciplinar a forma de organiza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o dos trabalhos, o rateio dos custos e a distribui\u00e7\u00e3o do produto da arrecada\u00e7\u00e3o entre os entes respons\u00e1veis pela fiscaliza\u00e7\u00e3o e lan\u00e7amento relativo \u00e0s multas punitivas e aos juros de mora sobre elas incidentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise dos dispositivos acima transcritos revela que o legislador complementar optou por destinar o produto da arrecada\u00e7\u00e3o das multas punitivas e dos respectivos juros de mora ao ente federativo que promover a fiscaliza\u00e7\u00e3o. Essa op\u00e7\u00e3o normativa foi refor\u00e7ada pelos artigos 118 e 119 da mesma lei, que determinam o acr\u00e9scimo das multas punitivas \u00e0 receita-base dos estados e munic\u00edpios que tiverem promovido a fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao nosso sentir, a regulamenta\u00e7\u00e3o proposta pela Lei Complementar n\u00ba 227\/2026 promove uma verdadeira corrida para a lavratura de autos de infra\u00e7\u00e3o, na medida em que o produto da arrecada\u00e7\u00e3o das multas ser\u00e1 destinado exclusivamente ao ente que promoveu a fiscaliza\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, quanto mais autos de infra\u00e7\u00e3o um ente federativo lavrar, maior ser\u00e1 sua participa\u00e7\u00e3o na receita proveniente das multas.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema se agrava quando consideramos a hip\u00f3tese prevista no \u00a7 2\u00ba do artigo 4\u00ba, que disciplina a fiscaliza\u00e7\u00e3o concomitante por dois ou mais entes federativos. A necessidade de rateio do produto das multas entre os entes participantes cria um incentivo adicional para que cada ente busque ser o primeiro a lavrar o auto de infra\u00e7\u00e3o, de modo a assegurar para si a integralidade ou a maior parcela poss\u00edvel da receita proveniente das multas.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise conjunta das Leis Complementares n\u00ba 225\/2026 e n\u00ba 227\/2026 revela uma contradi\u00e7\u00e3o. Enquanto a primeira estabelece como dever da administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria a redu\u00e7\u00e3o da litigiosidade, a facilita\u00e7\u00e3o do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias e a possibilidade de autorregulariza\u00e7\u00e3o antes da lavratura do auto de infra\u00e7\u00e3o, a segunda cria um mecanismo de incentivos econ\u00f4micos que estimula exatamente o comportamento oposto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de se notar que a teoria econ\u00f4mica do direito h\u00e1 muito reconhece que os agentes p\u00fablicos, assim como os agentes privados, respondem a incentivos. Se o ordenamento jur\u00eddico cria um mecanismo pelo qual a lavratura de autos de infra\u00e7\u00e3o gera receita adicional para o ente fiscalizador, \u00e9 razo\u00e1vel esperar que os agentes fiscais sejam incentivados a priorizar a autua\u00e7\u00e3o em detrimento da orienta\u00e7\u00e3o e da autorregulariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado pr\u00e1tico \u00e9 o aumento da litigiosidade tribut\u00e1ria, o encarecimento do custo de conformidade para os contribuintes e a deteriora\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre o Fisco e os cidad\u00e3os. Todos esses efeitos s\u00e3o diametralmente opostos aos objetivos declarados pela Lei Complementar n\u00ba 225\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, parece-nos necess\u00e1rio buscar uma interpreta\u00e7\u00e3o que harmonize os dispositivos das Leis Complementares n\u00ba 225\/2026 e n\u00ba 227\/2026, de modo a preservar os objetivos de conformidade cooperativa e autorregulariza\u00e7\u00e3o sem, contudo, negar vig\u00eancia \u00e0s regras de destina\u00e7\u00e3o das multas aos entes fiscalizadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos dois diplomas deve conduzir \u00e0 conclus\u00e3o de que a destina\u00e7\u00e3o das multas ao ente fiscalizador, prevista na Lei Complementar n\u00ba 227\/2026, somente se aplica aos casos em que a lavratura do auto de infra\u00e7\u00e3o tenha sido precedida da observ\u00e2ncia dos deveres impostos pelo artigo 3\u00ba da Lei Complementar n\u00ba 225\/2026. Em outras palavras, o ente fiscalizador somente far\u00e1 jus ao recebimento do produto das multas se tiver, previamente, possibilitado ao contribuinte a autorregulariza\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, a interpreta\u00e7\u00e3o acima tamb\u00e9m encontra guarida no artigo 2\u00ba, \u00a71\u00ba, inciso VIII, da Lei Complementar n\u00ba 227\/2026 com a seguinte reda\u00e7\u00e3o: \u201ccoordenar, em \u00e2mbito administrativo e judicial, a ado\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos de solu\u00e7\u00e3o adequada de conflitos relacionados ao IBS entre os entes federativos e os sujeitos passivos e estabelecer a padroniza\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios para a sua realiza\u00e7\u00e3o\u201d. O dispositivo estimula pr\u00e1ticas tendentes a eliminar conflitos no \u00e2mbito administrativo e, inegavelmente, o est\u00edmulo a autoregulariza\u00e7\u00e3o em detrimento da lavratura de autos de infra\u00e7\u00e3o consiste em pr\u00e1tica eficiente para elimina\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, o Comit\u00ea Gestor do IBS, no exerc\u00edcio de sua compet\u00eancia regulamentar, dever\u00e1 editar normas que condicionem a destina\u00e7\u00e3o do produto das multas ao ente fiscalizador \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de que foram observados os deveres de orienta\u00e7\u00e3o e autorregulariza\u00e7\u00e3o previstos na Lei Complementar n\u00ba 225\/2026. Essa medida seria essencial para neutralizar os incentivos perversos criados pela sistem\u00e1tica de destina\u00e7\u00e3o das multas e preservar a coer\u00eancia do ordenamento jur\u00eddico tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ressaltamos que o sucesso da reforma tribut\u00e1ria do consumo depender\u00e1 n\u00e3o apenas da efici\u00eancia arrecadat\u00f3ria, mas tamb\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre o Fisco e os contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-22\/a-relacao-fisco-contribuinte-e-as-contradicoes-legislativas-de-2026-entre-a-conformidade-cooperativa-e-a-industria-das-multas\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Supremo vai definir validade da pr\u00e1tica de \u2018pejotiza\u00e7\u00e3o\u2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 23\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) pode definir neste ano uma importante quest\u00e3o trabalhista, com milhares de processos em tramita\u00e7\u00e3o: a que trata da licitude da contrata\u00e7\u00e3o de trabalhador aut\u00f4nomo ou pessoa jur\u00eddica para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os &#8211; pr\u00e1tica conhecida como \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d. O julgamento inclui profissionais de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (TI), representantes comerciais, corretores de im\u00f3veis e de seguros, advogados e m\u00e9dicos, entre outros. Ficaram de fora, por\u00e9m, motoristas e entregadores de aplicativos &#8211; o tema ser\u00e1 julgado por meio de outro processo.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre a chamada pejotiza\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque muitos processos sobre o tema t\u00eam sido levados aos ministros por meio de reclama\u00e7\u00f5es contra decis\u00f5es da Justi\u00e7a do Trabalho. As empresas alegam que os tribunais trabalhistas &#8211; incluindo o Tribunal Superior do Trabalho &#8211; n\u00e3o t\u00eam seguido o entendimento do STF sobre terceiriza\u00e7\u00e3o, a contrata\u00e7\u00e3o de uma empresa por outra para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o. Os ministros autorizaram a pr\u00e1tica at\u00e9 mesmo para a atividade-fim das empresas (Tema 725, RE 958252).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relator do recurso sobre pejotiza\u00e7\u00e3o (ARE 1532603, Tema 1389), o ministro Gilmar Mendes, o crescente n\u00famero de reclama\u00e7\u00f5es contra a Justi\u00e7a do Trabalho tem sobrecarregado o Supremo nos \u00faltimos anos. Entre 2022 e 2024, o volume desse tipo de recurso dobrou, em grande parte por alega\u00e7\u00f5es de desrespeito \u00e0 tese sobre a terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do STF ser\u00e1 aplicada a todos os casos em tramita\u00e7\u00e3o. Hoje, todos os processos no pa\u00eds est\u00e3o suspensos desde abril de 2025. At\u00e9 meados de janeiro, mais de 50 mil processos tinham sido sobrestados pela Justi\u00e7a do Trabalho, conforme o painel de gest\u00e3o de precedentes do Conselho Superior da Justi\u00e7a do Trabalho (CSJT).<\/p>\n\n\n\n<p>Os ministros v\u00e3o analisar tr\u00eas pontos principais no julgamento: a validade dos contratos de aut\u00f4nomos ou pessoas jur\u00eddicas para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, a compet\u00eancia da Justi\u00e7a do Trabalho para julgar supostas fraudes e a defini\u00e7\u00e3o sobre quem deve arcar com o \u00f4nus da prova nesses processos &#8211; se o trabalhador ou o contratante.