{"id":3113,"date":"2024-01-31T09:29:49","date_gmt":"2024-01-31T12:29:49","guid":{"rendered":"http:\/\/34.239.117.254\/?p=3113"},"modified":"2024-01-31T09:32:31","modified_gmt":"2024-01-31T12:32:31","slug":"noticias-em-destaque-da-semana-22-12-a-29-01","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=3113","title":{"rendered":"Not\u00edcias em Destaque da Semana &#8211; 22\/12 a 29\/01"},"content":{"rendered":"\n<p>Not\u00edcias em Destaque da Semana &#8211; 22\/12 a 29\/01<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fase 2 da reforma ter\u00e1 mudan\u00e7as no JCP e taxa de 15% a m\u00faltis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 23\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A reforma tribut\u00e1ria sobre a renda que o governo federal vai enviar ao Congresso Nacional at\u00e9 meados de mar\u00e7o deve incluir um imposto m\u00ednimo efetivo de 15% sobre o lucro de multinacionais que operam no Brasil e deve propor a revoga\u00e7\u00e3o ou mudan\u00e7as no uso dos juros sobre capital pr\u00f3prio (JCP) distribu\u00eddos pelas empresas, ideia que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou aprovar em 2023, sem sucesso, apurou o Valor com fontes do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>O imposto m\u00ednimo global foi negociado por 140 pa\u00edses sob a coordena\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), com o objetivo de permitir a realoca\u00e7\u00e3o dos lucros das grandes multinacionais para pa\u00edses do mundo todo. Pelo menos 55 pa\u00edses j\u00e1 adotam a medida, incluindo os das Uni\u00e3o Europeia. A Receita Federal j\u00e1 vinha trabalhando nas diretrizes para adotar esse tributo no Brasil, mas ainda n\u00e3o tinha estabelecido um prazo. Agora, segundo apurou o Valor, a ideia \u00e9 propor a tributa\u00e7\u00e3o dentro do projeto de lei que tratar\u00e1 da reforma tribut\u00e1ria sobre a renda.<\/p>\n\n\n\n<p>O tributo, se aprovado pelo Congresso, funcionar\u00e1 nas bases propostas pela OCDE, ou seja, dever\u00e1 ser aplicado a qualquer multinacional com receita anual superior a \u20ac 750 milh\u00f5es que tenha sede ou filial instalada no Brasil. A empresa ter\u00e1 de recolher o imposto m\u00ednimo global no Brasil caso sua al\u00edquota efetiva de tributos pagos no pa\u00eds fique abaixo de 15%. Em geral, a al\u00edquota dos impostos sobre o lucro no Brasil \u00e9 de 34%, mas parte das empresas tem benef\u00edcios fiscais ou dedu\u00e7\u00f5es da base de c\u00e1lculo, por isso a al\u00edquota efetiva paga \u00e9 bem menor.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo ainda mant\u00e9m em sigilo o n\u00famero de empresas que podem ser afetadas e o valor esperado de arrecada\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, segundo fontes, haver\u00e1 um impacto positivo, que ajudar\u00e1 a compensar a ren\u00fancia de uma outra medida que ser\u00e1 inclu\u00edda na reforma da renda: a revis\u00e3o das regras de Tributa\u00e7\u00e3o em Bases Universais (TBU), que \u00e9 o mecanismo que estabelece que a tributa\u00e7\u00e3o dos rendimentos e ganhos de capital de uma filial ou subsidi\u00e1ria deve ser feita no pa\u00eds de domic\u00edlio tribut\u00e1rio da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 que as regras adotadas no Brasil fiquem mais pr\u00f3ximas do padr\u00e3o da OCDE. Uma fonte explica que o TBU adotado pelo pa\u00eds \u00e9 \u00fanico, porque tributa automaticamente o lucro de qualquer filial estrangeira de empresa ou grupo econ\u00f4mico domiciliado no Brasil. A ideia \u00e9 desobrigar a tributa\u00e7\u00e3o anual de filiais e subsidi\u00e1rias que de fato sejam operacionais no exterior e manter a tributa\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s rendas passivas ou de filiais instaladas em para\u00edsos fiscais ou locais subtributados.<\/p>\n\n\n\n<p>A reformula\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o do TBU tamb\u00e9m j\u00e1 era uma agenda que vinha sendo desenvolvida pela Receita, pois as atuais regras valem somente at\u00e9 o ano-calend\u00e1rio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTributar os dividendos dar\u00e1 azo \u00e0 quest\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada de lucros\u201d \u2014 Eduardo Natal.<\/p>\n\n\n\n<p>Fontes tamb\u00e9m afirmam que mudan\u00e7as no JCP voltar\u00e3o a ser propostas pelo governo, agora dentro da reforma da renda. H\u00e1 duas alternativas na mesa: propor a revoga\u00e7\u00e3o do JCP ou a restri\u00e7\u00e3o do modelo para algo semelhante ao adotado na Europa, chamado de ACE (Allowance for Corporate Equity). A decis\u00e3o depender\u00e1 de qual ser\u00e1 a al\u00edquota do Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ). \u201cEstamos avaliando o que preferimos e o que as empresas preferem tamb\u00e9m. Preferimos ter uma al\u00edquota corporativa mais alta e o JCP reformulado ou uma al\u00edquota nominal mais baixa sem o JCP? Essa \u00e9 a escolha que precisa ser feita\u201d, explica uma fonte.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Fernando Haddad prop\u00f4s no ano passado o fim do JCP ao Congresso, com a expectativa de arrecadar R$ 10,4 bilh\u00f5es em 2024. A ideia, contudo, n\u00e3o prosperou, e os parlamentares aprovaram apenas algumas restri\u00e7\u00f5es para uso do instrumento financeiro, justamente para que o assunto fosse tratado de forma estrutural, em meio \u00e0 reforma tribut\u00e1ria do Imposto de Renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas ouvidos pelo Valor acreditam que o mecanismo pode ser aprimorado para evitar seu uso como instrumento de planejamento tribut\u00e1rio, mas sua elimina\u00e7\u00e3o poderia ser um equ\u00edvoco. Isso porque JCP s\u00e3o os juros com os quais as empresas remuneram seus s\u00f3cios por terem investido capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Para advogados tributaristas e economistas, o principal incentivo que o JCP criou \u00e9 que as companhias tenham mais capital pr\u00f3prio e menos de terceiros para financiar investimentos e opera\u00e7\u00f5es, o que se transforma em menor endividamento das empresas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da resist\u00eancia inicial do Congresso, o governo vai voltar ao tema, porque entende que n\u00e3o tem como falar sobre tributa\u00e7\u00e3o de lucros e dividendos sem englobar o JCP. \u201cSe voc\u00ea tem uma empresa, o que vai determinar a carga tribut\u00e1ria dela? A tributa\u00e7\u00e3o do lucro, do dividendo e do JCP. O neg\u00f3cio \u00e9 tripartite. Quando a gente for tratar de lucro e dividendos, claro que o JCP vai entrar na conta tamb\u00e9m\u201d, explica uma fonte ao Valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos dividendos, o governo