{"id":3192,"date":"2024-03-18T16:56:10","date_gmt":"2024-03-18T19:56:10","guid":{"rendered":"http:\/\/34.239.117.254\/?p=3192"},"modified":"2024-03-18T16:59:16","modified_gmt":"2024-03-18T19:59:16","slug":"retrospecto-tributario-11-03-a-18-03-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=3192","title":{"rendered":"Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 11\/03 a 18\/03"},"content":{"rendered":"\n<p>Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 11\/03 a 18\/03<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Arrecada\u00e7\u00e3o do IPVA sobe de R$ 65,56 bi para R$ 81,02 bi em 2023, aponta estudo do IBPT<\/strong><strong><br><\/strong>Data: 11\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A arrecada\u00e7\u00e3o do Imposto sobre a Propriedade de Ve\u00edculos Automotores (IPVA) subiu 23,58% em 2023, saltando de R$ 65,56 bilh\u00f5es para R$ 81,02 bilh\u00f5es, segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT) nesta segunda-feira, 11.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento ficou acima da infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo, de 4,62%. Hoje, o IPVA \u00e9 o segundo tributo estadual mais relevante, perdendo apenas para o ICMS. Os dados mostram que S\u00e3o Paulo segue mais um ano na lideran\u00e7a de maior quantia de arrecada\u00e7\u00e3o do tributo, com R$ 28.315.529, enquanto Roraima, em 2023, apresentou a menor, atingindo apenas R$ 121.734.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estados que tiveram maior crescimento real de IPVA em percentual \u2013 de 2022 para 2023, descontada a infla\u00e7\u00e3o do ano, foram: Amazonas, com 48,15%, Minas Gerais, com 39,14%, Par\u00e1, com 30,55% e o Maranh\u00e3o, com 28,57%. J\u00e1 na an\u00e1lise dos menores crescimentos reais, os destaques se deram aos estados do Piau\u00ed, com 4,33%, Rio Grande do Sul, com 5,07% e o Acre, com 9,84%.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o presidente do IBPT e autor do estudo, Jo\u00e3o Eloi Olenike, a alta de quase R$ 20 bilh\u00f5es est\u00e1 relacionada ao aumento do pre\u00e7o dos ve\u00edculos durante a pandemia de covid-19, levando-se em conta, tamb\u00e9m, as altas no ano de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuase todos os valores proporcionais \u00e0 divis\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o do tributo pela frota ou pela popula\u00e7\u00e3o foram maiores que os de 2022, inclusive a m\u00e9dia nacional de pagamento, em raz\u00e3o do grande incremento no recebimento em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00e3o crescimento na mesma propor\u00e7\u00e3o do n\u00famero de habitantes e da quantidade de ve\u00edculos na frota de cada estado\u201d, explica, em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns estados, no ano em que o estudo foi realizado, que ofereceram uma tributa\u00e7\u00e3o menor que os outros, entre outras facilidades burocr\u00e1ticas e que, de acordo com a dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica, pode estar em processo uma migra\u00e7\u00e3o de contribuintes para estas localidades de tributa\u00e7\u00e3o menor. Olenike explica que isso ocorre principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao emplacamento de frotas, por empresas que por seu ramo de atividade ter grande quantidade de ve\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVale lembrar que esta diferencia\u00e7\u00e3o de tratamento ao tributo, que ocorre entre v\u00e1rios estados, pode, em menor escala, ser tratada como uma poss\u00edvel guerra fiscal intencional ou n\u00e3o, para atrair mais contribuintes de IPVA\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>IPVA por habitante<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento elaborado pelo IBPT tamb\u00e9m mapeia a arrecada\u00e7\u00e3o do IPVA por habitante. A an\u00e1lise mostra o maior valor de R$ 637,44 no estado de S\u00e3o Paulo, seguido por Distrito Federal com R$ 596,89; Minas Gerais, com R$ 541,84 e o Paran\u00e1, com R$ 522,82.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os menores pre\u00e7os de arrecada\u00e7\u00e3o por habitante aconteceram nos estados do Maranh\u00e3o, com R$ 133,97, no Par\u00e1, com R$ 156,84, no Acre, de R$ 160,06 e no Piau\u00ed, com R$ 160,48. Em m\u00e9dia, segundo o relat\u00f3rio, no Brasil temos um montante de R$ 398,99 de IPVA por habitante.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dia de arrecada\u00e7\u00e3o do tributo por indiv\u00edduo, no Brasil, era de R$ 322,86 no \u00faltimo levantamento, j\u00e1 neste, referente a 2023, houve um aumento consider\u00e1vel para R$ 398,99.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 o estado com o maior IPVA?<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo mostra que as al\u00edquotas do IPVA, que variam em cada estado, tornam S\u00e3o Paulo, Rio e Minas Gerais as unidades da federa\u00e7\u00e3o com o tributo mais caro do pa\u00eds. Acre, Esp\u00edrito Santo, Santa Catarina e Tocantins t\u00eam as menores al\u00edquotas, de 2%. Em algumas localidades, como o Mato Grosso, a cobran\u00e7a \u00e9 cobrada conforme a cilindrada, que vai de 2% para carros at\u00e9 1.000 cm\u00b3 e 3% para os demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamanho da frota de ve\u00edculos no Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo do IBPT revela ainda que a frota de ve\u00edculos em circula\u00e7\u00e3o no Brasil atingiu, em dezembro de 2023, 119.227.657 unidades, n\u00famero maior que o registrado em 2022, quando havia 115.116.532 ve\u00edculos em circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os estados com o maior n\u00famero de ve\u00edculos est\u00e3o S\u00e3o Paulo (33.264.096), Minas Gerais (13.481.706), Paran\u00e1 (8.838.800), Rio Grande do Sul (8.075.318), Rio de Janeiro (7.705.012) e Santa Catarina (6.189.405), por ordem de coloca\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a menor est\u00e1 no estado do Amap\u00e1, com apenas 242.574.<\/p>\n\n\n\n<p>Na propor\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos em circula\u00e7\u00e3o por habitante, a maior propor\u00e7\u00e3o, de 0,81, vem de Santa Catarina, seguido dos estados do Paran\u00e1, com 0,77, Rond\u00f4nia com 0,76 e de S\u00e3o Paulo, com 0,75. Os menores resultados foram de 0,29, no Amazonas, na sequ\u00eancia est\u00e3o Maranh\u00e3o e Par\u00e1 com 0,31 e 0,32, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/economia\/arrecadacao-do-ipva-sobe-de-r-6556-bi-para-r-8102-bi-em-2023-aponta-estudo-do-ibpt\/\">https:\/\/exame.com\/economia\/arrecadacao-do-ipva-sobe-de-r-6556-bi-para-r-8102-bi-em-2023-aponta-estudo-do-ibpt\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mudan\u00e7a sobre ITCMD na reforma tribut\u00e1ria provoca corrida por planejamento sucess\u00f3rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria no Brasil est\u00e1 promovendo uma corrida dos contribuintes para fazer doa\u00e7\u00f5es em vida e planejamentos sucess\u00f3rios este ano. 2024 \u00e9 visto como a \u00faltima chance para aproveitar as regras vigentes do Imposto de Transmiss\u00e3o Causa Mortis e Doa\u00e7\u00e3o (ITCMD) antes das mudan\u00e7as j\u00e1 aprovadas pelo Congresso Nacional. Em m\u00e9dia, o aumento das demandas nos grandes escrit\u00f3rios de advocacia, nesses primeiros dois meses do ano, \u00e9 de 40%.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a aprova\u00e7\u00e3o da reforma, o ITCMD, que incide sobre heran\u00e7as e doa\u00e7\u00f5es, passar\u00e1 a ter, obrigatoriamente, no pa\u00eds inteiro, uma al\u00edquota progressiva. Na pr\u00e1tica, ela aumentar\u00e1 de acordo com o valor do patrim\u00f4nio, o que trouxe preocupa\u00e7\u00e3o especialmente para os mais ricos. O resultado disso poder\u00e1 significar o dobro de imposto para patrim\u00f4nios acima de R$ 9,9 milh\u00f5es, em S\u00e3o Paulo, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o nas bancas tamb\u00e9m est\u00e1 agitada porque a reforma tribut\u00e1ria permitiu que os Estados cobrem o ITCMD sobre doa\u00e7\u00f5es ou heran\u00e7as provenientes do exterior. \u201cEssas discuss\u00f5es fiscais aumentam mais a demanda justamente porque geram um impacto direto no bolso dos clientes\u201d, diz o advogado Rafael Stuppiello de Souza, do Machado Meyer Advogados.<\/p>\n\n\n\n<p>A al\u00edquota do ITCMD continua a variar entre 2% e 8% no pa\u00eds. Mas Estados como S\u00e3o Paulo, Alagoas, Amap\u00e1, Amazonas, Esp\u00edrito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paran\u00e1 e Roraima, que hoje t\u00eam al\u00edquota fixa, ter\u00e3o que aprovar novas legisla\u00e7\u00f5es para a cobran\u00e7a progressiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante deste cen\u00e1rio, o escrit\u00f3rio Martinelli Advogados, por exemplo, considerando apenas os meses de janeiro e fevereiro desse ano, j\u00e1 esteve envolvida em 36 planejamentos &#8211; 31% do total de opera\u00e7\u00f5es realizadas no ano passado. Em 2023, a banca atuou em, aproximadamente, 117 planejamentos. O Trench Rossi Watanabe registrou um aumento de 40% no volume de trabalho neste in\u00edcio de ano e teve que buscar refor\u00e7o para a equipe, ao contratar mais uma advogada plena e efetivar dois estagi\u00e1rios para dar conta da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>No Machado Meyer, esse in\u00edcio de ano j\u00e1 bateu a procura de todo o primeiro semestre de 2023. Representou um aumento de 40%, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo no ano passado. No Velloza Advogados ao comparar os dois primeiros meses deste ano com os de 2023, a demanda quadruplicou. S\u00e3o 11 planejamentos em andamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A corrida por planejamentos sucess\u00f3rios e doa\u00e7\u00f5es tem sido maior em S\u00e3o Paulo. Hoje o Estado tem uma al\u00edquota baixa de ITCMD, em compara\u00e7\u00e3o com outros, de 4%. Ela \u00e9 fixa. Por\u00e9m, j\u00e1 no in\u00edcio de fevereiro, com base na reforma tribut\u00e1ria, o deputado Donato (PT), apresentou o Projeto de Lei n\u00ba 7, de 2024, para que a al\u00edquota do ITCMD no Estado passe a ser progressiva, variando de 2% a 8%, considerando o valor dos bens envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, a arrecada\u00e7\u00e3o de ITCMD \u00e9 significativa. Em 2023, entraram nos cofres p\u00fablicos do Estado cerca de R$ 4 bilh\u00f5es no total. Mas s\u00f3 em janeiro deste ano foram arrecadados R$ 219,5 milh\u00f5es, um aumento de 34,1% em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 2023, diz o Relat\u00f3rio da Receita Tribut\u00e1ria do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Ettore Botteselli, s\u00f3cio do Martinelli Advocacia Empresarial, o principal motivo para essa maior demanda \u00e9 a possibilidade de se pagar menos ITCMD. \u201cEstados como S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Paran\u00e1 devem passar por altera\u00e7\u00f5es em breve. Esses dois primeiros meses s\u00e3o um term\u00f4metro inicial, mas deve haver uma movimenta\u00e7\u00e3o ainda maior ao longo do ano\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, essas reestrutura\u00e7\u00f5es envolvem empresas familiares, segundo Botteselli. Nesses casos, se busca entender a estrutura familiar, os bens e empresas relacionados.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe a possibilidade da chamada doa\u00e7\u00e3o com reserva de usufruto &#8211; no qual o doador mant\u00e9m os poderes pol\u00edticos e financeiros do bem, enquanto estiver vivo. Esses contratos de doa\u00e7\u00e3o, de acordo com Botteselli, normalmente, s\u00e3o acompanhados de cl\u00e1usulas de inalienabilidade &#8211; o bem doado n\u00e3o pode ser vendido sem expressa anu\u00eancia do doador, at\u00e9 sua morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel incluir cl\u00e1usula de incomunicabilidade &#8211; no qual o bem doado n\u00e3o integrar\u00e1 o patrim\u00f4nio do c\u00f4njuge do sucessor &#8211; e cl\u00e1usula de impenhorabilidade &#8211; para garantir que os bens doados n\u00e3o possam ser penhorados para quitar d\u00edvidas do sucessor. \u201cEssas disposi\u00e7\u00f5es conferem extrema seguran\u00e7a ao doador e ao patrim\u00f4nio doado\u201d, diz Botteselli.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora quem tem um poder aquisitivo nem t\u00e3o relevante tamb\u00e9m faz testamento\u201d \u2014 Giuliana Schunck<\/p>\n\n\n\n<p>A procura por planejamento sucess\u00f3rio tamb\u00e9m \u00e9 cada vez mais diversa. O brasileiro n\u00e3o tinha cultura de falar no assunto mas, com a pandemia, esse tabu foi quebrado, de acordo com as advogadas Giuliana Schunck e Fernanda Haddad, do Trench Rossi Watanabe. A elabora\u00e7\u00e3o de testamentos, s\u00f3 na pandemia, chegou a subir 35%, segundo o Col\u00e9gio Notarial do Brasil. \u201cAntes eram s\u00f3 as fam\u00edlias com grande poder aquisitivo que faziam, agora as que t\u00eam um poder aquisitivo nem t\u00e3o relevante tamb\u00e9m fazem\u201d, diz Giuliana. \u201cNingu\u00e9m quer deixar o problema para os herdeiros\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A conversa sobre a possibilidade de doa\u00e7\u00e3o em vida nunca teve tanta relev\u00e2ncia, segundo Joanna Rezende e Natalia Zimmermann, s\u00f3cias de Wealth Planning do Velloza Advogados. \u201cOs patriarcas brasileiros t\u00eam a cultura de achar que o dinheiro \u00e9 seu e \u00e9 ele quem manda, o que est\u00e1 certo, mas passaram a cogitar a doa\u00e7\u00e3o em vida de uma forma que possa proteger essa doa\u00e7\u00e3o\u201d, diz Joanna.<\/p>\n\n\n\n<p>As advogadas afirmam que a demanda, nesse momento, surpreendeu porque, em geral, as pessoas deixam essas decis\u00f5es para o fim do ano. Para elas, o ano inteiro deve ser intenso de trabalho porque, ainda que o projeto de lei em S\u00e3o Paulo (Projeto de Lei n\u00ba 7, de 2024) seja aprovado at\u00e9 dezembro, s\u00f3 poderia valer em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas tamb\u00e9m lembram que os Estados devem voltar a exigir o ITCMD sobre bens e heran\u00e7as provenientes do exterior. 24 Estados cobravam, por\u00e9m, em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que s\u00f3 uma lei complementar nacional poderia permitir a cobran\u00e7a (RE 851.108, ou Tema 825). Agora, a reforma tribut\u00e1ria autoriza a exig\u00eancia pelos governos estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe ainda o risco de aumento da al\u00edquota m\u00e1xima do imposto. Isso porque tramita no Senado o Projeto de Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 57, de 2019, que prev\u00ea dobrar esse percentual, de 8% para 16%. \u201cMuitos n\u00e3o querem que seus herdeiros corram esse risco. As pessoas t\u00eam vindo mais decididas em raz\u00e3o de um eventual aumento de ITCMD\u201d, diz o advogado Rafael Stuppiello de Souza.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das recentes mudan\u00e7as decorrentes da reforma tribut\u00e1ria, o peso da tributa\u00e7\u00e3o sobre heran\u00e7as e doa\u00e7\u00f5es no Brasil ainda \u00e9 muito menor do que em outros pa\u00edses. Ao levar em considera\u00e7\u00e3o as 25 maiores economias do mundo, o Brasil aparece na sexta posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro lugar \u00e9 do Reino Unido, que tem al\u00edquota de 40% para a transmiss\u00e3o de bens para pessoas n\u00e3o descendentes. Em seguida est\u00e1 China, Jap\u00e3o, Holanda e Coreia do Sul, com o teto de 10%. Depois, aparece o Brasil com 8% e a Espanha com 7,65%. O levantamento foi realizado pelo Sistema Operacional Fiscal com Intelig\u00eancia Artificial (Sofia), que processa e interpreta dados tribut\u00e1rios e jur\u00eddicos globais.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Roger Mitchel, criador do Sofia e CEO do escrit\u00f3rio Contabilidade Internacional, esses dados, contudo, n\u00e3o podem ser vistos isoladamente. Isso porque cada pa\u00eds tem seus mecanismos de cobran\u00e7a. \u201cApesar de o Brasil n\u00e3o ter uma das al\u00edquotas mais altas, nenhum outro pa\u00eds tem o processo de invent\u00e1rio judicial\u201d, diz. \u201cSomando os custos de um invent\u00e1rio com os de ITCMD, isso pode chegar a at\u00e9 37% de al\u00edquota\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/13\/mudanca-sobre-itcmd-na-reforma-tributaria-provoca-corrida-por-planejamento-sucessorio.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/13\/mudanca-sobre-itcmd-na-reforma-tributaria-provoca-corrida-por-planejamento-sucessorio.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>STF retoma julgamento de benef\u00edcios fiscais a agrot\u00f3xicos a partir do dia 22 de mar\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento que discute benef\u00edcios fiscais a agrot\u00f3xicos volta \u00e0 pauta do Supremo Tribunal Federal (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/stf\">STF<\/a>), em plen\u00e1rio virtual, nos dias 22 de mar\u00e7o a 3 de abril. A an\u00e1lise da mat\u00e9ria foi interrompida por um pedido de vista do ministro<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/alexandre-de-moraes\">&nbsp;Alexandre de Moraes<\/a>. A discuss\u00e3o ocorre na ADI 5.553.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a suspens\u00e3o do caso, o placar estava em 4 votos favor\u00e1veis aos benef\u00edcios e 2 contr\u00e1rios. O relator,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/edson-fachin\">Edson Fachin<\/a>, se posicionou contra os incentivos tribut\u00e1rios e recebeu o apoio de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/carmen-lucia\">C\u00e1rmen L\u00facia<\/a>. O ministro&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/gilmar-mendes\">Gilmar Mendes<\/a>&nbsp;divergiu e defendeu a possibilidade de concess\u00e3o das benesses, ele recebeu o apoio de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/cristiano-zanin\">Cristiano Zanin<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/dias-toffoli\">Dias Toffoli<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a diverge do relator, mas com proposta diferente de Gilmar. Para o julgador, os incentivos n\u00e3o s\u00e3o \u201cterminantemente inconstitucionais\u201d. No entanto, podem ser adotados crit\u00e9rios de toxicidade e ecotoxicidade dos agrot\u00f3xicos para graduar as al\u00edquotas, o que demandaria uma avalia\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica fiscal por parte do Poder Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1lculos apresentados nos autos pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco), uma das participantes da a\u00e7\u00e3o no STF, mostram que o total de benef\u00edcios fiscais concedidos pela Uni\u00e3o aos agrot\u00f3xicos em 2017 se aproximou dos R$ 10 bilh\u00f5es, sendo R$ 6,2 bilh\u00f5es da desonera\u00e7\u00e3o de ICMS e R$ 1,7 bilh\u00e3o do IPI, R$ 1,5 bilh\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es sociais e R$ 472 milh\u00f5es de Imposto de Importa\u00e7\u00e3o \u2013 esses dois \u00faltimos n\u00e3o s\u00e3o objeto da a\u00e7\u00e3o. A Croplife Brasil, que tamb\u00e9m participa da a\u00e7\u00e3o, informou que a volta dos tributos deve onerar o setor em R$8,39 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>A ADI 5.553 foi ajuizada pelo Partido Socialismo e Liberdade (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/psol\">Psol<\/a>) contra as cl\u00e1usulas 1\u00aa e 3\u00aa do Conv\u00eanio Confaz n\u00ba 100\/1997, que preveem redu\u00e7\u00e3o de 60% da base de c\u00e1lculo do ICMS nas sa\u00eddas interestaduais de agrot\u00f3xicos especificados, e alguns itens da Tabela do IPI do Decreto 7.660\/2011, que concede isen\u00e7\u00e3o total do IPI sobre uma lista de agrot\u00f3xicos. Para o PSOL, as normas representam tr\u00eas viola\u00e7\u00f5es \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o: o direito ao meio ambiente equilibrado, o direito \u00e0 sa\u00fade e o princ\u00edpio da seletividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00f5es agropecu\u00e1rias defendem a manuten\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios fiscais aos agrot\u00f3xicos para manter a produ\u00e7\u00e3o de alimentos mais barata, pela competitividade da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira e evitar aumento de \u00e1rea plantada mantendo a mesma produtividade. Associa\u00e7\u00f5es de consumidores, ambientais e de sa\u00fade coletiva defendem que desonerar agrot\u00f3xicos vai contra princ\u00edpios constitucionais como o direito \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente equilibrado.<\/p>\n\n\n\n<p>A PGR se manifestou pela proced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o, ou seja, pelo fim das isen\u00e7\u00f5es aos agrot\u00f3xicos. J\u00e1 a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU) defendeu a constitucionalidade das desonera\u00e7\u00f5es e sustentou que a concess\u00e3o dos incentivos fiscais n\u00e3o teria como efeito o est\u00edmulo \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o indiscriminada dos agrot\u00f3xicos, mas apenas resultaria numa redu\u00e7\u00e3o de custos de produ\u00e7\u00e3o e, com isso, numa redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos alimentos ao consumidor. Afirmou ainda que existem legisla\u00e7\u00f5es espec\u00edficas discriminando o uso dos agrot\u00f3xicos no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Votos<\/p>\n\n\n\n<p>O voto do relator, ministro Fachin, vai no sentido de que reduzir IPI e ICMS para agrot\u00f3xicos \u00e9 contr\u00e1rio a direitos constitucionais basilares como a prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade humana. O ministro tamb\u00e9m defende que os benef\u00edcios a essas subst\u00e2ncias ofendem \u00e0 seletividade tribut\u00e1ria do IPI e do ICMS. Seletividade tribut\u00e1ria \u00e9 um princ\u00edpio tribut\u00e1rio que define que, quanto mais essencial um bem ou servi\u00e7o, menor deve ser a sua al\u00edquota, e vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDestarte, o fomento \u00e0 atividade agropecu\u00e1ria \u00e9 um fim leg\u00edtimo, o que n\u00e3o impede serem os agrot\u00f3xicos, de acordo com a perspectiva da extrafiscalidade, considerados produtos com agravos ao meio ambiente. Dessa maneira, na medida em que seletividade deve observar tamb\u00e9m a coletividade, o est\u00edmulo ao uso de agrot\u00f3xicos (e o desest\u00edmulo a outras alternativas) por meio de incentivos fiscais vai de encontro ao direito constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado\u201d, escreveu o ministro em seu voto.