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das partes do processo, que envolve uma corretora que teve o pedido de v\u00ednculo com a seguradora Prudential negado no Tribunal Superior do Trabalho (TST), est\u00e3o cadastradas 26 entidades diferentes como amici curiae (partes interessadas). Ainda n\u00e3o h\u00e1 data marcada para o julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas acreditam que o Supremo poder\u00e1 estabelecer uma distin\u00e7\u00e3o entre os prestadores de servi\u00e7os considerados hiperssuficientes (que tenham sal\u00e1rio mensal acima de uma determinada faixa de renda) e os demais trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os integrantes da primeira categoria, o entendimento seria de que, como o trabalhador tem n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o elevado, estaria em condi\u00e7\u00f5es de negociar o pr\u00f3prio regime de trabalho. Dessa forma, n\u00e3o haveria, a princ\u00edpio, nenhum v\u00edcio de consentimento na contrata\u00e7\u00e3o que justificasse o reconhecimento de v\u00ednculo empregat\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Rodrigo Takano, s\u00f3cio do Machado Meyer, o que o Supremo vai decidir diz respeito \u00e0 presun\u00e7\u00e3o do v\u00edcio de consentimento, que \u00e9 uma quest\u00e3o jur\u00eddica. \u201cE a\u00ed a an\u00e1lise passa a depender do \u00f4nus da prova, porque os trabalhadores ter\u00e3o que provar que houve esse v\u00edcio se quiserem reconhecimento de v\u00ednculo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 compet\u00eancia, a expectativa un\u00e2nime \u00e9 de que ela continue sendo da Justi\u00e7a do Trabalho, devido a uma previs\u00e3o constitucional expressa, afirma F\u00e1bio Monteiro, s\u00f3cio do Pellegrina &amp; Monteiro Advogados. Ele explica que o artigo 114 da Constitui\u00e7\u00e3o atribui \u00e0 esfera trabalhista a compet\u00eancia para julgar as controv\u00e9rsias decorrentes das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, e n\u00e3o apenas da rela\u00e7\u00e3o de emprego na forma prevista pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA altera\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia esvaziaria a compet\u00eancia da Justi\u00e7a do Trabalho, especializada, e aumentaria a carga de trabalho da Justi\u00e7a Estadual, generalista. Portanto, a manuten\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia da Justi\u00e7a do Trabalho n\u00e3o viola a a liberdade contratual\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Quintas Carneiro, advogado, s\u00f3cio da LBS Advogadas e Advogados, que defende trabalhadores, tamb\u00e9m entende que a compet\u00eancia da Justi\u00e7a do Trabalho deve ser preservada. Segundo ele, a valida\u00e7\u00e3o ampla da pejotiza\u00e7\u00e3o, com restri\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho e transfer\u00eancia do \u00f4nus da prova ao trabalhador, produziria efeitos sist\u00eamicos graves.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o se ignora a possibilidade da exist\u00eancia abstrata de contratos civis ou comerciais l\u00edcitos. O que se questiona \u00e9 a tentativa de transformar tais instrumentos em blindagem jur\u00eddica contra a incid\u00eancia do Direito do Trabalho\u201d, afirma o advogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao \u00f4nus da prova, os advogados que defendem as empresas entendem que \u00e9 papel do trabalhador provar a exist\u00eancia de fraude, uma vez que a empresa n\u00e3o pode ser obrigada a produzir a chamada \u201cprova negativa\u201d &#8211; ou seja, de que algo n\u00e3o teria acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os processos suspensos sobre o tema em todo o pa\u00eds est\u00e1 um recurso de revista que ser\u00e1 julgado pelo TST pela sistem\u00e1tica dos repetitivos. Mas a Corte s\u00f3 vai retomar o julgamento ap\u00f3s uma decis\u00e3o definitiva do Supremo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, ao TST pretende decidir se \u00e9 v\u00e1lida a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhador como pessoa jur\u00eddica para exercer fun\u00e7\u00e3o normalmente j\u00e1 realizada por empregados da empresa, e se \u00e9 leg\u00edtima a convers\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de emprego em rela\u00e7\u00e3o pejotizada (Tema 30, processo n\u00ba 373- 67.2017.5.17.0121).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com F\u00e1bio Monteiro, a afeta\u00e7\u00e3o do recurso reafirma uma reinvindica\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho no sentido de preservar sua compet\u00eancia para continuar analisando os requisitos de forma\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo e a possibilidade de fraudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO STF dever\u00e1 dialogar com essa constru\u00e7\u00e3o jurisprudencial, impondo balizas constitucionais mais restritivas, a exemplo de toda a jurisprud\u00eancia que j\u00e1 se formou nas duas turmas do Supremo acerca das formas alternativas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e de trabalho, incluindo a pejotiza\u00e7\u00e3o\u201d, diz o especialista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2026\/01\/23\/supremo-vai-definir-validade-da-pratica-de-pejotizacao.ghtml\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>STJ pauta julgamentos de casos tribut\u00e1rios para 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o em fevereiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 25\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) incluiu na pauta de julgamentos da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o, do m\u00eas de fevereiro, pelo menos tr\u00eas teses tribut\u00e1rias relevantes. N\u00e3o h\u00e1 estimativa oficial dos valores envolvidos computada nos Riscos Fiscais, mas os temas s\u00e3o apontados por tributaristas como relevantes para diferentes setores. A 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o tem o papel de uniformiza a jurisprud\u00eancia da Corte.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 na pauta do dia 11 de fevereiro processo sobre a validade do teto de 20 sal\u00e1rios-m\u00ednimos para algumas contribui\u00e7\u00f5es destinadas a terceiros &#8211; INCRA, sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o, Sistema S, SEBRAE, APEX-Brasil e ABDI (Tema 1390). O STJ j\u00e1 afastou o teto para contribui\u00e7\u00f5es parafiscais destinadas ao Sesi, Senai, Sesc e Senac (tema 1079), como lembra o advogado R\u00f4mulo Coutinho, s\u00f3cio do Lavez Coutinho. E o Supremo Tribunal Federal (STF) j\u00e1 decidiu que o assunto \u00e9 infraconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o envolve duas leis da d\u00e9cada de 80. O artigo 4\u00ba da Lei n\u00ba 6.950, de 1981, prev\u00ea que a base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias deve respeitar o limite de 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos. O par\u00e1grafo \u00fanico determina que esse mesmo teto tem de ser observado para as \u201ccontribui\u00e7\u00f5es parafiscais arrecadadas por conta de terceiros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O Decreto n\u00ba 2.318, de 1986, revogou o limite imposto para o c\u00e1lculo \u201cda contribui\u00e7\u00e3o da empresa para a Previd\u00eancia Social\u201d que estava previsto no artigo 4\u00ba, mas n\u00e3o mexeu no par\u00e1grafo \u00fanico. Os contribuintes defendem a aplica\u00e7\u00e3o do limite de 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) nesse tema \u00e9 positiva, como o \u00f3rg\u00e3o informou em nota. \u201cA tese defendida pelos contribuintes guarda estreita rela\u00e7\u00e3o com o que foi discutido no Tema 1079\u201d. A PGFN espera a reafirma\u00e7\u00e3o do posicionamento para as demais contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo dia, o STJ deve julgar se a cobran\u00e7a de ICMS-DIFAL em opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas a consumidor final contribuinte do imposto estava suficientemente disciplinada na Lei Complementar n\u00ba 87, de 1996 (Lei Kandir), antes da entrada em vigor da Lei Complementar n\u00ba 190\/2022 (Tema 1369). Nesse caso, o STF j\u00e1 decidiu que a Lei Complementar 190 \u00e9 v\u00e1lida nas vendas para consumidores n\u00e3o contribuintes do ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na sess\u00e3o do dia 11, a Corte deve retomar o julgamento em que vai definir se revendedores de combust\u00edveis, que n\u00e3o pagam PIS e Cofins, podem registrar cr\u00e9ditos dessas contribui\u00e7\u00f5es durante o per\u00edodo em que a al\u00edquota delas foi reduzida a zero para os produtores e importadores do setor. O relator, ministro Gurgel de Faria, j\u00e1 votou, de forma favor\u00e1vel \u00e0 Fazenda.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao reduzir a al\u00edquota de PIS e Cofins a zero para o setor, a Lei Complementar n\u00ba 192, de mar\u00e7o de 2022, garantiu o aproveitamento de cr\u00e9ditos vinculados \u00e0s empresas da cadeia. Essa permiss\u00e3o de aproveitamento foi suprimida pela Lei Complementar n\u00ba 194, editada em junho de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ariane Guimar\u00e3es, s\u00f3cia do Mattos Filho, depois da edi\u00e7\u00e3o da lei, as empresas passaram a se deparar com resist\u00eancia por parte da Fazenda Nacional, tentando restringir o alcance do cr\u00e9dito e deixando de observar a anterioridade nonagesimal.<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada Luciana Krabbe Vignati, s\u00f3cia do HRSA Sociedade de Advogados, destaca que tanto o STJ quanto o STF t\u00eam julgado recursos repetitivos e repercuss\u00f5es gerais com a expectativa de reduzir os estoques de processos sobre um mesmo tema que aguardam julgamentos. \u201cA ideia \u00e9 que quanto mais teses vinculantes forem julgadas, mais casos ficam barrados nos tribunais inferiores\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Os advogados tamb\u00e9m esperam que alguns julgamentos que n\u00e3o foram conclu\u00eddos nas \u00faltimas sess\u00f5es de dezembro de 2025 possam ser pautados e retomados. Entre eles, destacam a diverg\u00eancia sobre a inclus\u00e3o de PIS e Cofins na base de c\u00e1lculo do IRPJ\/CSLL, quando apurados na sistem\u00e1tica do lucro presumido (Tema 1312).<\/p>\n\n\n\n<p>As perspectivas para essa tese n\u00e3o s\u00e3o boas de acordo com advogados ouvidos pelo Valor. Apesar de ser uma tese filhote da exclus\u00e3o do ICMS da base do PIS e da Cofins, o STJ j\u00e1 definiu, em outros casos, que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente quando se trata do regime do lucro presumido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA perspectiva quanto \u00e0 probabilidade de \u00eaxito n\u00e3o \u00e9 das maiores\u201d, afirma R\u00f4mulo Coutinho, s\u00f3cio do Lavez Coutinho. De acordo com o tributarista, STJ e STF t\u00eam entendido que a sistem\u00e1tica do lucro presumido \u00e9 um benef\u00edcio para o contribuinte, ent\u00e3o ele escolhe esse caminho e eventual tributo embutido. \u201cDiscordo, porque quando o contribuinte paga um tributo que tem fundamento na tributa\u00e7\u00e3o da receita \u00e9 o mesmo artigo da Constitui\u00e7\u00e3o (195)\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>A PGFN espera que o STJ consolide o entendimento que j\u00e1 vem sendo aplicado pelas turmas da Corte. \u201cAmbas as turmas possuem precedentes favor\u00e1veis \u00e0 Uni\u00e3o, e a fixa\u00e7\u00e3o da tese sob o rito dos recursos repetitivos \u00e9 fundamental para garantir seguran\u00e7a jur\u00eddica e uniformidade nas decis\u00f5es sobre a mat\u00e9ria\u201d, informou em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m foi adiado no fim de 2025, e ainda n\u00e3o tem data de retorno, o julgamento que ir\u00e1 definir se a fian\u00e7a banc\u00e1ria ou seguro oferecido em garantia de execu\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio s\u00e3o recus\u00e1veis por inobserv\u00e2ncia \u00e0 ordem legal (Tema 1385).