trabalha, no momento, com uma al\u00edquota de refer\u00eancia de 15%, igual \u00e0 aprovada pela C\u00e2mara em 2021, dentro da reforma proposta pelo ent\u00e3o ministro da Economia Paulo Guedes, projeto que acabou n\u00e3o prosperando no Senado. Tamb\u00e9m deve ser proposta uma redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota corporativa, composta pelo IRPJ e pela Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL). Por\u00e9m, fontes destacam que a calibragem das al\u00edquotas ainda n\u00e3o est\u00e1 definida, porque vai depender do resultado das negocia\u00e7\u00f5es do governo com o Legislativo para a aprova\u00e7\u00e3o de projetos que elevam a arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fontes do governo defendem, ainda, que a tributa\u00e7\u00e3o dos dividendos seja horizontal. Elas avaliam que foi um erro do projeto aprovado pela C\u00e2mara em 2021 isentar empresas com faturamento anual at\u00e9 R$ 4,8 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o tributarista Eduardo Natal, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Natal &amp; Manssur, a isen\u00e7\u00e3o dos dividendos deveria ser mantida. \u201cTributar os dividendos dar\u00e1 azo \u00e0 problem\u00e1tica quest\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada de lucros, recorrente antes de 1996, e que gerou uma legisla\u00e7\u00e3o extremamente complexa e um contencioso n\u00e3o menos intrincado\u201d, cita o advogado. Ele tamb\u00e9m disse que o movimento pode inibir a capitaliza\u00e7\u00e3o das empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o Imposto de Renda das Pessoas F\u00edsicas (IRPF), o Valor apurou que ainda n\u00e3o h\u00e1 decis\u00f5es tomadas. O reajuste da faixa de isen\u00e7\u00e3o da tabela do IR, uma promessa do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, com certeza vai existir. Contudo, o valor ainda n\u00e3o est\u00e1 decidido. Lula prometeu isentar quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil. At\u00e9 o momento, n\u00e3o est\u00e1 prevista a cria\u00e7\u00e3o de novas faixas na tabela do IR nem a majora\u00e7\u00e3o de al\u00edquota m\u00e1xima, hoje de 27,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA renda do trabalho j\u00e1 \u00e9 bastante tributada no Brasil quando junta INSS (contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Previd\u00eancia). Por isso, estamos focando na renda financeira, em dividendos, que hoje \u00e9 isento. O caminho n\u00e3o \u00e9 tributar mais o trabalho no Brasil\u201d, explica uma fonte, ressaltando que n\u00e3o h\u00e1 decis\u00e3o final sobre o tema. Outra fonte reconhece que \u00e9 um tema \u201csupersens\u00edvel politicamente\u201d e ressalta que a decis\u00e3o final passar\u00e1 pelo presidente Lula, al\u00e9m do pr\u00f3prio ministro Haddad.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme mostrou o Valor na semana passada, a \u00e1rea t\u00e9cnica do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) defende o aumento do n\u00famero de faixas na tabela do IR da pessoa f\u00edsica, a atualiza\u00e7\u00e3o da faixa de isen\u00e7\u00e3o e aumento das al\u00edquotas m\u00e1ximas, porque, segundo os auditores, a atual tabela favorece de maneira desproporcional as fam\u00edlias de maior renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles ponderam, contudo, que a simples readequa\u00e7\u00e3o da tabela do IR poderia ter \u201cefeito perverso\u201d, pois s\u00f3 atingiria os rendimentos classificados como tribut\u00e1veis, o que poderia aumentar o fen\u00f4meno da \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d. Por isso, os auditores defendem que o governo revise a isen\u00e7\u00e3o dos dividendos e adeque a al\u00edquota do IRPJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais sugest\u00f5es do relat\u00f3rio pr\u00e9vio do TCU, o governo quer adotar mecanismos que permitam a consolida\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es financeiras de todas as entidades de um grupo empresarial para a apura\u00e7\u00e3o de seus tributos, acabando com a apura\u00e7\u00e3o CNPJ por CNPJ. O objetivo \u00e9 tornar mais eficiente e mais justa a apura\u00e7\u00e3o de resultado fiscal. Essa mudan\u00e7a tamb\u00e9m deve ter um custo fiscal, que dever\u00e1 ser compensado pelo imposto m\u00ednimo global das multinacionais, disse uma fonte.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o tributarista Eduardo Natal, a consolida\u00e7\u00e3o da apura\u00e7\u00e3o fiscal do grupo \u00e9 um ponto positivo. Segundo o advogado, a consolida\u00e7\u00e3o traria maior transpar\u00eancia quanto aos empreendimentos de grupos empresariais, fazendo com que esses grupos atendam um melhor n\u00edvel de compliance em todas as suas frentes de neg\u00f3cios, possibilitando a cria\u00e7\u00e3o de regras de compensa\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos fiscais de um neg\u00f3cio com os lucros de outro. \u201cEssa transpar\u00eancia seria tamb\u00e9m uma \u00f3tima ferramenta para atra\u00e7\u00e3o de investimentos no Brasil\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros pontos tamb\u00e9m podem ser inclu\u00eddos na reforma do Imposto de Renda. De acordo com a emenda constitucional 132, o Executivo tem at\u00e9 meados de mar\u00e7o para enviar o texto ao Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, o governo est\u00e1 dividindo a reforma da renda em tr\u00eas cap\u00edtulos: o primeiro j\u00e1 foi aprovado e sancionado e estabeleceu a tributa\u00e7\u00e3o sobre offshores e fundos exclusivos. Essa etapa foi antecipada para 2023 para ajudar na meta de zerar o d\u00e9ficit prim\u00e1rio neste ano. J\u00e1 o segundo cap\u00edtulo tratar\u00e1 da tributa\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es do mercado financeiro, buscando estimular o mercado de capitais. Por ser um tema mais consensual, segundo o governo, ser\u00e1 enviado num projeto de lei a parte. O outro projeto trar\u00e1 todos os demais temas da reforma da renda.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2024\/01\/23\/fase-2-da-reforma-tera-mudancas-no-jcp-e-taxa-de-15-a-multis.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2024\/01\/23\/fase-2-da-reforma-tera-mudancas-no-jcp-e-taxa-de-15-a-multis.