<\/p>\n\n\n\n<p>Fachin coloca na balan\u00e7a a atividade agropecu\u00e1ria e a competitividade agr\u00edcola brasileira versus a prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente e o direito \u00e0 sa\u00fade. O relator exclui o argumento de que o fim dos incentivos fiscais aumentar\u00e1 o pre\u00e7o dos alimentos. Em seu voto, ele cita que o consumo de agrot\u00f3xicos no Brasil est\u00e1 concentrado em quatro commodities, cujo pre\u00e7o \u00e9 determinado pelo mercado mundial, portanto, n\u00e3o depende da isen\u00e7\u00e3o dos tributos para os itens serem menos ou mais competitivos no mercado internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNessa perspectiva, a mitiga\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia tribut\u00e1ria do ICMS e IPI aos agrot\u00f3xicos n\u00e3o implica autom\u00e1tica redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos produtos ao consumidor dado que h\u00e1 uma s\u00e9rie de fatores do mercado internacional que determinam sua cota\u00e7\u00e3o. De toda forma, bastaria, para atender \u00e0 essencialidade, que o benef\u00edcio incidisse sobre o produto final, de modo, portanto, a alcan\u00e7ar o seu efetivo destinat\u00e1rio, o consumidor, independente do uso de agrot\u00f3xicos na cadeia produtiva\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Gilmar Mendes, que pediu vista do processo em 2020, votou ao contr\u00e1rio de Fachin. Mendes entende que a concess\u00e3o dos benef\u00edcios fiscais n\u00e3o viola o direito \u00e0 sa\u00fade ou ao meio ambiente equilibrado. Segundo ele, eventual lesividade de um produto n\u00e3o retira o seu car\u00e1ter essencial, a exemplo dos medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, no Brasil j\u00e1 existem regras minuciosas para liberar o uso dessas subst\u00e2ncias de modo a garantir que os efeitos negativos sejam minorados e superados pelos benef\u00edcios de seu uso. Gilmar tamb\u00e9m lembra que o atual est\u00e1gio de desenvolvimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico n\u00e3o permite a completa elimina\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos em um pa\u00eds de clima tropical e dimens\u00f5es continentais como o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, na vis\u00e3o de Gilmar, o benef\u00edcio deve ser analisado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s consequ\u00eancias que produz, qual seja, reduzir o pre\u00e7o dos alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a abriu uma segunda diverg\u00eancia. Para o julgador, os incentivos n\u00e3o s\u00e3o \u201cterminantemente inconstitucionais\u201d. Por outro lado, Mendon\u00e7a afirmou que, em sua vis\u00e3o, a ado\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio de toxicidade e ecotoxicidade dos agrot\u00f3xicos para graduar as al\u00edquotas estaria alinhada com os valores e princ\u00edpios da Constitui\u00e7\u00e3o. O magistrado disse, por\u00e9m, que n\u00e3o caberia ao Poder Judici\u00e1rio apontar a solu\u00e7\u00e3o para o problema, \u201csubstituindo os agentes eleitos nas ruas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o ministro votou para fixar um prazo de 90 dias para que o Poder Executivo da Uni\u00e3o, quanto ao IPI, e o Poder Executivo dos Estados, com rela\u00e7\u00e3o ao ICMS, promovam \u201cadequada e contempor\u00e2nea avalia\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica fiscal, de modo a apresentar a esta Corte os limites temporais, o escopo, os custos e os resultados&nbsp;dela.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stf-retoma-julgamento-de-beneficios-fiscais-a-agrotoxicos-a-partir-do-dia-22-de-marco-13032024\">https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stf-retoma-julgamento-de-beneficios-fiscais-a-agrotoxicos-a-partir-do-dia-22-de-marco-13032024<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Novo Ricarf e as decis\u00f5es dos tribunais superiores: a obrigatoriedade do tr\u00e2nsito em julgado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O Novo Regimento Interno do Carf (Novo Ricarf), aprovado pela Portaria MF n\u00ba 1.634, de 21 de dezembro de 2023, concebido&nbsp;<em>\u201ca partir do diagn\u00f3stico de que era necess\u00e1rio dar mais celeridade aos julgamentos\u201d<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn1\">[1]<\/a>, est\u00e1 alicer\u00e7ado em quatro pilares: 1) na diminui\u00e7\u00e3o da temporalidade dos processos na espera de aprecia\u00e7\u00e3o; 2) na celeridade na publica\u00e7\u00e3o dos ac\u00f3rd\u00e3os; 3) no incremento da produtividade e especializa\u00e7\u00e3o das conselheiras e dos conselheiros que integram o \u00f3rg\u00e3o; e, 4) na amplia\u00e7\u00e3o do direito de defesa do contribuinte e na maior transpar\u00eancia nos julgamentos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas das mudan\u00e7as ali contidas j\u00e1 foram objeto desta&nbsp;<em>Direto do Carf&nbsp;<\/em>(<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-fev-07\/novo-ricarf-e-sumulas-novidades-e-expectativas\/\">aqui<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/\">aqui<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-10\/aumento-dos-prazos-dos-mandatos-no-ricarf-panaceia-ou-placebo\/\">aqui<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-dez-27\/avancos-e-retrocessos-nas-normas-atinentes-as-declaracoes-de-voto-no-carf\/\">aqui<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-dez-22\/primeiras-impressoes-do-novo-regimento-interno-do-carf\/\">aqui<\/a>) e, sem sombras de d\u00favidas alguma, outras tantas ser\u00e3o doravante.<\/p>\n\n\n\n<p>O contencioso administrativo atua como um&nbsp;<em>filtro<\/em>,<em>&nbsp;\u201cestabelece[ndo] controles \u2018desde dentro\u2019, ou seja, incidentes na pr\u00f3pria intimidade da Administra\u00e7\u00e3o ao longo da sua vontade\u201d&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn3\">[3]<\/a>, de modo a minorar o n\u00famero de a\u00e7\u00f5es levadas \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o pelo Poder Judici\u00e1rio. Tal controle, entretanto, ostenta limites, dentre os quais est\u00e1 o da impossibilidade de&nbsp;<em>\u201cafastar a aplica\u00e7\u00e3o ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto\u201d<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn4\">[4]<\/a>&nbsp;salvo nas seguintes hip\u00f3teses&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn5\">[5]<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p>i. exist\u00eancia de&nbsp;<em>decis\u00e3o&nbsp;<\/em>plen\u00e1ria<em>&nbsp;transitada em julgado<\/em>&nbsp;do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execu\u00e7\u00e3o suspensa por Resolu\u00e7\u00e3o do Senado Federal, que tenha declarado a inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto;<\/p>\n\n\n\n<p>ii. exist\u00eancia de s\u00famula vinculante do Supremo Tribunal Federal afastando a aplica\u00e7\u00e3o do dispositivo que fundamentou a exig\u00eancia do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio;<\/p>\n\n\n\n<p>iii. exist\u00eancia de&nbsp;<em>decis\u00e3o transitada em julgado<\/em>, sob a sistem\u00e1tica da repercuss\u00e3o geral ou dos recursos repetitivos, que tenha recha\u00e7ado a norma em que escorado o lan\u00e7amento;<\/p>\n\n\n\n<p>iv. exist\u00eancia de dispensa legal de constitui\u00e7\u00e3o, Ato Declarat\u00f3rio do procurador-geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo procurador-geral da Fazenda Nacional, que albergue a pretens\u00e3o do sujeito passivo<\/p>\n\n\n\n<p>v. exist\u00eancia de Parecer do advogado-geral da Uni\u00e3o aprovado pelo presidente da Rep\u00fablica, encampando a inexigibilidade do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p>vi. exist\u00eancia de S\u00famula da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o capaz de amparar o cancelamento da exig\u00eancia tribut\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p>As&nbsp;seis&nbsp;circunst\u00e2ncias ora descritas n\u00e3o s\u00e3o novas; entretanto, se antes exigia-se que fosse a&nbsp;<em>decis\u00e3o definitiva<\/em>, ora imp\u00f5e-se que tenha a decis\u00e3o&nbsp;<em>transitado em julgado<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 1.040 do CPC: aplica\u00e7\u00e3o imediata da tese formada em repetitivos<\/p>\n\n\n\n<p>O momento da aplicabilidade das teses firmadas sob a sistem\u00e1tica dos recursos representativos de controv\u00e9rsia j\u00e1 foi h\u00e1 muito definido tanto pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a quanto pelo Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Na subse\u00e7\u00e3o dedicada ao julgamento dos recursos extraordin\u00e1rio, contida no Digesto Processual Civil, determinado pelo artigo 1.040 que,&nbsp;<em>publicado<\/em>&nbsp;o ac\u00f3rd\u00e3o paradigma:<\/p>\n\n\n\n<p>I \u2013 &nbsp;o presidente ou o vice- presidente do tribunal de origem negar\u00e1 seguimento aos recursos especiais ou extraordin\u00e1rios sobrestados na origem, se o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido coincidir com a orienta\u00e7\u00e3o do tribunal superior;<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 o \u00f3rg\u00e3o que proferiu o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, na origem, reexaminar\u00e1 o processo de compet\u00eancia origin\u00e1ria, a remessa necess\u00e1ria ou o recurso anteriormente julgado, se o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido contrariar a orienta\u00e7\u00e3o do tribunal superior;<\/p>\n\n\n\n<p>III \u2013 os processos suspensos em primeiro e segundo graus de jurisdi\u00e7\u00e3o retomar\u00e3o o curso para julgamento e aplica\u00e7\u00e3o da tese firmada pelo tribunal superior;<\/p>\n\n\n\n<p>IV \u2013 se os recursos versarem sobre quest\u00e3o relativa a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico objeto de concess\u00e3o, permiss\u00e3o ou autoriza\u00e7\u00e3o, o resultado do julgamento ser\u00e1 comunicado ao \u00f3rg\u00e3o, ao ente ou \u00e0 ag\u00eancia reguladora competente para fiscaliza\u00e7\u00e3o da efetiva aplica\u00e7\u00e3o, por parte dos entes sujeitos a regula\u00e7\u00e3o, da tese adotada.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em vista o dispositivo nada mencionar acerca da necessidade do tr\u00e2nsito em julgado, tanto a doutrina&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn6\">[6]<\/a>&nbsp;quanto a jurisprud\u00eancia&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn7\">[7]<\/a>&nbsp;se consolidaram no sentido da&nbsp;<em>aplica\u00e7\u00e3o imediata<\/em>&nbsp;da tese firmada sob a sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 62 do Ricarf: necessidade de decis\u00e3o definitiva<\/p>\n\n\n\n<p>O Ricarf outrora vigente determinava, em sentido an\u00e1logo, que<\/p>\n\n\n\n<p><em>[a]s&nbsp;<\/em>decis\u00f5es definitivas de m\u00e9rito<em>, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justic<\/em><em>\u0327<\/em><em>a em mat\u00e9ria infraconstitucional, na sistem\u00e1tica prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei no 5.869, de 1973 \u2013 C\u00f3digo de Processo Civil (CPC),&nbsp;<\/em>dever\u00e3o ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no \u00e2mbito do CARF<em>. \u2013 ex vi do \u00a72\u00ba do RICarf, aprovado pela Portaria MF n\u00ba 343, de 9 de junho de 2015.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O verdadeiro significado da express\u00e3o&nbsp;<em>\u201cdecis\u00f5es definitivas de m\u00e9rito\u201d<\/em>, contudo, nunca veio a ser pacificado no Carf.<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn8\">[8]<\/a>&nbsp;No \u00e2mbito das turmas da C\u00e2mara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) a controv\u00e9rsia costumava terminar empatada. Quando vigente o voto de qualidade, prevalecia a interpreta\u00e7\u00e3o pela necessidade de se aguardar o tr\u00e2nsito em julgado para, s\u00f3 a partir da\u00ed, ser aplic\u00e1vel a tese firmada sob a sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn9\">[9]<\/a>. Sob a \u00e9gide do desempate pr\u00f3-contribuinte, entendia-se pela aplica\u00e7\u00e3o imediata da tese proferida na sistem\u00e1tica da repercuss\u00e3o geral ou dos recursos repetitivos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn10\">[10]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;do artigo 99 do Novo Ricarf: necessidade de decis\u00e3o transitada em julgado<\/p>\n\n\n\n<p>Com a publica\u00e7\u00e3o do Novo Ricarf posta uma p\u00e1 de cal na querela, eis que ali expressamente consignado que<\/p>\n\n\n\n<p><em>[a]s<\/em>&nbsp;decis\u00f5es de m\u00e9rito transitadas em julgado<em>, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justic<\/em><em>\u0327<\/em><em>a em mat\u00e9ria infraconstitucional, na sistem\u00e1tica da repercuss\u00e3o geral ou dos recursos repetitivos, dever\u00e3o ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no \u00e2mbito do CARF.<\/em>&nbsp;\u2013 ex vi&nbsp;<em>do artigo 99 do Novo Ricarf.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O termo \u201ctr\u00e2nsito em julgado\u201d, mencionado na nossa Carta Constitucional e diversos diplomas, n\u00e3o exibe uma defini\u00e7\u00e3o ofertada pela lei; contudo, inequ\u00edvoco seu significado: momento em que uma decis\u00e3o n\u00e3o mais pode ser objeto de recurso. Ao consultar a movimenta\u00e7\u00e3o de um processo, poss\u00edvel ter ci\u00eancia de quando se deu o tr\u00e2nsito em julgado, porquanto sua ocorr\u00eancia \u00e9 certificada.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<em>P.U.<\/em>&nbsp;do artigo 99 do Novo Ricarf: a pend\u00eancia de julgamento no STF<\/p>\n\n\n\n<p>O Novo Ricarf deu ao artigo 99 um par\u00e1grafo \u00fanico que ostenta a seguinte reda\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>O disposto no&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;n\u00e3o se aplica nos casos em que houver recurso extraordin\u00e1rio, com repercuss\u00e3o geral reconhecida, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o mesmo tema decidido pelo Superior Tribunal de Justic\u0327a, na sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito de outro modo: ainda que uma tese, firmada sob a sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos no STJ, tenha transitado em julgado, n\u00e3o poder\u00e1 ser aplicada se o tema estiver pendente de aprecia\u00e7\u00e3o pelo STF, com repercuss\u00e3o geral reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Tema n\u00ba 985 e o&nbsp;<em>P.U.<\/em>&nbsp;do artigo 99 do Novo Ricarf: criador e criatura?<\/p>\n\n\n\n<p>O par\u00e1grafo \u00fanico do art. 99 do Novo RICarf n\u00e3o guarda similaridade com qualquer dos dispositivos do RICarf outrora vigente, aprovado pela Portaria MF n\u00ba 343, de 9 de junho de 2015. Ao que parece, o&nbsp;<em>leitmotiv&nbsp;<\/em>para sua inser\u00e7\u00e3o teria sido a controv\u00e9rsia \u2013 repleta de reviravoltas,&nbsp;<em>frise-se<\/em>&nbsp;\u2013 envolvendo a defini\u00e7\u00e3o da natureza jur\u00eddica do ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias para fins de incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7amos uma breve digress\u00e3o para melhor compreender os debates travados tanto no Superior Tribunal de Justi\u00e7a quanto no Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;2014,&nbsp;<em>sob a sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos<\/em>, decidiu o Superior Tribunal de Justi\u00e7a que&nbsp;<em>\u201c[e]m rela\u00e7\u00e3o ao adicional de f\u00e9rias concernente \u00e0s f\u00e9rias gozadas, tal import\u00e2ncia possui natureza indenizat\u00f3ria\/compensat\u00f3ria, e n\u00e3o constitui ganho habitual do empregado, raz\u00e3o pela qual sobre ela n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria (a cargo da empresa)\u201d<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn11\">[11]<\/a>. Naquela oportunidade, frisado ainda que, a Primeira Se\u00e7\u00e3o daquele Tribunal teria, em 2010&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn12\">[12]<\/a>, consolidado a orienta\u00e7\u00e3o \u201cno sentido de afastar a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria do ter\u00e7o de f\u00e9rias tamb\u00e9m de empregados celetistas contratados por empresas privadas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Embora encerrada a discuss\u00e3o no STJ, reconhecida a repercuss\u00e3o geral da mat\u00e9ria pelo Guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, no bojo do RE n\u00ba 593.068 (Tema de n\u00ba 163). Em que pese o julgamento do retromencionado recurso extraordin\u00e1rio ter sido conclu\u00eddo pela Corte Constitucional, n\u00e3o houve o tr\u00e2nsito em julgado porquanto sobrestado o RE n\u00ba 593.068 &nbsp;at\u00e9 o deslinde de outro RE, o de n\u00ba 1.072.485\/PR (Tema n\u00ba 985), que visava perquirir a&nbsp;<em>\u201cnatureza jur\u00eddica do ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias, indenizadas ou gozadas, para fins de incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Passados seis anos da decis\u00e3o firmada sob a sistem\u00e1tica do art. 543-C do CPC\/73, em uma guinada,<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn13\">[13]<\/a>&nbsp;entendeu o Tribunal Pleno do STF, no ano de&nbsp;2020, ser&nbsp;<em>\u201cleg\u00edtima a incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00e3o social, a cargo do empregador, sobre os valores pagos ao empregado a t\u00edtulo de ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas\u201d<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn14\">[14]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento dos embargos de declara\u00e7\u00e3o, embora iniciado em mar\u00e7o de 2021, todavia sequer possuiu data para conclus\u00e3o, tendo o ministro Barroso inaugurado a diverg\u00eancia para propor a atribui\u00e7\u00e3o de efeitos&nbsp;<em>ex nunc<\/em>, a contar de 15 de setembro de 2020, data da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento do recurso extraordin\u00e1rio, com a ressalva de que as contribui\u00e7\u00f5es pagas e n\u00e3o impugnadas at\u00e9 o retromencionado marco temporal n\u00e3o seriam restitu\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;junho do ano passado, proferida a ordem de sobrestamento dos feitos versando sobre a tem\u00e1tica da incid\u00eancia das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias sobre o ter\u00e7o constitucional de f\u00e9rias gozadas. Decretada, portanto,&nbsp;<em>\u201ca suspens\u00e3o, em todo o territ\u00f3rio nacional, dos feitos judiciais e administrativos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a quest\u00e3o presente no Tema n\u00ba 985 do ement\u00e1rio da Repercuss\u00e3o Geral\u201d<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn15\">[15]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/p>\n\n\n\n<p>As n\u00e3o raras guinadas jurisprudenciais e o uso cada vez mais frequente da modula\u00e7\u00e3o dos efeitos das decis\u00f5es proferidas t\u00eam criado imbr\u00f3glios que comprometem princ\u00edpios constitucionais basilares. A op\u00e7\u00e3o feita pelo Novo Ricarf, no contexto em que atravessamos, nos parece bem alinhar com o esfor\u00e7o do ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, relator do Tema de n\u00ba 985 do STF em&nbsp;<em>\u201cevitar resultados absolutamente anti-ison\u00f4micos entre contribuintes em situa\u00e7\u00f5es equivalentes, por for\u00e7a e obra de presta\u00e7\u00e3o jurisdicional desta Corte\u201d<\/em>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/#_ftn16\">[16]<\/a>. Carregando a express\u00e3o&nbsp;<em>tr\u00e2nsito em julgado<\/em>&nbsp;significado inequ\u00edvoco, inexiste raz\u00e3o para que controv\u00e9rsias surjam quando da aplica\u00e7\u00e3o dos artigos 98 e 99 de ser Novo Ricarf.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Este texto n\u00e3o reflete a posi\u00e7\u00e3o institucional do Carf, mas, sim, uma an\u00e1lise dos seus precedentes publicados no site do \u00f3rg\u00e3o, em estudo descritivo, de car\u00e1ter informativo, promovido pelos seus colunistas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/novo-ricarf-e-as-decisoes-dos-tribunais-superiores-a-obrigatoriedade-do-transito-em-julgado\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Limites \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos reconhecidos por decis\u00f5es judiciais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Em mais uma manobra voltada a minimizar o impacto da chamada \u201cTese do S\u00e9culo\u201d nos cofres p\u00fablicos, o governo federal editou a Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 1.202, de 28 de dezembro de 2023 que, dentre outras inova\u00e7\u00f5es, alterou a sistem\u00e1tica de compensa\u00e7\u00e3o administrativa de cr\u00e9ditos decorrentes de decis\u00f5es judiciais transitadas em julgado cujo valor total seja igual ou superior a R$ 10 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Referida norma instituiu a possibilidade de ato da lavra do ministro da Fazenda fracionar a utiliza\u00e7\u00e3o, no tempo, de cr\u00e9ditos dessa natureza, mediante fixa\u00e7\u00e3o de um limite mensal n\u00e3o inferior a 1\/60 do seu montante total, demonstrado e atualizado na data da entrega da primeira declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, foi publicada a Portaria Normativa MF n\u00ba 14, de 5 de janeiro de 2024, estabelecendo seis faixas de limites mensais a serem no particular observados, escalonadas com base no valor total compens\u00e1vel, sendo mais gravosa ao contribuinte aquela aplic\u00e1vel a cr\u00e9ditos iguais ou superiores a R$ 500 milh\u00f5es, para os quais restou estipulado um prazo m\u00ednimo de utiliza\u00e7\u00e3o de 60 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale sinalizar que tanto a MP n\u00ba 1.202\/2023 quanto a Portaria Normativa MF n\u00ba 14\/2024 j\u00e1 est\u00e3o em plena produ\u00e7\u00e3o de efeitos, alcan\u00e7ando, portanto, todas as declara\u00e7\u00f5es de compensa\u00e7\u00e3o formalizadas a partir do m\u00eas de janeiro deste ano nas quais empregados cr\u00e9ditos que se amoldem aos seus par\u00e2metros \u2013 reconhecidos pelo Poder Judici\u00e1rio e cujo importe supere a cifra de R$ 10 milh\u00f5es \u2014, inclusive aqueles previamente habilitados e cuja utiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 tenha sido iniciada.