{"id":3137,"date":"2024-02-14T17:24:10","date_gmt":"2024-02-14T20:24:10","guid":{"rendered":"http:\/\/34.239.117.254\/?p=3137"},"modified":"2024-02-14T17:27:03","modified_gmt":"2024-02-14T20:27:03","slug":"retrospecto-tributario-05-02-a-14-02","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=3137","title":{"rendered":"Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 05\/02 a 14\/02"},"content":{"rendered":"\n<p>Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 05\/02 a 14\/02<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00famero de pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial de empresas dispara em 2023<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 05\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de recupera\u00e7\u00f5es judiciais no pa\u00eds n\u00e3o para de crescer. O ano de 2023 terminou com 4.045 empresas efetivamente em processo de reestrutura\u00e7\u00e3o, \u00edndice considerado alto por especialistas, e um recorde no volume de pedidos. Foram registrados 1.405 ao longo do ano, um aumento de quase 70% em rela\u00e7\u00e3o a 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o quarto \u00edndice mais alto de pedidos registrado pela Serasa Experian desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 2005, e o maior volume desde 2020 &#8211; mesmo patamar alcan\u00e7ado nos anos de 2012, 2018 e 2019. Micro e pequenas empresas lideraram a procura (939 delas). E um total de 135 grandes companhias recorreram ao Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi um surpreendente aumento no \u00edndice de recupera\u00e7\u00f5es judiciais no Brasil, consequ\u00eancia do crescimento da inadimpl\u00eancia, que bateu recorde hist\u00f3rico no ano passado\u201d, diz o economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, destacando que, em outubro (\u00faltimo dado dispon\u00edvel sobre inadimpl\u00eancia), eram 6,6 milh\u00f5es de empresas no vermelho. As d\u00edvidas somavam R$ 125,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, duas a cada mil empresas em atividade est\u00e3o em recupera\u00e7\u00e3o judicial &#8211; tendo como base 2,19 milh\u00f5es de matrizes de pequeno, m\u00e9dio e grande portes. Os dados s\u00e3o do Monitor RGF de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial, desenvolvido pela consultoria RGF &amp; Associados, que n\u00e3o incluem microempresas.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de companhias em processos de reestrutura\u00e7\u00e3o &#8211; considerando entradas e sa\u00eddas &#8211; aumentou em 173 no quarto trimestre do ano, saindo de 3.872 para 4.045. O estoque, no fim do primeiro semestre, estava em 3.823 processos e esse n\u00famero j\u00e1 era considerado bastante alto pelo s\u00f3cio da RGF, Rodrigo Gallegos, e pela consultora Roberta Gonzaga.<\/p>\n\n\n\n<p>Os maiores \u00edndices de recupera\u00e7\u00e3o judicial, de acordo com o Monitor RGF, est\u00e3o nos setores de cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar, constru\u00e7\u00e3o de rodovias e ferrovias, fabrica\u00e7\u00e3o de latic\u00ednios, de transporte rodovi\u00e1rio coletivo de passageiros, com itiner\u00e1rio fixo, municipal e de fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos para agricultura e pecu\u00e1ria, exceto para irriga\u00e7\u00e3o &#8211; com base na Classifica\u00e7\u00e3o Nacional das Atividades Econ\u00f4micas (CNAE).<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento no n\u00famero de empresas em recupera\u00e7\u00e3o ocorreu porque a quantidade de novos processos foi maior do que a de processos encerrados. No quarto trimestre, 357 empresas entraram em recupera\u00e7\u00e3o, mais que o dobro da quantidade no terceiro trimestre do ano. E 184 sa\u00edram &#8211; 110 delas retornaram \u00e0 opera\u00e7\u00e3o normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Um conjunto de fatores explica esse crescimento. Mas o que mais pesa, de acordo com Rodrigo Gallegos e Roberta Gonzaga, da RGF, \u00e9 a alta taxa de juros. As empresas se alavancaram com a oferta de cr\u00e9dito quando os juros estavam baixos. Durante a pandemia, em 2020, a Selic esteve em 2%. Agora, em meio a quedas, est\u00e1 em 11,25%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs empresas ainda est\u00e3o muito estranguladas com o custo da d\u00edvida\u201d, diz Gallegos. Ele lembra que hoje, ao contr\u00e1rio do per\u00edodo de pandemia, n\u00e3o existe mais tanta margem para negocia\u00e7\u00e3o. Naquela \u00e9poca, os credores estavam mais benevolentes &#8211; concedendo prazos de car\u00eancia e permitindo o alongamento da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa explos\u00e3o em 2023, afirmam especialistas, \u00e9, em parte, fruto de uma demanda reprimida da pandemia da covid-19. \u201cA crise que estava acontecendo foi sendo adiada. Muitos bancos renegociaram prazos e estavam repactuando as d\u00edvidas das empresas, mas n\u00e3o estava se resolvendo o problema fundamental: o de alto endividamento\u201d, diz o advogado Oreste Laspro, professor da Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e s\u00f3cio da Laspro Consultores, uma das bancas pioneiras em administra\u00e7\u00e3o judicial no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Laspro foi nomeado administrador judicial da SouthRock Capital &#8211; dona de v\u00e1rias redes de restaurantes como Starbucks, TGI Fridays e Subway -, que entrou em recupera\u00e7\u00e3o judicial em 2023. O pedido foi feito em 31 de outubro, mas s\u00f3 foi aceito mais de um m\u00eas depois, no dia 12 de dezembro (processo n\u00ba 1153819-28.2023.8.26.0100).<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos maiores e mais pol\u00eamicos processos do ano foi o da 123milhas. A companhia bateu \u00e0 porta do Judici\u00e1rio, no m\u00eas de agosto, com mais de R$ 2 bilh\u00f5es em d\u00edvidas e cerca de 700 mil credores para negociar &#8211; a maioria pessoas f\u00edsicas (processo n\u00ba 5194147-26.2023.8.13.0024).<\/p>\n\n\n\n<p>Na lista do ano ainda consta a M.Officer, do setor de vestu\u00e1rio. As d\u00edvidas da empresa s\u00e3o da ordem de R$ 53,5 milh\u00f5es, fruto de uma queda de 91% das vendas durante a pandemia da covid-19, segundo informou nos autos. Aspectos concorrenciais pela \u201centrada dos gigantes players asi\u00e1ticos no cen\u00e1rio nacional\u201d e dificuldade no acesso a cr\u00e9dito com bancos tamb\u00e9m influenciaram (processo n\u00ba 1123916-45.2023.8.26.0100).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio afetou de forma mais aguda o setor de servi\u00e7os e as micro e pequenas empresas. \u201cElas ficam mais sufocadas por conta do mecanismo do neg\u00f3cio. Com qualquer grande oscila\u00e7\u00e3o, dificuldade e, ainda mais em um cen\u00e1rio de incerteza econ\u00f4mica, elas n\u00e3o conseguem ter estrutura organizacional e f\u00f4lego para renegociar\u201d, afirma Samantha Longo, s\u00f3cia do Bichara Advogados e integrante do F\u00f3rum Nacional de Recupera\u00e7\u00e3o Empresarial e Fal\u00eancias (Fonaref) do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ).<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da demanda foi percebido no dia a dia dos escrit\u00f3rios, como no Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados. \u201cFoi um ano bastante agitado, com uma procura muito maior que nos \u00faltimos cinco anos, desde exame de poss\u00edveis medidas a protocolar os processos\u201d, afirma o advogado Ivo Waisberg, s\u00f3cio da banca. Ele atua em uma das maiores recupera\u00e7\u00f5es, a da Americanas, cuja d\u00edvida \u00e9 de R$ 42,5 bilh\u00f5es (processo n\u00ba 0803087-20.2023.8.19.0001), como representante da Ita\u00fa Asset Management, e tamb\u00e9m nos processos da SouthRock Capital e da 123milhas.<\/p>\n\n\n\n<p>juros, tenham come\u00e7ado a surgir, a rea\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio de recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 mais lenta e a tend\u00eancia de alta deve ser manter pelo menos durante este primeiro semestre. \u201cA economia est\u00e1 melhorando, mas a recupera\u00e7\u00e3o das empresas n\u00e3o acompanha no mesmo ritmo, acaba tendo um efeito retardat\u00e1rio, ent\u00e3o o n\u00famero de pedidos ainda deve aumentar, pelo menos, durante o primeiro semestre\u201d, diz a advogada Juliana Bumachar, s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Bumachar Advogados Associados.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/05\/numero-de-pedidos-de-recuperacao-judicial-de-empresas-dispara-em-2023.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/05\/numero-de-pedidos-de-recuperacao-judicial-de-empresas-dispara-em-2023.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Receita adota tributa\u00e7\u00e3o menor para ganho com varia\u00e7\u00e3o cambial em venda de empresa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 06\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A varia\u00e7\u00e3o cambial de pagamento parcelado decorrente da venda de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria no Brasil por contribuinte que est\u00e1 no exterior n\u00e3o deve ser tributada como ganho de capital, mas como rendimento a t\u00edtulo de juros &#8211; cuja al\u00edquota pode ser menor. Esse \u00e9 o entendimento da Receita Federal, conforme a Solu\u00e7\u00e3o de Consulta da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Tributa\u00e7\u00e3o (Cosit) n\u00ba 2, publicada recentemente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A tributa\u00e7\u00e3o de rendimento de capital a t\u00edtulo de juros \u00e9 feita por meio de al\u00edquota fixa de 15% de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). No ganho de capital, h\u00e1 varia\u00e7\u00e3o entre 15% e 22,5%, a depender do valor da parcela.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o Fisco aplicou as regras de tributa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o residentes. A aliena\u00e7\u00e3o a prazo foi realizada quando o contribuinte ainda era residente no Brasil, mas os pagamentos foram recebidos quando j\u00e1 n\u00e3o era mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita Federal j\u00e1 havia sinalizado entendimento nesse sentido nos anos de 2004 e 2008. Por\u00e9m, em solu\u00e7\u00f5es de consulta de efeito individual apenas. Agora, a orienta\u00e7\u00e3o deve ser seguida por todos os auditores fiscais do pa\u00eds. Ela esclarece ainda que, em caso de falta de reten\u00e7\u00e3o, o imposto ter\u00e1 que ser pago pelo procurador no Brasil do benefici\u00e1rio residente no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>A consulta foi feita por uma pessoa f\u00edsica que n\u00e3o \u00e9 residente no Brasil desde 27 de janeiro de 2021. Mas, antes disso, em 2019, realizou aliena\u00e7\u00e3o a prazo de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria em empresa brasileira a uma companhia estrangeira sediada em Londres. Os pagamentos teriam ocorrido nos anos de 2019, com a celebra\u00e7\u00e3o do contrato, 2021 e 2022, ap\u00f3s a convers\u00e3o em reais nas respectivas datas de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A pessoa que fez a consulta apurou e pagou o IRPF devido sobre o ganho de capital nos anos-calend\u00e1rios de 2019, 2021 e 2022, conforme o recebimento das parcelas, mas viu que os valores efetivamente recebidos em 2021 e em 2022 sofreram varia\u00e7\u00e3o cambial positiva em fun\u00e7\u00e3o da aprecia\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar.<\/p>\n\n\n\n<p>O IRPF devido em 2021 e 2022 foi apurado considerando como valor de aliena\u00e7\u00e3o os totais recebidos em reais, ou seja, com a varia\u00e7\u00e3o cambial embutida. Algum tempo depois, o contribuinte ficou em d\u00favida se a majora\u00e7\u00e3o das parcelas recebidas em 2021 e 2022 deveria compor o valor da aliena\u00e7\u00e3o na apura\u00e7\u00e3o do IRPF devido sobre ganho de capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Na solu\u00e7\u00e3o de consulta, a Receita Federal respondeu que o acr\u00e9scimo referente \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial, embutida nos recebimentos em 2021 e 2022, deve ser tributado de forma apartada dos valores originais em reais dessas parcelas correspondentes \u00e0 taxa de c\u00e2mbio na data da aliena\u00e7\u00e3o. O Fisco explicou que, apesar de o Decreto n\u00ba 9.580, de 2018 (RIR 2018), s\u00f3 mencionar juros, a Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 84, de 2001, ampliou o escopo para equiparar aos juros quaisquer reajustes nas parcelas ocorridos entre a data da celebra\u00e7\u00e3o do contrato e os efetivos pagamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDevem ser aplicados os dispositivos da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria do IRPF e IRRF que tratam do recebimento de juros e demais rendimentos no Brasil por pessoa f\u00edsica residente no exterior\u201d, diz a Receita Federal na solu\u00e7\u00e3o de consulta.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela regra, o pagamento das segunda e terceira parcelas deveria ter sido quebrado em duas partes, sendo um referente ao valor original em reais e a outra correspondente apenas ao acr\u00e9scimo em fun\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o cambial. Sobre o valor bruto do acr\u00e9scimo, deveria ter sido retido e recolhido o IRRF, calculado \u00e0 al\u00edquota de 15%.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratando-se de aliena\u00e7\u00e3o de bem localizado no Brasil, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira estabelece a equipara\u00e7\u00e3o do tratamento fiscal dos ganhos de capital auferidos por residentes brasileiros e n\u00e3o residentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita refor\u00e7a, na solu\u00e7\u00e3o de consulta, que \u00e9 devido o Imposto de Renda sobre o ganho de capital sempre que o bem ou direito alienado esteja localizado no territ\u00f3rio brasileiro, ainda que o adquirente n\u00e3o seja residente no pa\u00eds. No caso, quem comprou a participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria \u00e9 residente no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tendo ocorrido a reten\u00e7\u00e3o do IRRF, cabe ao procurador no Brasil do residente no exterior, benefici\u00e1rio do rendimento, apurar e pagar o imposto calculado \u00e0 al\u00edquota de 15%. Ela deve incidir sobre o acr\u00e9scimo decorrente da varia\u00e7\u00e3o cambial, quando o procurador n\u00e3o der conhecimento \u00e0 fonte de que o propriet\u00e1rio do rendimento reside ou \u00e9 domiciliado no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Jorge Lopes, do escrit\u00f3rio Pinheiro Neto Advogados, o entendimento \u00e9 bom para o contribuinte. Isso porque a tributa\u00e7\u00e3o de ganho de capital se d\u00e1 nas al\u00edquotas entre 15% e 22,5%, a depender do valor envolvido, enquanto pelo entendimento da Receita a tributa\u00e7\u00e3o fica em 15%, independentemente do valor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHavia um certo receio por parte de quem paga, muita gente ficava desconfort\u00e1vel em tomar o risco\u201d, afirma. Ainda segundo o advogado, apesar de a solu\u00e7\u00e3o de consulta ter sido proposta por pessoa fisica, o entendimento vale para pessoas jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o advogado tributarista Leonardo Roesler, s\u00f3cio do RMS Advogados, se antes havia alguma ambiguidade ou inconsist\u00eancia na aplica\u00e7\u00e3o da reten\u00e7\u00e3o do IRRF sobre pagamentos relacionados \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial positiva a residentes no exterior, a solu\u00e7\u00e3o de consulta esclarece que essa reten\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria e estabelece a al\u00edquota de 15%. \u201cIsso pode significar uma mudan\u00e7a nas pr\u00e1ticas de reten\u00e7\u00e3o de impostos para algumas empresas, requerendo uma revis\u00e3o dos procedimentos de pagamento ao exterior\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Caio Malpighi, do escrit\u00f3rio VBSO Advogados, destaca que a novidade \u00e9 ser uma manifesta\u00e7\u00e3o da Cosit, portanto, vinculante. No caso concreto, a aplica\u00e7\u00e3o de regras de tributa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o residentes foi muito ben\u00e9fica para o contribuinte. No entanto, acrescenta, \u201cpara um contribuinte sujeito \u00e0s regras gerais de tributa\u00e7\u00e3o de rendimentos, poderia ser mais vantajosa a tributa\u00e7\u00e3o pelo ganho de capital\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/06\/receita-adota-tributacao-menor-para-ganho-com-variacao-cambial-em-venda-de-empresa.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/06\/receita-adota-tributacao-menor-para-ganho-com-variacao-cambial-em-venda-de-empresa.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Haddad: Buscamos reforma tribut\u00e1ria neutra em arrecada\u00e7\u00e3o no consumo e na renda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 06\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta ter\u00e7a-feira que a reforma tribut\u00e1ria do Imposto de Renda ter\u00e1 o mesmo princ\u00edpio de ser neutra em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carga tribut\u00e1ria, mas com altera\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Haddad, quando o governo fala em tributar dividendos, n\u00e3o est\u00e1 falando de somar essa carga ao que a empresa j\u00e1 recolhe. &#8220;\u00c9 buscar uma composi\u00e7\u00e3o melhor&#8221;, disse o ministro ao participar de uma confer\u00eancia do BTG.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro disse ainda que o governo n\u00e3o tem o objetivo de chegar a uma arrecada\u00e7\u00e3o proporcional a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) como ocorreu em 2010, mas frisou que a m\u00e9dia que &#8220;garante a sustentabilidade das despesas contratadas&#8221; n\u00e3o s\u00e3o os 17,5% atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando vai ver o que ocorreu, encontra absurdos, como a tese do s\u00e9culo, a subven\u00e7\u00e3o ao custeio, o Perse. Vai somando tudo e d\u00e1 R$ 100 bilh\u00f5es, R$ 200 bilh\u00f5es. Como algu\u00e9m vai suportar um dreno desse tamanho?