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Receita estima que limite estabelecido para compensa\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias afeta 495 empresas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 24\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita Federal estima que o limite estabelecido para as compensa\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias decorrentes de decis\u00e3o judicial pode impactar 495 empresas no pa\u00eds, sendo seis delas com cr\u00e9ditos acima de R$ 1 bilh\u00e3o cada. O limite, previsto para valores a partir de R$ 10 milh\u00f5es, est\u00e1 em vigor desde o dia 5. Faz parte da Medida Provis\u00f3ria (MP) n\u00ba 1.202, editada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no fim de 2023 para tentar recuperar a base de arrecada\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o e viabilizar o d\u00e9ficit zero neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da Receita obtidos com exclusividade pelo Valor via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, 495 empresas informaram no ano de 2023 terem cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios a partir de R$ 10 milh\u00f5es, obtidos a partir decis\u00e3o judicial, para abater tributos devidos. Ao todo, os cr\u00e9ditos informados somam R$ 35,362 bilh\u00f5es. O levantamento foi feito tendo como refer\u00eancia os cr\u00e9ditos informados at\u00e9 o fim de agosto do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o 434 empresas com cr\u00e9ditos entre R$ 10 milh\u00f5es e R$ 100 milh\u00f5es. Outras 20 companhias t\u00eam valores entre R$ 100 milh\u00f5es e R$ 200 milh\u00f5es. J\u00e1 29, cr\u00e9ditos de R$ 200 milh\u00f5es a R$ 500 milh\u00f5es. Seis empresas t\u00eam cr\u00e9ditos de R$ 500 milh\u00f5es a R$ 1 bilh\u00e3o e outras seis, acima de R$ 1 bilh\u00e3o. Para valores inferiores a R$ 10 milh\u00f5es n\u00e3o h\u00e1 limite mensal para utiliza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pelas novas regras, as empresas ter\u00e3o prazo m\u00ednimo de 12 a 60 meses para uso dos cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios, a depender dos valores. O prazo maior vale para cr\u00e9ditos a partir de R$ 500 milh\u00f5es. Antes n\u00e3o havia limite de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os nomes das empresas que ser\u00e3o afetadas pelo limite n\u00e3o constam em notas t\u00e9cnicas do Minist\u00e9rio da Fazenda. Nem a estimativa de eleva\u00e7\u00e3o de receita com a medida, j\u00e1 que a posterga\u00e7\u00e3o do uso dos cr\u00e9ditos pode ter impacto positivo na arrecada\u00e7\u00e3o. Em coletiva de imprensa no fim do ano passado, o secret\u00e1rio da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, falou em impacto positivo de R$ 20 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas notas t\u00e9cnicas, a Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica (SPE) do Minist\u00e9rio da Fazenda diz que a medida n\u00e3o tem impacto or\u00e7ament\u00e1rio-financeiro, uma vez que \u201cse trata de mudan\u00e7as administrativas que visam resguardar a arrecada\u00e7\u00e3o federal ante a possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos bilion\u00e1rios para a compensa\u00e7\u00e3o de tributos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Receita Federal defende a implementa\u00e7\u00e3o do limite para \u201cresguardar a arrecada\u00e7\u00e3o federal\u201d. \u201cNo caso de cr\u00e9ditos oriundos de a\u00e7\u00f5es judiciais, verifica-se que as decis\u00f5es a eles relativas normalmente abrangem per\u00edodo superior a um ano, sendo comum abrangerem v\u00e1rios anos-calend\u00e1rio, motivo pelo qual h\u00e1 um ac\u00famulo de cr\u00e9ditos. Para resguardar a arrecada\u00e7\u00e3o federal ante a possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos bilion\u00e1rios para a compensa\u00e7\u00e3o de tributos, prop\u00f5e-se que seja implementado um limite mensal \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o\u201d, diz o Fisco.<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas que n\u00e3o quiserem fatiar as compensa\u00e7\u00f5es podem pedir a expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio ap\u00f3s a vit\u00f3ria na disputa tribut\u00e1ria. Em geral, a compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 preferida por ser uma forma mais r\u00e1pida de reaver os valores.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, existem vantagens para o governo caso a empresa opte pelos precat\u00f3rios. Se o limite anual de pagamento previsto no or\u00e7amento for excedido, h\u00e1 a possibilidade de ser editada uma medida provis\u00f3ria e o pagamento ser feito por cr\u00e9dito extraordin\u00e1rio, fora do limite do novo arcabou\u00e7o e da meta fiscal, at\u00e9 2026. Na pr\u00e1tica, o governo ganharia pelo menos um ano para pagamento, tendo em vista que os precat\u00f3rios a serem pagos em 2024 s\u00e3o aqueles que foram inscritos at\u00e9 abril de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Tributaristas ouvidos pelo Valor afirmam que as empresas afetadas pela medida est\u00e3o em compasso de espera, com possibilidade de judicializa\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o. \u201cH\u00e1 empresas com tudo engatilhado [para entrar com a\u00e7\u00e3o judicial], mas que preferem esperar o prazo da MP para saber se haver\u00e1 convers\u00e3o em lei\u201d, afirma Priscila Faricelli, s\u00f3cia do Demarest Advogados. H\u00e1 conhecimento de uma a\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal (STF) proposta pelo Partido Novo que questiona toda a MP n\u00ba 1.202, de 2023, o que inclui a limita\u00e7\u00e3o das compensa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o somente.<\/p>\n\n\n\n<p>Faricelli destaca que a imposi\u00e7\u00e3o do limite traz inseguran\u00e7a jur\u00eddica para as empresas. \u201cSe a empresa judicializar o limite, obtiver liminar que for revertida, o que acontece com a compensa\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 negada? Ter\u00e1 que pagar imposto com multa?\u201d, questiona a advogada.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem clientes que cogitam passar a pedir pagamento por meio de precat\u00f3rio, segundo a advogada, porque, no fluxo normal, j\u00e1 n\u00e3o conseguiam aproveitar todos os cr\u00e9ditos. \u201cAgora aumentou esse movimento, porque mais gente se v\u00ea na expectativa de n\u00e3o compensar o cr\u00e9dito na sua totalidade\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Priscila Faricelli afirma que a Receita Federal tem como controlar os valores que ser\u00e3o compensados, diferente do que foi alegado na motiva\u00e7\u00e3o da medida. \u201cQuando o contribuinte faz a habilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito, ele aponta o valor, o que seria suficiente para a Receita Federal fazer suas estimativas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o coordenador de Previs\u00e3o e An\u00e1lise da Receita Federal, Marcelo Gomide, disse que 2020 foi o primeiro ano em que a Receita percebeu um crescimento acelerado do uso de compensa\u00e7\u00f5es oriundas de decis\u00e3o judicial. \u201cO uso [a partir daquele