<\/p>\n\n\n\n<p>E caso estes novos par\u00e2metros n\u00e3o sejam respeitados, vale dizer, na hip\u00f3tese de que o contribuinte n\u00e3o observe o limite mensal aplic\u00e1vel ao cr\u00e9dito de sua titularidade, ter\u00e1 que arcar com a efetiva penalidade de ter a sua compensa\u00e7\u00e3o considerada n\u00e3o declarada, o que permite que o Fisco promova a imediata cobran\u00e7a dos d\u00e9bitos que se pretendia liquidar, com todos os acr\u00e9scimos cab\u00edveis, sem que lhe seja permitido apresentar defesa ou recursos na esfera administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Argumentos pelo afastamento das limita\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o novo regramento acarreta imediato e nocivo efeito caixa, diante do que \u00e9 natural e at\u00e9 esperado que venha a sofrer questionamentos judiciais por parte de contribuintes diretamente afetados pelos seus termos, como inclusive j\u00e1 se tem not\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>No particular, o que se observa \u00e9 que efetivamente existem argumentos jur\u00eddicos em prol do afastamento das limita\u00e7\u00f5es da MP.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto porque o contribuinte, j\u00e1 desgastado ap\u00f3s o enfrentamento de uma verdadeira batalha processual em busca do reconhecimento do seu direito \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de valores indevidamente entregues aos cofres p\u00fablicos, escolheu reaver o montante sob a forma de compensa\u00e7\u00f5es administrativas, em detrimento da possibilidade de op\u00e7\u00e3o pelo recebimento via precat\u00f3rio, que tamb\u00e9m lhe assistia.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim o fez confiante na possibilidade, at\u00e9 ent\u00e3o verificada, de extinguir d\u00e9bitos pr\u00f3prios referentes a tributos federais mediante livre utiliza\u00e7\u00e3o do montante credit\u00f3rio e, portanto, sem qualquer desembolso financeiro, vindo, contudo, a ser surpreendido pela repentina altera\u00e7\u00e3o da \u201cregra do jogo no meio da partida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que nosso ordenamento jur\u00eddico n\u00e3o d\u00e1 margem para inova\u00e7\u00f5es t\u00e3o abruptas e gravosas no contexto das rela\u00e7\u00f5es travadas entre Fisco e contribuintes, as quais, muito pelo contr\u00e1rio, devem ser balizadas pela confian\u00e7a leg\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>Decerto, tomando de empr\u00e9stimo a valiosa li\u00e7\u00e3o de Humberto \u00c1vila,&nbsp;<em>a Constitui\u00e7\u00e3o Federal d\u00e1 uma nota de previsibilidade e de prote\u00e7\u00e3o de expectativas legitimamente constitu\u00eddas e que, por isso mesmo, n\u00e3o podem ser frustradas pelo exerc\u00edcio da atividade estatal&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/limites-a-compensacao-de-creditos-reconhecidos-por-decisoes-judiciais\/#_ftn1\">[1]<\/a>, de forma que o particular n\u00e3o pode ser surpreendido com mudan\u00e7as repentinas nas regras tribut\u00e1rias, \u00e0 luz das quais j\u00e1 havia programado suas atividades produtivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, nos parece verdadeiramente defens\u00e1vel o argumento de que a introdu\u00e7\u00e3o dos limites \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o objeto da MP n\u00ba 1.202\/2023 e da Portaria Normativa MF n\u00ba 14\/2024 representa manifesta viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da seguran\u00e7a jur\u00eddica e da moralidade administrativa, que caracterizam aut\u00eanticas limita\u00e7\u00f5es constitucionais ao poder de tributar, afrontando, ademais, a lealdade e boa-f\u00e9 objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Jurisprud\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio ter claro que a jurisprud\u00eancia pertinente ao tema est\u00e1 genericamente consolidada em favor da possibilidade de o legislador estabelecer limites para os procedimentos de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o entendimento h\u00e1 muito adotado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), em sede de decis\u00f5es proferidas pelas duas Turmas de Julgamento que comp\u00f5em a sua 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o, em casos em que debatidas limita\u00e7\u00f5es diversas ao instituto, \u00e9 no sentido de que&nbsp;<em>n\u00e3o existe \u00f3bice \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 forma e procedimentos para a efetiva\u00e7\u00e3o da compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, bem como \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de limites ao seu exerc\u00edcio, por parte do legislador ordin\u00e1rio, desde que obedecidos os par\u00e2metros estabelecidos no C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional<\/em>&nbsp;(vide AgInt no REsp 1956537\/SP, 1\u00aa T., rel. min. Paulo S\u00e9rgio Domingues, DJe 20\/09\/2023. No mesmo sentido, vide AgInt no REsp n\u00ba 1.979.019\/SP, 1\u00aa T., rel. min. Regina Helena Costa, DJe de 5\/10\/2022; AgInt no REsp 1887236\/SP, 2\u00aa T., rel. min. Francisco Falc\u00e3o, DJe 29\/04\/2021 e AgInt no REsp 1762857\/SP, 2\u00aa T., rel. min. Mauro Campbell Marques, DJe 27\/11\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, cabe atentar para a exist\u00eancia de decis\u00e3o vinculante da Corte Superior no sentido de que&nbsp;<em>a lei que regula a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria \u00e9 a vigente \u00e0 data do encontro de contas entre os rec\u00edprocos d\u00e9bito e cr\u00e9dito da Fazenda e do contribuinte<\/em>&nbsp;(vide REsp Repetitivo 1164452\/MG, 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o, rel. min. Teori Zavascki, DJe 02\/09\/2010, objeto de reiterada aplicabilidade, at\u00e9 os dias atuais, como ilustram AgInt no REsp 2090833\/RJ, 1\u00aa T., rel. min. Regina Helena Costa, DJe 14\/12\/2023 e AgInt nos EDcl no REsp 1751881\/SP, 2\u00aa T., rel. min. Francisco Falc\u00e3o, DJe 27\/09\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Tais posicionamentos, portanto, nos parecem apontar para o insucesso de eventual questionamento judicial do novo regramento em abordagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Prazo de cinco anos<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, n\u00e3o se pode perder de vista que a nova disciplina conferida \u00e0s compensa\u00e7\u00f5es de cr\u00e9ditos reconhecidos pelo Poder Judici\u00e1rio, de forma positiva, afastou a necessidade de que sejam integralmente utilizados dentro dos cinco anos posteriores ao tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que reconhece a sua exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, era esse o prazo de que o contribuinte dispunha para dar vaz\u00e3o ao montante, conforme previsto no artigo 106, caput, da IN RFB 2.055, de 8 de dezembro de 2021, atualmente incumbida de disciplinar a compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios federais \u2014 dispositivo ainda n\u00e3o revogado, vale registrar \u2014 e corroborado em pronunciamento vinculante do \u00f3rg\u00e3o consultivo fazend\u00e1rio (vide Solu\u00e7\u00e3o de Consulta Cosit n\u00ba 239, de 19 de agosto de 2019 e o Parecer Normativo n\u00ba 11, de 19 de dezembro de 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a pr\u00f3pria Receita Federal, por meio de \u201cPerguntas e Respostas\u201d rec\u00e9m veiculado em seu<em>&nbsp;site<\/em>, confirma a possibilidade de o montante continuar a ser compensado, at\u00e9 o seu completo exaurimento, mesmo ap\u00f3s o decurso do referido prazo, ressalvando, apenas, que a primeira DComp na qual empregado dever\u00e1 ser apresentada nesse \u00ednterim.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, portanto, o prazo de cinco anos contados a partir do tr\u00e2nsito em julgado \u00e9 dado ao contribuinte para que inicie os procedimentos de compensa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito de que \u00e9 titular, mediante apresenta\u00e7\u00e3o da primeira DComp, n\u00e3o estando obrigado, contudo, a esgotar o montante nesse mesmo \u00ednterim, em linha com o entendimento que j\u00e1 vinha sendo a esse respeito externado pelo STJ, em resposta a questionamentos pertinentes ao tema que at\u00e9 ent\u00e3o lhe eram direcionados (vide AgRg no REsp 1.469.926\/PR, 2\u00aa T., rel. min. Humberto Martins, DJe 13\/04\/2015; 1.469.954\/PR2\u00aa T., rel. min. Og Fernandes, DJe 28\/08\/2015 e REsp 1.480.602\/PR, 2\u00aa T., rel. min. Herman Benjamin, DJe 31\/10\/2014 e decis\u00f5es monocr\u00e1ticas mais recentemente proferidas com base em seus termos).<\/p>\n\n\n\n<p>Resta, contudo, acompanhar de perto a tramita\u00e7\u00e3o da MP n 1\u00ba 1.202\/2023, a fim de verificar se a disciplina ali veiculada ser\u00e1 convertida em Lei, permanecendo em vigor tanto no que tange ao aspecto positivo acima destacado, quanto do que diz respeito aos limites anteriormente abordados.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/limites-a-compensacao-de-creditos-reconhecidos-por-decisoes-judiciais\/\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/limites-a-compensacao-de-creditos-reconhecidos-por-decisoes-judiciais\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Receita regulamenta tributa\u00e7\u00e3o de investimentos no exterior; confira as regras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7a na sexta-feira (15) o prazo para detentores de investimentos no exterior (offshore) aderirem \u00e0 possibilidade de atualizar o valor de seus ativos recolhendo Imposto de Renda (IR) pela al\u00edquota reduzida de 8%. A al\u00edquota padr\u00e3o, conforme lei aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, \u00e9 de 15%. Os detalhes de funcionamento da nova tributa\u00e7\u00e3o foram divulgados nesta quarta pela Receita Federal, na Instru\u00e7\u00e3o Normativa (IN) 2.180.<\/p>\n\n\n\n<p>O prazo para ades\u00e3o \u00e0 regra dos 8% termina em 31 de maio. Esse tamb\u00e9m \u00e9 o prazo para que os investidores decidam se, no novo regime, ficar\u00e3o no regime geral ou no de transpar\u00eancia fiscal. De maneira geral, o primeiro se adequa a arranjos mais simples e o segundo, a estruturas mais complexas. Nos dois casos, o objetivo do governo \u00e9 evitar o diferimento (adiamento) do pagamento do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 muitas vantagens em fazer a ades\u00e3o\u201d, diz Daniel Loria, diretor da Secretaria Extraordin\u00e1ria da Reforma Tribut\u00e1ria (Sert) do Minist\u00e9rio da Fazenda, ao Valor.<\/p>\n\n\n\n<p>O lucro acumulado ser\u00e1 tributado em definitivo, de modo que futura varia\u00e7\u00e3o cambial ser\u00e1 isenta, acrescentou. As normas ainda facilitam o planejamento sucess\u00f3rio, pois os recursos podem ser doados ou transmitidos sem que o herdeiro tenha de pagar novamente o IR.<\/p>\n\n\n\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o foi discutida com integrantes do mercado para que sa\u00edsse uma norma palat\u00e1vel e equilibrada, disse o diretor.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, o recurso para pagar o imposto pode ser repatriado, com a condi\u00e7\u00e3o que seja efetivamente utilizado para esse fim. Do contr\u00e1rio, o investidor pagar\u00e1 uma multa. \u00c9 uma possibilidade que n\u00e3o estava na lei, mas foi admitida pela IN. O investidor pode, por exemplo, liquidar a offshore e trazer os recursos para o pa\u00eds, exemplifica Loria.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que busca afastar d\u00favidas do mercado \u00e9 o que permite ao investidor decidir se quer atualizar os valores de cada um de seus ativos separadamente. O mesmo se aplica \u00e0 op\u00e7\u00e3o sobre o regime geral ou de transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Alessandro Fonseca, do escrit\u00f3rio Mattos Filho, a IN esclarece alguns pontos importantes como a possibilidade de atualizar o custo de aquisi\u00e7\u00e3o dos bens nas offshores com a data de 31 de dezembro de 2023, mediante o pagamento do imposto pela al\u00edquota diferenciada de 8%. Isso faz toda a diferen\u00e7a nos c\u00e1lculos de quais ser\u00e3o as melhores alternativas para o contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme exemplifica, se um bem foi adquirido a US$ 100 e no fim de 2023 valia US$ 1 mil, essa passa a ser a nova base para as varia\u00e7\u00f5es de 2024 para frente ou para distribui\u00e7\u00f5es de ganhos relativos ao passado. Ele explica que para tomar uma decis\u00e3o, o contribuinte precisa olhar para o custo m\u00e9dio de aquisi\u00e7\u00e3o, pesando o valor das diversas remessas feitas para o exterior ao longo do tempo e a taxa de c\u00e2mbio.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas das medidas precisam ser depuradas, mas outro aspecto relevante que a Receita disciplina \u00e9 a faculdade do contribuinte de manifestar qual regime tribut\u00e1rio vai adotar para o exerc\u00edcio de 2024, se a estrutura transparente ou opaca, diz Fonseca. Com tudo na mesa, ele pode analisar o crit\u00e9rio de convers\u00e3o, a valoriza\u00e7\u00e3o pelo custo m\u00e9dio para os diferentes tipos de ativos e situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o estavam previstas na Lei.<\/p>\n\n\n\n<p>A IN tamb\u00e9m traz novidades que afetam o planejamento futuro dos investidores. Estabelece, por exemplo, que ativos virtuais s\u00f3 entram na nova regra se forem lastreados em ativos financeiros. Por exemplo: obras de arte, como NFTs, est\u00e3o fora. Esses, no caso, s\u00e3o tributados conforme ganho de capital.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 regras distintas para a tributa\u00e7\u00e3o de ap\u00f3lices de seguro. As que funcionam como uma conta corrente que agrupa investimentos e a pessoa f\u00edsica decide como aplicar ser\u00e3o consideradas entidade controlada e ter\u00e3o seu lucro tributado todo ano. Ap\u00f3lices de mercado ser\u00e3o tratadas como aplica\u00e7\u00e3o financeira normal.<\/p>\n\n\n\n<p>As novas regras dizem tamb\u00e9m que movimenta\u00e7\u00f5es entre controladas diretas e indiretas, como devolu\u00e7\u00f5es de capital entre uma e outra, n\u00e3o produzir\u00e3o efeito tribut\u00e1rio. O imposto pago em nome das offshores que estiverem no regime de transpar\u00eancia fiscal poder\u00e1 ser creditado no Brasil, estabelece a IN.<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita criou um programa eletr\u00f4nico chamado Atualiza\u00e7\u00e3o de Bens e Direitos no Exterior (Abex). \u00c9 semelhante \u00e0 Declara\u00e7\u00e3o de Regulariza\u00e7\u00e3o Cambial e Tribut\u00e1ria (Dercat), utilizada em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com estimativas da Receita Federal, a nova tributa\u00e7\u00e3o das offshores tem potencial de elevar a arrecada\u00e7\u00e3o em R$ 3,59 bilh\u00f5es este ano e em R$ 6,75 bilh\u00f5es em 2025. Esses, por\u00e9m, s\u00e3o dados calculados no ano passado, quando a mudan\u00e7a foi proposta ao Congresso Nacional. As estimativas s\u00e3o de que os valores investidos no exterior ultrapassam R$ 1 trilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/financas\/noticia\/2024\/03\/13\/receita-regulamenta-tributacao-de-investimentos-no-exterior-confira-as-regras.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/financas\/noticia\/2024\/03\/13\/receita-regulamenta-tributacao-de-investimentos-no-exterior-confira-as-regras.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gol contra na conformidade tribut\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 14\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio ao Programa de Est\u00edmulos \u00e0 Conformidade Tribut\u00e1ria, Nos Conformes &#8211; Lei Complementar bandeirante n. 1.320\/2018, em que se busca criar e fomentar condi\u00e7\u00f5es materiais para se estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a rec\u00edproca e transparente entre contribuintes e Fisco, inspirada sobretudo na boa-f\u00e9 como orienta\u00e7\u00e3o maior para condu\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas p\u00fablicas, como j\u00e1 se via at\u00e9 mesmo com a Instru\u00e7\u00e3o CAT n. 10\/1969, sob a \u00e9gide da CF pret\u00e9rita, chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, agora, a Portaria SRE n. 51\/2023 que disp\u00f5e sobre a hip\u00f3tese de n\u00e3o lavratura de Auto de Infra\u00e7\u00e3o e Imposi\u00e7\u00e3o de Multa &#8211; AIIM, em formato distinto do quanto se via pela ent\u00e3o revogada Portaria CAT n. 115\/2014.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a Portaria SRE n. 51\/2023, n\u00e3o obstante inserir-se ideologicamente tamb\u00e9m nos des\u00edgnios estabelecidos pela aludida Lei Complementar (Nos Conformes) que j\u00e1 vinha agraciada, por sua vez, pelo Decreto n. 67.853\/2023 (ranqueamento de contribuintes) e pela pr\u00f3pria e ent\u00e3o revogada&nbsp; Portaria CAT n. 115\/2014 parece, na senda do \u00a7 2\u00ba, do art. 72, da Lei n. 6.374\/1989 (conforme reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 13.918\/2009), dar ares, por\u00e9m, mais ut\u00f3picos \u00e0 possibilidade de n\u00e3o lavratura de AIIM, ainda que sob a mesma justificativa de redu\u00e7\u00e3o de litigiosidade entre Fisco e contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p>A bandeira levantada pela Portaria SRE n. 51\/2023 acabou a bem da verdade por restar hasteada, digamos assim, a meio-mastro, talvez j\u00e1 sugerindo sua pr\u00f3pria morte antecipada ou, sua vida curta, haja vista a sua prov\u00e1vel inexequibilidade pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela nova Portaria, at\u00e9 mesmo como j\u00e1 o era antes, atendidas de forma cumulativa dadas condi\u00e7\u00f5es, o AIIM poder\u00e1 deixar de ser lavrado. A quest\u00e3o fulcral, contudo, \u00e9 que antes, com a Portaria CAT n. 115\/2014, a an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es para a n\u00e3o lavratura do AIIM ficava a cargo de uma Comiss\u00e3o de Controle de Qualidade dele sem preju\u00edzo de algumas infra\u00e7\u00f5es de menor poder ofensivo j\u00e1 at\u00e9 autorizarem a n\u00e3o lavratura dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, com a Portaria SRE n. 51\/2023, a compet\u00eancia para a an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es viabilizadoras da n\u00e3o lavratura do Auto de Infra\u00e7\u00e3o e Imposi\u00e7\u00e3o de Multa &#8211; AIIM, ficar\u00e1, ao que se sugere, a cargo, ainda que num contexto mais \u00e1gil, do pr\u00f3prio agente fiscal respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o em tr\u00e2mite.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o bastasse o fim da participa\u00e7\u00e3o da referida Comiss\u00e3o de Controle de Qualidade do Auto de Infra\u00e7\u00e3o e Imposi\u00e7\u00e3o de Multa &#8211; AIIM, a Portaria SRE n. 51\/2023 tamb\u00e9m acaba sendo mais restritiva no tocante aos requisitos para a n\u00e3o lavratura do AIIM, como o de n\u00e3o ter havido o cometimento pelo contribuinte de quaisquer das in\u00fameras infra\u00e7\u00f5es previstas no art. 85, da Lei n. 6.374\/1989 considerados os \u00faltimos 03 (tr\u00eas) anos passados. Sob a revogada Portaria CAT 115\/2014, esclare\u00e7a-se, apenas a reincid\u00eancia nos \u00faltimos 05 (cinco) anos seria \u00f3bice para a dispensa de lavratura do Auto de Infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o novel modelo apenas o contribuinte que consiga rigorosamente n\u00e3o se perder em meio \u00e0 vastid\u00e3o de normas tribut\u00e1rias bandeirantes e suas poss\u00edveis interpreta\u00e7\u00f5es \u00e9 que poder\u00e1 ter esperan\u00e7as de ver a sua a\u00e7\u00e3o decorrente de erro sem, por exemplo, preju\u00edzo ao er\u00e1rio fiscal, ser de fato considerada para livramento do AIIM. Ou, ent\u00e3o, estar sob a\u00e7\u00e3o de Agente Fiscal de Rendas que por cultura fiscal esteja absolutamente alheio a qualquer preconceito diante de bons contribuintes na pecha sempre deixada pelos efetivamente sonegadores de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o do dolo, fraude ou simula\u00e7\u00e3o igualmente desafiar\u00e1 em muito a esperan\u00e7a por uma efici\u00eancia long\u00ednqua da Portaria SRE n. 51\/2023 sendo talvez o ponto em que recair\u00e1 maior influ\u00eancia da, muitas vezes inadvertida, subjetividade do Agente Fiscal respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o e pela faculdade de n\u00e3o lavratura do Auto e Infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A simples constata\u00e7\u00e3o mais acima aludida de que a infra\u00e7\u00e3o n\u00e3o trouxe preju\u00edzos \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o, da mesma forma, dever\u00e1 ser batalha perdida pelos contribuintes fiscalizados pois, como comumente visto, uma \u201csimples\u201d infra\u00e7\u00e3o diante de obriga\u00e7\u00e3o acess\u00f3ria do ICMS, que seria pass\u00edvel de uma f\u00e1cil retifica\u00e7\u00e3o, tem sido vista pelo Fisco como \u201cperturbadora\u201d ou, simplesmente, \u201cembargadora\u201d da possibilidade de o agente fiscal poder bem exercer o seu of\u00edcio de fiscalizar. E, nessa senda, a pena do Fisco tem sido usada \u00e0 m\u00e3o pesada em desconformidade com a pr\u00f3pria conformidade desejada.<\/p>\n\n\n\n<p>A efetividade da Portaria SRE n. 51\/2023, ent\u00e3o, a despeito do mote da conformidade tribut\u00e1ria, dever\u00e1 mesmo ficar apenas no plano te\u00f3rico, longe da realidade pr\u00e1tica esperada, atingindo um n\u00famero de boas solu\u00e7\u00f5es bem aqu\u00e9m ao realmente condizente com uma pol\u00edtica de gest\u00e3o tribut\u00e1ria eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Recorrendo-se at\u00e9 \u00e0 Michelangelo, para quem \u201ca figura j\u00e1 est\u00e1 na pedra, trata-se de arranc\u00e1-la para fora\u201d, seria muito dif\u00edcil extrair da Portaria SER n. 51\/2023 a figura do \u201cequil\u00edbrio entre o poder de fiscalizar do Estado e os direitos de quem suporta a voracidade arrecadat\u00f3ria dos Tesouros\u201d, isto, como bem brandado, ali\u00e1s, na pr\u00f3pria exposi\u00e7\u00e3o de motivos ainda do Projeto de Lei &#8211; PL, do ora C\u00f3digo de Direitos, Garantias e Obriga\u00e7\u00f5es do Contribuinte no Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; LC n. 939\/2003, conforme citado por M\u00e1rcio Ol\u00edvio Fernandes da Costa, Presidente do Codecon\/SP (Coment\u00e1rios ao C\u00f3digo de Direitos, Garantias e Obriga\u00e7\u00f5es do Contribuinte do Estado de S\u00e3o Paulo. Coordena\u00e7\u00e3o Geral de M\u00e1rcio Ol\u00edvio Fernandes da Costa. S\u00e3o Paulo: Codecon-SP, 2003, p. 12).