&#8221;, questionou o ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele afirmou ser preciso &#8220;abrir a planilha&#8221; e discutir o n\u00famero. &#8220;Precisamos levar essa agenda e as pessoas precisam ter esp\u00edrito p\u00fablico, precisa baixar a guarda, ter generosidade com o pa\u00eds, que n\u00e3o est\u00e1 arrumado&#8221;, falou Haddad. &#8220;As pessoas precisam se desarmarem um pouco, \u00e9 o trabalho que precisamos fazer. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a t\u00e9cnica, precisa ter uma dimens\u00e3o pol\u00edtica, humana, de tratar inclusive os or\u00e7ament\u00e1rios com o respeito devido que a pol\u00edtica exige&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Um pouco antes, disse que alertou o Congresso de que a PEC da reforma administrativa, defendida pelos parlamentares, aumenta despesas. &#8220;\u00c9 disso que estamos falando?&#8221;, questionou.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2024\/02\/06\/haddad-buscamos-reforma-tributria-neutra-em-arrecadao-no-consumo-e-na-renda.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2024\/02\/06\/haddad-buscamos-reforma-tributria-neutra-em-arrecadao-no-consumo-e-na-renda.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frentes parlamentares se organizam para regulamentar reforma tribut\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 06\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), apresentou um requerimento de informa\u00e7\u00e3o \u00e0 Mesa Diretora da C\u00e2mara para tentar for\u00e7ar o governo a fornecer o cronograma e o plano de trabalho dos 19 grupos de trabalho (GTs) criados com Estados e munic\u00edpios para a regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria. Passarinho tamb\u00e9m cobra a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil ou de parlamentares como ouvintes nas reuni\u00f5es dos GTs.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO grupo reunido para elaborar os projetos de Leis Complementares que regulamentar\u00e3o a reforma tribut\u00e1ria \u00e9 composto exclusivamente por membros representantes do governo federal, dos Estados e munic\u00edpios, sendo a maioria de seus membros parte da Receita Federal. Desse modo, entendemos que n\u00e3o h\u00e1 representatividade daqueles que s\u00e3o mais impactados com o novo regime tribut\u00e1rio, ou seja, os contribuintes\u201d, diz o deputado no documento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 evidente a necessidade de inclus\u00e3o da sociedade civil no processo de regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria, dado que essa impacta diretamente o bem-estar de todos os brasileiros. Se n\u00e3o poss\u00edvel a participa\u00e7\u00e3o como contribuintes de sugest\u00f5es t\u00e9cnicas, que seja poss\u00edvel no m\u00ednimo o acompanhamento das discuss\u00f5es como ouvintes\u201d, continua Passarinho em outro trecho.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas frentes parlamentares, incluindo a FPE, tentam se antecipar ao governo ao apresentar propostas alternativas para regulamentar os novos impostos criados pela reforma tribut\u00e1ria. A iniciativa conta com o apoio de alguns setores que ser\u00e3o impactados pelas mudan\u00e7as. Para isso, deputados e senadores organizaram 19 grupos de trabalho, em formato similar ao feito pelo governo no m\u00eas passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Liderados por frentes parlamentares ligadas ao agroneg\u00f3cio e com\u00e9rcio, os grupos contam com representantes de entidades do setor produtivo, como C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (Cbic), e das empresas, como Renner.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e3o inscritas a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Administradoras de Cons\u00f3rcios (Abac), a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Varejo T\u00eaxtil (Abvtex), e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Companhias de Capital Aberto (Abrasca).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEntendemos que n\u00e3o h\u00e1 representatividade dos que s\u00e3o mais impactados\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Existem grupos criados para analisar pontos da reforma como imunidades tribut\u00e1rias, regimes espec\u00edficos, Comit\u00ea Gestor, Imposto Seletivo, importa\u00e7\u00e3o e cashback.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 12 de janeiro, o governo criou os grupos de trabalho com Estados e munic\u00edpios. Os GTs v\u00e3o elaborar no prazo de 60 dias anteprojetos para regulamentar o Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS) e da Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS). O primeiro \u00e9 um tributo de compet\u00eancia da Uni\u00e3o, e o segundo, dos entes.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da promulga\u00e7\u00e3o da lei, em 20 de dezembro, o Executivo tem at\u00e9 180 dias para enviar os projetos de leis complementares ao Legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), no entanto, deseja que os textos cheguem o quanto antes para que haja tempo de os parlamentares discutirem as mat\u00e9rias. No Executivo, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 terminar as propostas at\u00e9 mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme mostrou o Valor, pelo menos 71 pontos da reforma tribut\u00e1ria precisar\u00e3o ser detalhados em leis complementares. Ao menos tr\u00eas projetos de lei devem ser enviados ao Congresso Nacional: um com a regulamenta\u00e7\u00e3o geral dos novos tributos, outro sobre o comit\u00ea gestor do IBS e um terceiro para o Imposto Seletivo. Os demais temas ser\u00e3o inseridos nesses projetos ou em um quarto ou quinto.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/politica\/noticia\/2024\/02\/06\/frentes-se-organizam-para-regulamentar-reforma-tributaria.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/politica\/noticia\/2024\/02\/06\/frentes-se-organizam-para-regulamentar-reforma-tributaria.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fazenda lan\u00e7a p\u00e1gina na internet sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o do novo sistema de tributa\u00e7\u00e3o do consumo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 06\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Fazenda lan\u00e7a p\u00e1gina na internet sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o do novo sistema de tributa\u00e7\u00e3o do consumo<br>Entre as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis est\u00e1 a agenda de reuni\u00f5es das inst\u00e2ncias que comp\u00f5em o Programa de Assessoramento T\u00e9cnico \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da Reforma Tribut\u00e1ria do Consumo<br>O Minist\u00e9rio da Fazenda lan\u00e7ou nesta segunda-feira (5\/2) uma p\u00e1gina na internet dedicada ao Programa de Assessoramento T\u00e9cnico \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da Reforma Tribut\u00e1ria do Consumo (PAT-RTC). Entre as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis est\u00e3o o detalhamento da estrutura do programa e a agenda de reuni\u00f5es de todas as inst\u00e2ncias que o comp\u00f5em.<br>O PAT-RTC foi institu\u00eddo pela Portaria 34\/2024 do Minist\u00e9rio da Fazenda, publicada no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o em 12 de janeiro. A estrutura do programa tem como inst\u00e2ncia m\u00e1xima a Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o, \u00e0 qual s\u00e3o subordinados 19 Grupos T\u00e9cnicos (GTs), que ir\u00e3o subsidiar a elabora\u00e7\u00e3o dos anteprojetos de leis decorrentes da Emenda Constitucional (EC) 132, promulgada em 20 de dezembro de 2023 e que promove a Reforma Tribut\u00e1ria do consumo.<br>A esse a p\u00e1gina do PAT-RTC, o Programa de Assessoramento T\u00e9cnico \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da Reforma Tribut\u00e1ria do Consumo<br>As reuni\u00f5es dos GTs, para a discuss\u00e3o dos temas espec\u00edficos a cargo de cada um, v\u00eam ocorrendo desde 29 de janeiro ao menos uma vez por semana. J\u00e1 a Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o se re\u00fane tr\u00eas vezes por semana. O prazo para que o PAT-RTC conclua suas atividades \u00e9 de 60 dias, contados a partir da reuni\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o, realizada em 25 de janeiro. A Secretaria Extraordin\u00e1ria da Reforma Tribut\u00e1ria (Sert) do Minist\u00e9rio da Fazenda coordena os trabalhos realizados em todas as inst\u00e2ncias do programa.<br>Reuni\u00e3o inaugural<br>No dia 24 de janeiro, o Minist\u00e9rio da Fazenda promoveu a reuni\u00e3o inaugural do PAT-RTC. O ministro Fernando Haddad abriu o evento virtual, do qual participaram integrantes de todas as inst\u00e2ncias que comp\u00f5em o programa e cujos nomes foram anunciados em portaria da pasta publicada no mesmo dia. O secret\u00e1rio extraordin\u00e1rio da Reforma Tribut\u00e1ria, Bernard Appy, conduziu a sequ\u00eancia da reuni\u00e3o, detalhando a estrutura do PAT-RTC, as atribui\u00e7\u00f5es de cada inst\u00e2ncia, a din\u00e2mica e o cronograma dos trabalhos, entre outros pontos.<br>\u201cEstamos criando um pacto federativo cooperativo como nunca se viu no Brasil\u201d, disse Haddad. \u201cA Reforma Tribut\u00e1ria \u00e9 uma plataforma de desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, acrescentou.<br>O PAT-RTC ser\u00e1 conclu\u00eddo com a apresenta\u00e7\u00e3o, pela Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o, do relat\u00f3rio final dos trabalhos e das propostas de anteprojetos de lei destinados \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da Reforma Tribut\u00e1ria do consumo. Esse material ser\u00e1 encaminhado ao Fernando Haddad e ao presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, como subs\u00eddio para a elabora\u00e7\u00e3o dos projetos de leis a serem enviados pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica ao Congresso Nacional.<br>Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o e GTs<br>Entre as principais atribui\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o est\u00e3o a avalia\u00e7\u00e3o e a consolida\u00e7\u00e3o dos materiais formulados pelas inst\u00e2ncias do programa; a elabora\u00e7\u00e3o das propostas relacionadas \u00e0s normas gerais do Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS) e da Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS); e a formula\u00e7\u00e3o, com base nas sugest\u00f5es elaboradas pelos GTs e nas recomenda\u00e7\u00f5es do Grupo de An\u00e1lise Jur\u00eddica, o relat\u00f3rio conclusivo dos trabalhos e as propostas dos anteprojetos de lei decorrentes da EC 132.<br>A comiss\u00e3o \u00e9 formada por um representante da Secretaria Extraordin\u00e1ria da Reforma Tribut\u00e1ria (Sert), que a coordenar\u00e1 (o secret\u00e1rio Bernard Appy); um da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU); dois da Uni\u00e3o (indicados pela Receita Federal); dois dos estados (indicados pelo Comit\u00ea Nacional de Secret\u00e1rios de Fazenda, Finan\u00e7as, Receita ou Tributa\u00e7\u00e3o dos Estados e do Distrito Federal \u2013 Consefaz); e dois dos munic\u00edpios (indicados pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios e pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos).<br>Dos 19 Grupos T\u00e9cnicos que comp\u00f5em o PAT-RTC, 15 ter\u00e3o atribui\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do IBS e da CBS, tratando de temas como importa\u00e7\u00e3o e regimes aduaneiros especiais; regimes espec\u00edficos; transi\u00e7\u00e3o para os novos impostos; cesta b\u00e1sica e cashback. Os demais GTs estar\u00e3o dedicados \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o de recursos do IBS, do Fundo de Sustentabilidade e Diversifica\u00e7\u00e3o do Estado do Amazonas e do Fundo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel dos Estados da Amaz\u00f4nia Ocidental e do Amap\u00e1, do Comit\u00ea Gestor do IBS e do Imposto Seletivo.<br>Cada GT ser\u00e1 formado por dois representantes da Uni\u00e3o, dois dos estados e dois dos munic\u00edpios, e coordenado por um integrante da Sert. Os GTs poder\u00e3o convidar participantes do Minist\u00e9rio da Fazenda, de outros \u00f3rg\u00e3os e entidades, p\u00fablicos e privados, e especialistas para contribuir na discuss\u00e3o de assuntos espec\u00edficos, mas sem direito a voto.<br>An\u00e1lise Jur\u00eddica e Quantifica\u00e7\u00e3o<br>O PAT-RTC tamb\u00e9m conta em sua estrutura com o Grupo de An\u00e1lise Jur\u00eddica, que ir\u00e1 subsidiar as demais inst\u00e2ncias do programa no que refere aos aspectos jur\u00eddicos das propostas em elabora\u00e7\u00e3o e elaborar an\u00e1lise jur\u00eddica dos anteprojetos formulados pelas demais inst\u00e2ncias. O grupo tem um representante da AGU, que o coordenar\u00e1; quatro da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; quatro das Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal; e quatro das Procuradorias dos Munic\u00edpios.<br>Inst\u00e2ncia de car\u00e1ter consultivo, a Equipe de Quantifica\u00e7\u00e3o apoia a Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o e os GTs com o fornecimento de informa\u00e7\u00f5es sobre o impacto, nas al\u00edquotas de refer\u00eancia, de diferentes op\u00e7\u00f5es de regulamenta\u00e7\u00e3o do IBS e da CBS e e da avalia\u00e7\u00e3o quantitativa de impactos das mudan\u00e7as propostas no sistema tribut\u00e1rio. A equipe ter\u00e1 um representante da Sert (coordenador), um da Secretaria do Tesouro Nacional, um da Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, dois da Receita Federal, dois dos estados e dois dos munic\u00edpios.<br>Fonte: Minist\u00e9rio da Fazenda &#8211; Publicada em 06.02.2024<br><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/fazenda\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/fevereiro\/fazenda-lanca-pagina-na-internet-sobre-a-regulamentacao-do-novo-sistema-de-tributacao-do-consumo\">https:\/\/www.gov.br\/fazenda\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/fevereiro\/fazenda-lanca-pagina-na-internet-sobre-a-regulamentacao-do-novo-sistema-de-tributacao-do-consumo<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ilegalidades no IRPF sobre varia\u00e7\u00e3o cambial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 07\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 14.754\/2023, recentemente editada, cont\u00e9m altera\u00e7\u00f5es relevantes \u00e0s regras do Imposto de Renda das Pessoas F\u00edsicas (IRPF) incidentes sobre rendimentos provenientes de aplica\u00e7\u00f5es financeiras, entidades controladas e trusts no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das altera\u00e7\u00f5es \u00e9 a revoga\u00e7\u00e3o, com efeitos desde 1\u00ba de janeiro, da regra do artigo 24 da Medida Provis\u00f3ria (MP) n\u00ba 2.158-35\/2001, que isenta de IRPF, para pessoas f\u00edsicas residentes no pa\u00eds, a varia\u00e7\u00e3o cambial na aliena\u00e7\u00e3o de bens ou direitos e na liquida\u00e7\u00e3o ou resgate de aplica\u00e7\u00f5es financeiras adquiridas em moeda estrangeira com recursos auferidos originariamente em moeda estrangeira (artigo 46, IX, \u201ca\u201d, e 47, II, da Lei n\u00ba 14.754\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso afetar\u00e1 todos os bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, incluindo o principal aplicado em entidades controladas e em aplica\u00e7\u00f5es financeiras diretas no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o artigo 7\u00ba da lei, a varia\u00e7\u00e3o cambial positiva do principal aplicado em controladas no exterior (sujeitas ou n\u00e3o \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica anual dos lucros) ser\u00e1 tributada como ganho de capital, nos termos do artigo 21 da Lei n\u00ba 8.981\/1995, por ocasi\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o, baixa ou liquida\u00e7\u00e3o do investimento, inclusive por meio de devolu\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal ganho corresponder\u00e1 \u00e0 diferen\u00e7a positiva entre o valor percebido em reais e o custo de aquisi\u00e7\u00e3o m\u00e9dio por cota ou a\u00e7\u00e3o alienada, baixada ou liquidada, em reais. Caso n\u00e3o haja cancelamento de cota ou a\u00e7\u00e3o na devolu\u00e7\u00e3o do capital, o custo de aquisi\u00e7\u00e3o m\u00e9dio dever\u00e1 ser calculado considerando a propor\u00e7\u00e3o que o valor da devolu\u00e7\u00e3o de capital representar\u00e1 do capital total aplicado na entidade.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 31 de dezembro, n\u00e3o eram tribut\u00e1veis as varia\u00e7\u00f5es cambiais de investimentos que \u201cnasceram\u201d em moeda estrangeira, isto \u00e9, feitos\/adquiridos em moeda estrangeira com recursos auferidos originariamente em moeda estrangeira. \u00c9 o caso, por exemplo, de ativos legalizados sob o RERCT (anistia), entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiramente, \u00e9 question\u00e1vel a exig\u00eancia de IRPF sobre varia\u00e7\u00f5es cambiais nesses casos, por aus\u00eancia de efetivo acr\u00e9scimo patrimonial (fato gerador do imposto), considerando que o custo de aquisi\u00e7\u00e3o do ativo foi formado originariamente na moeda estrangeira em que adquirido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que se considere v\u00e1lida a exig\u00eancia de IRPF nessas situa\u00e7\u00f5es, tratando-se de ativo com liquidez realiz\u00e1vel a qualquer momento por ato discricion\u00e1rio e unilateral da pessoa f\u00edsica, o imposto deveria incidir, quando muito, somente sobre a varia\u00e7\u00e3o cambial verificada a partir de 1\u00ba de janeiro, mas n\u00e3o sobre aquela ocorrida at\u00e9 31 de dezembro, considerando que a lei tribut\u00e1ria n\u00e3o pode retroagir para alcan\u00e7ar fatos geradores ocorridos antes de sua vig\u00eancia (artigo 150, III, \u201ca\u201d, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal).<\/p>\n\n\n\n<p>Seria o caso, por exemplo, de investimento em controlada no exterior em que a pessoa f\u00edsica tenha a capacidade de impor a liquida\u00e7\u00e3o da entidade a qualquer momento, unilateralmente ou em conjunto com pessoas vinculadas. Nessas situa\u00e7\u00f5es, o contribuinte j\u00e1 ter\u00e1 adquirido disponibilidade jur\u00eddica (fato gerador do IR) sobre a renda de varia\u00e7\u00e3o cambial ocorrida at\u00e9 31 de dezembro, verificando-se nesse momento a possibilidade de realizar a respectiva renda e, portanto, a manifesta\u00e7\u00e3o da capacidade contributiva que autoriza a incid\u00eancia do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 14.754\/2023 somente excepcionou a tributa\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00e3o cambial ocorrida at\u00e9 31 de dezembro no caso de o contribuinte optar por atualizar o valor do respectivo ativo para seu valor de mercado em 31 de dezembro e pagar 8% de IRPF sobre o excedente ao custo de aquisi\u00e7\u00e3o at\u00e9 31 de maio deste ano. A isen\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o cambial ocorrida at\u00e9 31 de dezembro n\u00e3o deveria ficar limitada e condicionada \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o do valor dos ativos a valor de mercado e \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o antecipada de IRPF sobre tal atualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), embora n\u00e3o haja julgados que discutam especificamente a quest\u00e3o do momento de ocorr\u00eancia do fato gerador do IRPF em se tratando de ganho de varia\u00e7\u00e3o cambial, h\u00e1 precedentes que confirmam a premissa de que o fato gerador do IRPF \u00e9 complexivo, ou seja, ocorrido minuto a minuto durante o ano, e se perfaz apenas em 31 de dezembro do ano-calend\u00e1rio. Desse modo, o fato gerador relativo \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial positiva ocorreria antes da entrada em vigor da nova lei, n\u00e3o podendo ser atingido por ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar situa\u00e7\u00e3o similar na A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n\u00ba 2.588, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 74 da Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 2.158-35\/2001, que pretendia retroagir para tributar lucros de entidades controladas ou coligadas no exterior apurados anteriormente \u00e0 vig\u00eancia dessa norma. A Corte vedou, nessa ocasi\u00e3o, que o dispositivo retroagisse para alcan\u00e7ar fatos geradores ocorridos anteriormente \u00e0 sua vig\u00eancia (i.e. lucros apurados at\u00e9 31 de dezembro de 2001).<\/p>\n\n\n\n<p>Contribuintes que se sintam prejudicados nesse aspecto poder\u00e3o questionar a exig\u00eancia de IRPF sobre varia\u00e7\u00f5es cambiais nesses casos, seja de forma integral por aus\u00eancia de efetivo acr\u00e9scimo patrimonial, seja de forma parcial para que o imposto incida somente sobre a varia\u00e7\u00e3o cambial verificada a partir de 1\u00ba de janeiro (havendo ou n\u00e3o op\u00e7\u00e3o pela atualiza\u00e7\u00e3o de valores), face \u00e0 irretroatividade da lei tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/coluna\/ilegalidades-no-irpf-sobre-variacao-cambial.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/coluna\/ilegalidades-no-irpf-sobre-variacao-cambial.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Governo isenta de Imposto de Renda quem ganha at\u00e9 R$ 2.824<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 07\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O governo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/lula\">Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/a>&nbsp;(PT) publicou uma Medida Provis\u00f3ria (MP) na noite desta ter\u00e7a-feira (6\/2) isentando de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/imposto-de-renda\">Imposto de Renda<\/a>&nbsp;quem ganha at\u00e9 R$ 2.824, valor correspondente a dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. A medida, segundo o governo, beneficia 15,8 milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras a um custo de R$ 3,03 bilh\u00f5es em 2024. O texto passa a valer a partir de sua publica\u00e7\u00e3o, mas dever\u00e1 ser analisado pelo Congresso Nacional em at\u00e9 120 dias.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/medida-provisoria-n-1.206-de-6-de-fevereiro-de-2024-541721723\">Leia aqui a Medida Provis\u00f3ria 1.206\/2023 na \u00edntegra<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A MP aumenta em 6,97% o limite de aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota zero. Dessa forma, o valor do limite para isen\u00e7\u00e3o passa de R$ 2.112,00 para R$ 2.259,20.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO contribuinte com rendimentos de at\u00e9 R$ 2.824,00 mensais ser\u00e1 beneficiado com a isen\u00e7\u00e3o porque, dessa renda, subtrai-se o desconto simplificado, de R$ 564,80, resultando em uma base c\u00e1lculo mensal de R$ 2.259,20, ou seja, exatamente o limite m\u00e1ximo da faixa de al\u00edquota zero da nova tabela\u201d, afirmou o governo em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO desconto de R$ 564,80 \u00e9 opcional, ou seja, quem tem direito a descontos maiores pela legisla\u00e7\u00e3o atual (Previd\u00eancia, dependentes, alimentos) n\u00e3o ser\u00e1 prejudicado\u201d, prosseguiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi segundo reajuste na tabela do Imposto de Renda desde o in\u00edcio do governo Lula. Quando assumiu, o teto de isen\u00e7\u00e3o estava congelado em R$ 1.903,98 desde 2015. No primeiro ano de governo, subiu para R$ 2.640,00, valor correspondente ao sal\u00e1rio m\u00ednimo aprovado no ano passado, e agora vai para R$ 2.824,00.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Fazenda, a mudan\u00e7a est\u00e1 adequada tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (artigo 135 da LDO-2024) como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei de Responsabilidade Fiscal. Ainda de acordo com a Fazenda, \u00e9 estimada redu\u00e7\u00e3o de receitas de R$ 3,03 bilh\u00f5es em 2024; de R$ 3,53 bilh\u00f5es em 2025 e de R$ 3,77 bilh\u00f5es em 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Em evento na \u00faltima semana em S\u00e3o Bernardo do Campo, ber\u00e7o pol\u00edtico de Lula, o presidente da Rep\u00fablica reafirmou a promessa de campanha de isentar quem ganha at\u00e9 R$ 5.000 at\u00e9 o final do mandato.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"b3EMIwG2ab\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/governo-isenta-de-imposto-de-renda-quem-ganha-ate-r-2-824-07022024\">Governo isenta de Imposto de Renda quem ganha at\u00e9 R$ 2.824<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Governo isenta de Imposto de Renda quem ganha at\u00e9 R$ 2.824&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/governo-isenta-de-imposto-de-renda-quem-ganha-ate-r-2-824-07022024\/embed#?secret=b3EMIwG2ab\" data-secret=\"b3EMIwG2ab\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Perse: associa\u00e7\u00f5es de turismo e eventos pedem que Congresso mantenha o programa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 07\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Representantes do setor de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/turismo\">turismo<\/a>, lazer e eventos se reuniram nesta quarta-feira (7\/2) na C\u00e2mara dos Deputados em um ato de mobiliza\u00e7\u00e3o em defesa do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/perse\">Perse<\/a>) e contra a tramita\u00e7\u00e3o da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/mp-1202-2023\">medida provis\u00f3ria (MP) 1.202<\/a>&nbsp;que, entre outras medidas,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/entenda-o-que-mudou-com-a-mp-da-reoneracao-da-folha-e-saiba-quais-os-proximos-passos-16012024\">reduziu o prazo de vig\u00eancia<\/a>&nbsp;dos benef\u00edcios do programa.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o foi organizada pelas associa\u00e7\u00f5es dos setores afetados bem como pela Frente Parlamentar Mista em Defesa do Turismo (FRENTUR), Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo (FPE), Frente Parlamentar Mista da Hotelaria Brasileira e a Frente Parlamentar em Defesa do Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (FCS). O deputado Felipe Carreras (PSB-PE), a deputada Renata Abreu (Podemos-SP) e a senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB) tamb\u00e9m apoiaram a manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No manifesto apresentado, as associa\u00e7\u00f5es pediram a manuten\u00e7\u00e3o do programa e disseram que \u201ca pol\u00edtica p\u00fablica est\u00e1 sendo revogada n\u00e3o por um resultado negativo, mas pela omiss\u00e3o governamental em estudar os seus impactos. Impactos estes que s\u00e3o extremamente positivos e claros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos da MP 1.202<\/p>\n\n\n\n<p>O Perse foi criado durante a pandemia de Covid-19 como uma tentativa de mitigar as perdas das empresas dos setores de eventos e turismo. O programa concedeu al\u00edquota zero de Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/irpj-entenda-o-que-e-como-funciona-e-como-e-calculado-13052021\">IRPJ<\/a>), da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/csll-o-que-e-20082021\">CSLL<\/a>), da contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/Pasep e Cofins inicialmente por 60 meses para as empresas contempladas.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2023, o governo federal publicou a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/mp-1202-2023\">MP 1.202<\/a>&nbsp;que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/entenda-o-que-mudou-com-a-mp-da-reoneracao-da-folha-e-saiba-quais-os-proximos-passos-16012024\">reduziu o prazo de vig\u00eancia<\/a>&nbsp;dos benef\u00edcios. De acordo com o texto, as empresas beneficiadas pelo programa dever\u00e3o voltar a pagar a CSLL, o PIS e a Cofins a partir do dia 1\u00ba de abril deste ano, respeitando a observ\u00e2ncia da anterioridade nonagesimal. J\u00e1 a cobran\u00e7a do IRPJ ser\u00e1 retomada a partir de 1\u00ba de janeiro do ano que vem, respeitando a anterioridade anual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Carolina Medeiros, presidente do conselho da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ag\u00eancias de Viagens (Abav), defende que o Perse deu ao setor de turismo um respiro para reorganizar suas d\u00edvidas ap\u00f3s a pandemia. Para ela, o governo n\u00e3o poderia ter encerrado o programa de forma t\u00e3o abrupta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s entendemos que o incentivo n\u00e3o pode ser para sempre, mas hoje precisamos dele para poder pagar os empr\u00e9stimos e investimentos que foram feitos para manter as empresas de p\u00e9 durante a pandemia\u201d, diz a presidente da Abav.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da MP 1.202, o ministro da Fazenda Fernando Haddad justificou que a mudan\u00e7a no tempo de dura\u00e7\u00e3o do programa era necess\u00e1ria por conta de seus altos custos. Segundo o ministro, o acordo com o Congresso era de que o programa custaria R$ 25 bilh\u00f5es no total, mas s\u00f3 em 2023 j\u00e1 foram consumidos quase R$ 17 bilh\u00f5es. Nesse ritmo, o Perse acabaria custando cerca de R$ 100 bilh\u00f5es at\u00e9 2027. Haddad tem falado que h\u00e1 ind\u00edcios de fraude e de lavagem de dinheiro no uso do programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marco Ferraz, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cruzeiros Mar\u00edtimos (CLIA Brasil), o problema \u00e9 que ao encerrar o programa antes do tempo previsto, o governo cria uma inseguran\u00e7a jur\u00eddica para o setor de eventos e turismo. \u201cAs empresas tiveram que recorrer a empr\u00e9stimos para sobreviver na pandemia. Quando veio o Perse, com essa compensa\u00e7\u00e3o por 5 anos, foi como uma inje\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel direto na veia do setor. Muitos investimentos foram feitos considerando esse prazo\u201d, diz Ferraz.<\/p>\n\n\n\n<p>As associa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m argumentam que a MP 1.202 pode gerar um aumento no endividamento e no n\u00famero de fal\u00eancias do setor. Doreni Caramori J\u00fanior, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), tamb\u00e9m destaca o risco de desinvestimento. \u201cComo as empresas v\u00e3o precisar usar o caixa para pagar d\u00edvidas, deixar\u00e3o de investir e de contratar\u201d, diz o presidente da Abrape.<\/p>\n\n\n\n<p>Legislativo ou judici\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>Na semana passada,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/juiza-garante-beneficios-do-perse-ate-2027-para-empresa-de-viagens-01022024\">a empresa de viagens ClickBus conseguiu uma liminar na 7\u00aa Vara C\u00edvel Federal de S\u00e3o Paulo<\/a>&nbsp;para suspender os efeitos da MP 1.202, de forma a continuar usufruindo dos benef\u00edcios do Perse at\u00e9 2027. Na decis\u00e3o, a ju\u00edza Regilena Emy Fukui Bolognesi escreveu que como o benef\u00edcio fiscal foi concedido pelo prazo determinado de 60 meses, o contribuinte teria o direito de contar com a desonera\u00e7\u00e3o por todo per\u00edodo determinado para fins de planejamento tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de considerarem a liminar uma vit\u00f3ria, os presidentes de associa\u00e7\u00f5es ouvidos pelo&nbsp;JOTA&nbsp;disseram que n\u00e3o consideram a via judicial como o melhor caminho para resolver a quest\u00e3o do Perse neste momento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcreditamos que a conversa com o governo e com os parlamentares \u00e9 a abordagem correta\u201d, afirma Fabiano Camargo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa). Para ele, uma resolu\u00e7\u00e3o no Legislativo ser\u00e1 mais r\u00e1pida e mais definitiva, ainda que n\u00e3o descarte a judicializa\u00e7\u00e3o do tema no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Solmucci J\u00fanior, presidente executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), concorda. Segundo ele, algumas empresas que se sentiram prejudicadas v\u00e3o acabar indo para a Justi\u00e7a, mas o melhor seria que todos os atores encontrassem uma solu\u00e7\u00e3o que estimule o m\u00ednimo poss\u00edvel de lit\u00edgios.<\/p>\n\n\n\n<p>Solmucci, que se reuniu tanto com Haddad quanto com o presidente da C\u00e2mara Arthur Lira (PP-AL), diz que tem trabalhado em busca de alternativas que respeitem o teto de R$ 25 bilh\u00f5es. Uma delas seria a de limitar o benef\u00edcio ao tamanho do preju\u00edzo declarado por cada empresa durante a pandemia. \u201cSe uma empresa teve perdas de R$ 10 milh\u00f5es e j\u00e1 usou R$ 8 milh\u00f5es no Perse, teria direito s\u00f3 a mais R$ 2 milh\u00f5es\u201d, exemplifica o presidente da Abrasel.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra proposta da associa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de limitar o benef\u00edcio considerando o faturamento m\u00e9dio das empresas em 2019. Ent\u00e3o, o c\u00e1lculo do teto seria a multiplica\u00e7\u00e3o do faturamento mensal m\u00e9dio da empresa antes da pandemia pelo per\u00edodo de 60 meses do programa. Segundo Solmucci, essa op\u00e7\u00e3o atenderia o setor, j\u00e1 que muitos bares e restaurantes, mesmo no preju\u00edzo, optaram por declarar lucro presumido, pegando imposto de renda, por considerarem o lucro real muito complicado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"0so0gM13Xl\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/perse-associacoes-de-turismo-e-eventos-pedem-que-congresso-mantenha-o-programa-07022024\">Perse: associa\u00e7\u00f5es de turismo e eventos pedem que Congresso mantenha o programa<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Perse: associa\u00e7\u00f5es de turismo e eventos pedem que Congresso mantenha o programa&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/perse-associacoes-de-turismo-e-eventos-pedem-que-congresso-mantenha-o-programa-07022024\/embed#?secret=0so0gM13Xl\" data-secret=\"0so0gM13Xl\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Minist\u00e9rio da Fazenda restringe e ignora a advocacia no Carf<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 07\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de 2023, o Ministro de Estado da Fazenda editou a Portaria MF n. 1.634, de 21 de dezembro de 2023, aprovando o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as diversas regras nele contidas, o artigo 135 disciplinou que \u201cos parentes consangu\u00edneos ou afins, at\u00e9 o 2\u00ba grau, de conselheiro, de representante da Fazenda Nacional ou dos contribuintes ficam vedados de exercer a advocacia no Carf.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas entidades representantes da advocacia, notadamente a Associa\u00e7\u00e3o dos Advogados de S\u00e3o Paulo \u2013 AASP, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Direito Financeiro \u2013 ABDF, o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados \u2013 CESA, o Instituto dos Advogados Brasileiros \u2013 IAB, o Instituto dos Advogados de S\u00e3o Paulo \u2013 IASP e o Movimento de Defesa da Advocacia \u2013 MDA enviaram of\u00edcio conjunto ao Ministro de Estado da Fazenda solicitando a imediata revoga\u00e7\u00e3o deste dispositivo, sem preju\u00edzo da designa\u00e7\u00e3o de reuni\u00e3o virtual para, em m\u00fatua coopera\u00e7\u00e3o, buscarem uma melhor adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o do ato ora impugnado.