{"id":3096,"date":"2024-01-22T14:27:45","date_gmt":"2024-01-22T17:27:45","guid":{"rendered":"http:\/\/34.239.117.254\/?p=3096"},"modified":"2024-01-22T14:30:39","modified_gmt":"2024-01-22T17:30:39","slug":"retrospecto-tributario-15-01-a-22-01","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ayadvogados.com.br\/?p=3096","title":{"rendered":"Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 15\/01 a 22\/01"},"content":{"rendered":"\n<p>Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 15\/01 a 22\/01<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Governo cria grupos t\u00e9cnicos para regulamentar reforma tribut\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 15\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O governo federal deu o pontap\u00e9 inicial para regulamentar a reforma tribut\u00e1ria e criou um programa para ajudar na elabora\u00e7\u00e3o de anteprojetos de lei sobre o tema. Por meio da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/en\/web\/dou\/-\/portaria-mf-n-34-de-11-de-janeiro-de-2024-537036123\">Portaria MF 34\/2024&nbsp;<\/a>, o Minist\u00e9rio da Fazenda instituiu o Programa de Assessoramento T\u00e9cnico \u00e0 Implementa\u00e7\u00e3o da Reforma da Tributa\u00e7\u00e3o sobre o Consumo (PAT-RTC), que ter\u00e1 60 dias, a partir da reuni\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o, para concluir suas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa ter\u00e1 uma comiss\u00e3o de sistematiza\u00e7\u00e3o, um grupo de an\u00e1lise jur\u00eddica e 19 grupos t\u00e9cnicos. Ao todo, ser\u00e3o 15 grupos voltados \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS) e da Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS). Eles est\u00e3o subdivididos em uma s\u00e9rie de temas, entre eles importa\u00e7\u00e3o e regimes aduaneiros especiais; imunidades; regime espec\u00edfico de servi\u00e7os financeiros; regime espec\u00edfico de opera\u00e7\u00f5es com bens im\u00f3veis; e regime espec\u00edfico de combust\u00edveis e biocombust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Os outros quatro grupos t\u00e9cnicos s\u00e3o destinados \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o dos recursos do IBS; do Fundo de Sustentabilidade e Diversifica\u00e7\u00e3o do Estado do Amazonas e do Fundo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel dos Estados da Amaz\u00f4nia Ocidental e do Amap\u00e1; do Comit\u00ea Gestor do IBS; e do Imposto Seletivo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/em-votacao-historica-camara-aprova-reforma-tributaria-apos-tres-decadas-de-discussao-15122023#:~:text=Em%20vota%C3%A7%C3%A3o%20hist%C3%B3rica%2C%20a%20C%C3%A2mara,ante%20118%20no%20segundo%20turno.\">Depois de mais de 30 anos de debates, a reforma tribut\u00e1ria do consumo foi&nbsp;aprovada&nbsp;em 15 de dezembro na C\u00e2mara dos Deputados e promulgada em 20 de dezembr<\/a>o por meio da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc132.htm\">Emenda Constitucional 132\/2023&nbsp;<\/a>. Foram criados dois tributos nos moldes de um Imposto Sobre Valor Agregado (IVA) Dual: um IVA federal, chamado CBS, com a jun\u00e7\u00e3o PIS, Cofins e IPI (parcialmente); e um IVA subnacional, denominado IBS, reunindo o ISS e o ICMS. Tamb\u00e9m foi criado um Imposto Seletivo, que incidir\u00e1 sobre a \u201cprodu\u00e7\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o ou importa\u00e7\u00e3o\u201d de bens e servi\u00e7os prejudiciais \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente, al\u00e9m de sacramentar a progressividade de imposto sobre heran\u00e7as e doa\u00e7\u00f5es e permitir a cobran\u00e7a de IPVA sobre jatinhos e lanchas.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da promulga\u00e7\u00e3o, o governo tem at\u00e9 180 dias para encaminhar ao Congresso Nacional os projetos de lei regulamentando o tema. Fazenda e parlamentares, por\u00e9m, querem usar menos tempo, at\u00e9 porque o ano eleitoral reduz o tempo efetivo de exame, discuss\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o das propostas. A partir dos prazos para os grupos de trabalho previstos na portaria, o quadro \u00e9 para o envio entre mar\u00e7o e abril. Sinal disso \u00e9 o prazo de 60 dias a partir da instala\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Sistematiza\u00e7\u00e3o, o que deve ocorrer na semana do dia 22 \u2013 mudan\u00e7as nesses cen\u00e1rios de prazo podem ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Leis complementares<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/regulamentacao-da-reforma-demandara-ao-menos-tres-leis-complementares-diz-appy-12122023#:~:text=O%20secret%C3%A1rio%20extraordin%C3%A1rio%20da%20reforma%20tribut%C3%A1ria%20da%20pasta%2C%20Bernard%20Appy,dos%20estados%20e%20dos%20munic%C3%ADpios.\">No evento Di\u00e1logos Tribut\u00e1rios, realizado pela Casa&nbsp;JOTA&nbsp;em 12 de dezembro, o secret\u00e1rio extraordin\u00e1rio da reforma tribut\u00e1ria da pasta, Bernard Appy, estimou que ser\u00e3o&nbsp;ao menos tr\u00eas leis complementares<\/a>&nbsp;relacionadas ao tema, que dever\u00e3o ser escritas \u201ca seis m\u00e3os\u201d, com a participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o, do Distrito Federal e dos estados e dos munic\u00edpios. A primeira dever\u00e1 ser sobre IBS, CBS, regimes diferenciados e transi\u00e7\u00e3o. A segunda, sobre o comit\u00ea gestor; e a terceira, sobre o Imposto Seletivo, que incidir\u00e1 sobre bens e servi\u00e7os prejudiciais \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>A PEC tamb\u00e9m obriga o governo a encaminhar projeto de lei para a reforma da tributa\u00e7\u00e3o da renda e desonera\u00e7\u00e3o da folha de sal\u00e1rios em at\u00e9 90 dias, mas a discuss\u00e3o efetiva desse tema n\u00e3o est\u00e1 clara em que momento ocorrer\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o 71 t\u00f3picos a serem discutidos na regulamenta\u00e7\u00e3o, segundo as contas dos t\u00e9cnicos envolvidos. H\u00e1 diferentes cen\u00e1rios sobre a quantidade de leis complementares, a despeito da fala de Appy. Tem quem defenda apenas uma proposta, mas tem quem queira ainda mais que tr\u00eas projetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, tamb\u00e9m j\u00e1 se debate qual ser\u00e1 a melhor estrat\u00e9gia pol\u00edtica para lidar com essa regulamenta\u00e7\u00e3o. Uma das possibilidades \u00e9 que, al\u00e9m de temas, os projetos de lei complementares sejam constru\u00eddos juntando pontos com menos pol\u00eamicas em uma proposta e com mais pol\u00eamicas em outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Regulamenta\u00e7\u00e3o deve respeitar pacto federativo, afirma advogado<\/p>\n\n\n\n<p>Para o advogado Leonardo Gallotti Olinto, s\u00f3cio do Daudt, Castro e Gallotti Olinto Advogados, de todas as quest\u00f5es que dever\u00e3o ser regulamentadas, a mais sens\u00edvel e problem\u00e1tica \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Gestor do IBS, tratado inicialmente como Conselho Federativo. A seu ver, como o tema passou por mudan\u00e7as no Senado, a C\u00e2mara, para evitar que a proposta n\u00e3o fosse aprovada ainda em 2023, n\u00e3o deu o tratamento adequado ao assunto. \u201cAgora, a lei complementar ter\u00e1 que regulamentar de forma a n\u00e3o ferir o pacto federativo, tirando autonomia dos estados, e cuidar para que o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o tenha uma gama muito extensa de compet\u00eancias que acabe tolhendo a capacidade das unidades estaduais de gerir suas finan\u00e7as\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Gallotti Olinto ressalta que deve haver um \u201ccuidado extremo com a inser\u00e7\u00e3o de temas estranhos ao que foi definido na PEC, os habituais jabutis, que acabam criando situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas e aumentando a inseguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada Alessandra Okuma, do Okuma Advogados, por sua vez, ressalta que um tema de bastante relev\u00e2ncia para os contribuintes \u00e9 o ressarcimento de saldos credores dos tributos atuais. A tributarista observa que o aproveitamento desses cr\u00e9ditos \u00e9 especialmente importante para exportadores e empresas do setor do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO agroneg\u00f3cio acumula cr\u00e9ditos de ICMS [tributo que ser\u00e1 extinto e substitu\u00eddo pelo IBS] porque tem muitos incentivos fiscais de ICMS. Os exportadores tamb\u00e9m acumulam esses cr\u00e9ditos porque, embora a exporta\u00e7\u00e3o seja imune, a Constitui\u00e7\u00e3o autoriza a manuten\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos apropriados pelas empresas nas etapas anteriores. Esses contribuintes t\u00eam valores significativos de cr\u00e9ditos de ICMS, por isso precisam ter a garantia do ressarcimento\u201d, diz Okuma.<\/p>\n\n\n\n<p>Entenda a reforma tribut\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da reforma tribut\u00e1ria (PEC 45\/19) \u00e9 simplificar o sistema de impostos no Brasil. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/legislativo\/entenda-o-que-muda-com-a-aprovacao-da-reforma-tributaria-10072023\">texto&nbsp;<\/a>define que os cinco tributos atuais sobre o consumo ser\u00e3o substitu\u00eddos por um Imposto sobre Valor Agregado (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/o-que-e-iva-o-imposto-sobre-valor-agregado-29032023\">IVA<\/a>) dual.