<\/p>\n\n\n\n<p>Na balan\u00e7a da equidade e harmonia entre Fisco e contribuintes, a Portaria SER n. 51\/2023, ao que parece, fez gol contra no desejo pela conformidade tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Celso Alves Feitosa e Walter Alexandre Bussamara s\u00e3o, respectivamente, consultor jur\u00eddico e s\u00f3cio Fundador de Alves Feitosa Advogados Associados e especialista em Direito Tribut\u00e1rio; e advogado no escrit\u00f3rio Alves Feitosa Advogados Associados e mestre em Direito Tribut\u00e1rio pela PUC\/SP.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/coluna\/gol-contra-na-conformidade-tributaria.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/coluna\/gol-contra-na-conformidade-tributaria.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Repensando o custeio da Previd\u00eancia Social e do Sistema S<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 14\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, iniciou-se uma ferrenha discuss\u00e3o entre o Poder Executivo, o Congresso e os 17 setores da economia beneficiados pela desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos, medida que vigorava desde 2011 (Lei N\u00ba 12.546, de 14 de dezembro de 2011), a respeito da sua prorroga\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2011, com o intuito de incentivar a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores, facultou-se a determinados setores da economia optar entre o recolhimento da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre a folha de pagamento ou sobre a receita bruta.<\/p>\n\n\n\n<p>De l\u00e1 pra c\u00e1, o Congresso aprovou a prorroga\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio at\u00e9 2027, o presidente da Rep\u00fablica vetou a prorroga\u00e7\u00e3o, o Legislativo derrubou o veto, o presidente da Rep\u00fablica reinstituiu a cobran\u00e7a por meio da Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 1.202, de 28 de dezembro de 2023, que causou indigna\u00e7\u00e3o no Poder Legislativo e acabou sendo revogada atrav\u00e9s da recente MP n\u00ba 1.208, de 28 de fevereiro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o governo federal, a proposta de reonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento ser\u00e1 submetida ao Congresso Nacional atrav\u00e9s de projeto de lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, trata-se de discuss\u00e3o superficial acerca do custeio da Previd\u00eancia Social e das entidades do chamado Sistema S, que compreende nove entidades com destaque para o Senai (Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial); Sesc (Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio), Sesi (Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria); e Senac (Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem do Com\u00e9rcio).<\/p>\n\n\n\n<p>Contribui\u00e7\u00f5es revistas<br>As contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, ao seguro de acidente de trabalho, antigo SAT, hoje RAT, e ao Sistema S, precisam ser revistas tendo em vista a confusa legisla\u00e7\u00e3o em vigor que disciplina as cobran\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme resume trecho do voto proferido pelo desembargador federal Carlos Muta, do Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o, como relator no julgamento de apela\u00e7\u00e3o&nbsp;<a href=\"https:\/\/mail.yahoo.com\/d\/folders\/1\/messages\/191028?reason=invalid_crumb#m_4198669347742566878__ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;em que se discute a constitucionalidade da cobran\u00e7a das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, RAT e ao Sistema S sobre os valores pagos pela empresa aos seus empregados a t\u00edtulo de sal\u00e1rio-paternidade: \u201c&#8230;&nbsp;Antes do exame espec\u00edfico do caso, considera\u00e7\u00f5es gerais sobre a tributa\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria s\u00e3o pertinentes para efeito de orientar a solu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNeste sentido, cabe destacar, primeiramente, que na reda\u00e7\u00e3o vigente, ap\u00f3s EC 20\/1998, \u00e9 assim prevista a contribui\u00e7\u00e3o patronal em discuss\u00e3o: \u201cArt. 195. A seguridade social ser\u00e1 financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos or\u00e7amentos da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, e das seguintes contribui\u00e7\u00f5es sociais: I \u2013 do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de sal\u00e1rios e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer t\u00edtulo, \u00e0 pessoa f\u00edsica que lhe preste servi\u00e7o, mesmo sem v\u00ednculo empregat\u00edcio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEvidente o aprimoramento da base constitucional do tributo em rela\u00e7\u00e3o aos sujeitos passivos e \u00e0 materialidade da incid\u00eancia, o que, por consequ\u00eancia, afetou os par\u00e2metros legais da tributa\u00e7\u00e3o, passando a constar da Lei 8.212\/1991 que: \u201cArt. 22. A contribui\u00e7\u00e3o a cargo da empresa, destinada \u00e0 Seguridade Social, al\u00e9m do disposto no art. 23, \u00e9 de: I \u2013 vinte por cento sobre o total das remunera\u00e7\u00f5es pagas, devidas ou creditadas a qualquer t\u00edtulo, durante o m\u00eas, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem servi\u00e7os, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos servi\u00e7os efetivamente prestados, quer pelo tempo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do empregador ou tomador de servi\u00e7os, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de conven\u00e7\u00e3o ou acordo coletivo de trabalho ou senten\u00e7a normativa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor sua vez, a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria por riscos ambientais do trabalho (RAT, antiga SAT) decorre do artigo 7\u00ba, XXVIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, tendo assento no artigo 22, II, da Lei 8.212\/1991 (\u201cpara o financiamento do benef\u00edcio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n\u00ba 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em raz\u00e3o do grau de incid\u00eancia de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunera\u00e7\u00f5es pagas ou creditadas, no decorrer do m\u00eas, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos\u201d); ao passo que as devidas a terceiros tem sede no artigo 149 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e previs\u00e3o em diversas leis espec\u00edficas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cAinda que a fundamenta\u00e7\u00e3o constitucional e legal seja pr\u00f3pria de cada esp\u00e9cie, \u00e9 inequ\u00edvoco que o tratamento dado a tais contribui\u00e7\u00f5es, pela identidade de base de c\u00e1lculo, n\u00e3o discrepa, considerada a natureza remunerat\u00f3ria, ou n\u00e3o, de cada valor pago, devido ou creditado pelo empregador (AgInt no REsp 1.602.619).\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 clareza na legisla\u00e7\u00e3o sobre o que deve ser considerado verba remunerat\u00f3ria a ensejar a incid\u00eancia das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias e a terceiros ou verba indenizat\u00f3ria e, portanto, n\u00e3o sujeita \u00e0 cobran\u00e7a, tem ensejado in\u00fameras discuss\u00f5es na esfera judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>E como para a Receita Federal, atual respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias e a terceiros, praticamente todos os valores pagos pelas empresas aos empregados enquadram-se no conceito de remunera\u00e7\u00e3o, o Poder Judici\u00e1rio tem sido frequentemente provocado para definir se determinada verba tem natureza remunerat\u00f3ria ou n\u00e3o e, consequentemente, se deve compor ou n\u00e3o a base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias e das contribui\u00e7\u00f5es ao Sistema S, com oscila\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia e consequentemente forma\u00e7\u00e3o de uma expressiva conting\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordin\u00e1rio n\u00ba 565.160\/SC, em sede de repercuss\u00e3o geral, no qual se discutia a incid\u00eancia das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias sobre o adicional de periculosidade, adicional de insalubridade, adicional noturno, gorjeta, ajuda de custo, di\u00e1ria, comiss\u00f5es, o Tema 20, em que se pretendeu definir o \u201cAlcance da express\u00e3o \u201cfolha de sal\u00e1rios\u201d, para fins de institui\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o social sobre o total das remunera\u00e7\u00f5es\u201d,&nbsp;fixou a seguinte tese:<\/p>\n\n\n\n<p>Tema 20 \u2013 \u201cA contribui\u00e7\u00e3o social a cargo do empregador incide sobre&nbsp;ganhos habituais&nbsp;do empregado, quer anteriores ou posteriores \u00e0 Emenda Constitucional n\u00ba 20\/1998.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao julgar a incid\u00eancia sobre o sal\u00e1rio-maternidade tamb\u00e9m em sede de repercuss\u00e3o geral (Recurso Extraordin\u00e1rio n. 576.967 \u2013 Tema 72), afirmou que:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u2026&nbsp;Por n\u00e3o se tratar de contrapresta\u00e7\u00e3o pelo trabalho ou de retribui\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o do contrato de trabalho, o sal\u00e1rio-maternidade n\u00e3o se amolda ao conceito de folha de sal\u00e1rios e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer t\u00edtulo \u00e0 pessoa f\u00edsica que lhe preste servi\u00e7o, mesmo sem v\u00ednculo empregat\u00edcio. Como consequ\u00eancia, n\u00e3o pode compor a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria a cargo do empregador, n\u00e3o encontrando fundamento no art. 195, I, a, da Constitui\u00e7\u00e3o. Qualquer incid\u00eancia n\u00e3o prevista no referido dispositivo constitucional configura fonte de custeio alternativa, devendo estar prevista em lei complementar (art. 195, \u00a74\u00ba).\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, o mesmo entendimento n\u00e3o tem sido aplicado pelos ju\u00edzes e tribunais ao sal\u00e1rio-paternidade, embora tamb\u00e9m n\u00e3o seja pago em contrapresta\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o prestado, uma vez que corresponde ao per\u00edodo em que o empregado se ausenta do servi\u00e7o para auxiliar nos cuidados com o rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n\n\n\n<p>Riscos ambientais do trabalho<\/p>\n\n\n\n<p>Vale destacar ainda a diverg\u00eancia de tratamento da legisla\u00e7\u00e3o no que tange \u00e0 cobran\u00e7a da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria por riscos ambientais do trabalho (RAT, antiga SAT) e \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es devidas ao Sistema S.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao chamado RAT\/SAT, ap\u00f3s uma longa discuss\u00e3o na esfera judicial, objetivando que a al\u00edquota fosse fixada de acordo com a atividade desenvolvida por cada estabelecimento, no lugar da atividade preponderante desenvolvida pela empresa, pacificou-se o entendimento, que foi incorporado \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o em 2014, de que a al\u00edquota deve ser fixada de forma individualizada de acordo com o grau de risco de cada estabelecimento da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo aconteceu com o FAP (Fator Acident\u00e1rio de Preven\u00e7\u00e3o), que varia de 0,5 a 2 pontos e \u00e9 aplicado sobre a al\u00edquota RAT\/SAT e pode resultar na sua diminui\u00e7\u00e3o e\/ou majora\u00e7\u00e3o. Para o c\u00e1lculo do FAP, a princ\u00edpio, tamb\u00e9m se levava em conta a atividade preponderante da empresa. Ap\u00f3s generalizada contesta\u00e7\u00e3o, houve a altera\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o para que, como n\u00e3o poderia deixar de ser, fosse considerada a atividade desenvolvida em cada estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para as contribui\u00e7\u00f5es a terceiros, a legisla\u00e7\u00e3o determina que seja considerada a atividade que representa o objeto social da empresa, declarada como principal no CNPJ. E, na hip\u00f3tese de desenvolver mais de uma atividade, prevalecer\u00e1, para fins de classifica\u00e7\u00e3o, a atividade preponderante, assim considerada a que representa a unidade de produto, para a qual convergem as demais em regime de conex\u00e3o funcional, ou seja, a finalidade comum em fun\u00e7\u00e3o da qual duas ou mais atividades se interagem, sem descaracterizar sua natureza individual, a fim de realizar o objeto social da pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de toda essa complexidade, do atual princ\u00edpio constitucional da simplicidade tribut\u00e1ria (artigo 145, \u00a73\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o), da atual mudan\u00e7a nas formas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra, da substitui\u00e7\u00e3o das pessoas pelas m\u00e1quinas e do envelhecimento populacional, h\u00e1 que ser repensado e revisto o custeio da previd\u00eancia social e do Sistema S, de forma a recuperar e preservar o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-14\/repensando-o-custeio-da-previdencia-social-e-do-sistema-s\/\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-14\/repensando-o-custeio-da-previdencia-social-e-do-sistema-s\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inexorabilidade do contradit\u00f3rio na extin\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00f5es fiscais no Tema 1.184 do STF<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 14\/03\/2023<\/p>\n\n\n\n<p>A recente jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal (STF), especificamente o Tema 1.184, trouxe ao debate jur\u00eddico uma quest\u00e3o fundamental acerca da legitimidade da extin\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00f5es fiscais de pequeno valor, com base no princ\u00edpio da efici\u00eancia administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo, sem adentrar em especificidades factuais ou identificar partes, prop\u00f5e uma an\u00e1lise cr\u00edtica sobre a aplicabilidade indiscriminada desta decis\u00e3o, especialmente considerando a realidade dos munic\u00edpios pequenos, cuja depend\u00eancia dos ingressos provenientes de execu\u00e7\u00f5es fiscais \u00e9 not\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A reflex\u00e3o aqui proposta, embasada na doutrina, na legisla\u00e7\u00e3o e nos fundamentos jur\u00eddicos aplic\u00e1veis, visa a evidenciar a import\u00e2ncia da observ\u00e2ncia do contradit\u00f3rio e da an\u00e1lise caso a caso, sob a \u00f3tica do pacto federativo e da autonomia municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>Pacto federativo e autonomia municipal<\/p>\n\n\n\n<p>O pacto federativo brasileiro, assegurado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, estabelece a autonomia dos entes federativos, incluindo, em seu bojo, a compet\u00eancia dos munic\u00edpios para a institui\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a de tributos, bem como para a administra\u00e7\u00e3o de suas execu\u00e7\u00f5es fiscais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta autonomia \u00e9 pedra angular para a compreens\u00e3o da din\u00e2mica fiscal e tribut\u00e1ria municipal, especialmente em munic\u00edpios de menor porte, cuja arrecada\u00e7\u00e3o se mostra crucial para a manuten\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tema 1.184 do STF e a necessidade de an\u00e1lise caso a caso<\/p>\n\n\n\n<p>O Tema 1.184 do STF reconhece a possibilidade de extin\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00f5es fiscais de baixo valor, por\u00e9m, salienta a necessidade de uma an\u00e1lise criteriosa que leve em conta a efici\u00eancia administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essencialmente, tal tese imp\u00f5e a verifica\u00e7\u00e3o do interesse de agir do ente federado na condu\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o fiscal, o que, inevitavelmente, demanda uma an\u00e1lise pormenorizada e individualizada de cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Este posicionamento, embora visando \u00e0 racionaliza\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina judici\u00e1ria, n\u00e3o pode ser interpretado ou aplicado de forma a comprometer a gest\u00e3o fiscal dos munic\u00edpios, em especial aqueles de menor porte, para os quais cada execu\u00e7\u00e3o fiscal pode representar uma parcela significativa de sua arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O contradit\u00f3rio como garantia de justi\u00e7a fiscal<\/p>\n\n\n\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o do Tema 1.184, sem a devida considera\u00e7\u00e3o do contradit\u00f3rio, pode resultar em decis\u00f5es que, embora alinhadas ao princ\u00edpio da efici\u00eancia administrativa, desconsideram a realidade econ\u00f4mica e financeira dos munic\u00edpios afetados.<\/p>\n\n\n\n<p>A garantia do contradit\u00f3rio, princ\u00edpio basilar do direito processual, assegura que todas as partes envolvidas possam apresentar suas raz\u00f5es antes de qualquer decis\u00e3o judicial que possa afetar seus interesses, especialmente em mat\u00e9rias de extin\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00f5es fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00eamica Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 547 do CNJ<\/p>\n\n\n\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o 547 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), recente sendo de 22 de fevereiro do ano corrente, representa um esfor\u00e7o significativo para endere\u00e7ar a quest\u00e3o da morosidade nas execu\u00e7\u00f5es fiscais, que figura como um dos principais entraves \u00e0 celeridade processual no Poder Judici\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Este normativo, alinhando-se \u00e0 tese do Tema 1.184 do STF, estabelece diretrizes para a extin\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00f5es fiscais de baixo valor, com o objetivo de racionalizar a tramita\u00e7\u00e3o destes feitos e promover uma maior efici\u00eancia administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente, a resolu\u00e7\u00e3o legitima a extin\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00f5es cujo valor n\u00e3o exceda R$ 10.000,00, fundamentando-se na aus\u00eancia de interesse de agir, ao passo que tamb\u00e9m delineia procedimentos pr\u00e9vios obrigat\u00f3rios \u2014 como a tentativa de concilia\u00e7\u00e3o ou ado\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es administrativas e o protesto do t\u00edtulo \u2014 visando a uma resolu\u00e7\u00e3o extrajudicial dos conflitos tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a constitucionalidade da Resolu\u00e7\u00e3o 547 do CNJ suscita importantes questionamentos, principalmente no que tange ao respeito ao pacto federativo, a triparti\u00e7\u00e3o dos poderes, o princ\u00edpio da legalidade tribut\u00e1ria e \u00e0 garantia do devido processo legal.<\/p>\n\n\n\n<p>A imposi\u00e7\u00e3o de um limite valorativo para a extin\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00f5es fiscais pode ser vista como uma restri\u00e7\u00e3o \u00e0 autonomia dos entes federativos, especialmente os munic\u00edpios, na medida em que interfere na capacidade desses entes de arrecadar tributos e executar suas pol\u00edticas fiscais conforme determinado por suas pr\u00f3prias legisla\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a determina\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios administrativos para a extin\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00f5es fiscais sem a devida manifesta\u00e7\u00e3o e contradit\u00f3rio das partes envolvidas pode representar uma viola\u00e7\u00e3o ao direito constitucional de acesso \u00e0 justi\u00e7a e ao amplo direito de defesa, elementos fundamentais do devido processo legal.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais aspectos colocam em xeque a adequa\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o \u00e0s normas constitucionais vigentes, indicando a necessidade de um debate aprofundado sobre sua aplica\u00e7\u00e3o e os poss\u00edveis impactos no federalismo fiscal brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>A extin\u00e7\u00e3o em massa de execu\u00e7\u00f5es fiscais, fundamentada exclusivamente no valor devido, sem a devida an\u00e1lise individualizada e sem a observ\u00e2ncia do contradit\u00f3rio, confronta a autonomia municipal e o pacto federativo. Tal pr\u00e1tica, desconsidera as peculiaridades de cada ente federado e suas respectivas necessidades financeiras, comprometendo a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutra via, a Resolu\u00e7\u00e3o 547 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a e o Tema 1.184 do STF representam uma oportunidade valiosa para os munic\u00edpios reavaliarem e potencialmente reduzirem seus acervos de execu\u00e7\u00f5es fiscais improdutivas, aquelas sem possibilidade clara de recebimento efetivo dos cr\u00e9ditos cobrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante deste cen\u00e1rio, os munic\u00edpios t\u00eam a chance de implementar uma gest\u00e3o fiscal mais eficiente e estrat\u00e9gica, concentrando esfor\u00e7os em execu\u00e7\u00f5es fiscais com maior probabilidade de recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos, ao mesmo tempo em que eliminam processos que apenas sobrecarregam o sistema judici\u00e1rio sem retorno financeiro significativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem n\u00e3o s\u00f3 alinharia os munic\u00edpios \u00e0s diretrizes de efici\u00eancia administrativa promovidas pela resolu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m contribuiria para uma administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria mais \u00e1gil e eficaz, maximizando a arrecada\u00e7\u00e3o municipal e reduzindo custos operacionais desnecess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, urge a necessidade de um di\u00e1logo mais aprofundado e criterioso entre as inst\u00e2ncias judiciais e os entes federativos, de forma a assegurar uma aplica\u00e7\u00e3o do Tema 1.184 do STF que respeite os princ\u00edpios constitucionais do contradit\u00f3rio, da efici\u00eancia, da autonomia municipal, e do pacto federativo.