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2026\/01\/25\/stj-pauta-julgamentos-de-casos-tributarios-para-1a-secao-em-fevereiro.ghtml\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>NR-1: A partir de maio, empresas dever\u00e3o monitorar riscos \u00e0 sa\u00fade mental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 26\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de maio de 2026, empresas passar\u00e3o a ser fiscalizadas de acordo com as exig\u00eancias da nova reda\u00e7\u00e3o da&nbsp;NR-1, norma que estabelece diretrizes gerais de sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A vers\u00e3o atualizada da regra entra em vigor no dia 26\/5, data a partir da qual ter\u00e3o in\u00edcio as inspe\u00e7\u00f5es. Entre as principais mudan\u00e7as, est\u00e1 a incorpora\u00e7\u00e3o expressa da avalia\u00e7\u00e3o dos riscos psicossociais \u00e0 gest\u00e3o de sa\u00fade e seguran\u00e7a no ambiente laboral.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, a NR-1 passou a prever, de forma expl\u00edcita, a inclus\u00e3o de fatores como estresse, ass\u00e9dio, burnout e viol\u00eancia no trabalho no GRO &#8211; Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e no PGR &#8211; Programa de Gerenciamento de Riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que s\u00e3o GRO e PGR?<\/p>\n\n\n\n<p>O GRO \u00e9 o processo de gest\u00e3o voltado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e seguran\u00e7a dos trabalhadores, enquanto o PGR \u00e9 um instrumento obrigat\u00f3rio que deve refletir, de forma organizada, todos os riscos presentes no ambiente laboral.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, a nova reda\u00e7\u00e3o da norma deveria produzir efeitos em abril de 2025. No entanto, diante das d\u00favidas levantadas sobre sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, o minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego decidiu&nbsp;adiar&nbsp;o in\u00edcio da fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, esclareceu que o primeiro ano de vig\u00eancia ter\u00e1 car\u00e1ter educativo e orientativo, sem aplica\u00e7\u00e3o de penalidades, a fim de permitir que as empresas se adaptem gradualmente \u00e0s novas exig\u00eancias da sa\u00fade mental no sistema de preven\u00e7\u00e3o adotado pelas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclus\u00e3o expressa dos riscos psicossociais<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das mudan\u00e7as mais relevantes \u00e9 a incorpora\u00e7\u00e3o expl\u00edcita dos riscos psicossociais, como estresse, ass\u00e9dio, burnout e viol\u00eancia no trabalho, ao escopo da NR-1.<\/p>\n\n\n\n<p>A norma passa a exigir que esses fatores sejam identificados, avaliados e tratados com medidas preventivas incorporadas ao PGR, deixando de ser um tema apenas perif\u00e9rico ou indireto na fiscaliza\u00e7\u00e3o trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p>O foco das interven\u00e7\u00f5es deve recair prioritariamente sobre a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, e n\u00e3o apenas sobre o indiv\u00edduo, exigindo an\u00e1lise de jornadas, metas, sobrecarga, conflitos interpessoais e condi\u00e7\u00f5es ergon\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o advogado&nbsp;Ricardo Calcini, s\u00f3cio Fundador da Calcini Advogados e professor de Direito do Trabalho do Insper\/SP,&nbsp;a incorpora\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental ao GRO e ao PGR representa uma mudan\u00e7a estrutural na forma como as empresas lidam com riscos ocupacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A&nbsp;sa\u00fade mental sai da subjetividade e passa a ter lugar na norma t\u00e9cnica, devendo ser inclu\u00edda na pauta de implementa\u00e7\u00e3o de medidas de preven\u00e7\u00e3o, controle e elimina\u00e7\u00e3o, desde j\u00e1, tanto quanto os demais fatores de riscos&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras mudan\u00e7as<\/p>\n\n\n\n<p>Calcini tamb\u00e9m lembra que a inclus\u00e3o dos riscos psicossociais \u00e9 a mudan\u00e7a mais vis\u00edvel da nova NR-1, mas n\u00e3o a \u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9&nbsp;relevante destacar uma importante altera\u00e7\u00e3o inclu\u00edda na NR-1 pela portaria SEPRT 915\/19: todos os empregadores devem realizar an\u00e1lise de acidentes e doen\u00e7as do trabalho, e n\u00e3o somente aqueles obrigados a constituir SESMT- Servi\u00e7os Especializados em Seguran\u00e7a e Medicina do Trabalho, conforme a NR-4&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que qualquer ocorr\u00eancia de acidente ou adoecimento ocupacional deve ser investigada pela empresa, com identifica\u00e7\u00e3o das causas, avalia\u00e7\u00e3o das falhas preventivas e revis\u00e3o das medidas de seguran\u00e7a adotadas, refor\u00e7ando o car\u00e1ter cont\u00ednuo e preventivo do gerenciamento de riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ressalta ainda que a nova NR-1 imp\u00f5e uma mudan\u00e7a de cultura organizacional, exigindo que as empresas atuem sobre a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o do trabalho para evitar o adoecimento dos empregados.<\/p>\n\n\n\n<p>A reformula\u00e7\u00e3o do item 1.5 da NR-1 tamb\u00e9m introduz:<\/p>\n\n\n\n<p>novas defini\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, como avalia\u00e7\u00e3o de riscos, identifica\u00e7\u00e3o de perigos e riscos ocupacionais evidentes;<\/p>\n\n\n\n<p>obrigatoriedade de planos de a\u00e7\u00e3o com prazos, respons\u00e1veis e crit\u00e9rios de monitoramento;<\/p>\n\n\n\n<p>maior envolvimento dos trabalhadores e da CIPA no processo de gest\u00e3o de riscos;<\/p>\n\n\n\n<p>integra\u00e7\u00e3o das medidas de preven\u00e7\u00e3o entre empresas que atuam no mesmo ambiente de trabalho;<\/p>\n\n\n\n<p>requisitos m\u00ednimos para prepara\u00e7\u00e3o e resposta a emerg\u00eancias, incluindo exerc\u00edcios simulados peri\u00f3dicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fiscaliza\u00e7\u00e3o e lit\u00edgios<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do especialista, a tend\u00eancia \u00e9 de aumento da fiscaliza\u00e7\u00e3o e do contencioso trabalhista envolvendo sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com a NR-1 prevendo esses riscos, auditores fiscais t\u00eam base normativa clara para autuar empresas que n\u00e3o se adaptarem \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o&#8221;, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito judicial, o cen\u00e1rio tamb\u00e9m se altera:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No Judici\u00e1rio, a aus\u00eancia de gest\u00e3o de riscos psicossociais facilitar\u00e1 a comprova\u00e7\u00e3o de culpa da empresa em casos de burnout, depress\u00e3o ou ansiedade ocupacional.&nbsp;Logo, a cobran\u00e7a por ambientes psicologicamente saud\u00e1veis \u00e9 urgente&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.migalhas.com.br\/quentes\/448486\/nr-1-a-partir-de-maio-empresas-devem-monitorar-riscos-a-saude-mental\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Uni\u00e3o reduz em 30% riscos fiscais com disputas na Justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 26\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o reduziu em 30,6% o risco de perdas com disputas judiciais em rela\u00e7\u00e3o ao pico atingido no ano de 2022, de R$ 3,758 trilh\u00f5es. Apesar disso, o valor ainda \u00e9 vultoso. No fechamento de 2025, estava em R$ 2,607 trilh\u00f5es, o que inclui o impacto de julgamentos indicados como de risco poss\u00edvel e prov\u00e1vel (maior chance de derrota) para os cofres p\u00fablicos. A informa\u00e7\u00e3o consta no Anexo de Riscos Fiscais da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) para 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor de 2025, em rela\u00e7\u00e3o ao de 2024, representa queda de 2% &#8211; o equivalente a R$ 53 bilh\u00f5es. A redu\u00e7\u00e3o se deve sobretudo a vit\u00f3rias obtidas pela Uni\u00e3o nos tribunais superiores. O n\u00famero tamb\u00e9m pode variar pela reclassifica\u00e7\u00e3o de riscos &#8211; mudan\u00e7a para \u201cremoto\u201d &#8211; e por derrotas, o que retira temas da lista da Uni\u00e3o. S\u00e3o esses dados que indicam ao governo o quanto pode gastar ou precisa economizar para chegar ao equil\u00edbrio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>As vit\u00f3rias em julgamentos tribut\u00e1rios no Supremo Tribunal Federal (STF) foram as mais importantes para a redu\u00e7\u00e3o registrada em 2025. Houve uma queda de 17,6%, a maior entre todas as \u00e1reas. Esse passivo contingente saiu de R$ 649,2 bilh\u00f5es em 2024 para R$ 534,6 bilh\u00f5es no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma delas foi a discuss\u00e3o sobre o limite para deduzir despesas com educa\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda Pessoa F\u00edsica (IRPF). A tese foi julgada em mar\u00e7o do ano passado de forma favor\u00e1vel \u00e0 Fazenda no STF, o que a retirou da lista de riscos fiscais. Ela poderia gerar perda de R$ 115 bilh\u00f5es (ADI 4927).<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) no STF tamb\u00e9m evitou preju\u00edzo de R$ 4 bilh\u00f5es para os cofres p\u00fablicos com a exig\u00eancia de 90 dias para come\u00e7arem a valer regras para o uso dos benef\u00edcios fiscais de exportadoras, o Regime Especial de Reintegra\u00e7\u00e3o de Valores Tribut\u00e1rios para as Empresas Exportadoras (Reintegra). Os contribuintes queriam que fosse aplicado o prazo de um ano (Tema 1108).