<\/p>\n\n\n\n<p>A despeito da leg\u00edtima preocupa\u00e7\u00e3o que motivou a edi\u00e7\u00e3o da referida norma, as entidades entenderam que a restri\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente descabida pelas seguintes raz\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>(a)O exerc\u00edcio da atividade em processos administrativos n\u00e3o \u00e9 privativo da advocacia, na acep\u00e7\u00e3o do artigo 1\u00ba. da Lei n. 8.906, de 4 de julho de 1994 (Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil \u2013 EOAB), podendo ser exercida por qualquer cidad\u00e3o capaz e legalmente habilitado;<\/p>\n\n\n\n<p>(b)As hip\u00f3teses de impedimento ao exerc\u00edcio da advocacia est\u00e3o expressas nos artigos 26 a 30 do EOAB, n\u00e3o competindo ao Poder Executivo restringir o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o para situa\u00e7\u00f5es que extrapolem aquelas previstas na referida lei federal;<\/p>\n\n\n\n<p>(c)As circunst\u00e2ncias aptas a gerar impedimento ou suspei\u00e7\u00e3o ao exerc\u00edcio de determinada atividade guardam rela\u00e7\u00e3o direta com o n\u00edvel de comprometimento da imparcialidade que o agente p\u00fablico pode deter ao proferir determinado ato administrativo, estando devidamente relacionadas, al\u00e9m do comando que previne conflito de interesses de agentes perante o Poder Executivo federal previsto na Lei n. 12.813\/2013, tamb\u00e9m nos artigos 134 e 135 do C\u00f3digo de Processo Civil, aplic\u00e1vel supletiva e subsidiariamente ao processo administrativo;<\/p>\n\n\n\n<p>(d)A presun\u00e7\u00e3o de suspei\u00e7\u00e3o e impedimento deve decorrer de lei e deve limitar a atua\u00e7\u00e3o do agente impedido ou suspeito, mas jamais pode afetar terceiros no exerc\u00edcio da sua profiss\u00e3o e da livre iniciativa (art. 1\u00ba., IV e art. 170 da CF\/88). Cabe ao Minist\u00e9rio da Fazenda disciplinar e impor restri\u00e7\u00f5es aos seus agentes e n\u00e3o a terceiros que n\u00e3o integram a estrutura funcional do \u00f3rg\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>(e)N\u00e3o bastasse, h\u00e1 especial gravidade quando a norma regimental alarga a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de terceiros em todo o \u00f3rg\u00e3o e n\u00e3o apenas perante aquele colegiado respons\u00e1vel por proferir atos decis\u00f3rios e do qual fa\u00e7am parte parentes consangu\u00edneos ou afins do advogado, inexistindo nexo de causalidade l\u00f3gico entre a restri\u00e7\u00e3o geral e abstrata e o ato que se pretende restringir; e<\/p>\n\n\n\n<p>(f)A restri\u00e7\u00e3o fere, ainda, a presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9, partindo da premissa de que advogados, mesmo que tenham parentes em determinado \u00f3rg\u00e3o fracion\u00e1rio do Carf, utilizar\u00e3o desta situa\u00e7\u00e3o para obterem vantagem il\u00edcita em outro \u00f3rg\u00e3o fracion\u00e1rio distinto, o que soa absurdo e ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio da Fazenda ignorou referido apelo, o que motivou um novo of\u00edcio reiterando os termos do primeiro of\u00edcio enviado, tamb\u00e9m sem qualquer resposta at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que a medida \u00e9 t\u00e3o absurda, que mesmo diante a omiss\u00e3o por parte do Minist\u00e9rio da Fazenda, n\u00e3o dever\u00e1 ser aplicada pelo \u00f3rg\u00e3o, sob pena de viola\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei n. 8.906, de 4 de julho de 1994, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual, como agentes p\u00fablicos e em observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da legalidade previsto no artigo 37 da Constitui\u00e7\u00e3o federal de 1988, devem incondicional observ\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/fio-da-meada\/post\/2024\/02\/ministerio-da-fazenda-restringe-e-ignora-a-advocacia-no-carf.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/fio-da-meada\/post\/2024\/02\/ministerio-da-fazenda-restringe-e-ignora-a-advocacia-no-carf.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contribuintes e advogados trabalham em novas teses para contestar Difal de ICMS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 12\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>As disputas jur\u00eddicas em torno da cobran\u00e7a do diferencial de al\u00edquota (difal) de ICMS est\u00e3o longe de ter fim. Contribuintes trabalham ao lado de seus advogados em novas a\u00e7\u00f5es e teses para contestar pontos da Lei Complementar (LC) 190\/2022, que regulamentou o difal de ICMS incidente nas opera\u00e7\u00f5es interestaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tributaristas ouvidos pelo JOTA estudam pelo menos tr\u00eas teses jur\u00eddicas para questionar o difal de ICMS envolvendo o consumidor final n\u00e3o contribuinte do imposto: a necessidade de edi\u00e7\u00e3o de leis estaduais; a impossibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de ICMS para pagamento do difal; e o pagamento de adicionais para financiamento de Fundos de Combate \u00e0 Pobreza. Al\u00e9m disso, eles questionam a base de c\u00e1lculo dupla estipulada pela LC 190\/2022 para casos envolvendo o consumidor final contribuinte do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a advogada Fernanda Ramos Pazello, s\u00f3cia do TozziniFreire Advogados, h\u00e1 discuss\u00f5es relacionadas \u00e0 exig\u00eancia do difal de ICMS que ainda n\u00e3o foram analisadas pelos tribunais superiores. \u201cMuitas empresas, inclusive clientes nossos, est\u00e3o discutindo em ju\u00edzo n\u00e3o somente a quest\u00e3o da anterioridade, mas tamb\u00e9m da necessidade de lei estadual para a institui\u00e7\u00e3o do imposto e a indevida base dupla\u201d, afirma a advogada.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que os temas ganhem relev\u00e2ncia em 2024 ap\u00f3s o Supremo Tribunal Federal (STF) ter, no fim&nbsp;de 2023, decidido sobre a data de in\u00edcio de cobran\u00e7a do difal de ICMS por parte dos estados. \u201cMuitas empresas estavam esperando o desfecho do julgamento sobre a aplica\u00e7\u00e3o da anterioridade para avaliar a ado\u00e7\u00e3o de outras discuss\u00f5es judiciais\u201d, conta Arthur Pitman, s\u00f3cio do Lavez Coutinho Advogados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por seis votos a cinco, os ministros definiram que o difal de ICMS pode ser cobrado a partir de 5 de abril&nbsp;de 2022, frustrando o pedido das empresas, que esperavam que a cobran\u00e7a fosse poss\u00edvel apenas a partir de&nbsp;2023. O ac\u00f3rd\u00e3o da decis\u00e3o ainda n\u00e3o foi publicado, mas h\u00e1 possibilidade de que seja alvo de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>O JOTA conversou com tributaristas para entender quais s\u00e3o as principais teses jur\u00eddicas que podem ou que est\u00e3o sendo usadas para questionar a LC 190. Veja abaixo os principais exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p>Leis estaduais<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo decidiu que os estados podem cobrar o difal de ICMS a partir de 5 de abril de 2022, noventa dias depois da publica\u00e7\u00e3o da lei complementar que regula o tributo. Mas, para isso, os estados devem editar leis ordin\u00e1rias pr\u00f3prias instituindo a cobran\u00e7a. Para alguns advogados, isso invalidaria a exig\u00eancia tribut\u00e1ria nos estados que n\u00e3o editaram novas leis ou que as editaram antes da san\u00e7\u00e3o presidencial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO argumento seria de que estas leis ordin\u00e1rias nasceram inconstitucionais e, portanto, haveria necessidade de uma nova lei ordin\u00e1ria posterior\u201d, diz Pazello, acrescentando que essa nova lei a ser editada deveria observar a anterioridade anual.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a advogada, contribuintes questionam, por exemplo,&nbsp;as leis de S\u00e3o Paulo e do Rio Grande do Sul, que s\u00e3o anteriores \u00e0 lei complementar. \u201cInfelizmente, h\u00e1 decis\u00f5es judiciais permitindo sua exig\u00eancia com base nestas leis\u201d, afirma Pazello.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Angelo Ambrizzi, chefe de tribut\u00e1rio no Marcos Martins Advogados, a tese \u00e9 poss\u00edvel, mas tem remota chance de \u00eaxito. Na sua vis\u00e3o, n\u00e3o haveria possibilidade de cobran\u00e7a nos estados em que n\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o; mas nos estados em que ela existe, ainda que tenha sido editada antes de 2022, a discuss\u00e3o tende a ser favor\u00e1vel&nbsp;ao fisco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO STF j\u00e1 se manifestou em caso similar envolvendo o ICMS Importa\u00e7\u00e3o, validando a legisla\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de lei cujo objetivo foi de regulamentar tributa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o advogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambrizzi faz refer\u00eancia ao tema de repercuss\u00e3o geral 1094, em que se discutia a validade da cobran\u00e7a do ICMS na importa\u00e7\u00e3o de bens e mercadorias por pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica em estados que editaram a lei estadual ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional (EC) 33\/2001, que tornou constitucional a cobran\u00e7a, por\u00e9m&nbsp;antes da vig\u00eancia da Lei Complementar Federal (LCF) 114\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p>A tese fixada pelo STF \u00e9 a de que as leis estaduais editadas ap\u00f3s a EC 33\/2001 e antes da entrada em vigor da LCF 114\/2002 s\u00e3o v\u00e1lidas, mas s\u00f3 produzem efeitos a partir da data de vig\u00eancia da lei complementar.<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00e9dito de ICMS<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que tem sido olhado com aten\u00e7\u00e3o pelos tributaristas \u00e9 o artigo 20-A da LC 190\/2022. Nele, fica determinado que \u201co cr\u00e9dito relativo \u00e0s opera\u00e7\u00f5es e presta\u00e7\u00f5es anteriores deve ser deduzido apenas do d\u00e9bito correspondente ao imposto devido \u00e0 unidade federada de origem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, o que o artigo 20-A da LC determina \u00e9 que, mesmo que o lojista tenha acumulado cr\u00e9ditos de ICMS com a compra de mercadorias, ele s\u00f3 poder\u00e1 utiliz\u00e1-los para compensar d\u00e9bitos de ICMS no seu estado de origem, ficando vedada a utiliza\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos para pagamento do difal de ICMS no estado de destino. Assim, o pagamento integral da diferen\u00e7a de al\u00edquota ter\u00e1 que ser feito em dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa veda\u00e7\u00e3o pode trazer problemas de fluxo de caixa&nbsp;para contribuintes que t\u00eam muitas opera\u00e7\u00f5es interestaduais para consumidores finais, pois eles ter\u00e3o que desembolsar dinheiro opera\u00e7\u00e3o a opera\u00e7\u00e3o, quando poderiam estar usando cr\u00e9ditos de ICMS para abater o difal\u201d, diz Arthur Pitman, do Lavez Coutinho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u00e9 sucinta ao falar que \u00e9 poss\u00edvel compensar os cr\u00e9ditos das entradas com os d\u00e9bitos da sa\u00edda. Se isso \u00e9 verdade, por que o art. 20-A limitou no caso do difal?\u201d, questiona Pitman.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece a n\u00e3o cumulatividade do ICMS, uma limita\u00e7\u00e3o de uso dos cr\u00e9ditos, como a imposta pelo artigo 20-A no caso do difal, pode ser considerada uma viola\u00e7\u00e3o desse princ\u00edpio. Para Ambrizzi, do Marcos Martins Advogados, a tese tem prov\u00e1vel chance de \u00eaxito.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundo de combate \u00e0 pobreza<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9a Mascitto, do Pinheiro Neto, menciona tamb\u00e9m uma terceira tese, relacionada ao financiamento de Fundos Estaduais de Combate \u00e0 Pobreza (Fecop). Para a advogada, os estados n\u00e3o poderiam exigir no per\u00edodo anterior \u00e0 entrada em vigor e \u00e0 anterioridade da Lei Complementar 190\/22 um adicional de ICMS para o fundo atrelado ao difal, como faz o Paran\u00e1, que cobra um adicional de 2% na al\u00edquota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPode-se dizer que a cobran\u00e7a desse adicional assim como o principal antes da leg\u00edtima entrada em vigor da LC 190\/22 viola os princ\u00edpios da anterioridade anual e nonagesimal. Sem a devida exigibilidade do difal no mesmo per\u00edodo, n\u00e3o h\u00e1 base legal para a imposi\u00e7\u00e3o do adicional\u201d, defende a advogada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, a cobran\u00e7a desse adicional sobre a base dupla tamb\u00e9m \u00e9 considerada inconstitucional. \u201c\u00c9 poss\u00edvel defendermos o direito de apurar o adicional ao Fecop exclusivamente sobre o valor real da opera\u00e7\u00e3o, conforme declarado na nota fiscal, e h\u00e1 ainda a possibilidade de reaver valores indevidamenterecolhidos devido a esse m\u00e9todo de c\u00e1lculo\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Base dupla<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que tem sido debatido pelos contribuintes \u00e9 a base de c\u00e1lculo do difal estabelecida pela LC 190\/2022 nos casos em que o consumidor final \u00e9 uma empresa contribuinte do ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque quando o consumidor&nbsp;final n\u00e3o \u00e9 contribuinte do imposto (por exemplo, uma pessoa f\u00edsica comprando de um e-commerce), o difal \u00e9 calculado sobre uma base de c\u00e1lculo \u00fanica: o valor da opera\u00e7\u00e3o ou o pre\u00e7o do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que quando o consumidor final \u00e9 contribuinte, a LC 190\/22 determinou o uso de uma base dupla para calcular o imposto devido na opera\u00e7\u00e3o. Nesses casos, para calcular o ICMS devido ao estado de origem, os contribuintes precisam considerar o valor da opera\u00e7\u00e3o naquele estado. J\u00e1 para calcular o imposto devido ao estado de destino, o difal, \u00e9 preciso considerar o valor da opera\u00e7\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, enquanto a base \u00fanica para c\u00e1lculo do difal utiliza somente o valor da opera\u00e7\u00e3o como um todo, a base dupla prev\u00ea duas bases diferentes, uma para cada estado&nbsp;em que ocorreu a opera\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, isso acarreta majora\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o, segundo advogados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mascitto diz que a base dupla pode ser contestada sob o argumento de que desrespeita o princ\u00edpio da veda\u00e7\u00e3o \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o da proced\u00eancia ou destino, j\u00e1 que a Constitui\u00e7\u00e3o&nbsp;Federal estabelece que o difal de ICMS seja calculado apenas a partir da diferen\u00e7a entre as al\u00edquotas interna e interestadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPodemos questionar a legalidade da base de c\u00e1lculo dupla institu\u00edda pela LC 190\/22 para o difal enfatizando a incompatibilidade com a norma constitucional e os princ\u00edpios de igualdade e veda\u00e7\u00e3o \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria\u201d, diz Mascitto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ariane Guimar\u00e3es, s\u00f3cia de tribut\u00e1rio do Mattos Filho, essa tese de questionamento da base dupla \u00e9 muito robusta. \u201cA jurisprud\u00eancia do STF&nbsp;j\u00e1 est\u00e1 sedimentada pela impossibilidade de se estabelecer base de c\u00e1lculo distinta da real, tudo por conta do princ\u00edpio da capacidade contributiva\u201d, afirma a advogada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"zb8Nhek5sg\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/contribuintes-e-advogados-trabalham-em-novas-teses-para-contestar-difal-de-icms-12022024\">Contribuintes e advogados trabalham em novas teses para contestar Difal de ICMS<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Contribuintes e advogados trabalham em novas teses para contestar Difal de ICMS&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/contribuintes-e-advogados-trabalham-em-novas-teses-para-contestar-difal-de-icms-12022024\/embed#?secret=zb8Nhek5sg\" data-secret=\"zb8Nhek5sg\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>ESTADUAIS: <\/strong>&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria: PGE-SP publica primeiro edital do Acordo Paulista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 09\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A Procuradoria-Geral do Estado de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/pge-sp\">PGE-SP<\/a>) publicou na \u00faltima quarta-feira (7\/2)&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dividaativa.pge.sp.gov.br\/transacao\/pages\/legislacao\/resolucoes.jsf?param=5271\">a regulamenta\u00e7\u00e3o do programa Acordo Paulista<\/a>, institu\u00eddo pela Lei Estadual 17.843\/2023, e tamb\u00e9m o primeiro edital do programa, voltado a contribuintes com d\u00e9bitos de Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/icms-entenda-os-aspectos-fundamentais-13052021\">ICMS<\/a>) inscritos em d\u00edvida ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Criado pelo governo de S\u00e3o Paulo para incentivar a regulariza\u00e7\u00e3o dos contribuintes e aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o do estado, o programa prev\u00ea um acordo de transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria para d\u00e9bitos inscritos em d\u00edvida ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da PGE-SP, a d\u00edvida ativa paulista re\u00fane mais de 7 milh\u00f5es de d\u00e9bitos de tributos de ICMS, Imposto de Transmiss\u00e3o Causa Mortis e Doa\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/opiniao-e-analise\/artigos\/itcmd-entenda-o-que-como-funciona-20082021\">ITCMD<\/a>) e Imposto Sobre Propriedade de Ve\u00edculo Automotor (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/ipva-entenda-como-e-cobrado-e-calculado-13052021\">IPVA<\/a>) e totaliza aproximadamente R$ 408 bilh\u00f5es \u2013 desse total, a estimativa \u00e9 que R$ 160 bilh\u00f5es possam ter a regulariza\u00e7\u00e3o facilitada pelo programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Carlos Marcelo Gouveia, s\u00f3cio da \u00e1rea tribut\u00e1ria do Almeida Prado &amp; Hoffmann Advogados, a iniciativa do governo paulista \u00e9 positiva \u201cna medida em que reduz a litig\u00e2ncia, viabiliza a regulariza\u00e7\u00e3o dos contribuintes em situa\u00e7\u00e3o de dificuldade econ\u00f4mica, assim como possibilita o aumento da arrecada\u00e7\u00e3o, com o adimplemento de d\u00e9bitos tribut\u00e1rios de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Principais pontos do edital do ICMS<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dividaativa.pge.sp.gov.br\/transacao\/pages\/legislacao\/editais.jsf?param=34693\">edital<\/a>&nbsp;da PGE estabelece que poder\u00e3o ser inclu\u00eddos na transa\u00e7\u00e3o todos os d\u00e9bitos inscritos no nome do devedor ou que estejam sob sua responsabilidade. A sele\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos \u00e9 de livre escolha, mas a procuradoria refor\u00e7a que \u00e9 importante que eles sejam de d\u00e9bitos de ICMS inscritos em d\u00edvida ativa sobre os quais incidam juros de mora decorrentes da aplica\u00e7\u00e3o da Lei 13.918, de 2009, e da Lei 16.497, de 2017, conhecidos como juros de mora paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da lei de 2017, incidiam sobre os d\u00e9bitos inscritos em d\u00edvida ativa juros de mora calculados com base na Lei 13.918, de 2009, que previa incid\u00eancia di\u00e1ria de taxa de 0,13%. Com a edi\u00e7\u00e3o da Lei 16.497, de 2017, o estado de S\u00e3o Paulo limitou a incid\u00eancia dos juros de mora \u00e0 taxa b\u00e1sica de juros Selic. Os interessados podem fazer ades\u00e3o no pr\u00f3prio&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dividaativa.pge.sp.gov.br\/transacao\">site&nbsp;<\/a>da PGE-SP at\u00e9 \u00e0s 23h59 do dia 29 de abril de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de oferecer 100% de desconto em juros de mora, o edital permite o pagamento dos d\u00e9bitos de ICMS inscritos na d\u00edvida ativa com 50% de desconto em multas. O contribuinte que decidir se inscrever no programa poder\u00e1 quitar o d\u00e9bito em uma parcela \u00fanica ou at\u00e9 120 parcelas, corrigidas mensalmente pela Selic, mediante pagamento de uma entrada de 5%. Para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio renunciar a qualquer discuss\u00e3o relacionada aos d\u00e9bitos utilizados na transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 prevista no edital a possibilidade de os contribuintes utilizarem precat\u00f3rios, cr\u00e9ditos acumulados de ICMS e cr\u00e9ditos do produtor rural para a quita\u00e7\u00e3o de at\u00e9 75% do saldo total.