<\/p>\n\n\n\n<p>A justi\u00e7a fiscal e a efic\u00e1cia administrativa devem caminhar lado a lado, sem que uma suplante a outra, garantindo-se assim a realiza\u00e7\u00e3o de uma verdadeira justi\u00e7a tribut\u00e1ria e fiscal no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-14\/inexorabilidade-do-contraditorio-na-extincao-de-execucoes-fiscais-no-tema-1-184-do-stf\/\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-14\/inexorabilidade-do-contraditorio-na-extincao-de-execucoes-fiscais-no-tema-1-184-do-stf\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A reforma tribut\u00e1ria como catalisadora da sustentabilidade no Brasil<\/strong><br>Data: 17\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A recente promulga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional 132 de 2023, que insere o princ\u00edpio da defesa do meio ambiente no par\u00e1grafo terceiro do artigo 145 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, representa um marco hist\u00f3rico na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria brasileira. Pela 1\u00aa vez, o sistema tribut\u00e1rio \u00e9 chamado a contribuir explicitamente para a prote\u00e7\u00e3o ambiental, alinhando o Brasil \u00e0s diretrizes globais de sustentabilidade e responsabilidade ecol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reforma tribut\u00e1ria, com a nova base constitucional, tem o potencial de remodelar a economia brasileira, incentivando pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e penalizando a\u00e7\u00f5es que prejudicam o meio ambiente. Esse movimento n\u00e3o apenas refor\u00e7a o compromisso do pa\u00eds com o futuro do planeta, mas tamb\u00e9m promove uma reestrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que pode levar a um desenvolvimento mais equilibrado e justo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a cria\u00e7\u00e3o de um imposto seletivo espec\u00edfico para onerar a produ\u00e7\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o ou importa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os prejudiciais ao meio ambiente, conforme novo inciso 8\u00ba do art. 153 da Constitui\u00e7\u00e3o, refor\u00e7a o novo compromisso que veio com a reforma tribut\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por que a reforma tribut\u00e1ria \u00e9 importante?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A inclus\u00e3o do princ\u00edpio ambiental e de um novo imposto seletivo protetivo do meio ambiente na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria reconhece a urg\u00eancia de combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e de preservar os recursos naturais. A tributa\u00e7\u00e3o, como ferramenta de pol\u00edtica p\u00fablica, pode desempenhar um papel crucial nesse processo, ao desincentivar comportamentos nocivos ao meio ambiente e favorecer iniciativas verdes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como a Reforma Tribut\u00e1ria Ajuda na pauta de Sustentabilidade?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>incentivos fiscais para pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis: a reforma pode introduzir ou ampliar incentivos fiscais para empresas que adotam pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1veis, como o uso de energias renov\u00e1veis, a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de carbono e a implementa\u00e7\u00e3o de processos de reciclagem;<\/li>\n\n\n\n<li>tributa\u00e7\u00e3o ambiental diferenciada: empresas com atividades altamente poluentes podem ser submetidas a uma carga tribut\u00e1ria maior, em especial pelo novo imposto seletivo, enquanto aquelas que demonstram compromisso com a redu\u00e7\u00e3o do impacto ambiental recebem benef\u00edcios fiscais. Esse sistema de \u201cpoluidor-pagador\u201d incentiva a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias mais limpas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Sugest\u00f5es para Leis Complementares e demais leis: Para que o princ\u00edpio constitucional tribut\u00e1rio de defesa do meio ambiente seja efetivamente implementado, \u00e9 crucial que as leis complementares detalhem mecanismos espec\u00edficos. Algumas sugest\u00f5es incluem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>defini\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios claros para incentivos fiscais e para quais produtos e servi\u00e7os lesivos ao meio ambiente dever\u00e1 incidir o imposto seletivo: estabelecer crit\u00e9rios objetivos para que empresas possam se qualificar para incentivos fiscais relacionados \u00e0 sustentabilidade, garantindo transpar\u00eancia e equidade no processo;<\/li>\n\n\n\n<li>cria\u00e7\u00e3o de um fundo de sustentabilidade: parte da arrecada\u00e7\u00e3o obtida atrav\u00e9s da tributa\u00e7\u00e3o diferenciada de atividades poluentes poderia ser destinada a um fundo espec\u00edfico para financiar projetos de preserva\u00e7\u00e3o ambiental e desenvolvimento sustent\u00e1vel;<\/li>\n\n\n\n<li>incentivos para pesquisa e desenvolvimento: encorajar a inova\u00e7\u00e3o em tecnologias sustent\u00e1veis por meio de benef\u00edcios fiscais de Imposto sobre a renda para empresas que invistam em pesquisa e desenvolvimento nessa \u00e1rea. Uma das determina\u00e7\u00f5es da Emenda Constitucional 132 \u00e9 a de que, dentro do prazo de 90 dias, o Poder Executivo encaminhe ao Congresso Nacional projeto de lei que venha a reformar a tributa\u00e7\u00e3o sobre a renda.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A Reforma Tribut\u00e1ria, com o novo princ\u00edpio constitucional de defesa do meio ambiente e do imposto seletivo, oferece uma oportunidade sem precedentes para o Brasil avan\u00e7ar na pauta da sustentabilidade. Ao alinhar o sistema tribut\u00e1rio com objetivos ambientais, o pa\u00eds n\u00e3o apenas contribui para a prote\u00e7\u00e3o do planeta, mas tamb\u00e9m estimula uma economia mais verde, inovadora e resiliente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essencial que o Poder Executivo e o Congresso Nacional deem continuidade a esse esfor\u00e7o com a elabora\u00e7\u00e3o de leis complementares e de leis ordin\u00e1rias que concretizem essa vis\u00e3o e transformem o Brasil em um modelo global da sustentabilidade econ\u00f4mica e ambiental por meio da tributa\u00e7\u00e3o.<br>Let\u00edcia Amaral \u00e9 advogada tributarista de intelig\u00eancia de neg\u00f3cios. Atua h\u00e1 25 anos na \u00e1rea tribut\u00e1ria, sendo presidente da Abetri (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira pela \u00c9tica na Tributa\u00e7\u00e3o), vice-presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o e Fundadora) e CEO do IBPT LA Business, Tax &amp; Education Ltda. \u00c9 mestre em Direito pela USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e pela Universidade de Toulouse (Fran\u00e7a). \u00c9 professora e mentora de tributaristas, tendo criado a primeira forma\u00e7\u00e3o de tributaristas de intelig\u00eancia de neg\u00f3cios do Brasil, a Forma\u00e7\u00e3o de Tributarista do Futuro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-poder-360 wp-block-embed-poder-360\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"p7AoiT8TyS\"><a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/opiniao\/a-reforma-tributaria-como-catalisadora-da-sustentabilidade-no-brasil\/\">A reforma tribut\u00e1ria como catalisadora da sustentabilidade no Brasil<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;A reforma tribut\u00e1ria como catalisadora da sustentabilidade no Brasil&#8221; &#8212; Poder360\" src=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/opiniao\/a-reforma-tributaria-como-catalisadora-da-sustentabilidade-no-brasil\/embed\/#?secret=Zw6eR5g3jV#?secret=p7AoiT8TyS\" data-secret=\"p7AoiT8TyS\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Receita Federal abre prazo para ades\u00f5es ao Confia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 18\/03\/2024&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita Federal abre, hoje, prazo para novas inscri\u00e7\u00f5es por grandes empresas no Confia &#8211; programa de conformidade que proporcionar\u00e1 maior facilidade na comunica\u00e7\u00e3o com o Fisco e na obten\u00e7\u00e3o da certid\u00e3o de regularidade fiscal. Ele j\u00e1 est\u00e1 funcionando no modelo piloto, mas poder\u00e1 ser ampliado a depender da aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei n\u00ba 15, de 2024, que passa a trancar a pauta do Congresso a partir de amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o Confia \u00e9 voltado para empresas com faturamento de R$ 2 bilh\u00f5es anuais, o que indica um p\u00fablico potencial de 1,6 mil companhias.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto piloto vai abrir vagas para 15 empresas. Quem aderir ter\u00e1 prefer\u00eancia depois que o PL for aprovado no Congresso, segundo o auditor fiscal Cl\u00e1udio Ferrer de Souza, superintendente da Receita Federal em S\u00e3o Paulo. J\u00e1 h\u00e1 nove empresas volunt\u00e1rias participando do programa.<\/p>\n\n\n\n<p>As vagas s\u00e3o limitadas por causa da capacidade operacional da Receita. O Confia demanda que um auditor fiscal acompanhe de perto a situa\u00e7\u00e3o da empresa inscrita no programa, funcionando como \u201cponte\u201d entre ela e o Fisco.<\/p>\n\n\n\n<p>Souza explica que, apesar de o piloto j\u00e1 existir, o PL \u00e9 necess\u00e1rio para dar a possibilidade de conformidade aos contribuintes, a depender da sua rela\u00e7\u00e3o com a Receita, mas com seguran\u00e7a para o servidor p\u00fablico envolvido. \u201cPoderemos dar benef\u00edcios reais, como excluir multa e diferir pagamento de tributos, isso n\u00e3o tem como fazer sem lei\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O PL foi enviado ao Congresso pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em fevereiro, mas ainda n\u00e3o come\u00e7ou a ser discutido pelos deputados. Recentemente, o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), designou o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para a relatoria do projeto de lei. Ayres disse que pretende apresentar o relat\u00f3rio amanh\u00e3, segundo reportagem do Valor.<\/p>\n\n\n\n<p>O PL traz tr\u00eas pilares. O primeiro traz tr\u00eas programas b\u00e1sicos de conformidade: Confia, Sintonia e Operador Econ\u00f4mico Autorizado (OEA). O segundo trata de controle de benef\u00edcios fiscais. O terceiro aborda medidas para devedores contumazes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os mais de 20 milh\u00f5es de contribuintes, os devedores contumazes s\u00e3o mil e j\u00e1 foram identificados, segundo a auditora fiscal M\u00e1rcia Cec\u00edlia Meng, que tamb\u00e9m \u00e9 superintendente da Receita Federal em S\u00e3o Paulo. Eles ainda n\u00e3o foram avisados da sua situa\u00e7\u00e3o mas, a partir da oferta de uma garantia do montante tribut\u00e1rio apontado como devido, poder\u00e3o sair do cadastro, de acordo com ela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes, a Receita tomava medidas e esperava que o contribuinte descobrisse\u201d, diz M\u00e1rcia. \u201cCom esse PL pretendemos criar a transpar\u00eancia ativa. Todo contribuinte vai saber quais crit\u00e9rios a Receita usa para caracterizar o devedor contumaz e que ele est\u00e1 sendo classificado dessa forma\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A auditora fiscal explica que os tr\u00eas pilares do PL j\u00e1 est\u00e3o prontos para rodar, assim que o texto for aprovado. O Confia \u00e9 o mais conhecido deles porque j\u00e1 tem o piloto em funcionamento. J\u00e1 foram mapeadas as empresas que estariam dentro dos crit\u00e9rios para ades\u00e3o, que \u00e9 volunt\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O Sintonia, que seria uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o do Confia para todos os contribuintes, sem patamar de faturamento, tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 maduro, segundo M\u00e1rcia. Uma das discuss\u00f5es que poder\u00e1 ocorrer sobre o programa no Congresso, segundo ela, \u00e9 se a Receita dever\u00e1 deixar o ranking que apontar\u00e1 o grau de bom contribuinte de quem aderir transparente para todo o mercado ou apenas para o pr\u00f3prio Fisco. \u201cOs crit\u00e9rios para o rankeamento devem ser abertos, mas o ranking em si n\u00e3o sabemos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o advogado Andr\u00e9 Buttini, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio ButtiniMoraes, o programa Confia tem respaldo nas melhores diretrizes e pr\u00e1ticas internacionais em administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e arrecada\u00e7\u00e3o. \u201cAtualmente, a legisla\u00e7\u00e3o fiscal no Brasil traduz uma vis\u00e3o hist\u00f3rica de que o contribuinte tende a ser sonegador e precisa ser fiscalizado e punido\u201d, diz. \u201cMas a tecnologia atual oferece um maior controle e an\u00e1lise de dados, permitindo ao Fisco identificar quem s\u00e3o os bons contribuintes, com elevado \u00edndice de conformidade, e classific\u00e1-los\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o advogado, o programa tende a ser bem sucedido. \u201cCom uma postura de orienta\u00e7\u00e3o, regulariza\u00e7\u00e3o e facilita\u00e7\u00e3o, o Fisco tende a arrecadar mais, inclusive sobre temas em que o contribuinte poderia levar a lit\u00edgio, mas \u00e9 desestimulado ao conflito, pois perderia o seu rating de conformidade, o que acaba sendo mais importante\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Paulo Leite, s\u00f3cio tribut\u00e1rio do Stocche Forbes, toda medida que busque melhorar o di\u00e1logo entre a Receita e os contribuintes \u00e9 positiva. \u201cMuitas vezes vemos os contribuintes recorrendo ao Poder Judici\u00e1rio para renova\u00e7\u00e3o de certid\u00e3o de regularidade fiscal e resolu\u00e7\u00e3o de pend\u00eancias de declara\u00e7\u00f5es que poderiam ser facilmente resolvidas com um canal de di\u00e1logo mais aberto\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/18\/receita-federal-abre-prazo-para-adesoes-ao-confia.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/18\/receita-federal-abre-prazo-para-adesoes-ao-confia.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>ESTADUAIS: <\/strong>&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>PGE-SP viaja pelo interior do estado para tirar d\u00favidas sobre o Acordo Paulista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em um esfor\u00e7o de promo\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-criado&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/transacao-tributaria-pge-sp-publica-primeiro-edital-do-acordo-paulista-09022024\">Acordo Paulista<\/a>, a Procuradoria Geral do Estado de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/pge-sp\">PGE-SP<\/a>) e o Centro das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Ciesp) v\u00e3o iniciar nesta quarta-feira (13\/3) uma rodada de visitas pelo interior de S\u00e3o Paulo para conversar com o empresariado.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo das palestras \u00e9 tirar d\u00favidas dos empres\u00e1rios e empreendedores sobre o primeiro edital do acordo de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/transacao-tributaria\">transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria<\/a>, que \u00e9 voltado a contribuintes com d\u00e9bitos de Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/icms-entenda-os-aspectos-fundamentais-13052021\">ICMS<\/a>) inscritos em d\u00edvida ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro evento ser\u00e1 na regi\u00e3o do Alto Tiet\u00ea, no munic\u00edpio de Mogi das Cruzes, \u00e0s 16h desta quarta-feira (13\/3). Na sequ\u00eancia, a equipe da PGE-SP j\u00e1 tem visitas programadas nas regi\u00f5es do Grande ABC e de Indaiatuba, Presidente Prudente, Botucatu e Mar\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o subprocurador-geral do contencioso tribut\u00e1rio fiscal, Danilo Barth Pires, a expectativa da Procuradoria \u00e9 conseguir diminuir o estoque da d\u00edvida ativa de S\u00e3o Paulo para poder centrar esfor\u00e7os em uma cobran\u00e7a de cr\u00e9dito mais qualificada daqui para frente. A PGE-SP estima que dos R$ 413 bilh\u00f5es inscritos na d\u00edvida ativa hoje, em torno de R$ 390 bilh\u00f5es sejam d\u00e9bitos de ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p>No estado, ao todo, existem 12 Procuradorias Regionais, al\u00e9m da Procuradoria da capital, que concentra R$ 134 bilh\u00f5es do total da d\u00edvida ativa. Segundo dados da PGE-SP, outros R$ 75 bilh\u00f5es est\u00e3o na procuradoria regional de Campinas e R$ 20 bilh\u00f5es na de Ribeir\u00e3o Preto. O restante \u00e9 dividido entre as demais regionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs d\u00e9bitos est\u00e3o pulverizados pelo estado, por isso a estrat\u00e9gia de percorrer outros locais para ter conversas diretas com contribuintes e advogados. Com isso, esperamos ter um resultado mais expressivo\u201d, diz Barth Pires.<\/p>\n\n\n\n<p>O edital oferece 100% de desconto em juros de mora, permite o pagamento dos d\u00e9bitos de ICMS inscritos na d\u00edvida ativa com 50% de desconto em multas e at\u00e9 120 parcelas. \u201cImagina-se que o contribuinte que tem a inten\u00e7\u00e3o de conformidade fiscal vai aderir, porque os descontos s\u00e3o efetivamente muito interessantes\u201d, afirma o subprocurador-geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Prazo de ades\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>O subprocurador-geral informou ao&nbsp;JOTA&nbsp;que, desde que o primeiro edital do Acordo Paulista foi publicado no dia 7 de fevereiro, a PGE-SP j\u00e1 recebeu mais de 5.200 requerimentos eletr\u00f4nicos de contribuintes interessados no programa.<\/p>\n\n\n\n<p>O prazo para envio do requerimento eletr\u00f4nico vai at\u00e9 o dia 29 de abril de 2024 e a data limite para efetivar a ades\u00e3o ao programa \u00e9 no dia 30 de abril. Segundo Barth Pires, apesar de pedir 15 dias para an\u00e1lise dos requerimentos, o sistema tem conseguido responder \u00e0s demandas em at\u00e9 dois dias. No entanto, ele recomenda que os contribuintes n\u00e3o deixem para fazer a ades\u00e3o nos \u00faltimas dias de prazo para evitar que alguma intercorr\u00eancia atrapalhe o processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre o prazo curto para aderir ao acordo de transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, o subprocurador-geral explicou que a PGE-SP seguiu a limita\u00e7\u00e3o temporal estabelecida pelo Conv\u00eanio ICMS 210, do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (Confaz), que estipulou que a transa\u00e7\u00e3o se limitaria ao prazo de 120 dias contados a partir do dia 2 de janeiro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o prazo para ades\u00f5es ao edital de ICMS se encerrar, a Procuradoria planeja um novo edital voltado aos d\u00e9bitos de pequeno valor, que deve contemplar mais pessoas f\u00edsicas. \u201cA quantidade de d\u00e9bitos de IPVA [inscritos na d\u00edvida ativa], por exemplo, \u00e9 grande. O novo edital ser\u00e1 uma \u00f3tima oportunidade para tamb\u00e9m as pessoas f\u00edsicas entrarem em conformidade fiscal\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/pge-sp-viaja-pelo-interior-do-estado-para-tirar-duvidas-sobre-o-acordo-paulista-13032024\">https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/pge-sp-viaja-pelo-interior-do-estado-para-tirar-duvidas-sobre-o-acordo-paulista-13032024<\/a><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><strong>MUNICIPAIS: <\/strong>&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>NOT\u00cdCIAS SOBRE DECIS\u00d5ES ADMINISTRATIVAS FEDERAIS:<\/strong>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carf mant\u00e9m autua\u00e7\u00f5es fiscais sobre c\u00e1lculo do IPI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A 3\u00aa Turma da C\u00e2mara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) n\u00e3o aceitou o pedido de contribuintes para retroagir a Lei n\u00ba 14.395, de 2022, sobre c\u00e1lculo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A norma considera &#8220;pra\u00e7a&#8221; o munic\u00edpio onde est\u00e1 situado o estabelecimento do remetente, entendimento em geral mais favor\u00e1vel \u00e0s empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta quarta-feira, foram mantidas uma autua\u00e7\u00e3o fiscal de R$ 823 milh\u00f5es da Natura, uma de R$ 1 bilh\u00e3o da Avon (empresa que pertence ao mesmo grupo) e uma da Companhia Brasileira de Cartuchos, de valor desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas autua\u00e7\u00f5es, a Receita Federal aponta suposta irregularidade em raz\u00e3o da n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o do Valor Tribut\u00e1vel M\u00ednimo (VTM) nas vendas entre empresas interdependentes. O conceito de &#8220;pra\u00e7a&#8221; \u00e9 base para o c\u00e1lculo do VTM \u2014 piso para a tributa\u00e7\u00e3o de IPI quando um fabricante vende um produto para uma filial ou sua unidade atacadista, antes do consumidor final. Ele \u00e9 uma medida antielisiva, para evitar a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos a valores baixos.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor tribut\u00e1vel, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode ser inferior ao pre\u00e7o corrente no mercado atacadista da \u201cpra\u00e7a\u201d do remetente. A discuss\u00e3o \u00e9 se \u201cpra\u00e7a\u201d significaria um munic\u00edpio ou uma regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela Lei n\u00ba 14.395, de 2022, considera-se &#8220;pra\u00e7a&#8221; o munic\u00edpio onde est\u00e1 situado o estabelecimento do remetente. Os conselheiros da C\u00e2mara Superior analisaram hoje, pela primeira vez, se essa norma poderia ser aplicada de forma retroativa, para fatos e autua\u00e7\u00f5es anteriores a ela.