<\/p>\n\n\n\n<p>Os impostos federais IPI, PIS e Cofins ser\u00e3o substitu\u00eddos pela&nbsp;Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS), enquanto&nbsp;os atuais&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/icms-entenda-os-aspectos-fundamentais-13052021\">ICMS<\/a>&nbsp;(estadual) e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/iss-entenda-os-aspectos-gerais-13052021\">ISS<\/a>&nbsp;(municipal) ser\u00e3o substitu\u00eddos pelo&nbsp;Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS).<\/p>\n\n\n\n<p>Haver\u00e1 ainda um terceiro imposto, chamado de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/legislativo\/o-que-e-o-imposto-seletivo-tributo-previsto-na-reforma-tributaria-07082023\">Imposto Seletivo<\/a>&nbsp;(IS), federal, que incidir\u00e1 somente sobre bens e servi\u00e7os considerados prejudiciais \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o ou ao meio ambiente. Ele n\u00e3o incidir\u00e1 na exporta\u00e7\u00e3o ou sobre bens e servi\u00e7os que contam com redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"hZisDrlDT0\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/governo-cria-grupos-tecnicos-para-regulamentar-reforma-tributaria-15012024\">Governo cria grupos t\u00e9cnicos para regulamentar reforma tribut\u00e1ria<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Governo cria grupos t\u00e9cnicos para regulamentar reforma tribut\u00e1ria&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/governo-cria-grupos-tecnicos-para-regulamentar-reforma-tributaria-15012024\/embed#?secret=hZisDrlDT0\" data-secret=\"hZisDrlDT0\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>STF julga em fevereiro validade de cobran\u00e7a para fundo estadual ligado ao ICMS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 16\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) julga, entre 2 e 9 de fevereiro, a constitucionalidade da Lei 3617\/2019, do Tocantins, que prev\u00ea o recolhimento de 0,2% sobre o valor das opera\u00e7\u00f5es de sa\u00edda interestaduais de mercadorias para compor o Fundo Estadual de Transporte (FET). O placar est\u00e1 em 1\u00d70 para considerar a cobran\u00e7a inconstitucional, com voto do relator, o ministro&nbsp;Luiz Fux. A discuss\u00e3o prosseguir\u00e1 com voto-vista do ministro&nbsp;Gilmar Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) argumenta que a cobran\u00e7a tem caracter\u00edstica de imposto, pois \u00e9 compuls\u00f3ria, e o n\u00e3o pagamento gera as mesmas penalidades aplicadas no caso de n\u00e3o recolhimento do ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Luiz Fux julgou a a\u00e7\u00e3o procedente, entendendo que a cobran\u00e7a de 0,2% n\u00e3o tem caracter\u00edstica de pre\u00e7o p\u00fablico, mas de tributo, j\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 vinculada \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, al\u00e9m de ter como fato gerador a sa\u00edda de mercadoria e possuir a mesma base de c\u00e1lculo do ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVerifica-se que a exa\u00e7\u00e3o n\u00e3o caracteriza pre\u00e7o p\u00fablico, vez que exigida em face de fato gerador (opera\u00e7\u00e3o de sa\u00edda de mercadoria) que n\u00e3o denota rela\u00e7\u00e3o negocial entre o Estado e o particular, nem tampouco voluntariedade na submiss\u00e3o \u00e0 exig\u00eancia, a cobran\u00e7a independe da utiliza\u00e7\u00e3o de qualquer bem ou servi\u00e7o p\u00fablico\u201d, afirmou Fux.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro disse ainda que a base de c\u00e1lculo da cobran\u00e7a, que \u00e9 o valor das opera\u00e7\u00f5es de sa\u00edda de mercadorias destacado na nota fiscal, \u201cn\u00e3o guarda rela\u00e7\u00e3o com eventuais custos de manuten\u00e7\u00e3o das rodovias estaduais porventura utilizadas para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o\u201d. Por isso, conforme o magistrado, a cobran\u00e7a \u201cconsubstancia tributo, porquanto compuls\u00f3ria, estando sujeita \u00e0s limita\u00e7\u00f5es constitucionais ao poder de tributar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 29 de dezembro, durante o plant\u00e3o judicial, o ministro&nbsp;Lu\u00eds Roberto Barroso&nbsp;negou pedido de medida cautelar para suspender a cobran\u00e7a. Barroso fundamentou que o julgamento virtual estava previsto para data pr\u00f3xima. O magistrado afirmou tamb\u00e9m que a edi\u00e7\u00e3o de nova lei sobre a mesma mat\u00e9ria (Lei 4303\/2023 do Tocantins) n\u00e3o agravou a situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos contribuintes, uma vez que foi mantida a al\u00edquota fixada do FET.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Barroso pontuou que, caso o julgamento previsto para fevereiro n\u00e3o seja conclu\u00eddo ou a aplica\u00e7\u00e3o da nova lei se revele danosa, a Aprosoja pode voltar a pedir uma medida cautelar.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso \u00e9 julgado na ADI 6.365.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"b2t5ijgRTC\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stf-julga-em-fevereiro-validade-de-cobranca-para-fundo-estadual-ligado-ao-icms-16012024\">STF julga em fevereiro validade de cobran\u00e7a para fundo estadual ligado ao ICMS<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;STF julga em fevereiro validade de cobran\u00e7a para fundo estadual ligado ao ICMS&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/stf-julga-em-fevereiro-validade-de-cobranca-para-fundo-estadual-ligado-ao-icms-16012024\/embed#?secret=b2t5ijgRTC\" data-secret=\"b2t5ijgRTC\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Entenda o que mudou com a MP da reonera\u00e7\u00e3o da folha e saiba quais os pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data:16\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia \u00fatil de 2023, o governo federal editou a medida provis\u00f3ria (MP) 1.202, que, entre outros pontos, trata da reonera\u00e7\u00e3o gradual da folha de pagamento de 17 setores produtivos a partir de 1\u00ba abril deste ano. Desde que foi editada, a medida provocou rea\u00e7\u00f5es adversas de parlamentares, partidos pol\u00edticos e entidades empresariais. Mas, afinal, o que muda com a MP?<\/p>\n\n\n\n<p>A medida provis\u00f3ria \u00e9 uma das tentativas do governo de zerar o d\u00e9ficit das contas p\u00fablicas federais nos pr\u00f3ximos anos. Ela revoga, a partir de 1\u00ba de abril, a lei 14.784\/23 que prorrogava at\u00e9 2027 a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, as empresas benefici\u00e1rias pela lei poderiam continuar a substituir a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria de 20% sobre a folha de pagamentos por al\u00edquotas que variam de 1% a 4,5% sobre a receita bruta. De acordo com o Minist\u00e9rio da Fazenda, o impacto no or\u00e7amento \u00e9 de R$ 9,4 bilh\u00f5es anuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os setores afetados pela legisla\u00e7\u00e3o s\u00e3o: constru\u00e7\u00e3o civil; cal\u00e7ados; call center; confec\u00e7\u00e3o e vestu\u00e1rio; t\u00eaxtil; comunica\u00e7\u00e3o; prote\u00edna animal; fabrica\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e carro\u00e7arias; constru\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura; m\u00e1quinas e equipamentos; transporte rodovi\u00e1rio coletivo; transporte rodovi\u00e1rio de cargas; transporte metroferrovi\u00e1rio de passageiros; projetos de circuitos integrados; tecnologia de comunica\u00e7\u00e3o; e tecnologia da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a revoga\u00e7\u00e3o, a partir de abril volta a vig\u00eancia a tributa\u00e7\u00e3o sobre a folha de pagamentos, mas com escalonamento de al\u00edquotas at\u00e9 2027. Na pr\u00e1tica, a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria volta a incidir de forma gradual sobre a folha de sal\u00e1rios das empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Novo modelo de desonera\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>O escalonamento de al\u00edquotas proposto pela MP considera dois grupos diferentes. O primeiro inclui 17 atividades listadas pelo CNAE, entre elas as de transporte, r\u00e1dio e televis\u00e3o aberta. O segundo grupo abrange 25 atividades, como edi\u00e7\u00e3o de livros, jornais e revistas; fabrica\u00e7\u00e3o de artefatos de couro; e constru\u00e7\u00e3o de rodovias.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro grupo, em vez de pagar a al\u00edquota cheia de 20% de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, as empresas come\u00e7am pagando uma al\u00edquota de 10% em 2024, que aumentar\u00e1 progressivamente at\u00e9 17,5% em 2027 para, ent\u00e3o, voltar ao patamar de 20% em 2028.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo grupo, a al\u00edquota come\u00e7a em 15% em 2024 e chega a 18,75% em 2027, tamb\u00e9m retornando ao patamar de 20% em 2028.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto define que essas al\u00edquotas reduzidas ser\u00e3o aplicadas somente \u201co sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o do segurado at\u00e9 o valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo\u201d. Dessa forma, ser\u00e1 aplicada a al\u00edquota cheia de 20% de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria para o valor que ultrapassar esse limite.