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO percentual de 2% pode significar muita coisa\u201d, afirma Raquel Godoy de Miranda Araujo, procuradora-geral adjunta de representa\u00e7\u00e3o judicial. As vit\u00f3rias da PGFN, contudo, foram compensadas com a inclus\u00e3o de outras a\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias de impacto relevante, al\u00e9m do aumento do risco fiscal em outras \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>As perdas poss\u00edveis nas demandas do Banco Central (BC), por exemplo, triplicaram no ano de 2025: sa\u00edram de R$ 5,5 bilh\u00f5es para R$ 16,2 bilh\u00f5es. Essas a\u00e7\u00f5es se referem a planos econ\u00f4micos, reclama\u00e7\u00f5es trabalhistas, t\u00edtulos p\u00fablicos e liquida\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es financeiras, diz a LDO.<\/p>\n\n\n\n<p>O volume dos riscos prov\u00e1veis contra funda\u00e7\u00f5es e autarquias, como o INSS, dobrou na mesma base de compara\u00e7\u00e3o. Subiu de R$ 2,5 bilh\u00f5es para R$ 5,2 bilh\u00f5es. Um dos processos \u00e9 um pedido de resolu\u00e7\u00e3o contratual com indeniza\u00e7\u00e3o. Outra \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica que discute a amplia\u00e7\u00e3o de um acordo judicial sobre a tese da revis\u00e3o da vida toda, que trata da atualiza\u00e7\u00e3o de valores de aposentadorias.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o advogado e economista Jo\u00e3o Leme, analista da Tend\u00eancias Consultoria, houve mudan\u00e7a no perfil dos riscos com a\u00e7\u00f5es judiciais de 2024 para 2025. &#8220;Os riscos que permaneceram e tiveram maior ajuste para cima foram os prov\u00e1veis, que a Uni\u00e3o tem mais chance de perder&#8221;, diz. &#8220;Isso, de certa forma, gera um alerta&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um alerta porque esses riscos podem afetar as contas p\u00fablicas, tanto pela redu\u00e7\u00e3o da receita quanto pelo aumento da despesa no resultado prim\u00e1rio no futuro. \u201cPode vir como redu\u00e7\u00e3o de arrecada\u00e7\u00e3o, seja porque mudou a base de c\u00e1lculo e da\u00ed para frente pode ter problemas para arrecadar\u201d, afirma. &#8220;Tamb\u00e9m pode ser que gere passivo de compensa\u00e7\u00e3o, em que o governo precisa retornar os valores em forma como cr\u00e9dito, que pode ser utilizado pelas empresas para pagamento de outros impostos\u201d, completa. Os passivos ainda podem se concretizar como precat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No STF, a PGFN venceu os casos mais relevantes do ano de 2025 &#8211; estejam eles no anexo de riscos fiscais ou n\u00e3o -, indica levantamento feito pelo Machado Associados. Um deles, que ainda consta do anexo da LDO, foi o da incid\u00eancia da Cide sobre remessas enviadas ao exterior, o que evita um rombo anual de R$ 19,6 bilh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos. Os ministros entenderam que a taxa\u00e7\u00e3o deveria ser ampliada, valendo para qualquer contrato, n\u00e3o s\u00f3 para os de transfer\u00eancia de tecnologia (Tema 914).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a procuradora Raquel Godoy, essa foi uma vit\u00f3ria importante, considerando o fomento ao investimento interno em ci\u00eancia e tecnologia e os valores envolvidos &#8211; a Fazenda estimava que poderia ter que devolver R$ 60 bilh\u00f5es, referente aos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro julgamento relevante foi a fixa\u00e7\u00e3o de teto para multas, encerrado no dia 17 de dezembro. Segundo a procuradora, a Uni\u00e3o n\u00e3o tem penalidades que ultrapassam esse teto e foi relevante a ressalva a multas aduaneiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a procuradora, em 2025 transitou em julgado (n\u00e3o cabe mais recurso) o julgamento em que a Corte flexibilizou os limites de decis\u00f5es tribut\u00e1rias. Passou a permitir a reforma de decis\u00f5es divergentes de teses aprovadas posteriormente (Tema 881). A partir do tr\u00e2nsito em julgado, a PGFN consegue identificar e apontar para a Receita quais empresas podem voltar a ser tributadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m foi julgada v\u00e1lida a inclus\u00e3o do PIS e da Cofins na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta (CPRB). \u00c9 filhote da tese do s\u00e9culo, que permitiu a exclus\u00e3o do ICMS da base do PIS\/Cofins, mas o desfecho foi diferente (Tema 69). A expectativa de \u00eaxito das empresas era baixa, pois um julgamento similar j\u00e1 havia sido desfavor\u00e1vel, em rela\u00e7\u00e3o ao ICMS (Tema 1048).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Jo\u00e3o Leme, desde a tese do s\u00e9culo, o STF tem olhado com mais aten\u00e7\u00e3o o impacto econ\u00f4mico de suas decis\u00f5es. \u201cPela argumenta\u00e7\u00e3o dos ministros, parece que o STF est\u00e1 um pouco mais cognoscente de que a sua caneta tem um peso bastante significativo na capacidade do governo de cumprir ou n\u00e3o a meta fiscal e de desenhar o or\u00e7amento\u201d, adiciona.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do advogado Renato Silveira, s\u00f3cio do Machado Associados, a maioria das vit\u00f3rias favor\u00e1veis \u00e0s empresas no STF foi parcial. Isto \u00e9, o pedido principal n\u00e3o foi acatado, como no do Reintegra. \u201cO contribuinte teve uma grande derrota, que \u00e9 a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o da anterioridade anual. Para fins de apura\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos do Reintegra, isso d\u00e1 uma diferen\u00e7a muito grande.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante ocorreu com o diferencial de al\u00edquotas (Difal) de ICMS, pois tamb\u00e9m foi aplicada a anterioridade nonagesimal. Ressalvou, pelo menos, contribuintes que tinham a\u00e7\u00e3o sobre o tema. \u201cO grande ponto \u00e9 como fica se o contribuinte tem processo administrativo ou judicial em curso\u201d, diz o tributarista Jo\u00e3o Amadeus, s\u00f3cio do Martorelli Advogados.<\/p>\n\n\n\n<p>Existiu, acrescenta, \u201cuma modula\u00e7\u00e3o anterior muito ruim e, agora, por diverg\u00eancia do ministro Fl\u00e1vio Dino, o STF disse que se o contribuinte tiver processo administrativo ou a\u00e7\u00e3o judicial ingressada at\u00e9 o dia 29 de novembro de 2023 a cobran\u00e7a para ele s\u00f3 vale a partir de janeiro de 2023\u201d (Tema 1266).<\/p>\n\n\n\n<p>No Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), os desfechos foram mais equilibrados, com quase o mesmo n\u00famero de vit\u00f3rias para Uni\u00e3o e contribuintes. Uma vit\u00f3ria relevante para as empresas foi a possibilidade de dedu\u00e7\u00e3o do Juros Sobre Capital Pr\u00f3prio (JCP) do IRPJ e CSLL em ano posterior \u00e0 decis\u00e3o dos acionistas que autoriza o pagamento (Tema 1319). \u201cJ\u00e1 havia uma jurisprud\u00eancia favor\u00e1vel tanto da 1\u00aa quanto da 2\u00aa Turma. Ent\u00e3o, o julgamento da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o foi para consolidar\u201d, afirma Renato Silveira.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para a Fazenda Nacional, o destaque foi a exig\u00eancia de inscri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via no Cadastro Nacional dos Prestadores de Servi\u00e7os Tur\u00edsticos (Cadastur) para o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), ressalta a procuradora Raquel Godoy.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2026\/01\/26\/uniao-reduz-em-30-riscos-fiscais-com-disputas-na-justica.ghtml\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>ESTADUAIS:\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>MUNICIPAIS:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>NOT\u00cdCIAS SOBRE DECIS\u00d5ES ADMINISTRATIVAS FEDERAIS:&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carf anula autua\u00e7\u00e3o fiscal bilion\u00e1ria de filial de banco no exterior<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 22\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A 1\u00aa Turma da C\u00e2mara Superior do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/carf\/pt-br\">Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf)<\/a>&nbsp;anulou duas autua\u00e7\u00f5es fiscais lavradas contra o Banco Santander, que somavam cerca de R$ 1 bilh\u00e3o.&nbsp;As a\u00e7\u00f5es que originaram as multas tratam da declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o de<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/pesquisa\/?q=Imposto+de+Renda+Retido+na+Fonte\">&nbsp;Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)<\/a>&nbsp;pela filial da institui\u00e7\u00e3o financeira nas Ilhas Cayman, nos anos de 2015 e 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme noticiado pelo jornal&nbsp;Valor Econ\u00f4mico, o banco obteve a vit\u00f3ria no Carf por 7 votos a 3. O relator do caso, conselheiro Fernando Brasil, que representa a Receita, votou pelo cancelamento das autua\u00e7\u00f5es fiscais e foi acompanhado pela maioria, incluindo o presidente do Conselho, Carlos Higino, que tamb\u00e9m representa o Fisco. A conselheira Edeli Bessa, outra que representa a Receita, abriu a diverg\u00eancia com o entendimento de que, diante de preju\u00edzo fiscal, a compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser feita.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto central do julgamento foi a distin\u00e7\u00e3o entre o imposto pago no exterior, sujeito \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do artigo 26, \u00a71\u00ba, da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9249.htm\">Lei 9.249\/95<\/a>, que trata do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/pesquisa\/?q=Imposto+de+Renda+Pessoa+Jur%C3%ADdica&amp;mes=&amp;ano=&amp;autor=&amp;tipo=\">Imposto de Renda Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ)<\/a>, e o IRRF no Brasil, que possui natureza de antecipa\u00e7\u00e3o do IRPJ pago ao final do exerc\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os autos, a filial do banco nas Ilhas Cayman concedia empr\u00e9stimos em moeda estrangeira para clientes brasileiros. Quando os juros eram pagos pelos correntistas, estes fechavam a opera\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio e efetuavam a reten\u00e7\u00e3o e o recolhimento do IRRF. Na sequ\u00eancia, o banco compensava esse tributo pago com o IRPJ que era devido no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita, no entanto,&nbsp;negou ao Santander as compensa\u00e7\u00f5es de cr\u00e9ditos de saldos negativos de IR com d\u00e9bitos pr\u00f3prios, decorrentes das estimativas de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins.&nbsp;Para o Fisco, s\u00f3 cab\u00edvel a compensa\u00e7\u00e3o de imposto pago\/retido no exterior se h\u00e1 imposto devido no Brasil. Em suma, o tributo pago no exterior n\u00e3o pode, por si s\u00f3, gerar saldo negativo de IRPJ. E a institui\u00e7\u00e3o financeira acabou autuada por causa dessa pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O Santander recorreu com a alega\u00e7\u00e3o de que a compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida e est\u00e1 fundamentada no artigo 9\u00ba da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/mpv\/2158-35.htm\">Medida Provis\u00f3ria 2.158-35\/2001<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA recorrente ressalta que o estabelecimento situado nas Ilhas Cayman \u00e9 sua filial, tendo gerado, no ano-calend\u00e1rio de 2015, lucro de R$ 1.555.794.693,93, que foi adicionado ao lucro l\u00edquido para fins de apura\u00e7\u00e3o do lucro real, reduzindo o preju\u00edzo\u201d, diz o ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Exagero reconhecido<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o advogado tributarista&nbsp;Tiago Teixeira, do Sacha Calmon-Misabel Derzi Consultores e Advogados, o Carf reconheceu que a fiscaliza\u00e7\u00e3o extrapolou os limites da legisla\u00e7\u00e3o ao rejeitar compensa\u00e7\u00f5es de IRRF devidamente recolhido no Brasil e vinculado a rendimentos que foram efetivamente oferecidos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o no lucro real da institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO colegiado entendeu que, quando o IRRF \u00e9 recolhido no Brasil e os respectivos rendimentos s\u00e3o integralmente computados na base de c\u00e1lculo do imposto, n\u00e3o \u00e9 juridicamente leg\u00edtimo restringir a compensa\u00e7\u00e3o com base em normas infralegais ou em interpreta\u00e7\u00f5es que ampliem limita\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas expressamente em lei. Trata-se, portanto, de uma reafirma\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da legalidade estrita em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria e da veda\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es por via administrativa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Atuou nos processos o escrit\u00f3rio&nbsp;Schneider Pugliese Advogados.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo 16327.720668\/2019-42<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-jur-dico wp-block-embed-consultor-jur-dico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"bF3wIDPokR\"><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-22\/carf-anula-autuacao-fiscal-bilionaria-de-filial-de-banco-no-exterior\/\">Carf anula autua\u00e7\u00e3o fiscal bilion\u00e1ria de filial de banco no exterior<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Carf anula autua\u00e7\u00e3o fiscal bilion\u00e1ria de filial de banco no exterior&#8221; &#8212; Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-22\/carf-anula-autuacao-fiscal-bilionaria-de-filial-de-banco-no-exterior\/embed\/#?secret=XyLTkLvdfb#?secret=bF3wIDPokR\" data-secret=\"bF3wIDPokR\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Carf libera cr\u00e9dito de IRRF em remessas ao exterior em ano de preju\u00edzo fiscal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 25\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>Por maioria de 7 votos a 3, a 1\u00aa Turma da C\u00e2mara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/carf\">Carf<\/a>) permitiu o creditamento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre remessas a uma filial do Banco Santander no exterior, localizada em para\u00edso fiscal, em anos em que houve apura\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo fiscal. A decis\u00e3o foi vinculada ao fato de o banco ter recolhido o imposto no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o alegava n\u00e3o ser poss\u00edvel utilizar o cr\u00e9dito de IRRF para compor o saldo negativo em ano de preju\u00edzo fiscal. Diante desse cen\u00e1rio, a vis\u00e3o do fisco era de que o valor deveria ser registrado na Parte B do Livro de Apura\u00e7\u00e3o do Lucro Real (Lalur) para aproveitamento futuro, observando-se o limite previsto no artigo 26 da Lei 9.430\/1996. O dispositivo restringe o aproveitamento do imposto considerado pago no exterior ao montante do IR efetivamente devido no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa, por sua vez, sustentou que o imposto foi retido no Brasil sobre os juros remetidos \u00e0 filial no exterior. Al\u00e9m disso, argumentou que os resultados da filial foram igualmente inclu\u00eddos no lucro real do Santander e que, por essa raz\u00e3o, n\u00e3o faria sentido aplicar o limite destinado a situa\u00e7\u00f5es de imposto pago no exterior, j\u00e1 que o caso n\u00e3o envolve tributa\u00e7\u00e3o estrangeira, mas opera\u00e7\u00f5es tributadas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Puxando o entendimento da maioria, o relator, conselheiro Fernando Brasil, entendeu que o limite estabelecido pela lei \u00e9 previsto para cr\u00e9ditos de imposto pago no exterior e n\u00e3o se aplica ao caso, uma vez que o IRRF foi recolhido no Brasil e n\u00e3o no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>O conselheiro disse ainda que, se houvesse lucro no per\u00edodo, n\u00e3o haveria controv\u00e9rsia quanto ao aproveitamento do cr\u00e9dito, e que a discuss\u00e3o surge exclusivamente em raz\u00e3o da apura\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo fiscal, circunst\u00e2ncia que, em sua avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o afasta o direito ao creditamento quando a tributa\u00e7\u00e3o ocorreu integralmente no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A diverg\u00eancia foi no sentido de que o artigo 26 da Lei 9.249\/1995 \u00e9 aplic\u00e1vel ao caso justamente por se tratar de remessas a benefici\u00e1ria situada em para\u00edso fiscal, devendo a situa\u00e7\u00e3o seguir a mesma l\u00f3gica aplicada \u00e0s demais opera\u00e7\u00f5es envolvendo rendimentos auferidos no exterior, sem tratamento diferenciado pelo fato de se tratar de filial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para essa vertente de entendimento, se n\u00e3o fosse a regra espec\u00edfica que determina a inclus\u00e3o dos lucros de filiais no resultado da matriz, esses valores sequer seriam tributados no Brasil, motivo pelo qual n\u00e3o faria sentido afastar o limite aplic\u00e1vel aos cr\u00e9ditos. Nessa linha votaram os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os processos tramitam com os n\u00fameros 16327.720668\/2019-42 e 16327.903508\/2019-37.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.jota.info\/tributos\/carf-libera-credito-de-irrf-em-remessas-ao-exterior-em-ano-de-prejuizo-fiscal\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>NOT\u00cdCIAS RELACIONADAS A DECIS\u00d5ES JUDICIAIS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>FEDERAIS:\u00a0\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Juiz suspende imposto rural de R$ 1,8 mi e tira \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o do c\u00e1lculo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a Federal suspendeu a cobran\u00e7a de cerca de R$ 1,8 milh\u00e3o em imposto rural ap\u00f3s reconhecer erro no preenchimento das DITRs &#8211; Declara\u00e7\u00e3o do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. A decis\u00e3o foi do juiz Federal Paulo Ernane Moreira Barros, da 6\u00aa vara da SJ\/GO, ao constatar que \u00e1reas ambientais protegidas, que por lei n\u00e3o entram no c\u00e1lculo do tributo, foram consideradas na base de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p>O contribuinte entrou com mandado de seguran\u00e7a para suspender a cobran\u00e7a do ITR &#8211; Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural de 2021 (R$ 683.547,91) e 2022 (R$ 1.033.068,41), no trecho do imposto que teria sido inflado por um erro no preenchimento das declara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, ao entregar as DITRs, n\u00e3o considerou \u00e1reas de APP &#8211; \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente e de reserva legal da forma prevista para o c\u00e1lculo do tributo, o que teria elevado o valor lan\u00e7ado. Ele tamb\u00e9m informou ter protocolado pedido administrativo de revis\u00e3o, ainda pendente de an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao examinar o processo, o juiz afirmou que ficou comprovada a omiss\u00e3o dessas \u00e1reas ambientais nas declara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO impetrante comprovou que as DITRs de 2021 e 2022 omitiram as \u00e1reas de APP e RL (&#8212;&#8212;&#8212;), configurando erro material na base de c\u00e1lculo. Nesse sentido, \u00e9 irrefut\u00e1vel que a Lei n\u00ba 9.393\/96 (art. 10, \u00a7 1\u00ba) exclui as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente e de reserva legal da base de c\u00e1lculo do ITR.