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema foi julgado primeiro em processo envolvendo a Companhia Brasileira de Cartuchos. O mesmo entendimento foi aplicado aos casos da Natura e da Avon. Os valores citados constam em documentos enviados pela Natura \u00e0 Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM).<\/p>\n\n\n\n<p>Para o relator, conselheiro Rosaldo Trevisan, da representa\u00e7\u00e3o da Fazenda, pra\u00e7a n\u00e3o representa o munic\u00edpio em que est\u00e1 o contribuinte, mas qualquer local onde o contribuinte seja um distribuidor exclusivo, segundo o relator. O termo pra\u00e7a tem rela\u00e7\u00e3o com mercado, segundo ele, o que n\u00e3o tem a ver com as restri\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas dos munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei 14.395 determina que a partir de sua vig\u00eancia se considera como pra\u00e7a o munic\u00edpio, segundo o relator. Trevisan n\u00e3o considera a lei uma norma interpretativa, que teria aplica\u00e7\u00e3o retroativa, mas que cria um novo conceito de pra\u00e7a, alterando a legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA lei interpretativa \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra e toda exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra tem que vir escrita\u201d, afirmou o conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, relator dos casos da Natura. A decis\u00e3o foi pelo voto de qualidade, o desempate da presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os conselheiros Oswaldo Gon\u00e7alves de Castro Neto e Tatiana Josefovicz Belis\u00e1rio, representantes dos contribuintes, a norma n\u00e3o tem que dizer textualmente que \u00e9 retroativa ou interpretativa. Assim, o pedido do contribuinte deveria ser aceito ante a nova lei, que deveria ter efeito retroativo. Eles ficaram vencidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O voto de qualidade afasta a incid\u00eancia de multa e de juros, no caso em que o contribuinte pagar o d\u00e9bito e n\u00e3o recorrer \u00e0 Justi\u00e7a (processos n\u00ba 16561.720176\/2012-16 e 19515.720949\/2017-12).<\/p>\n\n\n\n<p>O Carf \u00e9 a principal aposta do ministro Fernando Haddad para atingir a meta de d\u00e9ficit prim\u00e1rio zero em 2024. O objetivo \u00e9 analisar R$ 870 bilh\u00f5es em cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios neste ano, ante R$ 580 bilh\u00f5es previstos no Or\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p>Procuradas, a Natura e a Avon informaram que n\u00e3o concordam com a decis\u00e3o, que foi proferida por voto de qualidade, e ir\u00e3o recorrer na defesa de seus direitos, inclusive no Judici\u00e1rio, se for necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/13\/carf-mantm-cobrana-milionria-de-ipi-da-natura.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/13\/carf-mantm-cobrana-milionria-de-ipi-da-natura.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carf: despesas relacionadas ao rompimento da barragem de Fund\u00e3o s\u00e3o indedut\u00edveis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por quatro votos a dois, a 2\u00aa Turma da 4\u00aa C\u00e2mara da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/carf\">Carf<\/a>) decidiu que a mineradora&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/samarco\">Samarco<\/a>&nbsp;S.A n\u00e3o pode deduzir os gastos com as a\u00e7\u00f5es realizadas para reduzir o impacto do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/rompimento-de-barragem-em-mariana\">rompimento da barragem de Fund\u00e3o<\/a>, em Mariana (MG), da base de c\u00e1lculo do Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre Lucro L\u00edquido (CSLL).<\/p>\n\n\n\n<p>O processo tem valor bilion\u00e1rio, por\u00e9m uma eventual derrota definitiva n\u00e3o gerar\u00e1 disp\u00eandios \u00e0 Samarco, e sim a redu\u00e7\u00e3o do montante apurado pela empresa de preju\u00edzo fiscal e base negativa de CSLL. Cabe recurso da decis\u00e3o \u00e0 C\u00e2mara Superior caso o contribuinte consiga comprovar que o Carf j\u00e1 proferiu decis\u00e3o diametralmente oposta ao analisar caso semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor deduzido corresponde a a\u00e7\u00f5es como os programas criados para indenizar a popula\u00e7\u00e3o impactada pelo derrame dos rejeitos da mina, bem como a reconstru\u00e7\u00e3o da cidade, al\u00e9m da recupera\u00e7\u00e3o ambiental da \u00e1rea, como a revitaliza\u00e7\u00e3o de rios e margens cobertos pela lama. As despesas tamb\u00e9m abrangem as a\u00e7\u00f5es executadas pela Funda\u00e7\u00e3o Renova, que desenvolve a\u00e7\u00f5es socioambientais na regi\u00e3o e que foi criada ap\u00f3s o acidente.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal ponto de debate entre os conselheiros girou em torno do cumprimento dos crit\u00e9rios para a dedu\u00e7\u00e3o de valores da base do IRPJ e da CSLL apurados pelo Lucro Real. Para tanto, \u00e9 preciso provar que h\u00e1 normalidade, usualidade e essencialidade nas despesas. Para a empresa, os elementos est\u00e3o cumpridos, j\u00e1 que a obedi\u00eancia ao Termo de Transa\u00e7\u00e3o e Ajustamento de Conduta (TTAC) no caso do rompimento da barragem \u00e9 obrigat\u00f3ria \u00e0 companhia, que n\u00e3o conseguiria ter lucro e permanecer em funcionamento caso n\u00e3o observasse o que foi firmado com o Minist\u00e9rio P\u00fablico e \u00f3rg\u00e3os ambientais estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o relator, conselheiro Alexandre Iabrudi Catunda, entretanto, adotar o entendimento de que as despesas seriam usuais, normais ou essenciais, seria reconhecer a legitimidade de acidentes ambientais, ou seja, admitir que eles seriam parte das atividades da empresa. A vis\u00e3o foi acompanhada pelos conselheiros Alessandro Bruno Mac\u00eado Pinto Contribuintes, Maur\u00edcio Novaes Ferreira, Paulo Mateus Ciccone, o que culminou na rejei\u00e7\u00e3o do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a tese da defesa foi acatada pelos conselheiros Jandir Jos\u00e9 Dalle Lucca e Ricardo Piza Di Giovanni Contribuintes, que apontaram que tais despesas atenderiam aos crit\u00e9rios porque garantiriam a continuidade do exerc\u00edcio da atividade da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada, a Samarco informou que vai aguardar a publica\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o para se manifestar.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo \u00e9 o 13136.721168\/2021-00.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-despesas-relacionadas-ao-rompimento-da-barragem-de-fundao-sao-indedutiveis-13032024\">https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-despesas-relacionadas-ao-rompimento-da-barragem-de-fundao-sao-indedutiveis-13032024<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carf mant\u00e9m cobran\u00e7a de R$ 1 bi da Avon<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A 3\u00aa Turma da C\u00e2mara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) manteve a validade de cobran\u00e7a de R$ 1 bilh\u00e3o da Avon (comprada pela Natura em 2020). A cobran\u00e7a \u00e9 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e dirige-se a vendas realizadas em 2017. A Natura foi autuada pelo mesmo motivo \u2014 a cobran\u00e7a foi mantida em julgamento realizado logo antes ao da Avon e a decis\u00e3o foi aplicada a esse caso.<\/p>\n\n\n\n<p>A base das autua\u00e7\u00f5es \u00e9 a mesma: suposta irregularidade em raz\u00e3o da n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o do Valor Tribut\u00e1vel M\u00ednimo (VTM) nas vendas entre empresas interdependentes. O conceito de &#8220;pra\u00e7a&#8221; \u00e9 base para o c\u00e1lculo do Valor Tribut\u00e1vel M\u00ednimo (VTM) \u2014 piso para a tributa\u00e7\u00e3o de IPI quando um fabricante vende um produto para uma filial ou sua unidade atacadista, antes do consumidor final. Ele \u00e9 aplicado como medida antielisiva, para evitar a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos a valores baixos.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor tribut\u00e1vel, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode ser inferior ao pre\u00e7o corrente no mercado atacadista da \u201cpra\u00e7a\u201d do remetente. A discuss\u00e3o \u00e9 se \u201cpra\u00e7a\u201d significaria um munic\u00edpio ou uma regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela Lei n\u00ba 14.395, de 2022, considera-se &#8220;pra\u00e7a&#8221; o munic\u00edpio onde est\u00e1 situado o estabelecimento do remetente. Os conselheiros analisaram nos casos hoje se essa norma poderia ser aplicada de forma retroativa. O valor da cobran\u00e7a consta em documento enviado \u00e0 Comiss\u00e3o de Valor Mobili\u00e1rios (CVM) pela Natura.<\/p>\n\n\n\n<p>Vota\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>O relator, conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, representante da Fazenda, afirmou no voto que a Lei n\u00ba 14.395, de 2022 n\u00e3o \u00e9 interpretativa, portanto, n\u00e3o retroage a fatos e autua\u00e7\u00f5es anteriores. Sobre o conceito de pra\u00e7a, o conselheiro entende que n\u00e3o est\u00e1 restrita ao munic\u00edpio, sendo mais abrangente.<\/p>\n\n\n\n<p>O voto foi seguido pelos conselheiros representantes da Fazenda. Os da representa\u00e7\u00e3o dos contribuintes divergiram e ficaram vencidos. Por isso, o caso foi decidido pelo voto de qualidade, o desempate pelo voto duplo do presidente, que \u00e9 sempre um auditor fiscal. O voto de qualidade afasta a incid\u00eancia de multa e de juros, no caso em que o contribuinte pagar o d\u00e9bito e n\u00e3o recorrer \u00e0 Justi\u00e7a (processo n\u00ba 19515.720949\/2017-12).<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada, a Natura informou que n\u00e3o concorda com a decis\u00e3o, que foi proferida por voto de qualidade, e ir\u00e1 recorrer na defesa de seus direitos, inclusive no Judici\u00e1rio, se&nbsp;for&nbsp;necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/13\/carf-mantm-cobrana-de-r-1-bi-da-avon.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/13\/carf-mantm-cobrana-de-r-1-bi-da-avon.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carf mant\u00e9m decis\u00e3o permitindo cr\u00e9dito de PIS\/Cofins sobre produto monof\u00e1sico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 18\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Por unanimidade, a 3\u00aa Turma da C\u00e2mara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) n\u00e3o conheceu do recurso da Fazenda Nacional, e, na pr\u00e1tica, manteve decis\u00e3o permitindo ao contribuinte tomar cr\u00e9ditos de PIS\/Cofins sobre cosm\u00e9ticos sujeitos ao regime monof\u00e1sico de tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No regime monof\u00e1sico de tributa\u00e7\u00e3o, o recolhimento do PIS e da Cofins \u00e9 concentrado em uma etapa da cadeia. Nas demais etapas, os produtos ficam sujeitos \u00e0 al\u00edquota zero, uma vez que o recolhimento foi antecipado. A sistem\u00e1tica \u00e9 utilizada em opera\u00e7\u00f5es envolvendo produtos de higiene pessoal, medicamentos e cosm\u00e9ticos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso concreto, a fiscaliza\u00e7\u00e3o passou a analisar a empresa ap\u00f3s acusa\u00e7\u00e3o de omiss\u00e3o de receita em decorr\u00eancia de vendas subfaturadas realizadas para atacadistas do mesmo grupo econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o relator, Vinicius Guimar\u00e3es, houve falta de similitude entre o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido e o paradigma, o que impossibilita o conhecimento do recurso. Sua posi\u00e7\u00e3o foi acompanhada por todos os demais conselheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Na turma ordin\u00e1ria, o entendimento foi de que como n\u00e3o h\u00e1 norma geral antielis\u00e3o que impe\u00e7a o planejamento tribut\u00e1rio, o contribuinte poderia se organizar de forma a reduzir o valor do PIS\/Cofins devido em regime monof\u00e1sico.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo julgado foi o de n\u00famero 16682.720568\/2018-96 e envolve a Phitoteraphia Biofitogenia Laboratorial Biota LTDA.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-mantem-decisao-permitindo-credito-de-pis-cofins-sobre-produto-monofasico-18032024\">https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-mantem-decisao-permitindo-credito-de-pis-cofins-sobre-produto-monofasico-18032024<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOT\u00cdCIAS RELACIONADAS A DECIS\u00d5ES JUDICIAIS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>FEDERAIS:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Por maioria, STF decide a favor da tributa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Zona Franca de Manaus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 12\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Por 8 a 3, o Supremo Tribunal Federal (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/stf\">STF<\/a>) decidiu a favor da cobran\u00e7a do IPI e do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o sobre a aquisi\u00e7\u00e3o e venda de petr\u00f3leo e derivados por empresas situadas na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/zona-franca-de-manaus\">Zona Franca de Manaus<\/a>. A Zona Franca \u00e9 uma \u00e1rea especial onde as empresas usufruem de incentivos fiscais. Por\u00e9m, com a decis\u00e3o, ficam exclu\u00eddos desses incentivos o petr\u00f3leo, lubrificantes e combust\u00edveis l\u00edquidos e gasosos.<\/p>\n\n\n\n<p>A ADI em julgamento foi ajuizada pelo partido Cidadania, que alega que a exclus\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o para opera\u00e7\u00f5es com petr\u00f3leo e derivados, prevista na Lei 14.183\/2021, viola os artigos 92 e 92-A do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias (ADCT), que mant\u00eam a Zona Franca de Manaus at\u00e9 2073. No entendimento do partido, a legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional pode apenas aumentar os incentivos, nunca elimin\u00e1-los ou reduzi-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o relator, ministro&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/luis-roberto-barroso\">Lu\u00eds Roberto Barroso<\/a>, entendeu que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal recepcionou apenas os incentivos da Zona Franca contidos no Decreto-Lei 288\/1967, cujo artigo 37 exclui da isen\u00e7\u00e3o bens do setor de combust\u00edveis, lubrificantes e petr\u00f3leo. Acompanharam o voto os ministros<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/alexandre-de-moraes\">&nbsp;Alexandre de Moraes<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/cristiano-zanin\">Cristiano Zanin<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/gilmar-mendes\">Gilmar Mendes<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/edson-fachin\">Edson Fachin<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/andre-mendonca\">Andr\u00e9 Mendon\u00e7a<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/flavio-dino\">Fl\u00e1vio Dino<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/carmen-lucia\">C\u00e1rmen L\u00facia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/dias-tofolli\">Dias Toffoli<\/a>&nbsp;abriu diverg\u00eancia para afastar a tributa\u00e7\u00e3o. O magistrado pontuou que o artigo 37 do Decreto-Lei 288 somente excepcionou da isen\u00e7\u00e3o algumas opera\u00e7\u00f5es com derivados, n\u00e3o fazendo refer\u00eancia expressa ao petr\u00f3leo. O dispositivo exclui do incentivo fiscal a produtos da Zona Franca \u201ca importa\u00e7\u00e3o, exporta\u00e7\u00e3o e tributa\u00e7\u00e3o de lubrificantes e combust\u00edveis l\u00edquidos e gasosos de petr\u00f3leo\u201d. At\u00e9 o momento, acompanharam a diverg\u00eancia os ministros&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/nunes-marques\">Nunes Marques<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/luiz-fux\">Luiz Fux<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o advogado Alessandro Cardoso, do Rolim, Viotti, Goulart, Cardoso Advogados, a posi\u00e7\u00e3o do STF na discuss\u00e3o resguarda a isonomia entre as empresas no mercado de petr\u00f3leo e derivados. Ele observa que se as empresas situadas na Zona Franca pudessem importar e comercializar petr\u00f3leo e derivados com isen\u00e7\u00e3o de tributos haveria um desequil\u00edbrio concorrencial em rela\u00e7\u00e3o aos demais players do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/por-maioria-stf-decide-a-favor-da-tributacao-de-petroleo-na-zona-franca-de-manaus-12032024\">https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/por-maioria-stf-decide-a-favor-da-tributacao-de-petroleo-na-zona-franca-de-manaus-12032024<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>STJ: ICMS-ST fora da base de PIS\/Cofins vale a partir de 14 de dezembro de 2023<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) modulou os efeitos da decis\u00e3o que excluiu o ICMS Substitui\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria (ICMS-ST) da base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins, para s\u00f3 produzir efeitos a partir da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento, em 14 de dezembro de 2023. O assunto foi julgado em 13 de dezembro, no REsp 1.896.678 e no REsp 1.958.265 (Tema 1.125).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta foi a primeira vez que o STJ modulou os efeitos de uma decis\u00e3o em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria, algo comum no Supremo Tribunal Federal (STF). O relator dos recursos, ministro Gurgel de Faria, optou pela modula\u00e7\u00e3o a fim de seguir a linha adotada pelo STF no julgamento do Tema 69, que firmou a chamada \u201ctese do s\u00e9culo\u201d, pela exclus\u00e3o do ICMS da base de PIS\/Cofins.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ministros n\u00e3o discutiram a possibilidade de modula\u00e7\u00e3o durante a sess\u00e3o de julgamento no ano passado. Por\u00e9m, a publica\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o, no \u00faltimo dia 28 de fevereiro, trouxe o marco temporal. A modula\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o se aplica \u00e0s a\u00e7\u00f5es judiciais e aos procedimentos administrativos j\u00e1 iniciados que discutem o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa linha da orienta\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal, firmada no julgamento da Tese 69 da repercuss\u00e3o geral, e considerando a inexist\u00eancia de julgados no sentido aqui proposto, conforme o panorama jurisprudencial descrito neste voto, imp\u00f5e-se modular os efeitos desta decis\u00e3o, a fim de que sua produ\u00e7\u00e3o ocorra a partir da publica\u00e7\u00e3o da ata do julgamento no ve\u00edculo oficial de imprensa\u201d, escreveu o ministro Gurgel de Faria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stj-icms-st-fora-da-base-de-pis-cofins-vale-a-partir-de-14-de-dezembro-de-2023-13032024\">https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stj-icms-st-fora-da-base-de-pis-cofins-vale-a-partir-de-14-de-dezembro-de-2023-13032024<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 veda\u00e7\u00e3o para distribuir JCP desproporcionalmente, decide juiz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Se a lei n\u00e3o pro\u00edbe expressamente, n\u00e3o h\u00e1 veda\u00e7\u00e3o para que os juros sobre o capital pr\u00f3prio (JCP) sejam distribu\u00eddos pela empresa de forma desproporcional \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de cada s\u00f3cio no capital social.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, o juiz Leonardo Sim\u00e3o Schmitt Junior, da 5\u00aa Vara Federal de Blumenau (SC), concedeu a seguran\u00e7a em favor de uma empresa de com\u00e9rcio de pe\u00e7as automotivas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso julgado, a pessoa jur\u00eddica fez a distribui\u00e7\u00e3o de juros sobre o capital pr\u00f3prio, que corresponde \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o que as empresas pagam aos que investiram dinheiro na atividade exercida em uma esp\u00e9cie de empr\u00e9stimo, que n\u00e3o depende do sucesso do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ferramenta de atra\u00e7\u00e3o de investimento, tal modalidade \u00e9 interessante porque permite o ingresso de verbas que n\u00e3o ser\u00e3o consideradas lucro. Logo, estar\u00e3o deduzidas da base de c\u00e1lculo de IRPJ e CSLL.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que a empresa distribuiu juros de maneira desproporcional \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de cada s\u00f3cio no capital social. O Fisco entende que a medida descaracterizou os valores, o que permitiria sua tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ju\u00edzo, a empresa alegou que, respeitado o limite geral para distribui\u00e7\u00e3o de JCP, nos termos do artigo 9\u00ba da Lei 9.429, de 1995, n\u00e3o interessa ao Fisco a forma com que os s\u00f3cios resolveram distribuir esses valores.<\/p>\n\n\n\n<p>O julgador decidiu a causa com base em jurisprud\u00eancia do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF-4), segundo a qual n\u00e3o h\u00e1 veda\u00e7\u00e3o para que sejam distribu\u00eddos juros sobre o capital pr\u00f3prio de forma desproporcional \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de cada s\u00f3cio no capital social.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de distribui\u00e7\u00e3o de lucros e de JCP assemelharem-se por serem formas de remunera\u00e7\u00e3o do capital, a lei tribut\u00e1ria deu a cada um desses institutos tratamento distintos, n\u00e3o sendo cab\u00edveis compara\u00e7\u00f5es indevidas, segundo o juiz.