<\/p>\n\n\n\n<p>Como contrapartida, a MP exige que as empresas se comprometam a manter a quantidade de empregados igual ou superior \u00e0 verificada em 1\u00ba de janeiro de cada ano. Em caso de descumprimento, a empresa perder\u00e1 o benef\u00edcio de redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota.<\/p>\n\n\n\n<p>Manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias<\/p>\n\n\n\n<p>A desonera\u00e7\u00e3o, que existe desde o final de 2011 e acabaria em 2023, foi prorrogada pelo Congresso e vetada pelo governo federal. No dia 27 de dezembro, os parlamentares derrubaram integralmente o veto, restabelecendo a desonera\u00e7\u00e3o por meio da Lei 14.784\/23. Dois dias ap\u00f3s a decis\u00e3o do Congresso, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva editou a MP revogando a lei.<\/p>\n\n\n\n<p>O Partido Novo, ent\u00e3o, ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a MP, argumentando que ela n\u00e3o preenche o requisito de urg\u00eancia e desrespeita o princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o de poderes por contrariar decis\u00e3o do Congresso. A a\u00e7\u00e3o, que tramita como ADI 7.587, foi distribu\u00edda ao ministro Cristiano Zanin.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA bem da verdade, o que aconteceu foi uma postura ditatorial do Presidente da Rep\u00fablica em querer modificar, na mesma semana, a vontade da maioria absoluta dos 584 (quinhentos e oitenta e quatro) parlamentares acerca de determinada mat\u00e9ria\u201d, escrevem os advogados do Novo na peti\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>O setor produtivo tamb\u00e9m se manifestou contra a MP 1202\/23 em nota assinada pela Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC), Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) e Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT). No texto, as entidades dizem ter recebido \u201ccom surpresa e inconformismo\u201d as medidas de restitui\u00e7\u00e3o de tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As entidades criticam a postura do governo de editar a MP sem ter um di\u00e1logo pr\u00e9vio com o setor produtivo. Elas afirmam que a reonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos aumentar\u00e1 o custo de empregar no Brasil e prejudicar\u00e1 \u201cainda mais\u201d a competitividade da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio frente \u00e0s importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m de equivocada do ponto de vista econ\u00f4mico, a MP 1202 anula decis\u00f5es recentes do Congresso Nacional, que por duas vezes em 2023 decidiu pela manuten\u00e7\u00e3o da desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento, tendo sido derrubado o veto da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, numa demonstra\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca da vontade pol\u00edtica\u201d, afirmam as entidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Pr\u00f3ximos passos<\/p>\n\n\n\n<p>Parlamentares de oposi\u00e7\u00e3o pedem que o presidente do Congresso Nacional, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), devolva a MP sem analis\u00e1-la, sob a justificativa de que o Congresso j\u00e1 teria decidido sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Pacheco est\u00e1 buscando uma solu\u00e7\u00e3o conciliat\u00f3ria ainda durante o recesso parlamentar, que vai at\u00e9 fevereiro. No come\u00e7o desta semana, ele se reuniu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com o l\u00edder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA), para tentar chegar a um acordo sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao anunciar a medida em dezembro, o ministro Haddad disse que os efeitos positivos da desonera\u00e7\u00e3o para os 17 setores, como a preserva\u00e7\u00e3o dos empregos, n\u00e3o se concretizaram desde que a medida foi adotada em 2011. \u201cSempre que voc\u00ea favorece um setor que n\u00e3o traz benef\u00edcio social, voc\u00ea prejudica toda a sociedade\u201d, afirmou o ministro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"7zgIY6Q27L\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/entenda-o-que-mudou-com-a-mp-da-reoneracao-da-folha-e-saiba-quais-os-proximos-passos-16012024\">Entenda o que mudou com a MP da reonera\u00e7\u00e3o da folha e saiba quais os pr\u00f3ximos passos<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Entenda o que mudou com a MP da reonera\u00e7\u00e3o da folha e saiba quais os pr\u00f3ximos passos&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/entenda-o-que-mudou-com-a-mp-da-reoneracao-da-folha-e-saiba-quais-os-proximos-passos-16012024\/embed#?secret=7zgIY6Q27L\" data-secret=\"7zgIY6Q27L\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Fazenda Nacional pede a extin\u00e7\u00e3o de 85 mil cobran\u00e7as tribut\u00e1rias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data:17\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) pediu a desist\u00eancia em 85 mil execu\u00e7\u00f5es fiscais, tendo em vista a baixa possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o dos valores discutidos. Boa parte j\u00e1 foi extinta: 30 mil no Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF-4) e 23 mil no TRF-1, de acordo com levantamento do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ).<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa segue portaria assinada em outubro de 2023, em que a pasta, a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU), o Conselho Nacional de Justi\u00e7a e o Conselho de Justi\u00e7a Federal (CJF) estimavam a extin\u00e7\u00e3o de, pelo menos, 400 mil execu\u00e7\u00f5es fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente as execu\u00e7\u00f5es fiscais t\u00eam sido apontadas como o principal fator de morosidade do Judici\u00e1rio, segundo o relat\u00f3rio \u201cJusti\u00e7a em N\u00fameros 2023\u201d, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a. Esses processos representam, aproximadamente, 34% do total de casos pendentes e 64% das execu\u00e7\u00f5es pendentes, com taxa de congestionamento de 88% &#8211; de cada 100 processos de execu\u00e7\u00e3o fiscal que tramitaram no ano de 2022, apenas 12 foram baixados. Desconsiderando esses processos, a taxa de congestionamento cairia de 72,9% para 66,9% em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>A Portaria Conjunta n\u00ba 7, de 2023, al\u00e9m da extin\u00e7\u00e3o de processos, prev\u00ea a prioriza\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00f5es fiscais e de a\u00e7\u00f5es correlatas com perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito p\u00fablico. A norma ainda prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de centrais de controle e apoio para gest\u00e3o de processos suspensos e arquivados.<\/p>\n\n\n\n<p>A extin\u00e7\u00e3o de 85 mil execu\u00e7\u00f5es fiscais n\u00e3o \u00e9 trivial nem seria poss\u00edvel se n\u00e3o houvesse um grau de maturidade grande do sistema de processos, segundo o procurador-geral adjunto de gest\u00e3o da D\u00edvida Ativa da Uni\u00e3o e do FGTS, Jo\u00e3o Grognet. \u201cN\u00e3o se extingue 85 mil processos na unha. S\u00f3 mediante tratamento de dados\u201d, afirma ele, acrescentando que a PGFN tem um laborat\u00f3rio de intelig\u00eancia artificial e tratamento de dados que permitiu a identifica\u00e7\u00e3o dos casos e consequentemente os pedidos de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o encerramento desses casos, a procuradoria consegue concentrar sua atua\u00e7\u00e3o nos processos em que h\u00e1 maior chance de recupera\u00e7\u00e3o de valores. \u201c\u00c9 poss\u00edvel dirigir esfor\u00e7os para resolver de forma mais r\u00e1pida as demais execu\u00e7\u00f5es fiscais\u201d, diz Grognet. Al\u00e9m disso, afirma, h\u00e1 uma economia com o fim dos processos, j\u00e1 que se estima em R$ 20 mil o custo de uma execu\u00e7\u00e3o fiscal ap\u00f3s ser aberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Daniel de Saboia Xavier, tamb\u00e9m procurador da Fazenda, refor\u00e7a o compromisso da PGFN com o CNJ de reduzir a litigiosidade e o volume de execu\u00e7\u00f5es fiscais em benef\u00edcio de uma efetividade da execu\u00e7\u00e3o. \u201cO compromisso \u00e9 sair do caso a caso e tratar a execu\u00e7\u00e3o fiscal de maneira gerencial, focando naquilo que representa efetivamente perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O procurador destaca que a proposta visa diminuir a taxa de congestionamento do Judici\u00e1rio, melhorando a recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos, ajudando a quest\u00e3o fiscal e melhorando a arrecada\u00e7\u00e3o &#8211; tendo em vista que tirando do caminho os casos em que n\u00e3o h\u00e1 chance de recupera\u00e7\u00e3o de valores, a procuradoria consegue concentrar esfor\u00e7os nos casos em que efetivamente poder\u00e1 ter retorno.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso j\u00e1 foi feito antes por meio de iniciativas mais individualizadas, segundo Grognet, mas n\u00e3o com o mesmo grau de compromisso entre as institui\u00e7\u00f5es que existe agora. \u201cA portaria \u00e9 at\u00e9 um pacto pela efetividade da execu\u00e7\u00e3o fiscal\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Na 4\u00aa Regi\u00e3o, al\u00e9m da portaria, a Procuradoria-Regional da Fazenda Nacional (PRFN-4) e o Tribunal Regional Federal criaram a Central de Controle e Apoio em Execu\u00e7\u00e3o Fiscal. Consiste em um modelo para otimiza\u00e7\u00e3o dos fluxos das execu\u00e7\u00f5es fiscais arquivadas e suspensas.