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00e3o ser inclu\u00eddos na transa\u00e7\u00e3o todos os d\u00e9bitos inscritos no nome do devedor ou que sejam sob sua responsabilidade. A sele\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos \u00e9 de livre escolha do contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e3o vedados d\u00e9bitos que estiverem integralmente garantidos por dep\u00f3sito, seguro garantia ou fian\u00e7a banc\u00e1ria em a\u00e7\u00f5es ou embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o com decis\u00e3o transitada em julgado desfavor\u00e1vel ao contribuinte. Tamb\u00e9m n\u00e3o poder\u00e3o ser inclu\u00eddos d\u00e9bitos que j\u00e1 tenham sido objeto de transa\u00e7\u00e3o anterior, rescindida nos \u00faltimos dois anos, nem d\u00e9bitos relativos ao adicional de ICMS destinado ao Fundo Estadual de Combate e Erradica\u00e7\u00e3o da Pobreza (Fecoep).<\/p>\n\n\n\n<p>A PGE-SP tamb\u00e9m vedou a concess\u00e3o de descontos para contribuintes considerados \u201cinadimplentes sistem\u00e1ticos\u201d, que ela caracterizou como aqueles que nos \u00faltimos 5 anos apresentaram inadimpl\u00eancia de 50% ou mais de suas obriga\u00e7\u00f5es vencidas e inscritas em d\u00edvida ativa. Nesses casos, o contribuinte poder\u00e1 apenas parcelar os d\u00e9bitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Melo, s\u00f3cio da \u00e1rea tribut\u00e1ria do Cescon Barrieu, diz que o primeiro edital do programa foi uma boa surpresa e j\u00e1 chamou aten\u00e7\u00e3o de alguns clientes do escrit\u00f3rio. \u201c\u00c9 um edital abrangente, com poucas veda\u00e7\u00f5es, e que traz descontos relevantes, de at\u00e9 50% do d\u00e9bito remanescente, e estipula a cobran\u00e7a de honor\u00e1rios sobre o valor do cr\u00e9dito final a ser pago\u201d, explica o advogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Rodrigo Minhoto, advogado da \u00e1rea tribut\u00e1ria do escrit\u00f3rio FCR Law, o edital \u00e9 uma boa oportunidade especialmente \u201cpara contribuintes que eventualmente ainda discutam administrativamente ou na Justi\u00e7a a limita\u00e7\u00e3o da taxa de juros anteriormente exigida pelo estado de S\u00e3o Paulo em d\u00e9bitos originados antes da Lei 16.497\/2017\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos pr\u00f3ximos meses, a PGE-SP deve publicar novos editais para transa\u00e7\u00e3o de outros d\u00e9bitos. A expectativa \u00e9 que o programa j\u00e1 em 2024 consiga um aumento arrecadat\u00f3rio na casa de R$ 700 milh\u00f5es para o governo estadual, podendo chegar a R$ 2,2 bilh\u00f5es em 2026.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"qAciueptZ2\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/transacao-tributaria-pge-sp-publica-primeiro-edital-do-acordo-paulista-09022024\">Transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria: PGE-SP publica primeiro edital do Acordo Paulista<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria: PGE-SP publica primeiro edital do Acordo Paulista&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/transacao-tributaria-pge-sp-publica-primeiro-edital-do-acordo-paulista-09022024\/embed#?secret=qAciueptZ2\" data-secret=\"qAciueptZ2\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Saiu o primeiro edital da transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria do Estado de S\u00e3o Paulo. Entenda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 11\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A Procuradoria Geral do Estado de S\u00e3o Paulo (PGE-SP) publicou na quarta-feira (7) o primeiro edital do Acordo Paulista, programa de transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria que permite ao contribuinte negociar com a Fazenda paulista o parcelamento de d\u00e9bitos de ICMS inscritos em d\u00edvida ativa em at\u00e9 120 vezes. O programa, institu\u00eddo pela Lei n\u00ba 17.293, de 2020, ainda d\u00e1 100% de descontos em juros de mora e at\u00e9 50% em multas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros atrativos do Acordo Paulista s\u00e3o a possibilidade do uso de precat\u00f3rios e de cr\u00e9ditos acumulados de ICMS na quita\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios. A ades\u00e3o deve ocorrer at\u00e9 o dia 29 de abril, pelo site da PGE.<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada Maria Andr\u00e9ia do Santos, s\u00f3cia da \u00e1rea tribut\u00e1ria do escrit\u00f3rio Machado Associados, responde abaixo a cinco perguntas sobre a possibilidade aberta pelo novo edital:<\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211; Qual foi a grande mudan\u00e7a na transa\u00e7\u00e3o para d\u00e9bitos de ICMS no Estado de S\u00e3o Paulo?<\/p>\n\n\n\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o PGE 27\/20 previa a concess\u00e3o de descontos sobre os juros e multas aplicados nos d\u00e9bitos a serem transacionados escalonados de 40% (d\u00edvidas irrecuper\u00e1veis) at\u00e9 20% (d\u00edvidas recuper\u00e1veis), limitados ao percentual de 30% (d\u00edvidas irrecuper\u00e1veis) a 10% (d\u00edvidas recuper\u00e1veis) do valor total atualizado do d\u00e9bito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMais atingidos pelos efeitos da pandemia, poder\u00e3o ficar exclu\u00eddos dos maiores benef\u00edcios\u201d \u2014 Maria Andr\u00e9ia do Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Resolu\u00e7\u00e3o PGE n\u00ba 6\/24 prev\u00ea que, para cr\u00e9ditos irrecuper\u00e1veis, os descontos poder\u00e3o ser concedidos em at\u00e9 75% dos valores dos juros, multas e acr\u00e9scimos legais para pagamento em parcela \u00fanica e de at\u00e9 65% dos juros, multas e acr\u00e9scimos para pagamentos parcelados. Para os cr\u00e9ditos considerados de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o, os descontos ser\u00e3o de at\u00e9 60% dos juros, multas e acr\u00e9scimos para pagamento em parcela \u00fanica e 50% dos juros, multas e acr\u00e9scimos para pagamento parcelado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os casos, por\u00e9m, h\u00e1 uma limita\u00e7\u00e3o, pois os descontos n\u00e3o poder\u00e3o ultrapassar 65% do valor total dos cr\u00e9ditos objeto da transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>2 &#8211; A medida, em geral, melhorou a vida do contribuinte paulista ent\u00e3o, certo?<\/p>\n\n\n\n<p>Houve uma enorme eleva\u00e7\u00e3o no montante dos descontos que poder\u00e3o ser aplicados aos contribuintes cujos cr\u00e9ditos forem considerados irrecuper\u00e1veis ou de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o, passando-se de percentuais de 40% para 75%. Tamb\u00e9m foi elevado o limite para a aplica\u00e7\u00e3o dos descontos. Pela regra anterior, os descontos teriam que preservar 70% do valor total da d\u00edvida para os cr\u00e9ditos irrecuper\u00e1veis e agora ter\u00e3o que ser preservados 35% do valor total da d\u00edvida transacionada.<\/p>\n\n\n\n<p>3 &#8211; As novas regras tamb\u00e9m facilitaram a ades\u00e3o desses contribuintes?<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida. A Resolu\u00e7\u00e3o PGE 27\/20 previa que poderia ser necess\u00e1ria a apresenta\u00e7\u00e3o de garantias para a celebra\u00e7\u00e3o da transa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a Resolu\u00e7\u00e3o PGE n\u00ba 6\/24 prev\u00ea que, para cr\u00e9ditos irrecuper\u00e1veis ou de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 exigida a apresenta\u00e7\u00e3o de garantias.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dispensa, ao lado da concess\u00e3o de descontos mais relevantes, ser\u00e1 um grande facilitador e incentivador para aqueles contribuintes que ainda est\u00e3o buscando equil\u00edbrio para as suas finan\u00e7as fa\u00e7am a ades\u00e3o a esta nova modalidade de transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>4 &#8211; A Lei n\u00ba 17.843, de 2023, que modificou a lei que criou a transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria paulista, j\u00e1 havia simplificado o uso de precat\u00f3rios como moeda de pagamento no programa, certo?<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse aspecto, j\u00e1 houve grande evolu\u00e7\u00e3o. Enquanto a Lei 17.293\/2020 vedava o uso de precat\u00f3rios e outros direitos l\u00edquidos, certos e exig\u00edveis como moeda de pagamento na transa\u00e7\u00e3o, a Lei 17.843\/2023 passou a admitir a utiliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias esp\u00e9cies de cr\u00e9ditos estaduais para fins de regulariza\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos, tais como cr\u00e9ditos acumulados de ICMS, ressarcimentos de ICMS, cr\u00e9ditos de produtor rural (pr\u00f3prios ou de terceiros, desde que homologados) e de precat\u00f3rios, com uma limita\u00e7\u00e3o ao percentual de 75% do valor do d\u00e9bito a ser transacionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa grande evolu\u00e7\u00e3o pode aquecer ainda mais o mercado de cess\u00e3o de precat\u00f3rios estaduais, com a finalidade de utiliza\u00e7\u00e3o nessas transa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>5 &#8211; H\u00e1 alguma restri\u00e7\u00e3o nas novas regras que possa dificultar a ades\u00e3o dos contribuintes?<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, a Resolu\u00e7\u00e3o PGE n\u00ba 6\/24 trouxe regras espec\u00edficas sobre o acesso \u00e0 transa\u00e7\u00e3o por contribuintes que sejam considerados inadimplentes sist\u00eamicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao conceituar quais s\u00e3o os contribuintes que se enquadrar\u00e3o nessa categoria, foi definido que ser\u00e1 analisado o montante do ICMS que a empresa tiver deixado de pagar nos \u00faltimos 5 anos e que tiver sido inscrito na d\u00edvida ativa. Caso o contribuinte n\u00e3o tenha efetuado o pagamento de valor superior a 50% desses d\u00e9bitos vencidos e inscritos na d\u00edvida ativa, haver\u00e1 seu enquadramento como um inadimplente sistem\u00e1tico, que n\u00e3o ter\u00e1 direito a descontos na transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro crit\u00e9rio \u00e9 que, independentemente do valor, o contribuinte n\u00e3o poder\u00e1 ter mais de 30 inscri\u00e7\u00f5es em d\u00edvida ativa de ICMS em cada CNPJ (matriz e filiais) nesse per\u00edodo. Se esse n\u00famero for ultrapassado, tamb\u00e9m n\u00e3o haver\u00e1 o direito \u00e0 concess\u00e3o de descontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o per\u00edodo de avalia\u00e7\u00e3o retroage at\u00e9 2019 e, considerando todo o impacto que a pandemia e as restri\u00e7\u00f5es tiveram no com\u00e9rcio entre 2020 e 2022, diversos contribuintes poder\u00e3o n\u00e3o ter conseguido honrar mais de 50% do ICMS apurado nesse per\u00edodo e tamb\u00e9m poder\u00e3o ter mais de 30 inscri\u00e7\u00f5es em d\u00edvida ativa em seu CNPJ. Exemplificativamente, se cada m\u00eas durante a pandemia gerar uma inscri\u00e7\u00e3o de d\u00edvida de ICMS, j\u00e1 ser\u00e3o mais de 30 inscri\u00e7\u00f5es em d\u00edvida ativa, a depender de qual foi a dura\u00e7\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es em cada segmento e das dificuldades financeiras do estabelecimento comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses contribuintes, pelos termos da Resolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ter\u00e3o direito a desconto, o que poder\u00e1 significar que justamente aqueles mais atingidos pelos efeitos da pandemia, poder\u00e3o ficar exclu\u00eddos dos maiores benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/11\/saiu-o-primeiro-edital-da-transacao-tributaria-do-estado-de-sao-paulo-entenda.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/11\/saiu-o-primeiro-edital-da-transacao-tributaria-do-estado-de-sao-paulo-entenda.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><strong>MUNICIPAIS: <\/strong>&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>NOT\u00cdCIAS SOBRE DECIS\u00d5ES ADMINISTRATIVAS FEDERAIS:<\/strong>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carf mant\u00e9m multa a empresa que n\u00e3o recolheu contribui\u00e7\u00e3o ao Senar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 12\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Por unanimidade, a 2\u00aa Turma da C\u00e2mara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/carf\">Carf<\/a>)&nbsp;manteve uma multa no valor de R$ 225.546,92 pelo n\u00e3o pagamento de contribui\u00e7\u00f5es destinadas ao Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/senar\">Senar<\/a>). A turma n\u00e3o conheceu do recurso da contribuinte por entender que o paradigma havia sido reformulado e n\u00e3o se enquadrava ao caso, mantendo assim a decis\u00e3o da 1\u00aa Turma Ordin\u00e1ria da 3\u00aa C\u00e2mara contr\u00e1ria ao contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>A contribuinte, Reflorestadores Unidos SA, foi multada por n\u00e3o ter recolhido as contribui\u00e7\u00f5es destinadas ao Senar, incidentes sobre a receita bruta de exporta\u00e7\u00e3o proveniente da comercializa\u00e7\u00e3o direta da produ\u00e7\u00e3o com adquirentes domiciliados no exterior. Essa contribui\u00e7\u00e3o, segundo a legisla\u00e7\u00e3o, incidiria sobre a comercializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o rural na al\u00edquota de 0,25% para os Produtores rurais Pessoas Jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa, no entanto, alega imunidade tribut\u00e1ria com base no par\u00e1grafo 2\u00ba do artigo 149 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Segundo esse dispositivo, n\u00e3o incidir\u00e3o sobre as receitas decorrentes de exporta\u00e7\u00e3o as contribui\u00e7\u00f5es sociais e de interven\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico. A turma ordin\u00e1ria e a fiscaliza\u00e7\u00e3o, por outro lado, entenderam que, no caso concreto, trata-se de contribui\u00e7\u00e3o de interesse das categorias profissionais, e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 imunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao tipo da multa, o colegiado C\u00e2mara Superior tamb\u00e9m manteve por unanimidade a decis\u00e3o da turma ordin\u00e1ria que concluiu que deve ser aplicada a de mora, e n\u00e3o a de of\u00edcio. A primeira \u00e9 decorrente do atraso no pagamento da contribui\u00e7\u00e3o, ao passo que a segunda \u00e9 fruto do lan\u00e7amento de of\u00edcio por parte do fisco diante do n\u00e3o recolhimento espont\u00e2neo do tributo pelo contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o da penalidade se deu pois, al\u00e9m do pagamento do tributo n\u00e3o recolhido, a legisla\u00e7\u00e3o vigente \u00e0 \u00e9poca da ocorr\u00eancia dos fatos previa a imposi\u00e7\u00e3o ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei 8.212\/1991. Em outras palavras, n\u00e3o existia na legisla\u00e7\u00e3o anterior a multa de of\u00edcio, aplicada em decorr\u00eancia do lan\u00e7amento de of\u00edcio pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2008, essa legisla\u00e7\u00e3o foi alterada com a revoga\u00e7\u00e3o do art 35 da Lei 8.212\/1991. Na nova reda\u00e7\u00e3o, havia o advento da retroatividade benigna (ou seja, a aplica\u00e7\u00e3o de uma lei a fatos anteriores a ela caso a penalidade seja mais ben\u00e9fica ao contribuinte).