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nisso, o magistrado aplicou o art. 151, III, do CTN e concluiu que, enquanto a Receita Federal analisa o pedido de revis\u00e3o, a cobran\u00e7a do imposto discutido deve ficar suspensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, a abertura do procedimento administrativo, fundamentado em erro objetivo, impede a continuidade da cobran\u00e7a at\u00e9 o fim da an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>O escrit\u00f3rio&nbsp;Jo\u00e3o Domingos Advogados atua pelo contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo: 1063682-43.2025.4.01.3500<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.migalhas.com.br\/quentes\/448172\/juiz-exclui-area-de-protecao-do-calculo-e-anula-imposto-de-r-1-8-mi\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>TRF2 ter\u00e1 que reanalisar pedido da Globo para revis\u00e3o de al\u00edquotas de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) determinou a devolu\u00e7\u00e3o, ao Tribunal Regional Federal da 2\u00aa Regi\u00e3o (TRF2), de processo no qual a Globo Comunica\u00e7\u00e3o e Participa\u00e7\u00f5es S\/A pede a rean\u00e1lise do enquadramento dado a atividades econ\u00f4micas do conglomerado na Classifica\u00e7\u00e3o Nacional das Atividades Econ\u00f4micas (CNAE), usada para defini\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria relativas ao Grau de Incid\u00eancia de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIIL-RAT).<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento foi un\u00e2nime e seguiu o voto do relator, ministro Afr\u00e2nio Vilela, que reconheceu a exist\u00eancia de omiss\u00e3o no&nbsp;ac\u00f3rd\u00e3o&nbsp;que rejeitou os&nbsp;embargos de declara\u00e7\u00e3o&nbsp;apresentados pela empresa. Para o relator, o tribunal de segundo grau n\u00e3o examinou argumentos capazes de, em tese, invalidar as conclus\u00f5es adotadas anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia teve in\u00edcio em a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria de d\u00e9bito fiscal proposta pela Globo para contestar a cobran\u00e7a de diferen\u00e7as de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria relativas a seis estabelecimentos do conglomerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Globo, a Receita Federal entendeu que todos deveriam ser enquadrados na CNAE de &#8220;Atividades de Televis\u00e3o Aberta&#8221;, com aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota previdenci\u00e1ria de 3%, enquanto a empresa sustentou que parte das atividades se enquadraria em outras subclasses, como edi\u00e7\u00e3o de jornais, est\u00fadios cinematogr\u00e1ficos, jornalistas independentes e servi\u00e7os administrativos, o que justificaria a aplica\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas entre 1% e 2%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para TRF2, classifica\u00e7\u00e3o da Receita Federal foi correta<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido foi julgado improcedente na primeira inst\u00e2ncia, com&nbsp;senten\u00e7a&nbsp;mantida pelo TRF2. Ao negar a&nbsp;apela\u00e7\u00e3o, o tribunal regional considerou correta a classifica\u00e7\u00e3o feita pela Receita Federal e concluiu que atividades como telejornais, produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado em est\u00fadios e servi\u00e7os auxiliares estariam abrangidas pela CNAE de televis\u00e3o aberta como atividade preponderante.<\/p>\n\n\n\n<p>No recurso ao STJ, a Globo sustentou que o&nbsp;ac\u00f3rd\u00e3o&nbsp;do TRF2 fixou premissas contr\u00e1rias \u00e0s Notas Explicativas da CNAE, elaboradas pela Comiss\u00e3o Nacional de Classifica\u00e7\u00e3o (Concla\/IBGE), e deixou de analisar distin\u00e7\u00f5es relevantes entre as atividades exercidas nos diferentes estabelecimentos. Alegou, ainda, que essa posi\u00e7\u00e3o teria persistido mesmo ap\u00f3s a oposi\u00e7\u00e3o dos&nbsp;embargos de declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Notas Explicativas do CNAE n\u00e3o enquadram telejornais como televis\u00e3o aberta<\/p>\n\n\n\n<p>Ao examinar o caso, o ministro Afr\u00e2nio Vilela apontou que o TRF2 at\u00e9 se baseou formalmente nas Notas Explicativas da CNAE, mas, ao faz\u00ea-lo, &#8220;firmou conceitos \u00e0&nbsp;revelia&nbsp;do texto expresso das classifica\u00e7\u00f5es em quest\u00e3o, o que acarretou v\u00edcios de omiss\u00e3o acerca de argumentos relevantes, em tese, para a solu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da atividade de edi\u00e7\u00e3o de jornais, por exemplo, o relator apontou que, no entendimento do TRF2, as atividades de produ\u00e7\u00e3o de jornais televisivos deveriam ser classificadas como &#8220;Atividades de televis\u00e3o aberta&#8221;, tendo em vista que esses jornais fariam parte da programa\u00e7\u00e3o de televis\u00e3o aberta da emissora.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, Afr\u00e2nio Vilela apontou que, de acordo com o CNAE, os telejornais n\u00e3o est\u00e3o inseridos exclusivamente como atividades de televis\u00e3o aberta. Ele apontou que, de acordo com as Notas Explicativas do CNAE, a defini\u00e7\u00e3o de atividade televisiva aberta n\u00e3o imp\u00f5e limites ou especificidades relativas \u00e0 programa\u00e7\u00e3o, pois o que caracteriza a atividade \u00e9 a gratuidade do sinal.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assim, o conte\u00fado transmitido \u2013 a exemplo dos telejornais \u2013 n\u00e3o comp\u00f5e a defini\u00e7\u00e3o da atividade de televis\u00e3o aberta, mas somente a forma de transmiss\u00e3o, se por sinal aberto ou fechado&#8221;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=352296801&amp;registro_numero=202403347797&amp;publicacao_data=20251222\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.168.417<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/2026\/19012026-TRF2-tera-que-reanalisar-pedido-da-Globo-para-revisao-de-aliquotas-de-contribuicao-previdenciaria.aspx\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Por falta de dolo, TRF-3 absolve empres\u00e1rio acusado de sonega\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A 11\u00aa Turma do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.trf3.jus.br\/\">Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o<\/a>&nbsp;absolveu, por unanimidade, um empres\u00e1rio que era acusado de crimes contra a ordem tribut\u00e1ria relacionados \u00e0 suposta sonega\u00e7\u00e3o de cerca de R$ 170 milh\u00f5es em tributos federais. O colegiado entendeu que n\u00e3o ficou comprovado o dolo \u2014 elemento indispens\u00e1vel para a configura\u00e7\u00e3o do crime \u2014 ao concluir que o r\u00e9u agiu amparado por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2025-jul-29\/por-falta-de-dolo-empresarios-acusados-de-crime-tributario-sao-absolvidos\/\">interpreta\u00e7\u00e3o equivocada da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria<\/a>, caracterizando erro de tipo, como previsto no artigo 20 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, o empres\u00e1rio omitiu informa\u00e7\u00f5es e declarou valores inferiores aos devidos na Declara\u00e7\u00e3o de D\u00e9bitos e Cr\u00e9ditos Tribut\u00e1rios Federais (DCTF) entre mar\u00e7o de 2006 e fevereiro de 2011, o que resultou em recolhimento menor de tributos como IRPJ, PIS, Cofins, CSLL e IPI. As irregularidades foram apuradas em procedimentos administrativos da Receita Federal, que culminaram na constitui\u00e7\u00e3o definitiva do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeira inst\u00e2ncia, a 1\u00aa Vara Federal de Limeira (SP) havia condenado o empres\u00e1rio a quatro anos e seis meses de reclus\u00e3o, em regime inicial semiaberto, al\u00e9m do pagamento de multa. A defesa recorreu ao TRF-3.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar o recurso, o tribunal reconheceu que a materialidade e a autoria estavam comprovadas, mas afastou a tipicidade penal por aus\u00eancia de fraude deliberada. Para o colegiado, embora o empres\u00e1rio fosse o respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da companhia e tivesse o dever de vigil\u00e2ncia sobre as obriga\u00e7\u00f5es fiscais, as provas indicam que ele seguiu orienta\u00e7\u00e3o de consultor tribut\u00e1rio, acreditando estar amparado por uma interpreta\u00e7\u00e3o v\u00e1lida da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Relator do caso, o desembargador federal Nino Toldo destacou que, para os crimes previstos no artigo 1\u00ba da Lei 8.137\/1990, a fraude \u00e9 elemento essencial, o que n\u00e3o se verificou no caso concreto. Pesou ainda o fato de a pr\u00f3pria Receita Federal ter aplicado multa de 75%, e n\u00e3o a multa qualificada de 150%, que \u00e9 reservada \u00e0s hip\u00f3teses de dolo, fraude ou conluio \u2014&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2025-mar-12\/sem-dolo-nao-ha-crime-contra-a-ordem-tributaria-e-inquerito-e-arquivado\/\">circunst\u00e2ncia considerada um indicativo relevante da inexist\u00eancia de inten\u00e7\u00e3o criminosa<\/a>, embora n\u00e3o vinculante para a esfera penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO conjunto probat\u00f3rio n\u00e3o permite concluir, acima de qualquer d\u00favida razo\u00e1vel, que o apelante tenha agido de forma livre e consciente com o prop\u00f3sito de fraudar o Fisco\u201d, afirmou o relator ao votar pela absolvi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a decis\u00e3o, o r\u00e9u foi absolvido da imputa\u00e7\u00e3o de crime contra a ordem tribut\u00e1ria, sem preju\u00edzo da continuidade das discuss\u00f5es do d\u00e9bito nas esferas administrativa e c\u00edvel, uma vez que o tribunal reafirmou o princ\u00edpio da independ\u00eancia entre as inst\u00e2ncias penal e tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/0000782-90.2017.4.03.6143-1768843615627-15066-processo.pdf\">aqui<\/a>&nbsp;para ler a decis\u00e3o<br>Processo 0000782-90.2017.4.03.6143<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-jur-dico wp-block-embed-consultor-jur-dico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"8RgZEgexy4\"><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-19\/por-falta-de-dolo-trf-3-absolve-empresario-acusado-de-sonegacao\/\">Por falta de dolo, TRF-3 absolve empres\u00e1rio acusado de sonega\u00e7\u00e3o<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Por falta de dolo, TRF-3 absolve empres\u00e1rio acusado de sonega\u00e7\u00e3o&#8221; &#8212; Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-19\/por-falta-de-dolo-trf-3-absolve-empresario-acusado-de-sonegacao\/embed\/#?secret=jeMT3M1oZA#?secret=8RgZEgexy4\" data-secret=\"8RgZEgexy4\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Empresas podem ressarcir via precat\u00f3rio cr\u00e9ditos da tese do s\u00e9culo, dizem