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da implementa\u00e7\u00e3o da Central, o Laborat\u00f3rio da PRFN-4 (LabPRFN-4) passou a desenvolver ferramentas para, a partir de listas pr\u00e9-formatadas, processar em tempo real os dados processuais e da d\u00edvida ativa. O processamento verifica alguns itens como a situa\u00e7\u00e3o atual do processo principal, a exist\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o aberta ou aguardando abertura, o estado falimentar dos executados e elabora peti\u00e7\u00e3o com os dados espec\u00edficos dos processos, pedindo a extin\u00e7\u00e3o conforme a situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica das inscri\u00e7\u00f5es indicadas. (Colaborou Guilherme Pimenta, de Bras\u00edlia).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/17\/fazenda-nacional-pede-a-extincao-de-85-mil-cobrancas-tributarias.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/17\/fazenda-nacional-pede-a-extincao-de-85-mil-cobrancas-tributarias.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio questionam no STF isen\u00e7\u00e3o de Imposto de Importa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 17\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) e a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC) apresentaram a\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o para bens de pequeno valor destinados a pessoas f\u00edsicas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com as confedera\u00e7\u00f5es, na \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o das leis que regulam este tema (d\u00e9cadas de 1980 e 1990) o contexto socioecon\u00f4mico era outro. As entidades alegam que sem a presen\u00e7a da internet, o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, se existente, tinha dimens\u00f5es muito menores e n\u00e3o impactaria a economia e a sociedade como hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 10 anos, entre 2013 e 2022, as importa\u00e7\u00f5es de pequeno valor saltaram de US$ 800 milh\u00f5es para US$ 13,1 bilh\u00f5es, segundo as confedera\u00e7\u00f5es. O valor representou 4,4% do total de bens importados em 2023. Ainda de acordo com as entidades, os dados econ\u00f4micos atuais mostram que a total desonera\u00e7\u00e3o do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o resulta em impacto negativo em indicadores nacionais \u2014 PIB, emprego, massa salarial e arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A CNI e a CNC argumentam na a\u00e7\u00e3o que h\u00e1 inconstitucionalidade porque a desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria das importa\u00e7\u00f5es de bens de pequeno valor em remessas postais internacionais n\u00e3o possui equival\u00eancia para as transa\u00e7\u00f5es inteiramente nacionais. Apontam que haveria viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da isonomia, da livre concorr\u00eancia, do mercado interno como patrim\u00f4nio nacional e do desenvolvimento nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/17\/industria-e-comercio-vao-questionar-no-stf-isencao-de-imposto-de-importacao.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/17\/industria-e-comercio-vao-questionar-no-stf-isencao-de-imposto-de-importacao.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Meta \u00e9 regulamentar reforma tribut\u00e1ria neste ano, diz Appy<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 17\/01\/2024&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os anteprojetos de leis que v\u00e3o regulamentar a reforma tribut\u00e1ria sobre o consumo devem ficar prontos entre o fim de mar\u00e7o e o in\u00edcio de abril, de acordo com o cronograma inicial tra\u00e7ado pelo secret\u00e1rio extraordin\u00e1rio da reforma tribut\u00e1ria, Bernard Appy. As propostas ser\u00e3o desenhadas pela comiss\u00e3o de sistematiza\u00e7\u00e3o e pelos 19 grupos t\u00e9cnicos criados pela Uni\u00e3o com Estados e munic\u00edpios. Depois de prontas, ser\u00e3o encaminhadas para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e para o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), a quem caber\u00e1 a palavra final e o envio dos textos ao Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista ao Valor, Appy contou que o desejo do ministro e dos parlamentares \u00e9 que os projetos de lei cheguem o quanto antes ao Parlamento, devido ao processo eleitoral. A meta \u00e9 aprovar os textos ainda neste ano. \u201cTem uma converg\u00eancia entre Executivo e Legislativo em busca de completar esse processo no menor prazo poss\u00edvel\u201d, disse o secret\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a comiss\u00e3o e o grupos de trabalho ter\u00e3o 60 dias, a contar da reuni\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o, para concluir os anteprojetos e at\u00e9 mais cinco dias para enviar os textos ao ministro. A instala\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o pode ocorrer j\u00e1 na pr\u00f3xima semana, pois a expectativa \u00e9 fechar a lista de participantes dos colegiados at\u00e9 sexta-feira (19).<\/p>\n\n\n\n<p>O governo criou na sexta-feira (12) o chamado \u201cPrograma de Assessoramento T\u00e9cnico \u00e0 Implementa\u00e7\u00e3o da Reforma da Tributa\u00e7\u00e3o sobre o Consumo\u201d (PAT-RTC). Esse programa \u00e9 formado por 19 grupos t\u00e9cnicos, que v\u00e3o trabalhar nos pontos da reforma tribut\u00e1ria que precisam ser regulamentados, e pela comiss\u00e3o de sistematiza\u00e7\u00e3o, que ficar\u00e1 respons\u00e1vel por avaliar e consolidar o trabalho dos grupos e por fechar as propostas finais dos anteprojetos de lei. Os grupos e a comiss\u00e3o ter\u00e3o participa\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria da Uni\u00e3o, dos Estados e dos munic\u00edpios. Haver\u00e1, ainda, uma comiss\u00e3o de qualifica\u00e7\u00e3o e de consultoria jur\u00eddica que prestar\u00e3o suporte t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p>Appy ser\u00e1 o coordenador de todo esse programa. Ele afirma que o objetivo \u00e9 que se tenha, ao final, textos mais consensuados os poss\u00edveis. \u201cQuanto mais consenso tiver nesse trabalho, mais leg\u00edtimo se torna o projeto na tramita\u00e7\u00e3o no Congresso. O Congresso \u00e9 soberano, pode decidir o que quiser, mas, se esse trabalho [nos grupos e na comiss\u00e3o] for bem-sucedido na constru\u00e7\u00e3o de consenso, voc\u00ea legitima o texto que est\u00e1 sendo enviado para o Congresso Nacional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m afirmou que permanece a ideia de apresentar ao Congresso tr\u00eas projetos de lei para regulamentar a reforma tribut\u00e1ria do consumo, mas ressaltou que a decis\u00e3o final caber\u00e1 \u00e0 comiss\u00e3o de sistematiza\u00e7\u00e3o, de acordo com o andamento dos grupos de trabalho, e \u00e0 \u00e1rea pol\u00edtica do governo, que avaliar\u00e1 a melhor estrat\u00e9gia de tramita\u00e7\u00e3o. \u201cTem uma dimens\u00e3o que \u00e9 t\u00e9cnica, mas tem uma dimens\u00e3o que \u00e9 pol\u00edtica tamb\u00e9m\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Inevitavelmente, haver\u00e1 um projeto de lei complementar principal, que trar\u00e1 toda a regulamenta\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS), de compet\u00eancia dos Estados e dos munic\u00edpios, e da Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS), da Uni\u00e3o. Essa mesma lei tratar\u00e1 dos regimes especiais e espec\u00edficos, do \u201ccashback\u201d e do regime de transi\u00e7\u00e3o. A f\u00f3rmula de c\u00e1lculo da al\u00edquota de refer\u00eancia tamb\u00e9m deve estar nessa lei complementar principal, mas \u00e9 poss\u00edvel deixar somente os crit\u00e9rios bem definidos e a f\u00f3rmula para ato infralegal, disse Appy. Tudo ainda ser\u00e1 debatido pelos grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano inicial tamb\u00e9m prev\u00ea um projeto de lei complementar sobre o Comit\u00ea Gestor do IBS e outro para o Imposto Seletivo. H\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o que o texto sobre o Comit\u00ea Gestor possa ser aprovado mais r\u00e1pido, se houver consenso com Estados e munic\u00edpios. J\u00e1 o Imposto Seletivo, como \u00e9 um tributo diferente da CBS e do IBS, tecnicamente seria melhor t\u00ea-lo numa lei em separado. \u201cMas n\u00e3o impede de colocar na lei principal [da regulamenta\u00e7\u00e3o da CBS e do IBS]\u201d, ponderou Appy.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m disse que ainda n\u00e3o est\u00e1 definido se a regulamenta\u00e7\u00e3o dos fundos regionais criados pela reforma entrar\u00e1 numa dessas tr\u00eas leis complementares previstas ou em outra \u00e0 parte. J\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 ser institu\u00edda por alguns Estados estar\u00e1 na lei complementar principal.