<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o da turma ordin\u00e1ria foi de que n\u00e3o \u00e9 correto comparar a multa de mora com a multa de of\u00edcio. Esta ter\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o apenas aos fatos geradores ocorridos ap\u00f3s o seu advento. Assim, a penalidade, para a turma, seria a descrita pelo art. 35 da Lei 8.212\/1991.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo tramita com o n\u00famero 11020.002690\/2009-66 e envolve a empresa Reflorestadores Unidos SA.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"rkaxOSA5k7\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-mantem-multa-a-empresa-que-nao-recolheu-contribuicao-ao-senar-12022024\">Carf mant\u00e9m multa a empresa que n\u00e3o recolheu contribui\u00e7\u00e3o ao Senar<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Carf mant\u00e9m multa a empresa que n\u00e3o recolheu contribui\u00e7\u00e3o ao Senar&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-mantem-multa-a-empresa-que-nao-recolheu-contribuicao-ao-senar-12022024\/embed#?secret=rkaxOSA5k7\" data-secret=\"rkaxOSA5k7\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Carf mant\u00e9m cobran\u00e7a de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre pagamento a taxistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 13\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00aa Turma da C\u00e2mara&nbsp;Superior<\/p>\n\n\n\n<p>Processo: 19515.001703\/2010-63<\/p>\n\n\n\n<p>Partes: Associa\u00e7\u00e3o de Taxistas Chame T\u00e1xi e Fazenda Nacional<\/p>\n\n\n\n<p>Relator: Leonam Rocha De Medeiros<\/p>\n\n\n\n<p>Por unanimidade, o colegiado manteve a decis\u00e3o que obrigou a contribuinte, a Associa\u00e7\u00e3o de Taxistas Chame T\u00e1xi, a recolher contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria individual sobre a remunera\u00e7\u00e3o paga a motoristas aut\u00f4nomos. O colegiado n\u00e3o conheceu do recurso da associa\u00e7\u00e3o e, portanto, n\u00e3o julgou o seu m\u00e9rito, mantendo na pr\u00e1tica a decis\u00e3o da turma ordin\u00e1ria contr\u00e1ria \u00e0 associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;fiscaliza\u00e7\u00e3o suspendeu a isen\u00e7\u00e3o relativa \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias da associa\u00e7\u00e3o por ela ter, alegadamente, deixado de cumprir os requisitos legais para usufruir de isen\u00e7\u00e3o. Esse requisito trata-se de n\u00e3o possuir finalidade econ\u00f4mica, princ\u00edpio que a contribuinte n\u00e3o respeitou, segundo a fiscaliza\u00e7\u00e3o, na medida em que a institui\u00e7\u00e3o foi criada com a finalidade de potencializar os ganhos habituais dos taxistas participantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, a associa\u00e7\u00e3o afirmou que atua exclusivamente como \u201cmera organizadora das atividades exercidas pelos taxistas\u201d. Tamb\u00e9m argumentou que recebe os valores das tarifas pagas pelos passageiros e os repassa integralmente a cada associado que prestou o respectivo servi\u00e7o de transporte de passageiros, n\u00e3o havendo lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m alegou que n\u00e3o h\u00e1 que se falar na incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o social sobre os valores repassados pela associa\u00e7\u00e3o aos seus associados, uma vez que os taxistas n\u00e3o se enquadram no conceito de contribuinte individual a seu servi\u00e7o. O argumento \u00e9 que os taxistas prestam servi\u00e7os aos tomadores de servi\u00e7os, e n\u00e3o \u00e0 associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada da contribuinte, Marcella Tollendal, sustentou que a associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui finalidade econ\u00f4mica ou lucrativa, mas que tem como objetivo principal a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os n\u00e3o onerosos aos associados. \u201cNenhum recurso que \u00e9 pago pelos contratantes de servi\u00e7os de t\u00e1xi fica em poder da associa\u00e7\u00e3o\u201d, destacou. \u201cN\u00e3o h\u00e1 proveito econ\u00f4mico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o colegiado n\u00e3o chegou a analisar o m\u00e9rito, uma vez que n\u00e3o conheceu&nbsp;do recurso do contribuinte. \u201cA diverg\u00eancia jurisprudencial n\u00e3o foi comprovada por inexistir similitude f\u00e1tica ou jur\u00eddica ou equival\u00eancia suficiente entre an\u00e1lise f\u00e1tica do ac\u00f3rd\u00e3o paradigma e o recorrido\u201d, afirmou o relator, Leonam Rocha de Medeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a decis\u00e3o da turma ordin\u00e1ria foi mantida. Nela, o relator, conselheiro Ronnie Soares Anderson, argumenta que a associa\u00e7\u00e3o firmava<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cconv\u00eanios\u201d, com caracter\u00edsticas contratuais, para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de transporte diretamente com terceiras pessoas, caracterizando atividade com fim econ\u00f4mico. Assim, n\u00e3o estaria isenta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"2umPAleoat\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-mantem-cobranca-de-contribuicao-previdenciaria-sobre-pagamento-a-taxistas-13022024\">Carf mant\u00e9m cobran\u00e7a de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre pagamento a taxistas<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Carf mant\u00e9m cobran\u00e7a de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria sobre pagamento a taxistas&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-mantem-cobranca-de-contribuicao-previdenciaria-sobre-pagamento-a-taxistas-13022024\/embed#?secret=2umPAleoat\" data-secret=\"2umPAleoat\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Carf permite tomada de cr\u00e9ditos de pis\/cofins sobre caixas de papel\u00e3o<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Data: 13\/02\/2024<\/h1>\n\n\n\n<p>Por unanimidade, o colegiado concluiu pelo direito do contribuinte ao creditamento de PIS e Cofins n\u00e3o cumulativos sobre gastos com caixas de papel\u00e3o utilizadas no transporte de macarr\u00e3o instant\u00e2neo. O julgamento ocorreu na segunda-feira (29\/1).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a turma autorizou o creditamento sobre despesas com aluguel de m\u00e1quinas e equipamentos como pallets, esteiras, guindastes e empilhadeiras; armazenagem de insumos para produ\u00e7\u00e3o; encargos de deprecia\u00e7\u00e3o de bens do ativo imobilizado; frete na aquisi\u00e7\u00e3o de insumos n\u00e3o sujeitos \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es; e manuten\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>No regime n\u00e3o cumulativo, as empresas podem aproveitar cr\u00e9ditos das contribui\u00e7\u00f5es pagas em etapas anteriores da cadeia produtiva, descontando do PIS e da Cofins o que j\u00e1 foi pago em outras fases.<\/p>\n\n\n\n<p>Thabitta de Souza Rocha, advogada da contribuinte e tributarista do escrit\u00f3rio Martinelli Advogados, destacou em sua sustenta\u00e7\u00e3o que j\u00e1 havia jurisprud\u00eancia a favor do contribuinte para as maiores despesas elencadas no processo. Para a tributarista, este \u00e9 um precedente importante para a ind\u00fastria aliment\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal glosa (ou seja, impedimento do contribuinte de utilizar um cr\u00e9dito para abatimento de seus d\u00e9bitos fiscais), segundo Rocha, dizia respeito \u00e0s caixas de papel\u00e3o. Ao impedir o creditamento, a fiscaliza\u00e7\u00e3o alegou, com base no inciso II artigo 3\u00ba das Leis 10.637\/2002 e 10.833\/2003, que \u00e9 vedada a concess\u00e3o de cr\u00e9ditos para embalagens. O argumento da contribuinte, por outro lado, foi de que as caixas possibilitam o acondicionamento das mercadorias, al\u00e9m de integrar o produto final para o processo de armazenamento e transporte.<\/p>\n\n\n\n<p>A relatora, Jucileia de Souza Lima, acolheu o argumento da contribuinte. \u201cEu entendo que as glosas devem ser revertidas, pois as embalagens s\u00e3o utilizadas no transporte, sendo que essas t\u00eam como objetivo a preserva\u00e7\u00e3o e acondicionamento dos alimentos. Entendo que tais embalagens atendem \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de essencialidade\u201d, declarou a relatora.<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada da contribuinte ressaltou ainda o reconhecimento do direito ao cr\u00e9dito sobre itens como guindastes e aparelhos de ar-condicionado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO precedente \u00e9 relevante, especialmente quanto \u00e0 possibilidade de creditamento sobre as despesas com manuten\u00e7\u00e3o do ar-condicionado utilizado no processo produtivo. \u00c9 essencial que o ambiente da produ\u00e7\u00e3o esteja na temperatura adequada para conserva\u00e7\u00e3o e manuseio dos insumos\u201d, destacou Rocha.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros processos envolvendo pallets assunto j\u00e1 foram decididos a favor do contribuinte, como no caso 10983.911358\/2011-68, de junho de 2023. Na ocasi\u00e3o, foi decidido que a aus\u00eancia do material de embalagens inviabilizaria a atividade do contribuinte, o que torna o material essencial. O mesmo entendimento foi seguido em outros processos, como o 13502.900954\/2010-95 e o 15504.724365\/2012-71.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"1rsM3ACmdT\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-permite-tomada-de-creditos-de-pis-cofins-sobre-caixas-de-papelao-13022024\">Carf permite tomada de cr\u00e9ditos de PIS\/Cofins sobre caixas de papel\u00e3o<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Carf permite tomada de cr\u00e9ditos de PIS\/Cofins sobre caixas de papel\u00e3o&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/carf-permite-tomada-de-creditos-de-pis-cofins-sobre-caixas-de-papelao-13022024\/embed#?secret=1rsM3ACmdT\" data-secret=\"1rsM3ACmdT\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>NOT\u00cdCIAS RELACIONADAS A DECIS\u00d5ES JUDICIAIS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>FEDERAIS:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>STF julga validade de benef\u00edcios fiscais a agrot\u00f3xicos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 05\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s seis votos proferidos, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu julgamento que discute a validade de benef\u00edcios fiscais a agrot\u00f3xicos. O processo estava no Plen\u00e1rio Virtual desde 15 de dezembro e a an\u00e1lise deveria ser finalizada ontem, mas o ministro Alexandre de Moraes pediu vista. A Corte discute se \u00e9 constitucional a redu\u00e7\u00e3o de 60% de ICMS e isen\u00e7\u00e3o de IPI dada a esses produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os incentivos forem revogados, como defendem em seus votos o relator, o ministro Edson Fachin, e a ministra C\u00e1rmen L\u00facia, poder\u00e1 haver um aumento bilion\u00e1rio no custo da produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil, segundo estudos t\u00e9cnicos. As estimativas divergem um pouco, mas indicam impacto de at\u00e9 R$ 16,5 bilh\u00f5es para o setor produtivo, de acordo com ma pesquisa feita pelo BMJ Consultores Associados a pedido do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), uma das 14 partes interessadas da a\u00e7\u00e3o (amicus curiae).<\/p>\n\n\n\n<p>O placar est\u00e1 em 3 a 2, com maioria dos votos pela validade dos incentivos tribut\u00e1rios. H\u00e1 ainda um sexto voto, do ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, divergente das duas linhas adotadas. Para ele, a Uni\u00e3o e os Estados precisam analisar \u201ca conveni\u00eancia da manuten\u00e7\u00e3o, extin\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o de um modelo isentivo vigente h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, ao custo estimado de bilh\u00f5es de reais por ano na atualidade\u201d, al\u00e9m da \u201cpondera\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis ambientais\u201d. A an\u00e1lise deve retornar ao Supremo no prazo de 90 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Hist\u00f3rico<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi movida pelo Psol, em 2016, contra dois trechos do Conv\u00eanio n\u00ba 100\/1997, do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (Confaz), que reduziu o ICMS, e contra a isen\u00e7\u00e3o de IPI, dada pelo Decreto 8.950, de 2016. O decreto foi revogado por outra norma editada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas o benef\u00edcio foi mantido, motivo pelo qual os ministros n\u00e3o deixaram de analisar o pedido.<\/p>\n\n\n\n<p>O Psol acredita que os dispositivos ofendem princ\u00edpios constitucionais como o do meio ambiente equilibrado, do direito \u00e0 sa\u00fade e da seletividade tribut\u00e1ria. Segundo disse o partido ao STF, a desonera\u00e7\u00e3o fiscal facilita o acesso aos produtos qu\u00edmicos que \u201celiminam insetos necess\u00e1rios ao equil\u00edbrio das plantas, contaminam a terra, o ar e os recursos h\u00eddricos\u201d, trazendo polui\u00e7\u00e3o e \u201cdanos incalcul\u00e1veis ao meio ambiente\u201d (ADI 5553).<\/p>\n\n\n\n<p>Vota\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ministro Gilmar Mendes, cujo voto foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin e Dias Toffoli, \u201cn\u00e3o h\u00e1 a m\u00ednima d\u00favida que a declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade ora pleiteada implicaria aumento de pre\u00e7os nos alimentos\u201d. Ele at\u00e9 concorda com o partido de que n\u00e3o h\u00e1 motivo para conceder a desonera\u00e7\u00e3o, visto que o agro e \u201cgrandes produtores rurais\u201d, baseado no princ\u00edpio da capacidade contributiva, poderiam bancar o pagamento integral dos tributos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo entanto, penso ser ingenuidade acreditar que a revoga\u00e7\u00e3o de tais benef\u00edcios iria ser assumida pelos pr\u00f3prios agentes econ\u00f4micos\u201d, afirma em seu voto. Segundo ele, a revoga\u00e7\u00e3o traria um efeito negativo aos pequenos e m\u00e9dios agricultores, os quais \u201cpoderiam recorrer a produtos n\u00e3o licenciados, os quais n\u00e3o oferecem quaisquer garantias de sa\u00fade e seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator, ministro Edson Fachin, entende n\u00e3o haver prova de que a pol\u00edtica fiscal seja efetiva. Para ele, \u201co uso indiscriminado [de agrot\u00f3xicos] pode acarretar diversos males ao meio ambiente, o que faz com que o ser humano possa inspirar e ingerir ar e \u00e1gua polu\u00eddos\u201d. A presen\u00e7a das subst\u00e2ncias qu\u00edmicas em alimentos, acrescenta, vai de encontro ao direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, podendo ser considerado problema de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>An\u00e1lise<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o da advogada Maria Andr\u00e9ia dos Santos, s\u00f3cia do Machado Associados, n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o ao meio ambiente. \u201cH\u00e1 uma norma que visa proteger e garantir alimenta\u00e7\u00e3o nas fam\u00edlias das pessoas com menor \u00f4nus tribut\u00e1rio\u201d, diz. Segundo ela, o impacto de se julgar inv\u00e1lidas as normas n\u00e3o seria s\u00f3 no pre\u00e7o dos alimentos, uma vez que o milho e a cana-de a\u00e7\u00facar, por exemplo, s\u00e3o usados para produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis. \u201cIn\u00fameras atividades podem ser impactadas pelo aumento tribut\u00e1rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o advogado Anderson Belloli, diretor jur\u00eddico da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), acabar com os incentivos acarretaria um aumento de 15% a 25% no custo dos produtores do Estado, respons\u00e1veis hoje por cerca de 75% da produ\u00e7\u00e3o nacional de arroz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs produtores gastam milh\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o e, quanto menos usarem os agroqu\u00edmicos, melhor. Por\u00e9m, tem anos que chove mais, ou chove menos, ou somos mais afetados pelo El Ni\u00f1o, e se usa os qu\u00edmicos como rem\u00e9dio vegetal para preservar as plantas, produzir alimento para o pa\u00eds\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao STF, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica disse que a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o veda benef\u00edcios fiscais a agrot\u00f3xicos e que o incentivo \u201cn\u00e3o favorecer\u00e1 que o produtor de alimentos coloque o defensivo agr\u00edcola em n\u00edvel excessivo ou desaconselh\u00e1vel&#8221;. A Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU) se posicionou no mesmo sentido. J\u00e1 a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica (PGR) \u00e9 contra o conv\u00eanio e o decreto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPenso ser ingenuidade acreditar que a revoga\u00e7\u00e3o de tais benef\u00edcios iria ser assumida pelos pr\u00f3prios agentes econ\u00f4micos\u201d \u2014 Ministro Gilmar Mendes<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo fomentar a intensifica\u00e7\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos, o Estado descumpre importante tarefa de extra\u00e7\u00e3o constitucional, referente \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e afronta diretamente a melhor compreens\u00e3o do princ\u00edpio constitucional do poluidor pagador\u201d, disse a PGR. Aos ministros, o Minist\u00e9rio da Fazenda afirmou que, na ata de reuni\u00e3o do Confaz, n\u00e3o h\u00e1 justificativa para aprova\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio, apenas uma \u201cmotiva\u00e7\u00e3o individual\u201d dos Estados para adotar a ren\u00fancia fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio de nota, o Psol disse que os incentivos fiscais sob discuss\u00e3o beneficiam majoritariamente grandes latifundi\u00e1rios e ferem o princ\u00edpio da seletividade, ao estimular o uso de produtos nocivos \u00e0 sa\u00fade na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do Brasil. \u201cA suspens\u00e3o das isen\u00e7\u00f5es, estimadas em mais de R$ 10 bilh\u00f5es, tamb\u00e9m colabora para o aumento&nbsp;da&nbsp;arrecada\u00e7\u00e3o\u201d, diz a nota. Procurado pelo Valor, o Confaz n\u00e3o deu retorno at\u00e9 o fechamento da edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/05\/stf-julga-validade-de-beneficios-fiscais-a-agrotoxicos.