<\/p>\n\n\n\n<p>Atuaram na causa os advogados&nbsp;C\u00e9lio Dalcanale,&nbsp;Paulo Mattos&nbsp;e&nbsp;Raquel Mayer, s\u00f3cios da banca MMD Advogados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA decis\u00e3o representa uma vit\u00f3ria aos contribuintes. A distribui\u00e7\u00e3o de lucros, em raz\u00e3o das pr\u00e1ticas de governan\u00e7a corporativa, est\u00e1 cada vez mais presente no cotidiano das empresas, especialmente nos casos em que as sociedades s\u00e3o compostas por pessoas jur\u00eddicas. E, sendo o JCP uma mera modalidade dessa distribui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havia motivos para vedar a sua desproporcionalidade\u201d, disse Raquel.<\/p>\n\n\n\n<p>MS 5025303-04.2023.4.04.7201<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/nao-ha-vedacao-para-distribuir-jcp-desproporcionalmente-decide-juiz\/\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-mar-13\/nao-ha-vedacao-para-distribuir-jcp-desproporcionalmente-decide-juiz\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>STJ afasta limite de 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos para contribui\u00e7\u00f5es ao Sistema S<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu nesta quarta-feira (13\/3), por unanimidade, que n\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel a limita\u00e7\u00e3o de 20 sal\u00e1rios-m\u00ednimos \u00e0 base de c\u00e1lculo das contribui\u00e7\u00f5es ao Sistema S. Prevaleceu o entendimento da relatora, ministra Regina Helena Costa, pela inexist\u00eancia do limite para as contribui\u00e7\u00f5es ao Sesi, Senai, Sesc e Senac.<\/p>\n\n\n\n<p>O colegiado decidiu ainda, por 3\u00d72, modular a decis\u00e3o, ressalvando os contribuintes que, at\u00e9 a data do julgamento, tenham decis\u00f5es judiciais ou administrativas com algum tipo de manifesta\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel, restringindo-se a limita\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo, nesses casos, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o referente \u00e0 decis\u00e3o desta quarta-feira (13\/3).<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o afeta grandes empresas, intensivas em m\u00e3o de obra ou cujas folhas de pagamento t\u00eam valores elevados. S\u00e3o afetadas ainda companhias de setores que arcam com as contribui\u00e7\u00f5es, como ind\u00fastria e com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Reafirma\u00e7\u00e3o de voto<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento desta quarta-feira (13\/3), ficou vencida a posi\u00e7\u00e3o do ministro Mauro Campbell Marques, que acompanhou o voto da relatora pela derrubada do limite, mas defendeu uma tese mais ampla, com o fim da limita\u00e7\u00e3o abrangendo tamb\u00e9m as contribui\u00e7\u00f5es ao sal\u00e1rio educa\u00e7\u00e3o, Incra, Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha, Fundo Aerovi\u00e1rio, Sebrae, Senar, Sest, Senat, Sescoop, Apex e Ag\u00eancia Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s pedido de vista para analisar os argumentos do colega, a ministra Regina Helena Costa reafirmou seu voto nesta quarta, tanto com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tese quanto \u00e0 necessidade de modula\u00e7\u00e3o. Segundo a magistrada, o artigo 1\u00ba do Decreto-Lei 2318\/1986 revogou expressamente o caput e o par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 4\u00b0 da Lei 6.950\/1981, que estabeleceu o teto-limite para as contribui\u00e7\u00f5es parafiscais devidas ao Sesi, ao Senai, ao Sesc e ao Senac.<\/p>\n\n\n\n<p>A relatora observou que, na afeta\u00e7\u00e3o dos recursos ao rito repetitivo, o STJ delimitou a controv\u00e9rsia \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es ao Sesi, Senai, Sesc e Senac. Assim, em seu entender, n\u00e3o caberia incluir outras contribui\u00e7\u00f5es parafiscais citadas pelo ministro Mauro Campbell Marques.<\/p>\n\n\n\n<p>Jurisprud\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>Costa tamb\u00e9m defendeu a necessidade de modula\u00e7\u00e3o de efeitos, sob o argumento de que, al\u00e9m de decis\u00f5es colegiadas da 1\u00aa Turma (REsp 953742\/SC, de 2008, e REsp 1570980\/SP, de 2020), h\u00e1, pelo menos, 20 decis\u00f5es monocr\u00e1ticas publicadas favor\u00e1veis \u00e0 limita\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo aos 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos, sendo que 75% foram prolatadas por ministros da 2\u00aa Turma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEvidente que esta Corte h\u00e1 muito expressava orienta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca, incutindo, no plano pr\u00e1tico, justas expectativas nos jurisdicionados. Os tribunais regionais federais, em julgamentos m\u00faltiplos, replicaram a tese, que era tranquila no STJ\u201d, afirmou a julgadora.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o votaram os ministros Benedito Gon\u00e7alves, Francisco Falc\u00e3o e Afr\u00e2nio Vilela, que n\u00e3o estavam presentes \u00e0 sess\u00e3o de outubro do ano passado, quando ocorreram as sustenta\u00e7\u00f5es orais.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues divergiu da relatora com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modula\u00e7\u00e3o, acompanhando o entendimento do ministro Mauro Campbell Marques, de que n\u00e3o haveria necessidade de delimita\u00e7\u00e3o dos efeitos, por aus\u00eancia de jurisprud\u00eancia consolidada no STJ. Por\u00e9m, prevaleceu a tese da necessidade de modula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguran\u00e7a jur\u00eddica<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Ricardo Godoi, s\u00f3cio do RGodoi Advogados e que representa a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Servi\u00e7os (CNS), amicus curiae, afirmou que decis\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0s empresas no m\u00e9rito era esperada. De acordo com ele, a modula\u00e7\u00e3o de efeitos contempla os contribuintes, mas n\u00e3o na totalidade. \u201cFizeram uma condicionante, que n\u00e3o \u00e9 comum, de decis\u00e3o favor\u00e1vel aos contribuintes. Por conta da sistem\u00e1tica repetitiva, houve a suspens\u00e3o dos processos para quem entrou [com a\u00e7\u00e3o] a partir de 2020\u201d, observou<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para a advogada Cinthia Benvenuto, representante da Central Brasileira do Setor de Servi\u00e7os (Cebrasse), a modula\u00e7\u00e3o resguardou a seguran\u00e7a jur\u00eddica. \u201cFica o conforto de que pelo menos os contribuintes com decis\u00e3o [judicial] favor\u00e1vel ficam com a seguran\u00e7a jur\u00eddica garantida\u201d, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do advogado Eduardo Pugliese, s\u00f3cio do Schneider Pugliese, \u201cprevaleceu a decis\u00e3o mais justa diante das circunst\u00e2ncias do caso concreto\u201d. Segundo Pugliese, as diversas decis\u00f5es monocr\u00e1ticas evidenciam que havia jurisprud\u00eancia consolidada a favor dos contribuintes. \u201cTodas [as decis\u00f5es monocr\u00e1ticas] partem do pressuposto de que o STJ firmou jurisprud\u00eancia. O relator tem compet\u00eancia para julgar monocraticamente quando o entendimento \u00e9 dominante\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Os processos tramitam como REsps 1.898.532 e 1.905.870 (Tema 1079).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stj-afasta-limite-de-20-salarios-minimos-para-contribuicoes-ao-sistema-s-13032024\">https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stj-afasta-limite-de-20-salarios-minimos-para-contribuicoes-ao-sistema-s-13032024<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>STJ: TUST\/TUSD comp\u00f5em a base de c\u00e1lculo do ICMS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 14\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Por unanimidade, os ministros decidiram que as Tarifas de Uso do Sistema de Transmiss\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/tust\">TUST<\/a>) e de Uso do Sistema de Distribui\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/tusd\">TUSD<\/a>) comp\u00f5em a base de c\u00e1lculo do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/icms\">ICMS<\/a>. Prevaleceu o entendimento do relator, o ministro Herman Benjamin, que alterou seu posicionamento, votando a favor da tributa\u00e7\u00e3o. Com o resultado, os estados evitam impacto financeiro bilion\u00e1rio. A proje\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Nacional dos Secret\u00e1rios de Fazenda (Comsefaz) \u00e9 que haveria perda arrecadat\u00f3ria anual da ordem de R$28,3 bilh\u00f5es em caso de derrota. Tamb\u00e9m houve unanimidade a favor da modula\u00e7\u00e3o de efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O assunto \u00e9 discutido no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/stj\">STJ<\/a>&nbsp;como repetitivo, o que significa que ser\u00e1 de aplica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria pelos demais tribunais, com exce\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF). A posi\u00e7\u00e3o adotada hoje pelo STJ abrange o per\u00edodo anterior \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da Lei Complementar (LC) 194\/2022, que excluiu expressamente TUST\/TUSD da base de c\u00e1lculo do ICMS. A constitucionalidade da LC 194 \u00e9 discutida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na ADI 7195. A Suprema Corte concedeu liminar suspendendo os a efic\u00e1cia dispositivos que afastaram o ICMS das tarifas, vigente at\u00e9 o julgamento de m\u00e9rito da ADI.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modula\u00e7\u00e3o de efeitos, os ministros do STJ definiram que a decis\u00e3o desta quarta-feira (13\/3) n\u00e3o se aplicar\u00e1 aos contribuintes que, at\u00e9 27 de mar\u00e7o de 2017, foram beneficiados por decis\u00f5es que tenham concedido antecipa\u00e7\u00e3o de tutela. A condi\u00e7\u00e3o \u00e9 que essas decis\u00f5es provis\u00f3rias favor\u00e1veis aos contribuintes se encontrem ainda vigentes para, independentemente de dep\u00f3sito judicial, autorizar o recolhimento do ICMS sem a inclus\u00e3o da TUST e da TUST em sua base de c\u00e1lculo. Al\u00e9m disso, mesmo esses contribuintes contemplados pela modula\u00e7\u00e3o dever\u00e3o voltar a recolher o ICMS sobre as tarifas a partir da publica\u00e7\u00e3o ac\u00f3rd\u00e3os dos repetitivos julgados nesta quarta-feira (13\/3).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, na pr\u00e1tica, a modula\u00e7\u00e3o de efeitos n\u00e3o alcan\u00e7a a) contribuintes que n\u00e3o ajuizaram demandas judiciais; b) contribuintes que ajuizaram demandas judiciais, mas que n\u00e3o tiveram tutela de urg\u00eancia ou evid\u00eancia ou cuja tutela concedida n\u00e3o mais se encontre vigente por ter sido cassada ou reformada; c) com ajuizamento de demanda judicial na qual a tutela de urg\u00eancia ou evid\u00eancia tenha sido condicionada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sito judicial; e d) com ajuizamento de demanda judicial na qual a tutela de urg\u00eancia ou evid\u00eancia tenha sido concedida ap\u00f3s 27 de mar\u00e7o de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia 27 de mar\u00e7o de 2017 foi a data de publica\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 1163020\/RS, por meio do qual 1 \u00aa Turma alterou a jurisprud\u00eancia do STJ, passando ent\u00e3o a incluir as tarifas na base de c\u00e1lculo do ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p>Interdepend\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>O relator, ministro Herman Benjamin, afirmou em seu voto que o sistema de energia el\u00e9trica tem etapas interdependentes, cuja supress\u00e3o inviabiliza o consumo. \u201cO sistema nacional de energia el\u00e9trica abrange diversas etapas interdependentes, conexas entre si, como a gera\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, ou mesmo a importa\u00e7\u00e3o, a transmiss\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o. Para a constata\u00e7\u00e3o da interdepend\u00eancia, basta cogitar-se a supress\u00e3o de qualquer uma das etapas, que ser\u00e1 poss\u00edvel concluir que inexiste a possibilidade f\u00edsica material do consumo da energia el\u00e9trica\u201d, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p>Benjamin disse ainda que a TUST e a TUSD s\u00e3o repassadas ao consumidor final ao serem lan\u00e7adas na conta de energia. Por isso, comp\u00f5em o valor da opera\u00e7\u00e3o para fins de forma\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo do ICMS. \u201cMostra-se incorreto concluir que, apurado o efetivo consumo [de energia], n\u00e3o integram o valor da opera\u00e7\u00e3o os encargos relacionados com situa\u00e7\u00e3o [transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o] que constitui antecedente operacional necess\u00e1rio\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Repercuss\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Heleno Taveira Torres, representante de uma das partes, afirmou \u00e0 reportagem que \u201crespeita e acata\u201d a decis\u00e3o do STJ, mas ainda v\u00ea espa\u00e7o para discuss\u00e3o sobre a TUST e a TUSD na base de c\u00e1lculo do ICMS no \u00e2mbito do STF. \u201cAcredito que os contribuintes ir\u00e3o atr\u00e1s de seus direitos. Entendemos que a LC 194 fez essa exclus\u00e3o [das tarifas da base do ICMS] e tem car\u00e1ter interpretativo, ou seja, se aplica a fatos passados\u201d, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Thiago Holanda Gonz\u00e1lez, procurador do Estado do Rio Grande do Sul, afirmou que o voto do ministro Herman Benjamin adotou uma linha argumentativa que j\u00e1 vinha sendo defendida pelos estados. \u201cO ministro Herman observou bem o que v\u00ednhamos trazendo no processo. Havendo o consumo, todos os custos s\u00e3o repassados ao consumidor e, por compor o valor total da opera\u00e7\u00e3o, integram a base de c\u00e1lculo do ICMS\u201d, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor institucional do Comsefaz, Andr\u00e9 Horta, considerou a decis\u00e3o do STJ acertada. \u201cOs estados procuraram todo esse tempo demonstrar que a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o retira essas tarifas da base de c\u00e1lculo do ICMS sobre energia el\u00e9trica. A transmiss\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o da energia el\u00e9trica integram o custo da opera\u00e7\u00e3o. Louvamos essa decis\u00e3o da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o&nbsp;do&nbsp;STJ\u201d,&nbsp;disse.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stj-tust-tusd-compoem-a-base-de-calculo-do-icms-14032024\">https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stj-tust-tusd-compoem-a-base-de-calculo-do-icms-14032024<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Liminar garante a contribuinte a op\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia de cr\u00e9ditos de ICMS ao destino<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 14\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Um importante precedente jur\u00eddico sobre tributos foi aberto! A 9\u00aa Vara da Fazenda P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo concedeu liminar que garante a contribuinte a op\u00e7\u00e3o (facultativa) de transferir ou n\u00e3o os cr\u00e9ditos de ICMS \u00e0 UF de destino. Isso, no caso de remessas interestaduais realizadas entre suas filiais. Trata-se do processo 1012747-63.2024.8.26.0053, que pode ser consultado aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Liminar de transfer\u00eancia de cr\u00e9ditos de ICMS e ADC 49<\/p>\n\n\n\n<p>Para dar um contexto, durante a an\u00e1lise dos embargos de declara\u00e7\u00e3o da ADC 49, o Ministro Relator Edson Fachin emitiu um voto vencedor. Ele examinou a quest\u00e3o dos cr\u00e9ditos de ICMS com foco espec\u00edfico na necessidade ou n\u00e3o de os estabelecimentos de origem realizarem o estorno. Concluiu que a disposi\u00e7\u00e3o constitucional do artigo 155, \u00a72\u00ba, II, \u2018b\u2019, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal n\u00e3o se aplicava, pois n\u00e3o se tratava de uma situa\u00e7\u00e3o de isen\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o incid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ministro Barroso acompanhou o voto do relator, confirmando o entendimento e complementando:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa circunst\u00e2ncia, em princ\u00edpio, permite que um estabelecimento acumule cr\u00e9ditos, enquanto outro estabelecimento concentre d\u00e9bitos. Para o respeito \u00e0 n\u00e3o cumulatividade do ICMS, portanto, \u00e9 imperioso que se faculte aos sujeitos passivos a transfer\u00eancia de cr\u00e9ditos entre os estabelecimentos de mesmo titular, de maneira a manter a n\u00e3o cumulatividade ao longo da cadeia econ\u00f4mica do bem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa vis\u00e3o, o Ministro Barroso identificou a aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o legal, naquele momento, sobre a transfer\u00eancia de cr\u00e9ditos de ICMS entre as filiais. Isso justificaria uma a\u00e7\u00e3o que garantisse que, a partir de 2024, na falta de regulamenta\u00e7\u00e3o estadual sobre essa transfer\u00eancia, os contribuintes teriam o direito de realiz\u00e1-la. Isso vai de encontro direto com nosso artigo sempre atualizado chamado \u201cADC 49: Quais Estados (UFs) regulamentaram o Conv\u00eanio ICMS n\u00ba 178\/2023?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>LC 204\/2023 e Conv\u00eanio ICMS 178<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, cabe lembrar que a LC 204\/2023 e o Conv\u00eanio ICMS 178, ambas de 2023, foram promulgadas antes da virada do exerc\u00edcio. Tanto a Lei Complementar quanto o Conv\u00eanio regulamentaram a mat\u00e9ria e determinaram a obrigatoriedade da transfer\u00eancia dos cr\u00e9ditos ao estabelecimento de destino, sendo que somente os cr\u00e9ditos acumulados decorrentes da diferen\u00e7a de al\u00edquotas foram garantidos aos estabelecimentos de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, est\u00e1 em debate se a refer\u00eancia feita pelo Ministro Barroso em seu voto se destinava apenas a enfatizar a necessidade, \u00e0 \u00e9poca, de uma previs\u00e3o legal que garantisse a transfer\u00eancia dos cr\u00e9ditos, conforme posteriormente estabelecido pela LC 204\/2023, para cumprir o princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade. Ou, ainda, se essa refer\u00eancia indicava que essa transfer\u00eancia seria um direito do contribuinte, com base na ideia de que a transfer\u00eancia obrigat\u00f3ria dos cr\u00e9ditos para o estado de destino seria uma consequ\u00eancia l\u00f3gica da aplica\u00e7\u00e3o de um fato gerador do ICMS, o qual foi considerado inconstitucional pelo STF.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo 1012747-63.2024.8.26.0053<\/p>\n\n\n\n<p>Remetido ao DJE<\/p>\n\n\n\n<p>Rela\u00e7\u00e3o: 0126\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Teor do ato: Vistos.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de mandado de seguran\u00e7a, com pedido liminar, impetrado por \u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e\u25fc\ufe0e contra ato coator do ILMO. SR. COORDENADOR DA ADMINISTRA\u00c7\u00c3O TRIBUT\u00c1RIA DA SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DE S\u00c3O PAULO, objetivando concess\u00e3o da seguran\u00e7a para que n\u00e3o seja compelido a proceder a transfer\u00eancia de cr\u00e9ditos de ICMS relativos a opera\u00e7\u00f5es envolvendo estabelecimentos de titularidade da Impetrante, assegurando o direito ao exerc\u00edcio de seu direito\/faculdade de transferir ou n\u00e3o, no todo ou em parte, os cr\u00e9ditos correspondentes.<\/p>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, considerando os esclarecimentos de fls. 386\/388, de rigor o processamento do presente writ.<\/p>\n\n\n\n<p>Prevalece que inexiste distin\u00e7\u00e3o no que tange \u00e0 localidade de origem e destino das mercadorias, para fins de incid\u00eancia do ICMS na transfer\u00eancia de mercadorias entre estabelecimentos de um mesmo contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>De se ver que no julgamento da ADC n\u00ba 49, o Supremo Tribunal Federal adotou referido entendimento, ao julgar dispositivo da Lei Complementar n\u00ba 87\/96, in verbis: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUT\u00c1RIO. A\u00c7\u00c3O DECLARAT\u00d3RIA DE CONSTITUCIONALIDADE. ICMS. DESLOCAMENTO F\u00cdSICO DE BENS DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO DE MESMA TITULARIDADE. INEXIST\u00caNCIA DE FATO GERADOR. PRECEDENTES DA CORTE. NECESSIDADE DE OPERA\u00c7\u00c3O JUR\u00cdDICA COM TRAMITA\u00c7\u00c3O DE POSSE E PROPRIDADE DE BENS. A\u00c7\u00c3O JULGADA IMPROCEDENTE.<\/p>\n\n\n\n<p>1. Enquanto o diploma em an\u00e1lise disp\u00f5e que incide o ICMS na sa\u00edda de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, o Judici\u00e1rio possui entendimento no sentido de n\u00e3o incid\u00eancia, situa\u00e7\u00e3o esta que exemplifica, de pronto, evidente inseguran\u00e7a jur\u00eddica na seara tribut\u00e1ria. Est\u00e3o cumpridas, portanto, as exig\u00eancias previstas pela Lei n. 9.868\/1999 para processamento e julgamento da presente ADC.<\/p>\n\n\n\n<p>2. O deslocamento de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo titular n\u00e3o configura fato gerador da incid\u00eancia de ICMS, ainda que se trate de circula\u00e7\u00e3o interestadual. Precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p>3. A hip\u00f3tese de incid\u00eancia do tributo \u00e9 a opera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica praticada por comerciante que acarrete circula\u00e7\u00e3o de mercadoria e transmiss\u00e3o de sua titularidade ao consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p>4. A\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria julgada improcedente, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 11, \u00a7 3\u00ba, II, 12, I, no trecho ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular, e 13, \u00a7 4\u00ba, da Lei Complementar Federal n. 87, de 13 de setembro de 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>(STF \u2013 ADC: 49 RN 0009727-98.2017.1.00.0000, Relator: EDSON FACHIN, Data de Julgamento: 19\/04\/2021, Tribunal Pleno, Data de Publica\u00e7\u00e3o: 04\/05\/2021) EMBARGOS DE DECLARA\u00c7\u00c3O EM RECURSO A\u00c7\u00c3O DECLARAT\u00d3RIA DE CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO TRIBUT\u00c1RIO. IMPOSTO SOBRE CIRCULA\u00c7\u00c3O DE MERCADORIAS E SERVI\u00c7OS- ICMS. TRANSFER\u00caNCIAS DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENETOS DA MESMA PESSOA JUR\u00cdDICA. AUS\u00caNCIA DE MATERIALIDADE DO ICMS . MANUTEN\u00c7\u00c3O DO DIREITO DE CREDITAMENTO. (IN) CONSTITUCIONALIDADE DA AUTONOMIA DO ESTABELECIMENTO PARA FINS DE COBRAN\u00c7A. MODULA\u00c7\u00c3O DOS EFEITOS TEMPORAIS DA DECIS\u00c3O. OMISS\u00c3O. PROVIMENTO PARCIAL.