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio acredita que os maiores embates se dar\u00e3o no projeto de lei complementar principal, porque o texto tratar\u00e1 do interesse dos setores e das al\u00edquotas de refer\u00eancia. Ele afirmou que as quest\u00f5es federativas, em geral, j\u00e1 foram pacificadas na emenda constitucional, por isso o desafio ser\u00e1 maior em conciliar os interesses privados com a necessidade de calibragem da al\u00edquota padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs quest\u00f5es federativas j\u00e1 foram definidas na emenda constitucional. Nas quest\u00f5es setoriais, certamente, vai ter press\u00e3o l\u00e1 [no Congresso] e aqui [nos grupos de trabalho]\u201d, afirmou Appy. \u201cPor exemplo, tem a delimita\u00e7\u00e3o clara de quem vai ter al\u00edquota reduzida, quais ser\u00e3o os itens da cesta b\u00e1sica com al\u00edquota zero, certamente tudo isso \u00e9 foco de discuss\u00e3o. E nos regimes espec\u00edficos como vai ser desenhada [a regra]\u201d, complementou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse que a manuten\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria como propor\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) est\u00e1 garantida, porque \u00e9 uma diretriz prevista na emenda constitucional. Mas ponderou que, dependendo de como forem regulamentados os regimes espec\u00edficos e de como for feita a delimita\u00e7\u00e3o dos bens e servi\u00e7os que ter\u00e3o al\u00edquota reduzida, a al\u00edquota padr\u00e3o para os demais setores ser\u00e1 afetada. \u201cEssa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que continua e eu acredito que \u00e9 importante que essas quest\u00f5es sejam discutidas de forma muito transparente tanto dentro do nosso trabalho como na discuss\u00e3o do Congresso\u201d, defendeu.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio tamb\u00e9m afirmou que o ideal \u00e9 que as leis complementares sejam aprovadas neste ano, para n\u00e3o correr risco de haver atraso na transi\u00e7\u00e3o entre o regime tribut\u00e1rio antigo e o novo. \u201cO ideal \u00e9 que, de fato, seja aprovado este ano, porque isso daria mais seguran\u00e7a de que o trabalho da regulamenta\u00e7\u00e3o infralegal vai ser feito adequadamente e a tempo\u201d, disse. O prazo limite para aprova\u00e7\u00e3o seria at\u00e9 meados de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explicou que, ap\u00f3s as leis complementares, haver\u00e1 todo o trabalho infralegal a ser feito at\u00e9 come\u00e7ar a transi\u00e7\u00e3o dos tributos. \u201c\u00c9 um desafio grande a lei complementar, mas \u00e9 um desafio grande tamb\u00e9m a regulamenta\u00e7\u00e3o infralegal.\u201d Essa parte infralegal vai envolver o regulamento mais operacional dos tributos, o detalhamento do modelo de cobran\u00e7a, o sistema informatizado, entre outros temas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/politica\/noticia\/2024\/01\/17\/meta-e-regulamentar-reforma-tributaria-neste-ano-diz-appy.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/politica\/noticia\/2024\/01\/17\/meta-e-regulamentar-reforma-tributaria-neste-ano-diz-appy.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Appy admite \u2018cumulatividade para frente\u2019 para servi\u00e7os financeiros na reforma<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p>Data: 17\/01\/2024&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O governo admite a possibilidade de a regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria prever uma \u201ccumulatividade para frente\u201d para servi\u00e7os financeiros, opera\u00e7\u00f5es com bens im\u00f3veis, planos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade e loterias. Em entrevista ao&nbsp;JOTA, o secret\u00e1rio extraordin\u00e1rio da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/reforma-tributaria\">reforma tribut\u00e1ria<\/a>&nbsp;do Minist\u00e9rio da Fazenda,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/bernard-appy\">Bernard Appy<\/a>, explicou que, na pr\u00e1tica, empresas nesses setores receberiam um cr\u00e9dito sobre todas as suas aquisi\u00e7\u00f5es, mas teriam suas opera\u00e7\u00f5es tributadas no regime cumulativo, que pressup\u00f5e uma al\u00edquota mais baixa do que a do IVA normal, mas implica n\u00e3o gerar e repassar cr\u00e9dito para as etapas seguintes da cadeia de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo nesses regimes seria exce\u00e7\u00e3o a n\u00e3o cumulatividade plena da reforma tribut\u00e1ria, aprovada no ano passado. A ideia geral \u00e9 que o contribuinte tenha direito a cr\u00e9ditos sobre todas as suas aquisi\u00e7\u00f5es e possa utilizar esses cr\u00e9ditos nas etapas seguintes. No entanto, h\u00e1 uma previs\u00e3o no texto da reforma tribut\u00e1ria para que servi\u00e7os financeiros, opera\u00e7\u00f5es com bens im\u00f3veis, planos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade e loterias (concursos de progn\u00f3sticos) fiquem de fora da regra geral da n\u00e3o cumulatividade.&nbsp; Segundo o artigo 156-A, par\u00e1grafo sexto, inciso II, da Constitui\u00e7\u00e3o, acrescentado pela Emenda Constitucional 132\/2023, lei complementar dispor\u00e1 sobre regimes espec\u00edficos de tributa\u00e7\u00e3o para esses setores, sendo admitida a aplica\u00e7\u00e3o da cumulatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Appy explicou que, no caso de servi\u00e7os financeiros, por exemplo, caso essa possibilidade se confirme, as institui\u00e7\u00f5es financeiras v\u00e3o receber um cr\u00e9dito em todas as suas aquisi\u00e7\u00f5es e poder\u00e3o utilizar esse cr\u00e9dito, mas n\u00e3o v\u00e3o poder transferi-los para frente. Ou seja, se uma empresa contratar um servi\u00e7o financeiro dessas institui\u00e7\u00f5es, ela n\u00e3o receber\u00e1 um cr\u00e9dito nessa opera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, o sistema \u00e9 totalmente cumulativo. Os bancos n\u00e3o acumulam cr\u00e9ditos nas aquisi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o transferem cr\u00e9dito para os adquirentes de servi\u00e7os financeiros. Como est\u00e1 o texto da emenda [EC 132\/2023], as institui\u00e7\u00f5es financeiras v\u00e3o recuperar cr\u00e9dito nas suas aquisi\u00e7\u00f5es, e o regime poder\u00e1 definir que elas n\u00e3o transferir\u00e3o esse cr\u00e9dito para frente. Pode ser que seja regulamentado assim\u201d, disse Appy.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio ressaltou que, pelo regime atual, de cumulatividade, h\u00e1 muita distor\u00e7\u00e3o para os setores. Por exemplo, se uma institui\u00e7\u00e3o financeira quer desenvolver um software e contrata um terceiro para isso, ela paga os tributos, mas n\u00e3o tem direito a um cr\u00e9dito nessas opera\u00e7\u00f5es. \u201cOu seja, isso incentiva a verticaliza\u00e7\u00e3o. Ela [a institui\u00e7\u00e3o financeira] desenvolve internamente aquilo que um terceiro poderia fazer de forma mais eficiente. Esse tipo de distor\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai existir dentro do novo modelo\u201d, afirmou Appy, que ressaltou que o objetivo \u00e9 criar um modelo com mais efici\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para opera\u00e7\u00f5es com bens im\u00f3veis, o secret\u00e1rio observou que, pelo modelo atual, uma incorporadora tamb\u00e9m compra insumos para construir im\u00f3veis e n\u00e3o recebe cr\u00e9dito. \u201cDo modo como ficou o texto [da reforma], ela pode at\u00e9 n\u00e3o transferir os cr\u00e9ditos, mas vai recuperar cr\u00e9ditos [nessas aquisi\u00e7\u00f5es]. Essa distor\u00e7\u00e3o que existe hoje, de que \u00e9 mais barato fazer um pr\u00e9dio de concreto armado do que com estrutura pr\u00e9-fabricada vai deixar de existir dentro do novo modelo\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre o regime de \u201ccumulatividade para frente\u201d nesses setores ser\u00e1 realizada no \u00e2mbito do Programa de Assessoramento T\u00e9cnico \u00e0 Implementa\u00e7\u00e3o da Reforma da Tributa\u00e7\u00e3o sobre o Consumo (PAT-RTC), criado na \u00faltima sexta-feira (12\/1) para ajudar na regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma. A previs\u00e3o \u00e9 que a comiss\u00e3o de sistematiza\u00e7\u00e3o seja instalada na pr\u00f3xima semana. A partir de ent\u00e3o, o programa ter\u00e1 60 dias para concluir suas atividades. O secret\u00e1rio ressalta, no entanto, que caber\u00e1 ao presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva a decis\u00e3o sobre as propostas que ser\u00e3o enviadas ao Congresso Nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O timing para a aprova\u00e7\u00e3o das propostas tamb\u00e9m caber\u00e1 aos parlamentares, mas o governo tem a expectativa e trabalha para que a regulamenta\u00e7\u00e3o possa ser realizada ainda em 2024. De todo modo, h\u00e1 um horizonte maior para negocia\u00e7\u00e3o, caso o processo n\u00e3o ocorra como o desejado. Em rela\u00e7\u00e3o ao IBS e \u00e0 CBS, a aprova\u00e7\u00e3o precisa ocorrer, no m\u00e1ximo, em 2025, j\u00e1 que os dois tributos come\u00e7ar\u00e3o a ser cobrados em um per\u00edodo de teste em 2026. Quanto ao Imposto Seletivo, este come\u00e7ar\u00e1 a ser cobrado em 2027, portanto a regulamenta\u00e7\u00e3o pode ser aprovada at\u00e9 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas leis complementares<\/p>\n\n\n\n<p>Appy mant\u00e9m a avalia\u00e7\u00e3o de que ser\u00e3o necess\u00e1rias ao menos tr\u00eas leis complementares para regulamentar a reforma tribut\u00e1ria. A primeira, sobre IBS, CBS, regimes diferenciados e transi\u00e7\u00e3o. A segunda, sobre o comit\u00ea gestor; e a terceira, sobre o Imposto Seletivo, que incidir\u00e1 sobre bens e servi\u00e7os prejudiciais \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os grupos t\u00e9cnicos do PAT-RTC v\u00e3o trabalhar nas informa\u00e7\u00f5es que subsidiar\u00e3o a elabora\u00e7\u00e3o dos anteprojetos de lei. Caso haja alguma diverg\u00eancia nas propostas, elas ser\u00e3o submetidas \u00e0 comiss\u00e3o de sistematiza\u00e7\u00e3o do programa, que dever\u00e1 ser coordenada diretamente por Appy.