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/05\/stf-julga-validade-de-beneficios-fiscais-a-agrotoxicos.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MP 1202: decis\u00f5es mant\u00eam limite para compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 05\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Decis\u00f5es no Rio Grande do Sul e em S\u00e3o Paulo mantiveram o limite fixado pela MP 1.202\/2023 para a compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios reconhecidos judicialmente. Mapeamento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) mostra que, al\u00e9m de duas liminares, h\u00e1 at\u00e9 agora uma senten\u00e7a negando o pedido dos contribuintes para afastar a medida provis\u00f3ria e, com isso, realizar o encontro de contas utilizando todos os cr\u00e9ditos que possuem de uma vez s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ju\u00edzes negaram o pedido das empresas por argumentos distintos. Eles v\u00e3o desde a falta de urg\u00eancia que justifique a concess\u00e3o de uma liminar, passando pela aplica\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da lei vigente \u00e0 data da compensa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a aus\u00eancia de ato da Receita Federal que tivesse negado o pedido de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicada em 29 de dezembro, a MP 1.202\/23 limitou a compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos reconhecidos em decis\u00f5es judiciais de valores a partir de R$ 10 milh\u00f5es. A restri\u00e7\u00e3o foi regulamentada pela Portaria Normativa MF 14\/24, que trouxe seis faixas de compensa\u00e7\u00e3o, com prazos entre 12 e 60 meses, a depender do valor devido ao contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>As liminares s\u00e3o decis\u00f5es provis\u00f3rias que poder\u00e3o ser confirmadas ou n\u00e3o posteriormente pelos ju\u00edzes por meio das senten\u00e7as. A parte vencida, seja contribuinte, seja Fazenda Nacional, poder\u00e1 apelar ao tribunal para reformar a senten\u00e7a. J\u00e1 no caso da senten\u00e7a, a parte poder\u00e1 interpor diretamente a apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a procuradora-geral adjunta da Fazenda Nacional, Lana Borges, as decis\u00f5es refor\u00e7am que a Uni\u00e3o, os estados, o Distrito Federal e os munic\u00edpios, cada um em sua esfera de compet\u00eancia, podem autorizar a compensa\u00e7\u00e3o e fixar como ela se materializar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria n\u00e3o se d\u00e1 instantaneamente ou de modo obrigat\u00f3rio. N\u00e3o basta que existam cr\u00e9ditos e d\u00e9bitos em nome do mesmo contribuinte. Para a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria ocorrer, \u00e9 necess\u00e1rio que exista uma norma autorizadora. O CTN determina que caber\u00e1 \u00e0 lei de cada ente p\u00fablico tributante a fixa\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios e condi\u00e7\u00f5es para a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Logo, \u00e9 leg\u00edtima e v\u00e1lida a atribui\u00e7\u00e3o conferida \u00e0 autoridade administrativa quanto ao apontamento das condi\u00e7\u00f5es para a compensa\u00e7\u00e3o. O texto atual, no que diz respeito \u00e0 Uni\u00e3o, \u00e9 aquele contido na MP 1.202\/2023\u201d, afirma Borges.<\/p>\n\n\n\n<p>Contribuinte pode optar pelo precat\u00f3rio, diz juiz<br>Em uma das liminares (no mandado de seguran\u00e7a 5000656-96.2024.4.04.7107), a Justi\u00e7a negou o pedido das Lojas Colombo S.A Com\u00e9rcio de Utilidades Dom\u00e9sticas para compensar um cr\u00e9dito de R$ 40 milh\u00f5es sem os limites impostos pela MP 1.202\/23.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 30 de janeiro, a ju\u00edza Denise Dias de Castro Bins Schwanck, da 2\u00aa Vara Federal de Uruguaiana, no RS, decidiu que os preju\u00edzos financeiros alegados pela empresa n\u00e3o causam o risco de ela perder o seu direito de compensar os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios caso a decis\u00e3o seja tomada apenas na senten\u00e7a. Em outras palavras, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria uma liminar para conceder o pedido da contribuinte. \u201cDe fato, n\u00e3o se podem confundir os preju\u00edzos financeiros que a parte possa vir a sofrer com o dano irrepar\u00e1vel ou de dif\u00edcil repara\u00e7\u00e3o previsto no instituto processual civil, inclusive considerando a solv\u00eancia da Uni\u00e3o\u201d, afirma a ju\u00edza.<\/p>\n\n\n\n<p>A magistrada observa ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda n\u00e3o analisou liminar nos autos da ADI 7.587, de autoria do Partido Novo, que questiona a constitucionalidade da MP 1.202\/2023. Para ela, se a empresa tem preocupa\u00e7\u00e3o com a demora que a medida provis\u00f3ria causar\u00e1 na compensa\u00e7\u00e3o dos seus cr\u00e9ditos, \u201cfato \u00e9 que pode a impetrante optar pela via do precat\u00f3rio para tal cumprimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE mesmo essa via, ainda quando cumprido estritamente o prazo constitucional do artigo 100, pode demandar mais de trinta meses para conduzir ao pagamento da d\u00edvida, por exemplo, no caso de um precat\u00f3rio transmitido em 2 de abril de determinado ano, pass\u00edvel de pagamento at\u00e9 31 de dezembro do segundo ano posterior \u00e0quele\u201d, escreveu a ju\u00edza Denise Dias de Castro Bins Schwanck.<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00e9ditos da \u201ctese do s\u00e9culo\u201d<br>No segundo caso, a 2\u00aa Vara C\u00edvel Federal de S\u00e3o Paulo negou um pedido liminar da empresa Valgroup RJ Ind\u00fastria R-PET LTDA (mandado de seguran\u00e7a 5000809-73.2024.4.03.6100). Neste processo, a contribuinte alega que tem para compensar um saldo restante de R$ 32,6 milh\u00f5es de cr\u00e9ditos de PIS e Cofins oriundos da decis\u00e3o do STF que excluiu o ICMS da base de c\u00e1lculo dessas contribui\u00e7\u00f5es \u2013 decis\u00e3o que ficou conhecida como a \u201ctese do s\u00e9culo\u201d (Tema 69).<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso, ao indeferir a liminar, em 24 de janeiro, o juiz Lu\u00eds Gustavo Bregalda Neves concluiu que, pela jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), \u201ca lei aplic\u00e1vel \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a vigente na data do encontro entre os d\u00e9bitos e cr\u00e9ditos\u201d. Ou seja, a MP 1.202\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o tributarista Igor Mauler Santiago, do escrit\u00f3rio Mauler Advogados, a decis\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3ria. Em um momento, ela afirma que a lei aplic\u00e1vel \u00e9 a vigente quando do ajuizamento da a\u00e7\u00e3o por meio da qual foi reconhecido o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio \u2013 o que, ressalta o advogado, corresponde \u00e0 jurisprud\u00eancia do STJ. Em outro, a decis\u00e3o diz que a lei aplic\u00e1vel \u00e9 a vigente quando da efetiva compensa\u00e7\u00e3o. Mauler ressalta que o STJ oferece ao contribuinte a op\u00e7\u00e3o de aplicar a nova lei caso ela seja mais ben\u00e9fica do que a anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas que a decis\u00e3o acaba aplicando na m\u00e3o contr\u00e1ria, para restringir [o direito] em vez de favorecer o contribuinte, observa Mauler.<\/p>\n\n\n\n<p>MS n\u00e3o \u00e9 meio para questionar a constitucionalidade da MP<br>Por fim, h\u00e1 uma senten\u00e7a da 1\u00aa Vara Federal de Santa Cruz do Sul (mandado de Seguran\u00e7a 5000625-76.2024.4.04.7107) que nega o pedido da Vin\u00edcola Salton LTDA. Neste caso, o juiz Rafael Tadeu Rocha da Silva extinguiu a a\u00e7\u00e3o sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito por uma quest\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p>O magistrado afirmou que ainda n\u00e3o houve deferimento da habilita\u00e7\u00e3o, ou seja, da informa\u00e7\u00e3o inicial por parte da empresa de que ela possui um cr\u00e9dito de R$ 18,5 milh\u00f5es a ser compensado. Apenas ap\u00f3s essa habilita\u00e7\u00e3o, o contribuinte poder\u00e1 transmitir a declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o (Dcomp), quando o fisco vai verificar a exist\u00eancia dos cr\u00e9ditos informados. Desse modo, a conclus\u00e3o do juiz \u00e9 que, somente ap\u00f3s a habilita\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos, poderia se falar em direito \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o restringido pela medida provis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPortanto, no caso concreto, n\u00e3o houve qualquer ato coator da autoridade apontada como impetrada, de modo que a a\u00e7\u00e3o mandamental est\u00e1 sendo utilizada claramente como instrumento para discutir a constitucionalidade da MP 1.202\/2023 e a legalidade da Portaria MF 14\/2024 [que regulamentou o limite]\u201d, afirmou o juiz. O magistrado ressaltou ainda que, pela S\u00famula 266 do STF, \u201cn\u00e3o cabe mandado de seguran\u00e7a contra lei em tese\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"bvE0HKqLpf\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/mp-1202-decisoes-mantem-limite-para-compensacao-de-creditos-tributarios-05022024\">MP 1202: decis\u00f5es mant\u00eam limite para compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;MP 1202: decis\u00f5es mant\u00eam limite para compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/mp-1202-decisoes-mantem-limite-para-compensacao-de-creditos-tributarios-05022024\/embed#?secret=bvE0HKqLpf\" data-secret=\"bvE0HKqLpf\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Alexandre de Moraes pede vista de caso sobre benef\u00edcios fiscais para agrot\u00f3xicos<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Data: 06\/02\/2024&nbsp;<\/h1>\n\n\n\n<p>Um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o julgamento da a\u00e7\u00e3o que discute a constitucionalidade de benef\u00edcios fiscais para produtos agrot\u00f3xicos. Com a retirada do caso de pauta por Moraes, j\u00e1 s\u00e3o tr\u00eas pedidos de vista desde que o processo come\u00e7ou a ser julgado, em 2020. O ministro tem at\u00e9 90 dias \u00fateis para devolver a a\u00e7\u00e3o. O placar est\u00e1 em 4\u00d72 para manter os benef\u00edcios, mas com posi\u00e7\u00f5es distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o do PSOL questiona a constitucionalidade do Conv\u00eanio 100\/1997 do Confaz, que prev\u00ea redu\u00e7\u00e3o de 60% na base de c\u00e1lculo do ICMS nas sa\u00eddas interestaduais de agrot\u00f3xicos especificados, e da Tabela de Incid\u00eancia do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) do Decreto 7660\/2011, que fixa al\u00edquota zero para agrot\u00f3xicos indicados. Hoje, a norma foi substitu\u00edda pelo Decreto 11.158\/2022, mas a al\u00edquota continua zerada para os mesmos itens.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1lculos apresentados nos autos pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco), que participa da a\u00e7\u00e3o como amicus curiae, mostram que o total de benef\u00edcios fiscais concedidos pela Uni\u00e3o aos agrot\u00f3xicos em 2017 se aproximou dos R$ 10 bilh\u00f5es. Do total, R$ 6,2 bilh\u00f5es foram da desonera\u00e7\u00e3o de ICMS e R$ 1,7 bilh\u00e3o, do IPI; R$ 1,5 bilh\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es sociais; e R$ 472 milh\u00f5es de Imposto de Importa\u00e7\u00e3o \u2013 estes dois \u00faltimos tributos n\u00e3o s\u00e3o objeto da a\u00e7\u00e3o. A Croplife Brasil, que tamb\u00e9m participa como amicus curiae, afirmou que a volta dos tributos deve onerar o setor em R$8,39 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator, ministro Edson Fachin, acompanhado pela ministra C\u00e1rmen L\u00facia, votou pela proced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o, ou seja, para declarar os benef\u00edcios inconstitucionais. Para Fachin, ao estabelecerem incentivos fiscais ao uso de agrot\u00f3xicos, as normas ofendem dispositivos constitucionais que tratam de direitos sociais e trabalhistas, al\u00e9m do direito \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente equilibrado. Segundo o relator, foram violados o artigo 6\u00ba, artigo 7\u00ba, inciso XXII; artigo 170, inciso VI; artigo 196 e, por fim, artigo 225, caput, incisos V e VII e par\u00e1grafo 3\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o. Fachin atribuiu \u00e0 decis\u00e3o efeitos ex nunc, ou seja, \u201cpara frente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Diverg\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Gilmar Mendes abriu diverg\u00eancia. Na vis\u00e3o de Mendes, a concess\u00e3o dos benef\u00edcios fiscais a agrot\u00f3xicos n\u00e3o viola o direito \u00e0 sa\u00fade ou ao meio ambiente equilibrado. Segundo o ministro, a eventual lesividade de um produto n\u00e3o retira seu car\u00e1ter essencial, a exemplo do que ocorre com os medicamentos. O ministro disse ainda que h\u00e1 \u201cminucioso regramento\u201d para registro dos produtos a fim de que os efeitos negativos sejam minorados. Por fim, declarou que o atual est\u00e1gio de desenvolvimento cient\u00edfico n\u00e3o permite a total elimina\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos. Os ministros Cristiano Zanin e Dias Toffoli acompanharam o entendimento divergente.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a abriu uma segunda diverg\u00eancia. Para o julgador, os incentivos n\u00e3o s\u00e3o \u201cterminantemente inconstitucionais\u201d. Por outro lado, Mendon\u00e7a afirmou que, em sua vis\u00e3o, a ado\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio de toxicidade e ecotoxicidade dos agrot\u00f3xicos para graduar as al\u00edquotas estaria alinhada com os valores e princ\u00edpios da Constitui\u00e7\u00e3o. O magistrado disse, por\u00e9m, que n\u00e3o caberia ao Poder Judici\u00e1rio apontar a solu\u00e7\u00e3o para o problema, \u201csubstituindo os agentes eleitos nas ruas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o ministro votou para fixar um prazo de 90 dias para que o Poder Executivo da Uni\u00e3o, quanto ao IPI, e o Poder Executivo dos Estados, com rela\u00e7\u00e3o ao ICMS, promovam \u201c adequada e contempor\u00e2nea avalia\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica fiscal, de modo a apresentar a esta Corte os limites temporais, o escopo, os custos e os resultados dela.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o tramita como ADI 5.553.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"KRMEdgSK1A\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/alexandre-de-moraes-pede-vista-de-caso-sobre-beneficios-fiscais-para-agrotoxicos-06022024\">Alexandre de Moraes pede vista de caso sobre benef\u00edcios fiscais para agrot\u00f3xicos<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Alexandre de Moraes pede vista de caso sobre benef\u00edcios fiscais para agrot\u00f3xicos&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/alexandre-de-moraes-pede-vista-de-caso-sobre-beneficios-fiscais-para-agrotoxicos-06022024\/embed#?secret=KRMEdgSK1A\" data-secret=\"KRMEdgSK1A\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>STJ decide que nova regra para libera\u00e7\u00e3o de garantia vale para execu\u00e7\u00e3o fiscal em andamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 08\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que a nova legisla\u00e7\u00e3o que impede a Fazenda Nacional de levantar antecipadamente garantia apresentada pelo contribuinte, antes do fim de a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a (execu\u00e7\u00e3o fiscal), deve ser aplicada mesmo nos processos em curso. O entendimento foi adotado pela ministra Regina Helena Costa ao rejeitar pedido de julgamento do tema por meio de recurso repetitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca em que o assunto foi apontado para poss\u00edvel julgamento com efeito repetitivo &#8211; o que poderia provocar a suspens\u00e3o de todos os processos a respeito -, havia, segundo a ministra Assusete Magalh\u00e3es, ao menos 15 ac\u00f3rd\u00e3os e 449 decis\u00f5es monocr\u00e1ticas do STJ sobre a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, a decis\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel aos contribuintes porque, em geral, eles contratam seguro ou fian\u00e7a para garantir o pagamento \u00e0 Fazenda Nacional, em caso de derrota judicial. Mas muitas vezes, a pedido dos procuradores, antes da decis\u00e3o final (tr\u00e2nsito em julgado), eles tamb\u00e9m precisavam fazer um dep\u00f3sito pr\u00e9vio, para a chamada \u201cliquida\u00e7\u00e3o antecipada\u201d. Esses valores iam direto para o caixa do Tesouro Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro do ano passado, por\u00e9m, foi editada a Lei n\u00ba 14.689, proibindo a liquida\u00e7\u00e3o antecipada. Mas ent\u00e3o nasceu a d\u00favida se a norma seria v\u00e1lida apenas para as execu\u00e7\u00f5es fiscais propostas dali em diante. A ministra Regina Helena Costa se posicionou com base nessa legisla\u00e7\u00e3o e no C\u00f3digo de Processo Civil (CPC).<\/p>\n\n\n\n<p>Ela analisou tr\u00eas processos apontados como \u201crepresentativos de controv\u00e9rsia\u201d para definir se o assunto seria julgado por meio de recurso repetitivo. Um dos casos \u00e9 da ind\u00fastria de alimentos Seara, outro da f\u00e1brica de vestu\u00e1rio Hering e o terceiro da Nec Latin America, de redes e seguran\u00e7a na internet (REsp 2077314, REsp 2093036 e REsp 2093033).