<\/p>\n\n\n\n<p>1. Uma vez firmada a jurisprud\u00eancia da Corte no sentido da inconstitucionalidade da incid\u00eancia de ICMS na transfer\u00eancia de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jur\u00eddica (Tema 1099, RG) inequ\u00edvoca decis\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o proferido.<\/p>\n\n\n\n<p>2. O reconhecimento da inconstitucionalidade da pretens\u00e3o arrecadat\u00f3ria dos estados nas transfer\u00eancias de mercadorias entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jur\u00eddica n\u00e3o corresponde a n\u00e3o-incid\u00eancia prevista no art. 155, \u00a7 2\u00ba, II, ao que mantido o direito de creditamento do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>3. Em presentes raz\u00f5es de seguran\u00e7a jur\u00eddica e interesse social (art. 27, da Lei 9868\/1999) justific\u00e1vel a modula\u00e7\u00e3o dos efeitos temporais da decis\u00e3o para o exerc\u00edcio financeiro de 2024 ressalvados os processos administrativos e judiciais pendentes de conclus\u00e3o at\u00e9 a data de publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento da decis\u00e3o de m\u00e9rito. Exaurido o prazo sem que os Estados disciplinem a transfer\u00eancia de cr\u00e9ditos de ICMS entre estabelecimentos de mesmo titular, fica reconhecido o direito dos sujeitos passivos de transferirem tais cr\u00e9ditos.<\/p>\n\n\n\n<p>4. Embargos declarat\u00f3rios conhecidos e parcialmente providos para a declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade parcial, sem redu\u00e7\u00e3o de texto, do art. 11, \u00a7 3\u00ba, II, da Lei Complementar n\u00ba 87\/1996, excluindo do seu \u00e2mbito de incid\u00eancia apenas a hip\u00f3tese de cobran\u00e7a do ICMS sobre as transfer\u00eancias de mercadorias entre estabelecimentos de mesmo titular.<\/p>\n\n\n\n<p>(STF \u2013 ADC: 49 RN, Relator: EDSON FACHIN, Data de Julgamento: 19\/04\/2023, Tribunal Pleno, Data de Publica\u00e7\u00e3o: PROCESSO ELETRONICO DJe-s\/n DIVULG 14-08-2023 PUBLIC 15-08-2023) Note-se que n\u00e3o \u00e9 outro o entendimento do C. Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 teve a oportunidade de sumular entendimento aplic\u00e1vel ao caso sub judice, sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00famula 166- \u201cN\u00e3o constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento de mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte.\u201d Isso porque, nesses casos, n\u00e3o se verifica a transmiss\u00e3o da titularidade do bem, ou seja, n\u00e3o se vislumbra o pr\u00f3prio ato mercantil, imprescind\u00edvel para caracteriza\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese de incid\u00eancia do ICMS, nos moldes delineados pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em seu art.155,II, ipsis litteris:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: [\u2026]<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e sobre presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os de transporte interestadual e intermunicipal e de comunica\u00e7\u00e3o, ainda que as opera\u00e7\u00f5es e aspresta\u00e7\u00f5es se iniciem no exterior. Destarte, revela-se plaus\u00edvel e merecedor de abrigo o pleito da impetrante, valendo aqui a men\u00e7\u00e3o ao quanto decidido nos embargos de declara\u00e7\u00e3o da ADC 49 que expressamente mencionam que devem os Estados providenciarem a regulamenta\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia de referidos cr\u00e9ditos, do que se pode depreender, ao menos na cogni\u00e7\u00e3o poss\u00edvel no presente momento, tratar-se de faculdade do contribuinte (a ser disciplinada quanto ao seu exerc\u00edcio) e n\u00e3o de dever a ele imposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, DEFIRO o pedido liminar para sustar, at\u00e9 ulterior decis\u00e3o, a exig\u00eancia de transfer\u00eancia dos cr\u00e9ditos de ICMS nas opera\u00e7\u00f5es interestaduais relativas a remessas de bens e mercadorias entre estabelecimentos de titularidade da Impetrante, admitindo-se o exerc\u00edcio do seu direito\/faculdade de transferir ou n\u00e3o, no todo ou em parte, os cr\u00e9ditos de ICMS das opera\u00e7\u00f5es interestaduais de remessas de bens e mercadorias entre estabelecimentos de mesma titularidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Requisitem-se informa\u00e7\u00f5es junto \u00e0 autoridade coatora, cientificando-se a pessoa jur\u00eddica interessada, servindo esta decis\u00e3o como mandado e of\u00edcio, podendo a parte encaminh\u00e1-la ao \u00f3rg\u00e3o competente para o integral cumprimento da liminar. Ap\u00f3s, ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e conclusos. Intime-se.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-asis-consult wp-block-embed-asis-consult\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"YRPgJ6DVBS\"><a href=\"https:\/\/asisconsult.com.br\/blog\/liminar-transferencia-de-creditos-de-icms\/\">Liminar garante a contribuinte a op\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia de cr\u00e9ditos de ICMS ao destino<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Liminar garante a contribuinte a op\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia de cr\u00e9ditos de ICMS ao destino&#8221; &#8212; ASIS Consult\" src=\"https:\/\/asisconsult.com.br\/blog\/liminar-transferencia-de-creditos-de-icms\/embed\/#?secret=q56bFtU9EL#?secret=YRPgJ6DVBS\" data-secret=\"YRPgJ6DVBS\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Liminar mant\u00e9m milhares de empresas no Perse<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 15\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Milhares de empresas associadas ao Sindicato das Empresas de Turismo do Estado de S\u00e3o Paulo (Sindetur) conseguiram uma liminar da Justi\u00e7a federal para permanecer com os benef\u00edcios fiscais do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) at\u00e9 mar\u00e7o de 2027. A ju\u00edza federal Silvia Figueiredo Marques suspendeu os efeitos da Medida Provis\u00f3ria (MP) n\u00ba 1.202\/2023, que revogou a benesse \u00e0s companhias do setor.<\/p>\n\n\n\n<p>O mandado de seguran\u00e7a coletivo afasta a cobran\u00e7a de quase 40% de carga tribut\u00e1ria sobre o lucro das empresas. Isso porque o Perse, criado pela Lei n\u00ba 14.148\/21, zerou a al\u00edquota do Imposto de Renda de Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ), Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre Lucro L\u00edquido (CSLL), PIS e Cofins por cinco anos para as empresas de turismo, bares, restaurantes e segmentos correlatos, por terem sido as mais afetadas pela pandemia da covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>A MP 1.202, que revogou essa isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, foi editada no fim do ano passado como uma das medidas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para alcan\u00e7ar o equil\u00edbrio fiscal este ano. Para justificar a revoga\u00e7\u00e3o do Perse, o governo afirmou que o programa provocou uma ren\u00fancia fiscal de R$ 17 bilh\u00f5es a R$ 32 bilh\u00f5es no ano de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>No pedido feito \u00e0 Justi\u00e7a, o sindicato argumenta que as altera\u00e7\u00f5es trazidas pela MP s\u00e3o ilegais. Isso porque a isen\u00e7\u00e3o havia sido concedida por prazo certo e sob determinadas condi\u00e7\u00f5es. Alega viola\u00e7\u00e3o ao direito adquirido daqueles que aderiram ao Perse.<\/p>\n\n\n\n<p>A magistrada, da 26\u00aa Vara C\u00edvel Federal de S\u00e3o Paulo, acatou os argumentos do sindicato. \u201cOs princ\u00edpios da n\u00e3o surpresa do contribuinte e da boa-f\u00e9 da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica t\u00eam de ser respeitados. Sem isso, o sistema tribut\u00e1rio nacional, delineado na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, n\u00e3o se sustenta\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom base nesta regra, as empresas beneficiadas pela al\u00edquota zero fizeram sua programa\u00e7\u00e3o\u201d, disse a ju\u00edza. Apesar de reconhecer que cinco anos \u00e9 um \u201cprazo longo\u201d, \u201cfoi op\u00e7\u00e3o do legislador, que poderia, simplesmente, ter reduzido a al\u00edquota sem prever prazo\u201d. \u201cMas, uma vez que foi estabelecido o prazo, ele tem de ser respeitado\u201d, completa Silvia Marques (processo n\u00ba 5005016-18. .2024.4.03.6100).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a revoga\u00e7\u00e3o valer apenas a partir de 1\u00ba de abril desse ano, o Sindetur se adiantou para garantir o direito aos associados. De acordo com advogado Alex de Ara\u00fajo Vieira, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Vieira &amp; Di Ribeiro Advogados, que representou a entidade na a\u00e7\u00e3o, era preciso dar previsibilidade \u00e0s empresas &#8211; majoritariamente, ag\u00eancias de viagem. \u201cN\u00e3o poder\u00edamos esperar com o risco dessa revoga\u00e7\u00e3o valer a partir de 1 de abril\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, s\u00e3o 13 mil empresas vinculadas \u00e0 entidade e em torno de 30% (4 mil), que n\u00e3o est\u00e3o no regime de tributa\u00e7\u00e3o Siples, poder\u00e3o se beneficiar da liminar. \u201cAs ag\u00eancias foram pegas de surpresa com a MP ao apagar das luzes de 2023, dois dias antes de acabar o ano. J\u00e1 tinham feito seus or\u00e7amentos com base no benef\u00edcio que teriam\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o do advogado Frederico Bastos, s\u00f3cio do BVZ Advogados, o argumento do Minist\u00e9rio da Fazenda de que h\u00e1 fraudes e uso indevido do Perse por algumas empresas n\u00e3o pode motivar a revoga\u00e7\u00e3o do programa. \u201cCabe a fiscaliza\u00e7\u00e3o identificar os contribuintes que estariam usando o benef\u00edcio indevidamente e autu\u00e1-los\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Bastos tamb\u00e9m defende que uma MP n\u00e3o pode desfazer uma pol\u00edtica p\u00fablica prevista para ajudar o setor se soerguer ap\u00f3s um grave per\u00edodo de crise econ\u00f4mica. Ainda mais quando houve o tr\u00e2mite legislativo, aprova\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional e estudos t\u00e9cnicos sobre o impacto financeiro que a medida traria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o se pode alterar a legisla\u00e7\u00e3o de maneira abrupta\u201d, afirma o advogado. Ele adiciona que a jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da S\u00famula 544, \u00e9 a favor dos contribuintes e pro\u00edbe a supress\u00e3o de isen\u00e7\u00f5es fiscais concedidas sob condi\u00e7\u00f5es onerosas, situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga a este caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) disse que vai recorrer. Afirmou tamb\u00e9m que \u201cn\u00e3o h\u00e1 qualquer inconstitucionalidade ou ilegalidade na edi\u00e7\u00e3o da medida provis\u00f3ria que restabeleceu a tributa\u00e7\u00e3o do setor de eventos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A PGFN ainda afirma que o programa foi criado para \u201cmitigar as perdas decorrentes dos efeitos da pandemia da covid-19 sem qualquer \u00f4nus ou condi\u00e7\u00e3o para os contribuintes que a ele aderiram\u201d. Portanto, \u201cn\u00e3o h\u00e1 que se falar em direito adquirido\u201d e que o princ\u00edpio da anterioridade (prazo de 90 dias) foi respeitado.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de revogar o Perse, a MP 1.202 limitou as compensa\u00e7\u00f5es fiscais e reonerou gradativamente a folha salarial. Com a revoga\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios, haveria um impacto positivo para o caixa do governo m 2024 de R$ 6 bilh\u00f5es, de acordo com estimativas da Receita Federal inseridas na exposi\u00e7\u00e3o de motivos da MP.<\/p>\n\n\n\n<p>A legalidade da MP est\u00e1 em discuss\u00e3o no Supremo Tribunal Federal (ADI 7587). Tamb\u00e9m h\u00e1 uma negocia\u00e7\u00e3o entre o Minist\u00e9rio da Fazenda e o Congresso Nacional para retirar a medida e enviar dois projetos de lei separados &#8211; um sobre desonera\u00e7\u00e3o e outro do Perse e compensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/15\/liminar-mantem-milhares-de-empresas-no-perse.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/15\/liminar-mantem-milhares-de-empresas-no-perse.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Companhias ganham muni\u00e7\u00e3o para contestar relat\u00f3rio de transpar\u00eancia<\/strong><br>Data: 18\/03\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas ganharam mais muni\u00e7\u00e3o para ir \u00e0 Justi\u00e7a contra a divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio de transpar\u00eancia salarial em seus sites e redes sociais, conforme imposi\u00e7\u00e3o pela Lei de Igualdade Salarial (Lei n\u00ba 14.611\/2023). Na sexta-feira teria ocorrido um suposto vazamento de dados desses relat\u00f3rios pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE). No dia anterior, a publica\u00e7\u00e3o de uma nota t\u00e9cnica do Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade) apontou que a divulga\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es pode trazer riscos concorrenciais \u00e0s empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, poucas liminares foram concedidas a favor das companhias, mas uma nova leva de a\u00e7\u00f5es judiciais pode ocorrer, com base nos \u00faltimos acontecimentos. A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) e a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) j\u00e1 entraram no embate para levar a discuss\u00e3o ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido de liminar na a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade, contudo, ainda ser\u00e1 analisado pelo relator, ministro Alexandre de Moraes (ADI 7612).<\/p>\n\n\n\n<p>O suposto vazamento de dados desses relat\u00f3rios demonstraria, segundo especialistas, o despreparo do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) ao lidar com informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, causando riscos \u00e0s companhias. Para a advogada trabalhista Christiana Fontenelle, s\u00f3cia do Bichara Advogados, a confus\u00e3o gerada na sexta-feira, com rela\u00e7\u00e3o aos relat\u00f3rios, som ada \u00e0 nota t\u00e9cnica do Cade \u201ctrazem mais robustez para a defesa das companhias no Judici\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As companhias com mais de cem funcion\u00e1rios enviaram dados para os relat\u00f3rios ao MTE at\u00e9 dia 8. Aguardavam o envio do documento pelo \u00f3rg\u00e3o na sexta-feira &#8211; data prevista oficialmente pelo minist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no in\u00edcio da manh\u00e3, advogados e representantes de RH come\u00e7aram a receber um link, em grupos de WhastApp, que pedia o CNPJ da empresa para dar acesso ao que supostamente seria o relat\u00f3rio de transpar\u00eancia da empresa. O link ficou inst\u00e1vel por algumas horas e foi retirado do ar no in\u00edcio da tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Da maneira como o link foi disponibilizado, segundo o advogado trabalhista, Fabio Medeiros, s\u00f3cio de Lobo de Rizzo Advogados, qualquer um poderia ter acesso a esses relat\u00f3rios. \u201cBastava colocar o CNPJ e baixar\u201d, diz. \u201cConseguimos, por instantes, ver na tela um relat\u00f3rio, mas n\u00e3o foi poss\u00edvel imprimir\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Medeiros diz que esse procedimento de divulga\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem previs\u00e3o em lei, nem segue os esclarecimentos do MTE na live do YouTube sobre o assunto semanas atr\u00e1s. Segundo o MTE, essa divulga\u00e7\u00e3o seria por download feito apenas pela pr\u00f3pria empresa, no dia 15 de mar\u00e7o, e a empresa publicaria at\u00e9 o dia 30 de mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas empresas conseguiram acessar seus relat\u00f3rios fornecidos pelo link divulgado, segundo a advogada Daniela Yuassa, do Stocche Forbes. \u201cUm dos grandes receios era a divulga\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios (ainda que em faixas), o que n\u00e3o ocorreu\u201d, diz. Contudo, ela afirma que n\u00e3o se pode considerar que essas vers\u00f5es de relat\u00f3rios sejam v\u00e1lidas, de forma que ainda h\u00e1 certa expectativa sobre a vers\u00e3o oficial. \u201cAl\u00e9m disso, espera-se que sejam divulgados pelo Portal Emprega Brasil, cujo acesso \u00e9 exclusivo dos representantes das empresas\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada Marcela Tavares Ortega, do Machado Meyer Advogados, diz que conseguiu acessar as informa\u00e7\u00f5es sobre o escrit\u00f3rio no link enviado. \u201cO formato era igual ao disponibilizado pelo MTE na live. Tinha o sal\u00e1rio m\u00e9dio com a compara\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros, o percentual de homens e mulheres, percentual de homens e mulheres negras, dados por grandes grupos de ocupa\u00e7\u00e3o [como n\u00edvel superior, t\u00e9cnicos, servi\u00e7os administrativos e atividades operacionais]\u201d Se a divulga\u00e7\u00e3o ocorrida foi de dados reais, o que parecia, segundo ela, h\u00e1 um problema muito grande.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pelo Valor, a assessoria de imprensa do MTE informou, por meio nota, que \u201csomente o relat\u00f3rio que ser\u00e1 divulgado a partir do dia 21 de mar\u00e7o deve ser considerado como oficial\u201d. Diz tamb\u00e9m que \u201cinforma\u00e7\u00f5es disseminadas antes desta data, devem ser ignoradas\u201d e que \u201ca \u00e1rea t\u00e9cnica do MTE ainda est\u00e1 trabalhando para consolidar os dados que se ser\u00e3o disponibilizados no portal Emprega Brasil na pr\u00f3xima quinta-feira\u201d. Depois disso, empresas ter\u00e3o at\u00e9 dia 31 de mar\u00e7o para divulgar os relat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de risco de danos \u00e0 concorr\u00eancia por divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre os sal\u00e1rios \u00e9 refor\u00e7ada pela Nota T\u00e9cnica n\u00ba 3, de 2024, do Cade. O parecer foi emitido a pedido da C\u00e2mara Brasileira da Economia Digital (C\u00e2mara-e.net) sobre o tema. Para a advogada Christiana Fontenelle, a nota refor\u00e7a a argumenta\u00e7\u00e3o das empresas nas a\u00e7\u00f5es judiciais. Ela afirma j\u00e1 ter proposto cerca de 40 a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a e outras companhias aguardam a entrega do relat\u00f3rio pelo MTE para entrar com medida judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>A nota t\u00e9cnica diz que o relat\u00f3rio de transpar\u00eancia salarial constitui divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es concorrencialmente sens\u00edveis, que podem facilitar at\u00e9 mesmo a forma\u00e7\u00e3o de cart\u00e9is e a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No documento, o Cade recomenda a suspens\u00e3o ou cancelamento e posterior revis\u00e3o dos dispositivos do Decreto n\u00ba 11.795\/2023 e da Portaria n.\u00ba 3.714\/2023, do MTE, que determinam a publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre remunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pelas empresas, com o objetivo de alcan\u00e7ar equidade de g\u00eanero no local de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A nota t\u00e9cnica tamb\u00e9m afirma que leis que fomentam a igualdade de pagamento entre g\u00eaneros na Europa estabelecem que a empresa publique apenas medidas estat\u00edsticas de dados agregados (propor\u00e7\u00f5es) que revelem a disparidade remunerat\u00f3ria em fun\u00e7\u00e3o do g\u00eanero, sem identificar os valores espec\u00edficos das remunera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex-conselheiro do Cade e professor de Direito Constitucional da USP, Marcos Ver\u00edssimo, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio que leva seu nome, destaca que autoridades na \u00e1rea de concorr\u00eancia do Brasil e de outros pa\u00edses apontam que essa transpar\u00eancia irrestrita pode facilitar acordos entre empresas para que se paguem valores mais baixos de sal\u00e1rios. \u201cMesmo que as empresas n\u00e3o se conversem, esses dados estar\u00e3o facilmente dispon\u00edveis\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/18\/companhias-ganham-municao-para-contestar-relatorio-de-transparencia.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/03\/18\/companhias-ganham-municao-para-contestar-relatorio-de-transparencia.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><strong>ESTADUAIS:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"3\">\n<li><strong>MUNICIPAIS:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 11\/03 a 18\/03 Arrecada\u00e7\u00e3o do IPVA sobe de R$ 65,56 bi para R$ 81,02 bi em 2023, aponta estudo do IBPTData: 11\/03\/2024 A arrecada\u00e7\u00e3o do Imposto sobre a Propriedade de Ve\u00edculos Automotores (IPVA) subiu 23,58% em 2023, saltando de R$ 65,56 bilh\u00f5es para R$ 81,02 bilh\u00f5es, segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3194,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[9,29,33,63,96,73],"class_list":["post-3192","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-retrospecto-tributario","tag-amaral-yazbek","tag-empresas","tag-negocios","tag-noticia-do-dia","tag-reforma-tributaria","tag-retrospecto-tributario"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Retrospecto Tribut\u00e1rio - 11\/03 a 18\/03<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"As principais atualiza\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias que voc\u00ea n\u00e3o pode perder est\u00e3o aqui. 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