<\/p>\n\n\n\n<p>Reforma da renda e da folha de sal\u00e1rios<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria, o governo trabalha na proposta para reformar a tributa\u00e7\u00e3o da renda e da folha de sal\u00e1rios. O governo tem um prazo de 90 dias desde a promulga\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria, o que ocorreu em 20 de dezembro, para encaminhar essa proposta ao Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 folha de sal\u00e1rios, uma das possibilidades \u00e9 desonerar o primeiro sal\u00e1rio m\u00ednimo dos trabalhadores. Esse princ\u00edpio foi seguido na MP 1202, que trouxe a reonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos. Appy ressaltou que o modelo final a ser proposto pelo Executivo caber\u00e1 ao presidente Lula, mas que essa \u00e9 uma proposta conhecida da Secretaria Extraordin\u00e1ria da Reforma Tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO foco \u00e9 um desenho que seja simultaneamente progressivo e eficiente. O custo formal de contrata\u00e7\u00f5es \u00e9 menor para pessoas de menor renda, e \u00e9 [um desenho] eficiente porque a informalidade se concentra em trabalhadores de menor renda\u201d, disse Appy.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"48actbafaw\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/appy-admite-cumulatividade-para-frente-para-servicos-financeiros-na-reforma-17012024\">Appy admite &#8216;cumulatividade para frente&#8217; para servi\u00e7os financeiros na reforma<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Appy admite &#8216;cumulatividade para frente&#8217; para servi\u00e7os financeiros na reforma&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/appy-admite-cumulatividade-para-frente-para-servicos-financeiros-na-reforma-17012024\/embed#?secret=48actbafaw\" data-secret=\"48actbafaw\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Greve de auditores fiscais e sess\u00f5es virtuais levam a adiamentos de casos na C\u00e2mara Superior do Carf<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 17\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O governo federal poder\u00e1 ter dificuldades para arrecadar o que projeta por meio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Ontem, na retomada dos julgamentos pela 1\u00aa Turma da C\u00e2mara Superior, \u00faltima inst\u00e2ncia do \u00f3rg\u00e3o, 55 dos 75 casos previstos para a semana foram retirados da pauta. Dois deles envolvem grandes empresas e valores bilion\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos motivos \u00e9 o fato de serem julgamentos virtuais e haver, nesses casos, a possibilidade de advogados ou procuradores pedirem a retirada dos processos para que sejam julgados presencialmente. O que prejudica tamb\u00e9m os trabalhos do Carf, desde o ano passado, \u00e9 a paralisa\u00e7\u00e3o dos auditores fiscais da Receita Federal, que reivindicam o cumprimento de acordo firmado para o pagamento do b\u00f4nus de produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Carf era uma das apostas do governo federal para arrecada\u00e7\u00e3o em 2023. No fim do ano, o secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Rog\u00e9rio Ceron, afirmou, em coletiva de imprensa, que a volta do voto de qualidade ao Carf &#8211; o desempate pelo presidente da turma, representante da Fazenda &#8211; n\u00e3o gerou as receitas previstas, mas que teria impacto em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro, o estoque do Carf estava em R$ 1,155 trilh\u00e3o. Quase um ter\u00e7o do valor est\u00e1 concentrado em 174 processos, que discutem cobran\u00e7as acima de R$ 1 bilh\u00e3o. Dois deles estavam pautados para esta semana, mas foram retirados da pauta.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos casos envolve a Telef\u00f4nica. Envolve cobran\u00e7a de Imposto de Renda (IRPJ) e CSLL por amortiza\u00e7\u00e3o indevida de \u00e1gio, no valor de R$ 4,9 bilh\u00f5es. O outro caso discute uma multa qualificada &#8211; de 150% &#8211; no valor de R$ 4 bilh\u00f5es recebida pela Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN).<\/p>\n\n\n\n<p>Por determina\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), em raz\u00e3o da greve dos auditores fiscais, as sess\u00f5es na C\u00e2mara Superior t\u00eam que ser realizadas com qu\u00f3rum parit\u00e1rio &#8211; quatro conselheiros indicados pela Fazenda e quatro pelos contribuintes. No entanto, embora os representantes da Fazenda tenham comparecido, pediram a retirada de pauta de seus processos.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do STJ atendeu a pedido apresentado pela Advocacia Geral da Uni\u00e3o (AGU). \u201cN\u00e3o relataremos em respeito a nossos colegas auditores que se encontram em greve. Por decis\u00e3o tamb\u00e9m em assembleia do nosso sindicato\u201d, afirmou ontem, na sess\u00e3o, o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, representante da Fazenda.<\/p>\n\n\n\n<p>O conselheiro destacou que ainda n\u00e3o foi cumprido o acordo feito em 2016 para o b\u00f4nus de efici\u00eancia e que o valor, que vem sendo pago temporariamente, poder\u00e1, inclusive, ser reduzido, ap\u00f3s decreto editado em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro, 70% dos representantes da Fazenda pediram ren\u00fancia coletiva, o que demonstra o alto grau de insatisfa\u00e7\u00e3o da categoria, segundo informou, no in\u00edcio da sess\u00e3o, o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ele afirmou que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 indefinida h\u00e1 muito tempo, mas que ele e os demais conselheiros representantes da Fazenda v\u00e3o cumprir a decis\u00e3o judicial e participar dos julgamentos, garantindo a paridade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s, conselheiros da 1\u00aa Turma, demos o maior voto de confian\u00e7a poss\u00edvel durante muito tempo, n\u00e3o paralisamos nossas atividades, apesar de apoiarmos a manifesta\u00e7\u00e3o anterior dos auditores. Fomos at\u00e9 o limite da nossa condi\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o e percebemos que toda essa entrega e esfor\u00e7o n\u00e3o parece repercutir no sentido de resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pedidos de retirada de processos da pauta, de acordo com o ex-conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, da Nader Quintella Consultoria, s\u00e3o um desdobramento natural e \u201cum efeito esperado\u201d da tentativa de se prosseguir com o funcionamento normal do tribunal durante o enfrentamento da greve, ao inv\u00e9s de se aguardar uma resolu\u00e7\u00e3o, como feito nas \u00faltimas vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o dos auditores fiscais tem como uma das reivindica\u00e7\u00f5es centrais o cumprimento integral do Plano de Aplica\u00e7\u00e3o do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfei\u00e7oamento das Atividades de Fiscaliza\u00e7\u00e3o (Fundaf) para o ano de 2024. Segundo o sindicato da categoria, h\u00e1 sete anos, os auditores fiscais aguardam a concretiza\u00e7\u00e3o do acordo que deu origem \u00e0 Lei n\u00ba 13.464, que prev\u00ea o pagamento de b\u00f4nus de efici\u00eancia, um adicional \u00e0 categoria. Apesar da regulamenta\u00e7\u00e3o em 2023, o projeto de lei or\u00e7ament\u00e1ria anual (PLOA) n\u00e3o prev\u00ea recursos para a sua efetiva realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os julgamentos da 1\u00aa Turma da C\u00e2mara Superior do Carf seguem at\u00e9 amanh\u00e3. As chamadas \u201cturmas baixas\u201d, que analisam os casos antes da C\u00e2mara Superior, tamb\u00e9m realizam sess\u00f5es &#8211; nesta semana s\u00e3o os processos da 2\u00aa Se\u00e7\u00e3o. Nas pr\u00f3ximas semanas, h\u00e1 previs\u00e3o de julgamentos nas outras duas se\u00e7\u00f5es de julgamento, tanto na C\u00e2mara Superior quanto nas turmas baixas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado pelo Valor, o Minist\u00e9rio da Fazenda n\u00e3o deu retorno at\u00e9 o fechamento da edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/17\/greve-de-auditores-fiscais-e-sessoes-virtuais-levam-a-adiamentos-de-casos-na-camara-superior-do-carf.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/17\/greve-de-auditores-fiscais-e-sessoes-virtuais-levam-a-adiamentos-de-casos-na-camara-superior-do-carf.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O recurso especial ao Carf e seu novo regimento interno<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 17\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 \u00e9 de praxe no \u00e2mbito tribut\u00e1rio, o final de 2023 foi tomado por in\u00fameras altera\u00e7\u00f5es normativas com os mais variados reflexos no \u00e2mbito tribut\u00e1rio. Dentre tais altera\u00e7\u00f5es, destaca-se o advento de um novo Regimento Interno para o Carf (Ricarf). Referida norma, inclusive, j\u00e1 foi objeto de tratamento cr\u00edtico por outros colunistas desse espa\u00e7o sob uma perspectiva mais ampla&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo do texto de hoje, todavia, \u00e9 pin\u00e7ar uma particular disposi\u00e7\u00e3o do novo Ricarf para avaliar seus reflexos na interposi\u00e7\u00e3o de recursos especiais destinados \u00e0quele Tribunal Administrativo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn2\">[2]<\/a>, o que se pretende aqui fazer partindo de uma abordagem preponderantemente processual. O escopo, portanto, ser\u00e1 analisar a possibilidade de declara\u00e7\u00f5es de votos integrarem o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido para fins de preenchimento do requisito de prequestionamento, para fins de interposi\u00e7\u00e3o de recurso especial no Carf.