ano] foi muito acima do que vinha acontecendo em outros anos\u201d, diz. \u201cA imprevisibilidade \u00e9 na gera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito e como vai se traduzir no descarrego da arrecada\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita atribui \u00e0 \u201ctese do s\u00e9culo\u201d &#8211; a exclus\u00e3o do ICMS do c\u00e1lculo do PIS e da Cofins &#8211; o crescimento recente das compensa\u00e7\u00f5es por decis\u00e3o judicial. Conforme mostrou o Valor, o Fisco calcula que R$ 292 bilh\u00f5es em cr\u00e9ditos dessa tese j\u00e1 tenham sido utilizados pelas empresas, de 2019 a agosto do ano passado, para abater tributos devidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Andrea Mascitto, s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Pinheiro Neto Advogados, diz que, por enquanto, as empresas est\u00e3o esperando para saber se haver\u00e1 convers\u00e3o da MP, projetando d\u00e9bitos que poderiam compensar em 2024 e como a trava os afetar\u00e1. A advogada lembra que, quando a MP foi publicada, as empresas j\u00e1 tinham seus planos para 2024. \u201cIsso [limite de compensa\u00e7\u00f5es] afeta at\u00e9 o plano de neg\u00f3cios da empresa. Muda a regra do jogo se ela estava querendo fazer investimentos e contava que n\u00e3o precisaria desse dinheiro para pagar tributos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/24\/receita-estima-que-limite-estabelecido-para-compensacoes-tributarias-afeta-495-empresas.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/24\/receita-estima-que-limite-estabelecido-para-compensacoes-tributarias-afeta-495-empresas.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Justi\u00e7a nega liminar e mant\u00e9m limite para compensa\u00e7\u00e3o fiscal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 25\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a negou liminar a uma empresa que tentava n\u00e3o se submeter ao limite de compensa\u00e7\u00f5es fiscais imposto pela Medida Provis\u00f3ria (MP) n\u00ba 1.202\/2023. Para o juiz Lu\u00eds Gustavo Bregalda Neves, da 2\u00aa Vara C\u00edvel Federal de S\u00e3o Paulo, a multinacional do setor de reciclagem deve respeitar a norma, mesmo j\u00e1 tendo utilizado parte do cr\u00e9dito a que teria direito.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a decis\u00e3o, a empresa alega ter cr\u00e9dito de R$ 51,9 milh\u00f5es, em valores atualizados, decorrentes da \u201ctese do s\u00e9culo\u201d, julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que excluiu o ICMS da base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins. Deste total, ainda teria um saldo de R$ 32,6 milh\u00f5es a utilizar &#8211; valor que est\u00e1 em discuss\u00e3o na esfera administrativa porque o total foi negado pela Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>A multinacional tem feito homologa\u00e7\u00f5es mensais, mas entrou com o processo para poder compensar o saldo remanescente com impostos federais que precisa pagar por ter feito uma opera\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria no exterior, j\u00e1 aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade) no in\u00edcio deste ano. O aumento do capital social a obriga a desembolsar R$ 42 milh\u00f5es em tributos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem o limite, ela poderia usar o estoque e s\u00f3 ter de tirar do caixa R$ 10 milh\u00f5es. Com a nova regra do Minist\u00e9rio da Fazenda, no entanto, ela teria de distribuir as compensa\u00e7\u00f5es ao longo de 12 meses, o que implica teto de R$ 2,7 milh\u00f5es mensais a serem compensados. Segundo a empresa, isso acarretaria um \u201crombo da previs\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para concretiza\u00e7\u00e3o do contrato celebrado na ordem estimada de R$ 29,3 milh\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, afirma que a limita\u00e7\u00e3o implica \u201cefeitos avassaladores\u201d ao neg\u00f3cio por ter de enviar a documenta\u00e7\u00e3o que comprova o pagamento dos tributos em at\u00e9 cinco dias \u00fateis, sob pena de elevada multa, como disposto em contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz federal, por\u00e9m, rejeitou a argumenta\u00e7\u00e3o da empresa. Para ele, a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entende que a lei aplic\u00e1vel \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a vigente na data do encontro de contas &#8211; ou seja, \u00e9 preciso considerar a MP n\u00ba 1.202\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDessa forma, sendo de aplica\u00e7\u00e3o imediata as normas de direito material que impuseram novas limita\u00e7\u00f5es \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito oriundo de decis\u00e3o judicial transitada em julgado, deve ser aplicada tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s compensa\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o realizadas\u201d, afirma o magistrado na decis\u00e3o lavrada na noite de segunda-feira (processo n\u00ba 5000809-73.2024.4.03.6100).<\/p>\n\n\n\n<p>Igor Mauler Santiago, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Mauler Advogados, discorda da senten\u00e7a. Segundo ele, o juiz est\u00e1 correto ao afirmar que a lei a ser observada \u00e9 a vigente \u201cquando do ajuizamento da a\u00e7\u00e3o\u201d, mas n\u00e3o d\u00e1 a consequ\u00eancia necess\u00e1ria, que seria o deferimento da liminar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, acrescenta, renega a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 empresa com base no entendimento de que \u201ccabe ao Judici\u00e1rio \u2018respeitar as escolhas discricion\u00e1rias\u2019 do legislador, como se n\u00e3o lhe coubesse tamb\u00e9m exercer o controle de constitucionalidade, sobretudo \u00e0 vista de argumentos relevantes como os invocados pela empresa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O tributarista Eduardo Suessmann, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Suessmann Advogados, destaca que a empresa n\u00e3o pode ser submetida a uma lei que foi introduzida agora no ordenamento jur\u00eddico, quando j\u00e1 tinha uma decis\u00e3o anterior favor\u00e1vel. \u201cSe ela [a empresa] entrasse com o processo hoje, estaria entrando sabendo das condi\u00e7\u00f5es do jogo. Mas, na \u00e9poca do processo, isso era desconhecido\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Suessmann defende que a MP n\u00e3o pode ser aplicada para os processos antigos, apenas para os cr\u00e9ditos constitu\u00eddos ap\u00f3s a sua publica\u00e7\u00e3o. A norma limitou a quantia a ser compensada pelas empresas que t\u00eam cr\u00e9dito fiscal a partir de R$ 10 milh\u00f5es. Ela foi regulamentada pela Portaria 14\/2024, que estabeleceu seis faixas para o uso do estoque, a ser utilizado entre 12 e 60 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a afeta 495 empresas, como mostrou o Valor. A validade dessa altera\u00e7\u00e3o legislativa est\u00e1 sendo questionada no Supremo, por meio da a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade (ADI) 7587, ajuizada pelo Partido Novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os advogados do caso foram procurados pelo Valor, mas n\u00e3o quiseram se manifestar. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) n\u00e3o enviou resposta at\u00e9 o fechamento da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/25\/justica-nega-liminar-e-mantem-limite-para-compensacao-fiscal.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/25\/justica-nega-liminar-e-mantem-limite-para-compensacao-fiscal.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Justi\u00e7a impede Receita de fazer cobran\u00e7a retroativa de CSLL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 26\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A Vogel, do Grupo Algar Telecom, obteve liminar que impede a Receita Federal de exigir R$ 32 milh\u00f5es de Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL). A decis\u00e3o \u00e9 da ju\u00edza Raquel Fernandez Perrini, da 4\u00aa Vara C\u00edvel Federal de S\u00e3o Paulo. Ela entendeu que, no caso, n\u00e3o pode haver cobran\u00e7a retroativa com base no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2023, que permitiu a \u201cquebra\u201d de senten\u00e7a definitiva &#8211; tamb\u00e9m chamada de coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso \u00e9 peculiar. A empresa havia conseguido duas senten\u00e7as contra o pagamento de CSLL. Uma foi obtida no ano de 1992 (processo n\u00ba 015\/V\/89\/UDI). A outra em 2014 (processo n\u00ba 2001.38.03.003313-8), sete anos ap\u00f3s o STF definir que a contribui\u00e7\u00e3o, criada em 1988, \u00e9 constitucional (ADI 15). Como uma das decis\u00f5es \u00e9 posterior ao julgamento de 2007, a ju\u00edza entendeu que a empresa s\u00f3 deveria voltar a ser tributada a partir de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento do ano passado, os ministros definiram que senten\u00e7as tribut\u00e1rias dadas como definitivas deixam de ter efeito sempre que houver um julgamento posterior na Corte em sentido contr\u00e1rio (RE 955227 e RE 949297). Na pr\u00e1tica, segundo especialistas, a decis\u00e3o autorizou a Receita a fazer cobran\u00e7as retroativas &#8211; o que ainda \u00e9 discutido no Supremo.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Vogel, o \u00f3rg\u00e3o federal n\u00e3o lavrou auto de infra\u00e7\u00e3o fiscal, mas chegou a enviar um comunicado \u00e0 companhia alegando inconsist\u00eancias no pagamento. A notifica\u00e7\u00e3o motivou a empresa a entrar com uma terceira a\u00e7\u00e3o judicial sobre o tema, de forma preventiva. Isso porque a Receita Federal poderia fazer a cobran\u00e7a do tributo n\u00e3o pago dos \u00faltimos cinco anos &#8211; nesse per\u00edodo, o Fisco est\u00e1 autorizado a recuperar impostos sem procedimento fiscal aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00f3 uma decis\u00e3o em controle concentrado \u00e9 que pode mudar a coisa julgada individual ou uma decis\u00e3o como a de 2023 do Supremo, em repercuss\u00e3o geral, teria o cond\u00e3o de alterar o que foi decidido em 2014\u201d, afirma Daniela Silveira Lara, s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Rolim, Goulart, Cardoso Advogados, que atua no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, o cliente foi conservador e teve o direito assegurado duas vezes. \u201cDepois do julgamento da ADI 15, surgiu a d\u00favida se a coisa julgada de 1992 se sobrep\u00f5e a qualquer decis\u00e3o posterior, porque a coisa julgada \u00e9 como se fosse lei para a parte. E o Judici\u00e1rio entendeu que prevalece a decis\u00e3o. Ent\u00e3o, a empresa ficou tranquila\u201d, diz Daniela.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse intervalo, houve outro precedente favor\u00e1vel aos contribuintes contra o pagamento de CSLL &#8211; um julgamento do ano de 2011 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), em recurso repetitivo. Al\u00e9m disso, o Supremo chegou a entender que a mat\u00e9ria era infraconstitucional, ou seja, quem teria a \u00faltima palavra seria, de fato, o STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois disso, mudou-se o entendimento e o Supremo considerou a CSLL constitucional. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada que garanta mais a seguran\u00e7a jur\u00eddica do que a coisa julgada. Mas prevaleceu o princ\u00edpio da isonomia\u201d, afirma Daniela sobre o julgamento da coisa julgada no STF. \u201cA decis\u00e3o \u00e9 justa. De 2023 para frente, n\u00e3o se discute a cobran\u00e7a\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza federal Raquel Fernandez Perrini deu a liminar para evitar que se atingisse o \u201cdireito individual que j\u00e1 estava incorporado ao patrim\u00f4nio jur\u00eddico\u201d da empresa. \u201cRazo\u00e1vel, assim, que os efeitos prospectivos do julgamento operem apenas ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento dos Temas 881 e 885 (13 de fevereiro de 2023), ocasi\u00e3o em que a impetrante teve ci\u00eancia de que deve pagar a CSLL\u201d, diz (processo n\u00ba 5034507-07.2023.4.03.6100).<\/p>\n\n\n\n<p>Para tributaristas, poucas empresas devem ter situa\u00e7\u00e3o parecida. &#8220;A ju\u00edza n\u00e3o afrontou os Temas 881 e 885, ela fez a adequa\u00e7\u00e3o do caso concreto no que foi decidido pelo Supremo, j\u00e1 que o contribuinte tem um tr\u00e2nsito em julgado posterior. \u00c9 razo\u00e1vel o entendimento sustentado\u201d, diz o advogado Renato Silveira, s\u00f3cio do Machado Associados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele indica, por\u00e9m, que ainda \u00e9 preciso aguardar o julgamento dos embargos de declara\u00e7\u00e3o nesses temas para uma eventual modula\u00e7\u00e3o de efeitos, isto \u00e9, saber a partir de quando a tese ser\u00e1 aplicada e de que maneira. Essa a\u00e7\u00e3o era analisada no Plen\u00e1rio Virtual, at\u00e9 um pedido de destaque do ministro Dias Toffoli, o que zera o placar. O resultado era favor\u00e1vel \u00e0 Uni\u00e3o (6 a 3). \u201cN\u00e3o h\u00e1 impedimento para uma mudan\u00e7a de opini\u00e3o dos ministros. Ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que tenha impacto no caso\u201d, afirma Silveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Gustavo Taparelli, s\u00f3cio da Abe Advogados, entende que a decis\u00e3o da Vogel \u00e9 totalmente oposta \u00e0 do STF, de 2023, que n\u00e3o chegou a analisar esse ponto em espec\u00edfico. \u201cO STF n\u00e3o julgou a situa\u00e7\u00e3o particular do contribuinte que det\u00e9m decis\u00e3o transitada em julgado posterior a 2007 para afastar a aplica\u00e7\u00e3o do julgamento que declarou a constitucionalidade da CSLL. Assim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel assegurar, com certeza, como seria seu entendimento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A liminar obtida tampouco impede que a Receita Federal lavre um auto de infra\u00e7\u00e3o para exigir a CSLL. O que o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o pode \u00e9 \u201cseguir com os procedimentos de cobran\u00e7a, isto \u00e9, investir sobre o patrim\u00f4nio do contribuinte\u201d, afirma o Thiago Cer\u00e1volo Laguna, s\u00f3cio do Dib, Almeida, Laguna e Manssur. Segundo ele, a liminar afasta inclusive a exig\u00eancia de multa sobre o valor que deixou de ser pago em decorr\u00eancia da decis\u00e3o transitada em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor de R$ 32 milh\u00f5es \u00e9 o estimado no processo. A empresa chegou a provisionar R$ 24,3 milh\u00f5es sobre o tema, ap\u00f3s o julgamento de 2023 do STF, segundo publicado no Formul\u00e1rio de Informa\u00e7\u00f5es Trimestrais (ITR) do quarto trimestre de 2022. Por meio de nota, a Algar Telecom disse que \u201cn\u00e3o comenta sobre decis\u00f5es, sobre valores de causas judiciais, ou proje\u00e7\u00f5es futuras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pelo Valor, a Receita Federal informou que \u201cn\u00e3o se manifesta sobre decis\u00f5es judiciais\u201d. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) n\u00e3o deu retorno at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/26\/justica-impede-receita-de-fazer-cobranca-retroativa-de-csll.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/26\/justica-impede-receita-de-fazer-cobranca-retroativa-de-csll.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Suspensas a\u00e7\u00f5es sobre creditamento de PIS e Cofins a contribuinte substituto em caso de reembolso de ICMS-ST<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 29\/01\/2024&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u200bA 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a decidiu afetar os recursos especiais 2.075.758 e 2.072.621, assim como os Embargos de Diverg\u00eancia no recurso especial 1.959.571, de relatoria do ministro Mauro Campbell Marques, para julgamento sob o rito dos repetitivos.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o submetida a julgamento, cadastrada como Tema 1.231 na base de dados do STJ, diz respeito \u00e0 \u201cpossibilidade de creditamento, no \u00e2mbito do regime n\u00e3o-cumulativo das contribui\u00e7\u00f5es ao PIS e da Cofins, dos valores que o contribuinte substitu\u00eddo paga ao contribuinte substituto a t\u00edtulo de reembolso pelo recolhimento do ICMS-substitui\u00e7\u00e3o (ICMS-ST)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O substituto \u00e9 aquele eleito para efetuar a reten\u00e7\u00e3o e\/ou recolhimento do ICMS, enquanto o substitu\u00eddo \u00e9 o contribuinte que, nas opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es antecedentes ou concomitantes \u00e9 beneficiado pelo diferimento do imposto e nas opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es subsequentes sofre a reten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fixa\u00e7\u00e3o do precedente qualificado, o colegiado determinou a suspens\u00e3o de todos os processos individuais ou coletivos sobre a mesma mat\u00e9ria que tramitem em primeira e segunda inst\u00e2ncias, al\u00e9m do STJ. Os precedentes qualificados s\u00e3o enunciados que resumem a jurisprud\u00eancia dominante do Tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Mauro Campbell Marques considera que a suspens\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria considerando que j\u00e1 foram decididos mais de 700 processos sobre o mesmo tema somente no STJ, sem contar com as a\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o foram examinadas pelo tribunal superior e com aquelas que ainda tramitam nas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferen\u00e7a entre temas<\/p>\n\n\n\n<p>No ERESp 1.959.571, a Fazenda Nacional indicou conflito de teses entre as turmas do STJ e defendeu que deve prevalecer o entendimento da 2\u00aa Turma, segundo o qual o contribuinte n\u00e3o tem direito ao creditamento, no \u00e2mbito do regime n\u00e3o-cumulativo do PIS e da Cofins, dos valores que, na condi\u00e7\u00e3o de substitu\u00eddo tribut\u00e1rio, paga ao contribuinte substituto a t\u00edtulo de reembolso pelo recolhimento do ICMS-ST.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Campbell detalhou que, com a an\u00e1lise do tema repetitivo, ser\u00e1 verificada a abrang\u00eancia do direito ao cr\u00e9dito previsto no artigo 3\u00ba, inciso I, da Lei 10.637\/2002 e no par\u00e1grafo 1\u00ba, inciso I, da Lei 10.833\/2003, no que se refere ao princ\u00edpio da n\u00e3o-cumulatividade e ao conceito de custo de aquisi\u00e7\u00e3o envolvendo PIS e Cofins.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com o relator, a discuss\u00e3o n\u00e3o se confunde com o Tema Repetitivo 1.125.&nbsp; Campbell explicou que o outro tema, relatado pelo ministro Gurgel de Faria, aborda um momento diferente da cadeia econ\u00f4mica, \u201cpois diz respeito n\u00e3o ao creditamento, mas \u00e0 possibilidade de exclus\u00e3o do valor correspondente ao ICMS-ST da base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da Cofins devidas pelo contribuinte substitu\u00eddo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Recursos repetitivos<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo de Processo Civil de 2015 regula, no artigo 1.036 e seguintes, o julgamento por amostragem, mediante a sele\u00e7\u00e3o de recursos especiais que tenham controv\u00e9rsias id\u00eanticas. Ao afetar um processo, ou seja, encaminh\u00e1-lo para julgamento sob o rito dos repetitivos, os ministros facilitam a solu\u00e7\u00e3o de demandas que se repetem nos tribunais brasileiros. A possibilidade de aplicar o mesmo entendimento jur\u00eddico a diversos processos gera economia de tempo e seguran\u00e7a jur\u00eddica. Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de imprensa do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>EREsp 1.959.571<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.075.758<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.072.621<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-consultor-juridico wp-block-embed-consultor-juridico\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"WqonvJrTGI\"><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-29\/suspensas-acoes-sobre-creditamento-de-pis-e-cofins-a-contribuinte-substituto-em-caso-de-reembolso-de-icms-st\/\">STJ suspende a\u00e7\u00f5es sobre cr\u00e9dito de PIS e Cofins em reembolso de ICMS-ST<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;STJ suspende a\u00e7\u00f5es sobre cr\u00e9dito de PIS e Cofins em reembolso de ICMS-ST&#8221; &#8212; Consultor Jur\u00eddico\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-29\/suspensas-acoes-sobre-creditamento-de-pis-e-cofins-a-contribuinte-substituto-em-caso-de-reembolso-de-icms-st\/embed\/#?secret=p2Dl6Z70QR#?secret=WqonvJrTGI\" data-secret=\"WqonvJrTGI\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Contribuintes conseguem no Judici\u00e1rio afastar tributa\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 29\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Os contribuintes t\u00eam conseguido na Justi\u00e7a afastar a tributa\u00e7\u00e3o sobre benef\u00edcios fiscais de ICMS. Pelo menos seis liminares foram concedidas nos Estados de S\u00e3o Paulo, Rio Grande do Sul e Paran\u00e1 e no Distrito Federal. Beneficiam empresas como Renner e Latic\u00ednios Catupiry, al\u00e9m de dois sindicatos empresariais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os processos, com impacto bilion\u00e1rio, questionam a aplica\u00e7\u00e3o da Lei das Subven\u00e7\u00f5es (Lei n\u00ba 14.789\/2023). A norma alterou as regras de tributa\u00e7\u00e3o de incentivos fiscais para investimentos concedidos por Estados. A taxa\u00e7\u00e3o desses benef\u00edcios \u00e9 uma das principais medidas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para cumprir a meta fiscal e zerar o d\u00e9ficit em 2024. Segundo estimativa do Minist\u00e9rio, deve gerar um retorno de R$ 35 bilh\u00f5es para os cofres p\u00fablicos somente neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, as liminares beneficiam mais de 220 empresas, j\u00e1 que duas delas foram concedidas em mandados de seguran\u00e7a coletivos &#8211; ou seja, valem para todos os associados dos sindicatos. O Sindiatacadista do Distrito Federal, um dos beneficiados, representa mais de 190 contribuintes. O outro, o Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), 27.<\/p>\n\n\n\n<p>As decis\u00f5es impedem a cobran\u00e7a tanto do Imposto de Renda (IRPJ) e CSLL quanto do PIS e da Cofins. Todos os pedidos seguem a mesma tese: haveria ofensa ao pacto federativo. A argumenta\u00e7\u00e3o das empresas \u00e9 de que o governo federal n\u00e3o pode tributar um incentivo dado pelo Estado, voltado para atrair empresas e fomentar a competitividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algumas a\u00e7\u00f5es, discute-se ainda o conceito de renda e faturamento. Segundo os contribuintes, os benef\u00edcios fiscais representam redu\u00e7\u00e3o de custo e n\u00e3o incremento de receita. \u201cO benef\u00edcio n\u00e3o gera um acr\u00e9scimo patrimonial e \u00e9 preciso respeitar a imunidade rec\u00edproca. Se o Estado est\u00e1 cedendo, n\u00e3o pode a Uni\u00e3o tributar a receita do Estado\u201d, afirma o advogado Leandro Aleixo, s\u00f3cio-fundador do escrit\u00f3rio AleixoMaia.<\/p>\n\n\n\n<p>A banca, diz o advogado, tem mais de 500 a\u00e7\u00f5es judiciais sobre o tema, ajuizadas desde a edi\u00e7\u00e3o da Lei Complementar n\u00ba 160\/2017. A norma promoveu mudan\u00e7as no artigo 30 da Lei n\u00ba 12.973, de 2014. Antes dessa altera\u00e7\u00e3o havia uma separa\u00e7\u00e3o entre subven\u00e7\u00e3o de investimento e subven\u00e7\u00e3o de custeio. O texto anterior dizia que, no caso de subven\u00e7\u00e3o de investimento, a Uni\u00e3o n\u00e3o poderia tributar.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, com a mudan\u00e7a, passou a constar no artigo 30 da lei que \u201cincentivos e benef\u00edcios fiscais ou financeiro-fiscais concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal s\u00e3o considerados subven\u00e7\u00f5es para investimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os contribuintes entenderam que deixou de existir diferen\u00e7a entre os benef\u00edcios de ICMS e, por esse motivo, nada mais poderia ser tributado. A Receita Federal, por\u00e9m, manteve o entendimento de que s\u00f3 n\u00e3o poderia tributar incentivo como est\u00edmulo \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do empreendimento econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das a\u00e7\u00f5es ajuizadas agora trata de cr\u00e9dito presumido, por haver, segundo advogados, forte precedente no Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) contra a tributa\u00e7\u00e3o desse tipo de benef\u00edcio fiscal (EREsp 1.517.492\/PR). A discuss\u00e3o est\u00e1 nos processos, por exemplo, da Latic\u00ednios Catupiry e da Renner.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Catupiry, \u201cn\u00e3o pode a Uni\u00e3o retirar, por via obl\u00edqua, o benef\u00edcio fiscal concedido pelos Estados da Federa\u00e7\u00e3o, no exerc\u00edcio de sua compet\u00eancia, em clara afronta ao princ\u00edpio do pacto federativo e a uniformidade da tributa\u00e7\u00e3o federal\u201d (processo n\u00ba 5038077-98.2023.4.03.6100).<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento foi aceito pela ju\u00edza Regilena Emy Fukui Bolognesi, da 11\u00aa Vara C\u00edvel Federal de S\u00e3o Paulo. Ela usa precedentes da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do STJ e das turmas de direito p\u00fablico para dar provimento \u00e0 liminar. N\u00e3o cita, por\u00e9m, julgamento de abril do ano passado, em recurso repetitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela data, os ministros decidiram que a tese de isen\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito presumido n\u00e3o se aplicaria aos outros tipos de benef\u00edcios fiscais &#8211; como redu\u00e7\u00e3o de base de c\u00e1lculo, redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquota e diferimento (Tema 1182).<\/p>\n\n\n\n<p>Fundamentou de forma semelhante o juiz Marcelo Guerra Martins, da 13\u00aa Vara C\u00edvel Federal de S\u00e3o Paulo, ao conceder liminar ao Sindiveg. No caso, tratou sobre todos os tipos de benef\u00edcio fiscal, n\u00e3o s\u00f3 sobre cr\u00e9dito presumido. Para ele, a Lei n\u00ba 14.789\/2023 n\u00e3o afeta a tese dos contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor for\u00e7a do princ\u00edpio federativo, os incentivos fiscais e financeiros concedidos pelos Estados no \u00e2mbito do ICMS n\u00e3o podem ser tributados pela Uni\u00e3o, independentemente do nome que ostentarem (isen\u00e7\u00f5es, diferimentos, cr\u00e9ditos presumidos, outorgados, redu\u00e7\u00f5es de base de c\u00e1lculo, entre outros)\u201d, afirma o juiz (processo n\u00ba 5012462-09.2023.4.03.6100).