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a magistrada, ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 14.689 n\u00e3o haveria mais motivo para julgamento com efeito repetitivo. Essa norma incluiu o par\u00e1grafo 7\u00ba no artigo 9\u00ba da Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais para proibir a satisfa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do seguro garantia: \u201cAs garantias apresentadas na forma do inciso II do caput deste artigo s\u00f3 ser\u00e3o liquidadas, no todo ou parcialmente, ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado de decis\u00e3o de m\u00e9rito em desfavor do contribuinte, vedada a sua liquida\u00e7\u00e3o antecipada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a advogada tributarista Fernanda Secco, s\u00f3cia do Velloza Advogados, os contribuintes come\u00e7aram a questionar no Judici\u00e1rio a liquida\u00e7\u00e3o antecipada porque apresentavam garantia no processo e, no decorrer da execu\u00e7\u00e3o fiscal, eram surpreendidos com o pedido da Fazenda. \u201cOs contribuintes tinham que pagar duas vezes, primeiro para a seguradora e, depois, ao fazer o dep\u00f3sito [do valor em discuss\u00e3o], antes do tr\u00e2nsito em julgado\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMesmo se a liquida\u00e7\u00e3o antecipada foi determinada, mas n\u00e3o depositada, vale a lei\u201d \u2014 Leonardo Furtado<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, para Fernanda, provavelmente, os magistrados do pa\u00eds v\u00e3o replicar o entendimento da ministra Regina Helena Costa em todos os processos em andamento. \u201cDesde a edi\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 14.689, j\u00e1 temos apontado nos processos individuais essa altera\u00e7\u00e3o legislativa de veda\u00e7\u00e3o da liquida\u00e7\u00e3o antecipada\u201d, diz. \u201cComo o posicionamento da ministra oficializa que o que est\u00e1 nessa legisla\u00e7\u00e3o vale para todos os processos em curso, nosso argumento \u00e9 refor\u00e7ado\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada Anete Mair Maciel, s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Gaia Silva Gaede Advogados, que representa a Cia Hering em um dos processos, concorda que o posicionamento do STJ corrobora com os argumentos dos contribuintes. Mas em rela\u00e7\u00e3o aos casos j\u00e1 julgados de maneira desfavor\u00e1vel, ela entende que n\u00e3o deve ser aplicada a Lei n\u00ba 14.689. \u201cIsso porque norma processual n\u00e3o se aplica a atos pret\u00e9ritos\u201d, afirma. Na decis\u00e3o, a ministra n\u00e3o falou nada sobre atos consolidados.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas no caso de haver no processo a determina\u00e7\u00e3o de liquida\u00e7\u00e3o antecipada, mas que ainda n\u00e3o aconteceu na pr\u00e1tica, acrescenta Anete, seria poss\u00edvel tentar pedir ao magistrado a aplica\u00e7\u00e3o da nova legisla\u00e7\u00e3o. \u201cVia de regra, a seguradora tem um prazo de 30 dias para operar a liquida\u00e7\u00e3o. Nesse per\u00edodo, pode ser feita esta tentativa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Fazenda Nacional, que antigamente defendia a liquida\u00e7\u00e3o antecipada, afirma n\u00e3o ter interesse em recorrer da decis\u00e3o do STJ. \u201cLut\u00e1vamos bastante no Judici\u00e1rio contra a veda\u00e7\u00e3o da liquida\u00e7\u00e3o antecipada, mas, como ela foi incorporada na lei, n\u00e3o tem mais como a gente se opor\u201d, afirma Leonardo Furtado, procurador da Fazenda Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Furtado, mesmo se a liquida\u00e7\u00e3o antecipada foi determinada, mas n\u00e3o depositada, vale a legisla\u00e7\u00e3o nova. \u201cPoder\u00e1, nesse caso, ser necess\u00e1rio apresentar carta fian\u00e7a\u201d, diz. Contudo, o procurador alerta que o dep\u00f3sito pr\u00e9vio feito no passado n\u00e3o \u00e9 afetado pela nova lei ou pela decis\u00e3o do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/08\/stj-decide-que-nova-regra-para-liberacao-de-garantia-vale-para-execucao-fiscal-em-andamento.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/08\/stj-decide-que-nova-regra-para-liberacao-de-garantia-vale-para-execucao-fiscal-em-andamento.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inexig\u00edvel a cobran\u00e7a de IR sobre lucros distribu\u00eddos por empresa de advocacia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 08\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A 7\u00aa Turma do Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o (TRF1) negou a apela\u00e7\u00e3o interposta pela Uni\u00e3o da senten\u00e7a que indeferiu o pedido de declara\u00e7\u00e3o de inexigibilidade do Imposto de Imposto de Renda Pessoa F\u00edsica (IRPF) sobre os valores recebidos provenientes da distribui\u00e7\u00e3o de lucros por uma sociedade de advogados.<\/p>\n\n\n\n<p>A relatora do caso, desembargadora federal Gilda Sigmaringa Seixas, sustentou que os lucros recebidos pelo autor da associa\u00e7\u00e3o de advogados do qual era s\u00f3cio n\u00e3o estavam sujeitos \u00e0 incid\u00eancia de imposto de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>A magistrada destacou ainda que \u201cn\u00e3o prospera a pretens\u00e3o da Uni\u00e3o de reformar a senten\u00e7a de proced\u00eancia, sob o argumento de que n\u00e3o houve comprova\u00e7\u00e3o, por per\u00edcia cont\u00e1bil, de que os valores recebidos pelo autor tiveram lastros em lucros escriturados por pessoa jur\u00eddica\u201d, isto porque esta prova est\u00e1 no ac\u00f3rd\u00e3o da Receita Federal ao votar pela proced\u00eancia da impugna\u00e7\u00e3o apresentada pela empresa e pela \u201cexonera\u00e7\u00e3o total do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a constata\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Receita Federal da exist\u00eancia de julgamento demonstra a exist\u00eancia de escritura\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil da pessoa jur\u00eddica que distribuiu lucros ao autor, sendo absolutamente dispens\u00e1vel a produ\u00e7\u00e3o de prova pericial para a comprova\u00e7\u00e3o do fato.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, a 7\u00aa Turma, seguindo o voto da relatora, manteve a senten\u00e7a contestada.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Processo Relacionado:<\/em>&nbsp;0033171-21.2007.4.01.3400<\/p>\n\n\n\n<p><em>Data do julgamento:<\/em>&nbsp;08\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/lawmm.com.br\/inexigivel-a-cobranca-de-ir-sobre-lucros-distribuidos-por-empresa-de-advocacia\/\">https:\/\/lawmm.com.br\/inexigivel-a-cobranca-de-ir-sobre-lucros-distribuidos-por-empresa-de-advocacia\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>STF julga novo recurso em a\u00e7\u00e3o sobre ICMS na transfer\u00eancia de mercadorias entre filiais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 10\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, nesta sexta-feira (09), o julgamento de novos embargos de declara\u00e7\u00e3o no processo que cessou a cobran\u00e7a de ICMS na transfer\u00eancia de mercadorias entre Estados de uma mesma empresa. Esse processo tem impacto bilion\u00e1rio para o varejo.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Edson Fachin, relator da a\u00e7\u00e3o, votou para n\u00e3o admitir o recurso, oposto ao Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combust\u00edveis e de Lubrificantes (Sindicom). Ele foi o \u00fanico a votar at\u00e9 ent\u00e3o. Ainda \u00e9 preciso que os outros nove ministros se manifestem. O julgamento acaba no dia 20 de fevereiro, no Plen\u00e1rio Virtual.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o terceiro embargo movido pelos contribuintes neste caso &#8211; o segundo feito pelo Sindicom, representado pelo escrit\u00f3rio de advocacia Mattos Filho. Fachin votou por n\u00e3o admitir o recurso do sindicato por n\u00e3o haver legitimidade para ele ingressar com esse tipo de instrumento, uma vez que \u00e9 apenas parte interessada (amicus curiae) no caso. O recurso anterior tamb\u00e9m foi negado, por unanimidade, pelo mesmo motivo, no fim de outubro de 2023.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contexto<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 2021, quando o STF julgou o m\u00e9rito da quest\u00e3o, ficou definido que o ICMS entre filiais n\u00e3o seria cobrado. Apesar de a decis\u00e3o ter sido ben\u00e9fica para os contribuintes, teve como efeito colateral a impossibilidade de aproveitar cr\u00e9ditos do imposto estadual na etapa seguinte da cadeia. Em abril de 2023, houve a modula\u00e7\u00e3o do entendimento para que a determina\u00e7\u00e3o valesse a partir de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ficou definido que os Estados deveriam disciplinar o uso dos cr\u00e9ditos acumulados. Se isso n\u00e3o ocorresse, os contribuintes ficariam liberados para fazer as transfer\u00eancias sem qualquer ressalva ou limita\u00e7\u00e3o. Para o sindicato, o ac\u00f3rd\u00e3o do STF n\u00e3o deixou claro o que acontece com os cr\u00e9ditos se n\u00e3o houver regulamenta\u00e7\u00e3o dos governos estaduais u do Poder Legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cobran\u00e7a retroativa<\/p>\n\n\n\n<p>O sindicato, no novo recurso, ainda tenta evitar a cobran\u00e7a retroativa do imposto. Segundo ele, empresas t\u00eam sido autuadas pela Fazenda com a cobran\u00e7a do tributo estadual em per\u00edodos anteriores a 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>A entidade tamb\u00e9m cita que alguns tribunais, como no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina, t\u00eam dado decis\u00f5es desfavor\u00e1veis aos contribuintes, permitindo a autua\u00e7\u00e3o retroativa com base na modula\u00e7\u00e3o do STF. \u201cAo n\u00e3o afirmar expressamente que n\u00e3o \u00e9 dado ao Fisco constituir cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios de ICMS para os per\u00edodos anteriores a 2024, gerou-se exatamente a macrolitig\u00e2ncia que se pretendia prevenir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O sindicato pede ainda que a produ\u00e7\u00e3o de efeitos da decis\u00e3o de 2021 seja postergada para 2025 \u201ca fim de conferir tempo h\u00e1bil para a edi\u00e7\u00e3o de ato normativo para disciplinar a discuss\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pedidos n\u00e3o foram analisados por Fachin. \u201cA orienta\u00e7\u00e3o predominante na Corte \u00e9 no sentido de n\u00e3o conhecer a legitimidade do amici curiae para opor embargos de declara\u00e7\u00e3o nos processos objetivos de controle de constitucionalidade\u201d, afirmou, no voto (ADC 49).<\/p>\n\n\n\n<p>An\u00e1lise<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo tributaristas, os cr\u00e9ditos de ICMS ficaram garantidos pela decis\u00e3o do STF, mas nem todos os estados regulamentaram como seria o uso. Em dezembro, o Conselho de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (Confaz) publicou o conv\u00eanio 178\/2023 que tornou \u201cobrigat\u00f3ria\u201d a transfer\u00eancia de cr\u00e9ditos de ICMS ao Estado de destino da mercadoria, restringindo a decis\u00e3o do Supremo. Isso porque, de acordo com os especialistas, o conv\u00eanio n\u00e3o deu direito \u00e0 gest\u00e3o dos cr\u00e9ditos &#8211; escolher se mant\u00e9m na origem ou no destino &#8211; o que pode causar um desequil\u00edbrio no fluxo de caixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra regra, estabelecida pela Lei Complementar 204\/2023, regulamentou o tema de forma divergente, impondo como facultativa e n\u00e3o obrigat\u00f3ria a transfer\u00eancia do cr\u00e9dito. A d\u00favida que fica agora \u00e9 como se usa esse benef\u00edcio. \u201cH\u00e1 a possibilidade de empresa escolher querer ter a transfer\u00eancia de ICMS, mas onde se utiliza isso? Na origem da mercadoria ou pode ocorrer a utiliza\u00e7\u00e3o no destino? Esse \u00e9 o principal ponto dos embargos do Sindicom\u201d, explica o advogado \u00c2ngelo Ambrizzi, Head de tribut\u00e1rio do Marcos Martins Advogados.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra ambiguidade que gerou foi a LC s\u00f3 tratar do tema a partir de janeiro deste ano. \u201cPara o per\u00edodo anterior a 2024, h\u00e1 incerteza quanto \u00e0 possibilidade de formalizar autua\u00e7\u00e3o contra os contribuintes que deixaram de recolher ICMS\u201d, diz o advogado Eduardo Suessmann, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Suessmann Advogados. Ele diz que \u00e9 preciso uma nova regulamenta\u00e7\u00e3o para disciplinar sobre esse ponto, \u201cporque se o STF n\u00e3o se manifestar, ficar\u00e1 a crit\u00e9rio do Fisco autuar ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o advogado Jo\u00e3o Rolla, s\u00f3cio do Rodolfo Gropen Advocacia, escrit\u00f3rio que representa a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Latic\u00ednios (Vive L\u00e1cteos) na ADC 49, tamb\u00e9m ficou em aberto como ficaria a situa\u00e7\u00e3o de contribuintes que n\u00e3o tinham a\u00e7\u00e3o judicial antes da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento, o que ainda pode acarretar cobran\u00e7a de ICMS pelos Estados. \u201cRestar\u00e1 a contribuintes em situa\u00e7\u00e3o tal a via de discuss\u00f5es individuais, conforme as particularidades de cada caso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, existe certa contradi\u00e7\u00e3o entre o disposto na lei complementar, o conv\u00eanio do Confaz e as legisla\u00e7\u00f5es estaduais, que divergem na obrigatoriedade e faculdade do aproveitamento dos cr\u00e9ditos. \u201cA lei complementar que tem compet\u00eancia para dispor sobre o assunto, e deveria prevalecer sobre conv\u00eanios e normas estaduais. Mas certamente estados e o DF ter\u00e3o posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, o que gerar\u00e1 potenciais novas discuss\u00f5es\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/10\/stf-julga-novo-recurso-em-acao-sobre-cobranca-de-icms-entre-filiais.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/02\/10\/stf-julga-novo-recurso-em-acao-sobre-cobranca-de-icms-entre-filiais.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>STF nega cr\u00e9dito de PIS\/Cofins sobre reavalia\u00e7\u00e3o de bens do ativo imobilizado&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 14\/02\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Processo:&nbsp;RE 1402871&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Partes: Copesul-Cia Petroqu\u00edmica do Sul X Uni\u00e3o&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Relator: Edson Fachin&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os ministros da 2\u00aa Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, por 4 votos a 1, que o contribuinte n\u00e3o pode tomar cr\u00e9ditos de PIS e Cofins sobre a reavalia\u00e7\u00e3o de bens do ativo imobilizado. Ou seja, caso um bem da empresa sofra alguma mudan\u00e7a de valor, como, por exemplo, a desvaloriza\u00e7\u00e3o de um m\u00e1quina, o contribuinte n\u00e3o pode se creditar dessa perda de valor do bem. Prevaleceu o voto do ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, em diverg\u00eancia \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do relator, ministro Edson Fachin. Mendon\u00e7a acolheu os argumentos da Fazenda Nacional de que o STF j\u00e1 firmou entendimento no sentido de que a n\u00e3o cumulatividade do PIS e da Cofins \u00e9 definida por leis infraconstitucionais, n\u00e3o sendo inconstitucionais previs\u00f5es legais que restrinjam o direito ao cr\u00e9dito, desde que sejam respeitados os princ\u00edpios constitucionais da irretroatividade, da seguran\u00e7a jur\u00eddica e da razoabilidade (Tema 756). Os ministros Gilmar Mendes, Nunes Marques e Dias Toffoli acompanharam a diverg\u00eancia. O relator, em seu voto, argumentou que ao julgar, em 2021, o Tema 244, o STF declarou inconstitucional, por ofensa ao princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade, o caput do artigo 31 da Lei 10.865\/2004. O dispositivo estabelecia limita\u00e7\u00e3o temporal para o aproveitamento de cr\u00e9ditos do PIS e da Cofins, n\u00e3o permitindo o creditamento sobre bens do ativo imobilizado adquiridos at\u00e9 30 de abril de 2004. Para Fachin, \u00e9 poss\u00edvel aplicar as mesmas raz\u00f5es para invalidar o par\u00e1grafo 2\u00ba do artigo 31 da Lei 10.865\/2004, que veda o creditamento sobre valores referentes \u00e0 reavalia\u00e7\u00e3o de bens e direitos do ativo permanente. Ap\u00f3s o julgamento do Tema 244, citado pelo relator, o STF entendeu que o legislador pode estabelecer restri\u00e7\u00f5es ao aproveitamento de cr\u00e9ditos de PIS\/Cofins, no Tema 756, fixado em 2022. Na ocasi\u00e3o, a Corte decidiu que \u201co legislador ordin\u00e1rio possui autonomia para disciplinar a n\u00e3o cumulatividade a que se refere o artigo 195, par\u00e1grafo 12, da Constitui\u00e7\u00e3o, respeitados os demais preceitos constitucionais\u201d. O recurso n\u00e3o tem repercuss\u00e3o geral, portanto, gera um precedente, mas vincula somente as partes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"rPkbDswJIF\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stf-nega-credito-de-pis-cofins-sobre-reavaliacao-de-bens-do-ativo-imobilizado-14022024\">STF nega cr\u00e9dito de PIS\/Cofins sobre reavalia\u00e7\u00e3o de bens do ativo imobilizado<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;STF nega cr\u00e9dito de PIS\/Cofins sobre reavalia\u00e7\u00e3o de bens do ativo imobilizado&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stf-nega-credito-de-pis-cofins-sobre-reavaliacao-de-bens-do-ativo-imobilizado-14022024\/embed#?secret=rPkbDswJIF\" data-secret=\"rPkbDswJIF\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><strong>ESTADUAIS:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"3\">\n<li><strong>MUNICIPAIS:<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 05\/02 a 14\/02 N\u00famero de pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial de empresas dispara em 2023 Data: 05\/02\/2024 O n\u00famero de recupera\u00e7\u00f5es judiciais no pa\u00eds n\u00e3o para de crescer. 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