<\/p>\n\n\n\n<p>O recurso especial no \u00e2mbito do Carf est\u00e1 devidamente regulamentado pelo artigo 118 e s.s do seu novo regimento e, assim como acontece no \u00e2mbito judicial, tal recurso apresenta um car\u00e1ter extraordin\u00e1rio, uma vez que n\u00e3o se presta a promover uma revis\u00e3o ordin\u00e1ria do caso, com revis\u00e3o de fatos e provas, mas tem o cond\u00e3o de fomentar a unifica\u00e7\u00e3o interpretativa do direito criado jurisprudencialmente pelo Carf a partir das lides que lhes s\u00e3o postas. Em \u00faltima an\u00e1lise, seu objetivo \u00e9 o de promover uma unidade interpretativa de car\u00e1ter institucional e, portanto, integrativa do direito jurisprudencial ali criado (artigo 926 do CPC), de modo a garantir uma mesma resolu\u00e7\u00e3o conteud\u00edstica para casos conflituosos an\u00e1logos e, com isso, prestigiar uma seguran\u00e7a jur\u00eddica de \u00edndole material.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse car\u00e1ter uniformizador fica ainda mais claro quando se observa a sua hip\u00f3tese de cabimento, a qual pressup\u00f5e a exist\u00eancia de ac\u00f3rd\u00e3o paradigma, nos moldes do recurso especial destinado ao STJ com fundamento no artigo 105, inciso III, al\u00ednea \u201cc\u201d da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, em rela\u00e7\u00e3o aos ac\u00f3rd\u00e3os paradigmas a fundamentar o REsp no \u00e2mbito do Carf, s\u00f3 s\u00e3o admitidos como paradigm\u00e1ticos os dois primeiros ac\u00f3rd\u00e3os apresentados por mat\u00e9ria debatida, sendo os demais descartados. Tal aproxima\u00e7\u00e3o entre o caso decidido e o paradigm\u00e1tico deve ser feito de forma anal\u00edtica&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn3\">[3]<\/a>, n\u00e3o se prestando a esse mister precedentes&nbsp;<em>(1)<\/em>&nbsp;proferidos por Turmas Extraordin\u00e1rias,&nbsp;<em>(2)<\/em>&nbsp;anacr\u00f4nicos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn4\">[4]<\/a>, que tenham sido objeto de desist\u00eancia ou ren\u00fancia ou, ainda, que tenham sido declarados nulos, e&nbsp;<em>(3)&nbsp;<\/em>que, na data da sua admissibilidade, contrariem&nbsp; s\u00famula vinculante do STF ou RExt julgado sob repercuss\u00e3o geral, decis\u00e3o proferida pelo STF ou pelo STJ sob a sistem\u00e1tica da repetitividade, s\u00famula do Carf ou resolu\u00e7\u00e3o do Pleno da CSRF e, ainda, decis\u00e3o plen\u00e1ria do STF transitada em julgado que declare a inconstitucionalidade de norma em sede de controle concentrado ou difuso, com suspens\u00e3o do ato por resolu\u00e7\u00e3o do Senado&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn5\">[5]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, tal recurso s\u00f3 ser\u00e1 admitido se a mat\u00e9ria debatida for objeto de&nbsp;<em>prequestionamento<\/em>, encontrando-se aqui o ponto de reflex\u00e3o do presente artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo Ricarf, ao agora prever a possibilidade de reuni\u00f5es s\u00edncronas&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn6\">[6]<\/a>&nbsp;ou ass\u00edncronas&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn7\">[7]<\/a>, traz um novo contorno regulamentar \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de voto. Na hip\u00f3tese de julgamentos s\u00edncronos, o conselheiro poder\u00e1 manifestar a inten\u00e7\u00e3o de declarar voto em sess\u00e3o, desde que o fa\u00e7a antes da proclama\u00e7\u00e3o de resultado pela presid\u00eancia da turma. Essa declara\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser formalizada em at\u00e9 15 dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento. Por sua vez, em se tratando de sess\u00e3o ass\u00edncrona, a citada declara\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser apresentada quando o conselheiro registrar seu voto.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande novidade \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o do \u00a7 8\u00ba do artigo 114 do Ricarf, ao estabelecer a obrigatoriedade quanto declara\u00e7\u00e3o de voto naqueles casos em que algum julgador acompanhar o voto vencedor apenas pelas conclus\u00f5es, ou seja, naqueles casos em h\u00e1 converg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao resultado (dispositivo), mas diverg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 motiva\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>decisum&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn8\">[8]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa nova previs\u00e3o regimental merece elogios, por diferentes raz\u00f5es. Primeiramente por for\u00e7ar o registro da diverg\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o, contribuindo para o exaurimento do debate travado e, por conseguinte, para o aperfei\u00e7oamento do julgamento perpetrado. Isso, sem d\u00favida facilita a compreens\u00e3o do que fora decidido, de modo que o sucumbente ter\u00e1 mais clareza quanto as raz\u00f5es de decidir e, por conseguinte, uma melhor percep\u00e7\u00e3o para a sua tomada de decis\u00e3o entre se submeter ao que foi decidido ou eventualmente exercer seu direito recursal. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, portanto, que essa previs\u00e3o est\u00e1 em perfeita sintonia com a ideia de devido processo legal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, ao assim estabelecer, essa nova previs\u00e3o regimental, ainda que reflexamente, apresenta outro contributo: o de clarificar o prequestionamento de uma quest\u00e3o pass\u00edvel der ser confrontada por interm\u00e9dio de recurso especial ao Carf, ou seja, de delimitar com maior precis\u00e3o o teor da \u201ccausa decidida\u201d e o enfrentamento das mat\u00e9rias ali postas, o que qualifica a atividade julgadora exercida e os debates que seguir\u00e3o na inst\u00e2ncia extraordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, embora as disposi\u00e7\u00f5es que tratem do REsp no \u00e2mbito do Carf n\u00e3o prevejam isso explicitamente, uma interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do Ricarf leva a conclus\u00e3o de que&nbsp;essa nova norma regimental estabelece que a declara\u00e7\u00e3o de voto integra o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido,&nbsp;<em>inclusive para fins de prequestionamento<\/em>, na mesma linha do que prev\u00ea,&nbsp;<em>v.g.<\/em>, o \u00a7 3\u00ba do artigo 941 do CPC&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn9\">[9]<\/a>\u2013<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/#_ftn10\">[10]<\/a>. A quest\u00e3o que surge a partir dessa conclus\u00e3o \u00e9 se uma declara\u00e7\u00e3o de voto n\u00e3o obrigat\u00f3ria tamb\u00e9m se prestaria a tal papel.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, todavia, de tentar oferecer uma resposta para tal indaga\u00e7\u00e3o, mister se faz dividir as declara\u00e7\u00f5es de votos no Carf em obrigat\u00f3rias e volunt\u00e1rias. As declara\u00e7\u00f5es de voto aqui chamadas de obrigat\u00f3rias s\u00e3o aquelas que, como visto, decorrem da converg\u00eancia dos conselheiros de uma Turma julgadora em rela\u00e7\u00e3o ao resultado do julgamento, mas que s\u00e3o divergentes em rela\u00e7\u00e3o aos fundamentos adotados pelo voto vencedor. J\u00e1 as declara\u00e7\u00f5es de votos facultativas s\u00e3o aquelas que (1) ou externam uma diverg\u00eancia derrotada pelo voto vencedor (2) ou agregam algum outro elemento de fundamenta\u00e7\u00e3o ao voto vencedor, sem divergir da motiva\u00e7\u00e3o desenvolvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Feitos esclarecimentos, retomamos aqui a indaga\u00e7\u00e3o acima apresentada: as declara\u00e7\u00f5es de votos facultativas, desde que formalizadas pelo conselheiro dissidente, tamb\u00e9m integram o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido e, dessa forma, se prestam para o preenchimento do requisito do prequestionamento?<\/p>\n\n\n\n<p>A nossa resposta para tal questionamento \u00e9 um sonoro sim. Explicamos.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do momento em que o novo Ricarf torna obrigat\u00f3ria a declara\u00e7\u00e3o de votos em casos em que h\u00e1 a converg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao resultado, mas diverg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a sua fundamenta\u00e7\u00e3o, o que se tem \u00e9 o reconhecimento do car\u00e1ter integrativo de tal manifesta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao que fora julgado e se encontra externado no voto vencedor. Em suma, o Ricarf atribui uma natureza jur\u00eddica integrativa \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de voto e tal natureza jur\u00eddica n\u00e3o se transmuta apenas em raz\u00e3o da obrigatoriedade ou facultatividade dessa manifesta\u00e7\u00e3o. O n\u00e3o cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o em declarar um voto quando o Ricarf assim determina pode ter implica\u00e7\u00f5es correcionais ao conselheiro que n\u00e3o cumprir a regra. Pode, ainda, fomentar um imbr\u00f3glio procedimental, j\u00e1 que o ac\u00f3rd\u00e3o ficar\u00e1 pendente de formaliza\u00e7\u00e3o. O bin\u00f4mio facultatividade\/obrigatoriedade, todavia, n\u00e3o tem a disposi\u00e7\u00e3o para alterar o&nbsp;<em>status&nbsp;<\/em>jur\u00eddico-integrativo que o pr\u00f3prio Ricarf atribuiu a tal declara\u00e7\u00e3o de voto.