<\/p>\n\n\n\n<p>Para o advogado Fabio Calcini, do Brasil, Salom\u00e3o e Matthes Advocacia, que assessora o Sindiveg, a decis\u00e3o refor\u00e7a que a nova lei vigente, encabe\u00e7ada pela Fazenda, n\u00e3o muda a ess\u00eancia do debate. \u201cO entendimento foi amplo, na linha do nosso pedido, que todo incentivo, independentemente se \u00e9 de custeio ou investimento e de outra condi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deve ser tributado\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o tributarista Gustavo Vita Pedrosa, do Ogawa, Lazzerotti e Baraldi Advogados, as liminares em favor das empresas refor\u00e7am que a Lei n\u00ba 14.789\/2023 n\u00e3o \u00e9 suficiente para impor a tributa\u00e7\u00e3o, diante dos fortes precedentes nos tribunais superiores. \u201cA altera\u00e7\u00e3o deveria vir de cima. Ou seja, se o governo federal quer tributar os incentivos fiscais concedidos pelos Estados, especialmente o cr\u00e9dito presumido, deveria alterar a Constitui\u00e7\u00e3o Federal\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Denis Araki e Marcus Furlan, s\u00f3cios do LBMF Advogados, entraram com a\u00e7\u00f5es separadas para uma mesma empresa do setor t\u00eaxtil. Uma discutia o IRPJ e CSLL e outra PIS e Cofins. Na primeira, a liminar foi deferida (processo n\u00ba 5037507-15.2023.4.03.6100). J\u00e1 na segunda, foi negada (processo n\u00ba 5037611-07.2023.4.03.6100).<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz Luis Gustavo Bragalda Neves, da 2\u00aa Vara C\u00edvel Federal de S\u00e3o Paulo, entendeu n\u00e3o haver urg\u00eancia e determinou a suspens\u00e3o do processo at\u00e9 que o Supremo Tribunal Federal (STF) se posicione sobre a tributa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito presumido (Tema 843). Os advogados dizem que v\u00e3o recorrer da decis\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 porque existe um leading case no STF que o juiz n\u00e3o pode conceder uma liminar\u201d, afirma Araki.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota, o Sindiatacadista-DF diz que a a\u00e7\u00e3o movida foca no cr\u00e9dito presumido por ser o benef\u00edcio adotado pelo setor e haver precedentes favor\u00e1veis do STJ. O impacto financeiro estimado da demanda, acrescenta, \u201cconsiderando que o setor atacadista arrecadou cerca de R$ 3 bilh\u00f5es ao Distrito Federal no ano de 2023, \u00e9 em torno de R$ 1,2 bilh\u00e3o ao ano\u201d (processo n\u00ba 1001314-41.2024.4.01.3400).<\/p>\n\n\n\n<p>A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), tamb\u00e9m em nota, informa que as receitas das subven\u00e7\u00f5es \u201csempre integraram a receita bruta da empresa e estiveram sujeitas \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o\u201d. E que, em alguns casos, foram exclu\u00eddas da base de c\u00e1lculo dos tributos federais. Acrescenta que a Lei n\u00ba 12.973\/2014 e a Lei n\u00ba 14.789\/2023, \u201cao definirem conceitos relevantes para a aplica\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio federal e estabelecerem a forma de sua concess\u00e3o, n\u00e3o incorreram em qualquer ilegalidade, raz\u00e3o pela qual a Uni\u00e3o Federal entende que se consagrar\u00e1 vencedora nas a\u00e7\u00f5es que tratam do tema\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Procuradas, Latic\u00ednios Catupiry e Renner n\u00e3o deram retorno at\u00e9 o fechamento da edi\u00e7\u00e3o. O Sindiveg preferiu n\u00e3o se manifestar.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/29\/contribuintes-conseguem-no-judiciario-afastar-tributacao-de-beneficios-fiscais.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/29\/contribuintes-conseguem-no-judiciario-afastar-tributacao-de-beneficios-fiscais.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"http:\/\/ayadvogados.com.br\/retrospecto-tributario-22-01-a-29-01\/\">Confira o nosso retrospecto tribut\u00e1rio completo, clique aqui!<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Not\u00edcias em Destaque da Semana &#8211; 22\/12 a 29\/01 Fase 2 da reforma ter\u00e1 mudan\u00e7as no JCP e taxa de 15% a m\u00faltis Data: 23\/01\/2024 A reforma tribut\u00e1ria sobre a renda que o governo federal vai enviar ao Congresso Nacional at\u00e9 meados de mar\u00e7o deve incluir um imposto m\u00ednimo efetivo de 15% sobre o lucro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3115,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,3],"tags":[9,29,33,63,96,73],"class_list":["post-3113","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia-do-dia","category-retrospecto-tributario","tag-amaral-yazbek","tag-empresas","tag-negocios","tag-noticia-do-dia","tag-reforma-tributaria","tag-retrospecto-tributario"],"blocksy_meta":{"styles_descriptor":{"styles":{"desktop":"","tablet":"","mobile":""},"google_fonts":[],"version":6}},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Not\u00edcias em Destaque da Semana - 22\/12 a 29\/01<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Atualidades Tributarias ,fique por dentro de todas as atualiza\u00e7\u00f5es do mundo do nosso Not\u00edcias em Destaque da Semana - 22\/12 a 29\/01\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=3113\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Not\u00edcias em Destaque da Semana - 22\/12 a 29\/01\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Atualidades Tributarias ,fique por dentro de todas as atualiza\u00e7\u00f5es do mundo do nosso Not\u00edcias em Destaque da Semana - 22\/12 a 29\/01\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=3113\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Amaral, Yazbek Advogados\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/AYadvogados\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-01-31T12:29:49+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-01-31T12:32:31+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1-copiar.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1920\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1080\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Infra\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Infra\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"33 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ayadvogados.com.br\\\/?p=3113#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ayadvogados.com.br\\\/?p=3113\"},\"author\":{\"name\":\"Infra\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ayadvogados.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/6b9165a58758b048b8ea5a4fbd4ec3c4\"},\"headline\":\"Not\u00edcias em Destaque da Semana &#8211; 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