TRFs<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>Em decis\u00f5es recentes, Tribunais Regionais Federais (TRFs) t\u00eam autorizado o ressarcimento, via precat\u00f3rio, de cr\u00e9ditos relativos ao Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social (PIS) e \u00e0 Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) j\u00e1 habilitados para compensa\u00e7\u00e3o na esfera administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os contribuintes recorreram ao Judici\u00e1rio para resguardar os cr\u00e9ditos acumulados ap\u00f3s o julgamento da \u201cTese do S\u00e9culo\u201d, em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela exclus\u00e3o do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) da base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es. Muitas empresas tentaram utilizar esses cr\u00e9ditos pela via da compensa\u00e7\u00e3o, mas, com a redu\u00e7\u00e3o da atividade empresarial, deixaram de gerar d\u00e9bitos suficientes para absorv\u00ea-los dentro do prazo de cinco anos do tr\u00e2nsito em julgado estabelecido pela Receita Federal. Agora, correm o risco de perder os ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento dos TRFs tem sido amplamente favor\u00e1vel aos contribuintes. No TRF da 4\u00aa Regi\u00e3o, decis\u00f5es recentes da 2\u00aa Turma t\u00eam reconhecido a legitimidade da mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia: \u00e9 poss\u00edvel desistir da compensa\u00e7\u00e3o administrativa e ajuizar a\u00e7\u00e3o para buscar a restitui\u00e7\u00e3o via precat\u00f3rio. Esse posicionamento foi adotado nos processos de n\u00famero 5013192-42.2024.4.04.7107 e 5001096-80.2024.4.04.7111.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambas as decis\u00f5es, o tribunal afirmou que desistir do cumprimento de senten\u00e7a para viabilizar a compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica ren\u00fancia ao direito material de restitui\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, mas apenas a uma de suas modalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>O TRF da 5\u00aa Regi\u00e3o segue o mesmo entendimento. Na Apela\u00e7\u00e3o 0802715-23.2023.4.05.8302, a 3\u00aa Turma fixou que a escolha pela compensa\u00e7\u00e3o ou pelo precat\u00f3rio n\u00e3o torna os meios mutuamente excludentes. O Tribunal ainda destacou que somente o decurso do prazo prescricional pode extinguir a pretens\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito e que o pedido administrativo n\u00e3o impede posterior restitui\u00e7\u00e3o via precat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Origem do debate<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o julgamento da \u201cTese do S\u00e9culo\u201d, os contribuintes que optaram por compensar os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios relativos \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o PIS e \u00e0 Cofins passaram a enfrentar um novo desafio: o fim do prazo de cinco anos para compensa\u00e7\u00e3o e a possibilidade de perda desse ativo tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, o STF decidiu que o ICMS n\u00e3o integrava a base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins, e permitiu a recupera\u00e7\u00e3o dos valores pagos indevidamente a partir de 15 de mar\u00e7o de 2017, observando-se o prazo de prescri\u00e7\u00e3o quinquenal. A defini\u00e7\u00e3o foi feita no Recurso Extraordin\u00e1rio 574.706 (Tema 69 da Repercuss\u00e3o Geral) e representou uma vit\u00f3ria significativa aos contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, no mesmo ano da decis\u00e3o proferida pela Suprema Corte, a Receita Federal editou a Instru\u00e7\u00e3o Normativa (IN) 2.055\/2021, a qual, na interpreta\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabelece prazo de cinco anos para consumos dos cr\u00e9ditos, contado do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que reconhece o cr\u00e9dito. O artigo 74-A, par\u00e1grafo 2\u00ba, da Lei 9.430\/96 complementa esse entendimento ao refor\u00e7ar prazos e limites quantitativos para compensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, os contribuintes passaram a buscar alternativas para evitar a perda dos cr\u00e9ditos acumulados. Segundo especialistas ouvidos pelo JOTA, a principal sa\u00edda tem sido o ajuizamento de a\u00e7\u00f5es judiciais para solicitar o ressarcimento do cr\u00e9dito remanescente por meio de precat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O que alega a Receita Federal?<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita Federal tem impugnado pedidos de ressarcimento ao alegar a preclus\u00e3o do direito, sob o argumento de que o contribuinte, ao habilitar o cr\u00e9dito, renuncia \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo judicial, conforme prev\u00ea a IN 2.055\/2021. O \u00f3rg\u00e3o sustenta que as modalidades de restitui\u00e7\u00e3o \u2013 compensa\u00e7\u00e3o e precat\u00f3rio \u2013 seriam mutuamente excludentes, de modo que a op\u00e7\u00e3o pela via administrativa implicaria ren\u00fancia e impediria o posterior pedido de ressarcimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi o entendimento adotado pelo \u00f3rg\u00e3o no processo 5005154-50.2024.4.04.7007, que tramita na 1\u00aa Vara Federal de Francisco Beltr\u00e3o, no estado do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A assinatura da certid\u00e3o de ren\u00fancia, exigida para habilitar o cr\u00e9dito administrativamente, seria, segundo a Receita, o instrumento que impediria o posterior pedido judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/jota.info\/tributos\/empresas-podem-ressarcir-via-precatorio-creditos-da-tese-do-seculo-dizem-trfs\">http:\/\/jota.info\/tributos\/empresas-podem-ressarcir-via-precatorio-creditos-da-tese-do-seculo-dizem-trfs<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>STJ: n\u00e3o cabe novo pagamento de honor\u00e1rios ap\u00f3s parcelamento que inclui a cobran\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 20\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, sob o rito dos repetitivos, que n\u00e3o \u00e9 devida nova condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios quando o contribuinte desiste ou renuncia dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal para aderir a um programa de recupera\u00e7\u00e3o fiscal, se o parcelamento j\u00e1 inclui a cobran\u00e7a dessa verba.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso teve origem em disputa entre o Estado de Minas Gerais e a empresa Energisa Minas Rio \u2013 Distribuidora de Energia S.A.. A Fazenda estadual pretendia receber honor\u00e1rios adicionais ap\u00f3s o contribuinte desistir da a\u00e7\u00e3o para aderir ao programa de parcelamento, mas a corte entendeu que tal cobran\u00e7a configuraria duplicidade de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator, ministro Gurgel de Faria, votou pelo desprovimento do recurso do Estado e foi seguido pelos demais ministros. Em seu voto, ele citou o artigo 827 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC), destacando que os honor\u00e1rios advocat\u00edcios t\u00eam como objetivo remunerar o trabalho do advogado no curso da execu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o podem ser cobrados novamente quando j\u00e1 inclu\u00eddos no valor do d\u00e9bito negociado administrativamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso foi julgado nos REsps 2158358e 2158602 (Tema 1317).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.jota.info\/tributos\/stj-nao-cabe-novo-pagamento-de-honorarios-apos-parcelamento-que-inclui-a-cobranca\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Responsabiliza\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios depende de exerc\u00edcio efetivo de administra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 20\/01\/2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A efetiva administra\u00e7\u00e3o de uma sociedade \u00e9 o pressuposto para responsabiliza\u00e7\u00e3o penal de s\u00f3cios formalmente inseridos no contrato social.<br>Com esse entendimento, a 11\u00aa Turma do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.trf3.jus.br\/\">Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o<\/a>&nbsp;reformou uma senten\u00e7a e absolveu, por unanimidade, dois s\u00f3cios que n\u00e3o detinham efetiva administra\u00e7\u00e3o em uma empresa e eram acusados de crime tribut\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o processo, os dois respondiam por sonega\u00e7\u00e3o fiscal. Segundo a den\u00fancia, eles omitiram&nbsp;informa\u00e7\u00f5es \u00e0s autoridades fazend\u00e1rias, suprimindo rendimentos da empresa entre 2002 e 2004 para pagar menos impostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para encobrir o feito, destru\u00edram os livros fiscais da empresa. Os preju\u00edzos tribut\u00e1rios foram devidamente reconhecidos pela Receita Federal e inclu\u00eddos na D\u00edvida Ativa da Uni\u00e3o. O primeiro s\u00f3cio foi condenado a cinco anos e 24 dias de reclus\u00e3o, enquanto a segunda teve pena de quatro anos e 11 meses de reclus\u00e3o, ambos em regime inicial fechado.<\/p>\n\n\n\n<p>As defesas recorreram e sustentaram que, a despeito de os dois serem s\u00f3cios formais na empresa, quem detinha a efetiva responsabilidade administrativa era um terceiro membro societ\u00e1rio (pai de um dos acusados).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Materialidade e autoria<\/p>\n\n\n\n<p>Para o TRF-3, a materialidade dos crimes tribut\u00e1rios \u00e9 incontroversa, mas a autoria n\u00e3o. Os desembargadores citaram o conjunto probat\u00f3rio farto para acatar os argumentos das defesas e afastar as imputa\u00e7\u00f5es aos s\u00f3cios. O relator do caso, desembargador Nino Toldo, afirmou que a efetiva administra\u00e7\u00e3o da empresa era, na verdade, do terceiro associado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, disse o desembargador, os dois s\u00f3cios condenados n\u00e3o conduziam os neg\u00f3cios da companhia, principalmente no aspecto fiscal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O colegiado concluiu que o terceiro associado valia-se de outras pessoas para constituir empresas, mas centralizava o comando dos neg\u00f3cios, sem conceder aos outros s\u00f3cios espa\u00e7o para qualquer tipo de condu\u00e7\u00e3o. \u201cMesmo no caso do corr\u00e9u J., as provas mostram que havia uma limita\u00e7\u00e3o, imposta por seu pai, \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o \u00e0 frente dos neg\u00f3cios, de modo que a conclus\u00e3o \u00e9 de que todos agiam dentro dos contornos estabelecidos\u201d, afirmou Toldo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesse modo, \u00e9 inaplic\u00e1vel ao caso a denominada teoria do dom\u00ednio do fato, que pressup\u00f5e por parte dos agentes o controle sobre a pr\u00e1tica da conduta t\u00edpica. Tudo indica que os apelantes n\u00e3o tiveram participa\u00e7\u00e3o consciente nas omiss\u00f5es fiscais apuradas pela Receita Federal, de modo que n\u00e3o h\u00e1 provas suficientes de autoria a justificar a manuten\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a condenat\u00f3ria\u201d, concluiu o desembargador, absolvendo os acusados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os advogados&nbsp;Christian Sthefan Simons&nbsp;e&nbsp;Mariana de Aguiar Buerge&nbsp;defenderam os s\u00f3cios absolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Aco%CC%81rda%CC%83o-Jonathan.pdf\">aqui<\/a>&nbsp;para ler a decis\u00e3o.<br>Processo 0001307-41.2006.4.03.6181<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-jur-dico wp-block-embed-consultor-jur-dico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"uOAdqrW8M5\"><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-20\/responsabilizacao-de-socios-depende-de-exercicio-efetivo-de-administracao-diz-trf-3\/\">Responsabiliza\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios depende de exerc\u00edcio efetivo de administra\u00e7\u00e3o<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Responsabiliza\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios depende de exerc\u00edcio efetivo de administra\u00e7\u00e3o&#8221; &#8212; Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2026-jan-20\/responsabilizacao-de-socios-depende-de-exercicio-efetivo-de-administracao-diz-trf-3\/embed\/#?secret=6CQXhu6io5#?secret=uOAdqrW8M5\" data-secret=\"uOAdqrW8M5\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>CNI contesta no Supremo lei federal que reduz incentivos fiscais&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 21\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) ajuizou&nbsp;uma&nbsp;a\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal contra dispositivo&nbsp;de lei federal que permite a redu\u00e7\u00e3o de incentivos e benef\u00edcios fiscais j\u00e1 concedidos. A entidade contesta, em especial, a regra que s\u00f3 preserva benef\u00edcios tribut\u00e1rios concedidos por prazo certo quando a contrapartida do contribuinte for investimento previamente aprovado pelo Poder Executivo at\u00e9 31\/12\/2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=7480666\">(ADI) 7920<\/a>,&nbsp;distribu\u00edda ao ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a,&nbsp;a CNI questiona a previs\u00e3o trazida na Lei Complementar 224\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a entidade, a norma viola o direito adquirido e a seguran\u00e7a jur\u00eddica ao excluir da prote\u00e7\u00e3o constitucional outros benef\u00edcios condicionados \u2013 como os vinculados a obriga\u00e7\u00f5es diversas de investimento. Sustenta ainda que, segundo a Constitui\u00e7\u00e3o, o C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional e a jurisprud\u00eancia do STF,&nbsp;esses benef\u00edcios&nbsp;n\u00e3o podem ser reduzidos ou suprimidos durante o prazo originalmente assegurado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/noticias.stf.jus.br\/postsnoticias\/cni-contesta-lei-que-reduz-incentivos-fiscais\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Ju\u00edza manda inscrever empresa em d\u00edvida ativa para possibilitar negocia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 22\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza Federal Julia Cavalcante Silva Barbosa, da 7\u00aa vara C\u00edvel de S\u00e3o Paulo\/SP, determinou que a Receita Federal encaminhe \u00e0 PGFN &#8211; Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional os d\u00e9bitos de uma empresa que ainda n\u00e3o haviam sido inscritos em d\u00edvida ativa, por entender configurada falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o e risco \u00e0 ades\u00e3o a programa de transa\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>No mandado de seguran\u00e7a, a empresa afirmou que tinha valores vencidos havia mais de 90 dias sem inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa, o que indicaria demora no envio \u00e0 PGFN, em desacordo com o prazo previsto na portaria 447\/18.<\/p>\n\n\n\n<p>A impetrante sustentou que a inscri\u00e7\u00e3o em d\u00edvida ativa era necess\u00e1ria para tornar os d\u00e9bitos eleg\u00edveis \u00e0 transa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que pretendia aderir ao Programa de Retomada Fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar o pedido, a ju\u00edza destacou que a portaria 447\/18 estabelece prazo claro para o envio dos d\u00e9bitos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDentro de 90 (noventa) dias da data em que se tornarem exig\u00edveis, os d\u00e9bitos de natureza tribut\u00e1ria ou n\u00e3o tribut\u00e1ria devem ser encaminhados pela RFB \u00e0 Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A magistrada tamb\u00e9m observou que os documentos juntados aos autos comprovaram a exist\u00eancia de d\u00e9bitos em aberto h\u00e1 mais de 90 dias, o que, segundo ela, caracteriza \u201cfalha na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os por parte do impetrado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a ju\u00edza, ficou demonstrada a plausibilidade do direito invocado e o risco da demora, diante da necessidade de inscri\u00e7\u00e3o dos valores para viabilizar a transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esses fundamentos, a ju\u00edza deferiu parcialmente a liminar para determinar que a autoridade impetrada encaminhe os d\u00e9bitos existentes em nome da empresa \u00e0 PGFN, observando o prazo previsto na portaria 447\/18.<\/p>\n\n\n\n<p>O escrit\u00f3rio&nbsp;IM Advogados atua pela empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo:&nbsp;5039163-36.2025.4.03.6100<\/p>\n\n\n\n<p>Leia a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.migalhas.com.br\/quentes\/448429\/juiza-manda-inscrever-empresa-em-divida-ativa-para-negociar-debito\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>STJ pauta repetitivos tribut\u00e1rios na 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 22\/01\/2026<\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) retoma as atividades com temas relevantes em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria j\u00e1 na primeira reuni\u00e3o da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o de repetitivos do ano, agendada para 11 de fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tema 1385, que trata da possibilidade de fian\u00e7a ou seguro como garantia de execu\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, voltar\u00e1 de pedido de vista feito pelo ministro Benedito Gon\u00e7alves. A relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura, votou no sentido de que a Fazenda P\u00fablica n\u00e3o pode recusar essas modalidades de garantia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m deve ser retomada a discuss\u00e3o sobre possibilidade de o IPI n\u00e3o recuper\u00e1vel incidente sobre a opera\u00e7\u00e3o de compra de mercadoria para revenda integrar a base de c\u00e1lculo dos cr\u00e9ditos de PIS\/Cofins. A an\u00e1lise se d\u00e1 no Tema 1373, cujo placar conta com apenas um voto at\u00e9 agora \u2013 desfavor\u00e1vel aos contribuintes. O processo est\u00e1 suspenso por pedido de vista do ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro caso inclu\u00eddo na pauta \u00e9 o Tema 1339, que analisa se postos de combust\u00edvel que recolhem PIS e Cofins pelo regime monof\u00e1sico t\u00eam o direito de manter cr\u00e9ditos. O debate gira em torno da Lei Complementar 192\/2022, que alterou a tributa\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis e previu temporariamente a al\u00edquota zero de PIS\/Cofins. O relator, ministro Gurgel de Faria, votou a favor da Uni\u00e3o antes do ministro Domingues suspender a vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Tema 1390, os julgadores v\u00e3o iniciar a discuss\u00e3o sobre a limita\u00e7\u00e3o a 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos \u00e0 base de c\u00e1lculo de contribui\u00e7\u00f5es a terceiros \u2013 como o Incra, o sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o, Sest, Senat, Sebrae. No momento, h\u00e1 dois indicativos de que a perspectiva \u00e9 de derrota para o contribuinte, segundo advogados consultados pelo JOTA.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, deve ser discutido o seguimento de execu\u00e7\u00e3o fiscal contra esp\u00f3lio ou sucessores caso o executado morra antes de ser citado (Tema 1393). No Tema 1369, os ministros decidem se a cobran\u00e7a de ICMS-Difal em opera\u00e7\u00f5es interestaduais destinadas a consumidor final contribuinte do imposto j\u00e1 era v\u00e1lida a partir da Lei Complementar 87\/1996 (Lei Kandir), antes da entrada em vigor da Lei Complementar 190\/2022.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.jota.info\/tributos\/stj-pauta-repetitivos-tributarios-na-1a-secao\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>ESTADUAIS:\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>MUNICIPAIS:\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Receita negocia com empresas e evita bilh\u00f5es de reais em autua\u00e7\u00f5es Data: 19\/01\/2026 A Receita Federal sentou \u00e0 mesa com contribuintes para debater teses tribut\u00e1rias e deixou de lavrar, em apenas dois casos, autua\u00e7\u00f5es fiscais que somariam cerca de R$ 32 bilh\u00f5es. 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