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, havendo declara\u00e7\u00e3o de voto devidamente materializada, ela se presta a conformar a extens\u00e3o da \u201ccausa decidida\u201d e, por conseguinte, a delimitar as mat\u00e9rias tratadas no julgamento para fins de prequestionamento, ainda que uma dessas mat\u00e9rias esteja explicitamente presente apenas na declara\u00e7\u00e3o de voto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal perspectiva para a declara\u00e7\u00e3o de voto, inclusive, tem o cond\u00e3o de diminuir a quantidade de embargos de declara\u00e7\u00e3o a serem apresentados perante Turmas Ordin\u00e1rias do tribunal, j\u00e1 que a depender do que vier a ser vertido na declara\u00e7\u00e3o de voto tornar-se-\u00e1 despicienda a utiliza\u00e7\u00e3o de tal recurso para fins de prequestionamento, o que contribuir\u00e1 para fomentar a celeridade processual e a dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a perspectiva aqui apresentada est\u00e1 em perfeita sintonia com o princ\u00edpio da primazia da decis\u00e3o de m\u00e9rito e, em&nbsp;<em>ultima<\/em>&nbsp;<em>ratio<\/em>, com a ideia de efetividade das decis\u00f5es proferidas pelo Carf, j\u00e1 que, dessa forma, tais decis\u00f5es estar\u00e3o muito mais aptas a promover uma solu\u00e7\u00e3o substancial \u00e0 lide que lhe \u00e9 apresentada.<\/p>\n\n\n\n<p>Aguardemos, entretanto, como essa quest\u00e3o ser\u00e1 enfrentada pelo Tribunal Administrativo a partir do momento em que essa nova disposi\u00e7\u00e3o regimental come\u00e7ar a ser testada na pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-17\/o-recurso-especial-ao-carf-e-seu-novo-regimento-interno\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Haddad prev\u00ea impacto de R$ 32 bi no or\u00e7amento com desonera\u00e7\u00f5es; IBPT diz que onera\u00e7\u00e3o da folha pode acarretar em infla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 17\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, prev\u00ea um impacto de at\u00e9 R$ 32 bilh\u00f5es no or\u00e7amento deste ano com desonera\u00e7\u00f5es. Segundo o ministro, os n\u00fameros foram calculados a partir do impacto de medidas como a derrubada do veto \u00e0 desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento e com o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse total, R$ 12 bilh\u00f5es correspondem \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o da desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento, estendida para 2027. J\u00e1 R$ 4 bilh\u00f5es dizem respeito \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota de contribui\u00e7\u00e3o para a Previd\u00eancia Social por pequenos munic\u00edpios e R$ 16 bilh\u00f5es v\u00eam do Perse. No fim do ano passado, o governo editou uma medida provis\u00f3ria (MP) que extinguir\u00e1 progressivamente os benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>Haddad informou hoje, 17, que se reunir\u00e1 nesta quarta-feira (17) com o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva para discutir os resultados das primeiras negocia\u00e7\u00f5es em torno do tema com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. O ministro tamb\u00e9m disse que conversar\u00e1 pessoalmente com o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Arthur Lira, nesta quinta (18) ou sexta-feira (19). Haddad admitiu j\u00e1 ter conversado por telefone com Lira.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima ter\u00e7a-feira, Haddad se reuniu com o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, Alexandre Padilha, com o l\u00edder do Governo na C\u00e2mara, deputado Jos\u00e9 Guimar\u00e3es (PT-CE), e com o l\u00edder do Governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), para discutirem a agenda legislativa da \u00e1rea econ\u00f4mica para 2024. Al\u00e9m da busca por um acordo sobre a MP que reonerar\u00e1 a folha de pagamentos, o encontro discutiu a regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria e medidas do Plano de Transforma\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica, como o mercado de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p>Gradualidade nas desonera\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>Reafirmando o compromisso com o equil\u00edbrio fiscal neste ano, Haddad defendeu uma redu\u00e7\u00e3o gradual da desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento. Segundo ele, o procedimento segue o modelo da reforma tribut\u00e1ria, que estabelece a redu\u00e7\u00e3o escalonada dos benef\u00edcios fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s fizemos a proposta de fazer com o benef\u00edcio fiscal o mesmo que foi feito na reforma tribut\u00e1ria. Se pegar a reforma tribut\u00e1ria, todos os benef\u00edcios foram extintos e dilu\u00eddos no tempo, justamente para que os setores n\u00e3o fossem afetados no curto prazo\u201d, explicou o ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reuni\u00e3o da segunda-feira com Pacheco, Haddad afirmou que o presidente do Senado fez uma \u201cproposta de encaminhamento\u201d da medida provis\u00f3ria. O ministro n\u00e3o deu detalhes, afirmando que a solu\u00e7\u00e3o ainda precisa ser informada ao presidente Lula e a Arthur Lira. Apenas disse que as \u201cconversas finais\u201d ocorrer\u00e3o at\u00e9 o fim desta semana.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da rea\u00e7\u00e3o negativa de frentes parlamentares \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da medida provis\u00f3ria que prev\u00ea a reonera\u00e7\u00e3o progressiva da folha de pagamento a 17 setores da economia e revoga a redu\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o para a Previd\u00eancia Social aos munic\u00edpios, Haddad negou mal-estar com o Poder Legislativo. \u201cAs pessoas tentam criar uma animosidade que n\u00e3o existe entre os Poderes\u201d, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p>Na entrevista, o ministro disse que o objetivo da MP \u00e9 permitir o crescimento do pa\u00eds com taxas de juros sustent\u00e1veis, argumentando que n\u00e3o pode prejudicar toda a sociedade com o custo da desonera\u00e7\u00e3o para dar vantagem a um setor espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Negocia\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro das Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, Alexandre Padilha, disse que as negocia\u00e7\u00f5es est\u00e3o apenas come\u00e7ando, mas n\u00e3o deu prazo para que uma solu\u00e7\u00e3o seja alcan\u00e7ada. Como a MP s\u00f3 entrar\u00e1 de fato em vigor em abril, contribui\u00e7\u00f5es s\u00f3 podem ser aumentadas 90 dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da MP ou san\u00e7\u00e3o de projeto de lei, as conversas poder\u00e3o se estender por meses.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA MP foi apenas o primeiro passo para iniciar o di\u00e1logo\u201d, disse o ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele admitiu que as discuss\u00f5es s\u00e3o complexas, mas disse estar otimista dada a aprova\u00e7\u00e3o de diversas medidas dif\u00edceis no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNingu\u00e9m acreditava na aprova\u00e7\u00e3o do projeto do Carf [Conselho Administrativo de Recursos Fiscais], da taxa\u00e7\u00e3o das offshores e da MP 1.185 [que limitou ajudas financeiras a estados], mas conseguimos a aprova\u00e7\u00e3o com muita conversa\u201d, declarou Padilha, que reafirmou o compromisso da equipe econ\u00f4mica com o equil\u00edbrio fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos pequenos munic\u00edpios, o deputado Jos\u00e9 Guimar\u00e3es disse que o governo estuda uma ajuda financeira para as prefeituras com dificuldade de caixa para contribu\u00edrem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSabemos das dificuldades dos pequenos munic\u00edpios, mas podemos conceder uma ajuda, como fizemos com os estados no ano passado\u201d, afirmou Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Retirada de desonera\u00e7\u00f5es na folha impacta empresas<\/p>\n\n\n\n<p>Para o diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT), Carlos Pinto, uma poss\u00edvel reonera\u00e7\u00e3o na folha de pagamento das empresas \u00e9 uma medida prejudicial e que pode acarretar, inclusive, em infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA medida \u00e9 prejudicial, antag\u00f4nica aos que os empres\u00e1rios enxergam. A reonera\u00e7\u00e3o da folha para as empresas trar\u00e1 impacto significativo no pre\u00e7o final do produto na prateleira, trazendo, inclusive, consequ\u00eancias inflacion\u00e1rias\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, no momento em que o Pa\u00eds d\u00e1 sinais de recupera\u00e7\u00e3o e crescimento, o governo n\u00e3o deveria adotar medidas que causem efeitos na carga tribut\u00e1ria, j\u00e1 considerada alta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO IBPT \u00e9 contr\u00e1rio a qualquer medida que impacte em aumento da carga tribut\u00e1ria. Quando voc\u00ea onera a folha h\u00e1 esse impacto, principalmente para 17 setores da economia. Por isso, vemos com muito temor o veto do presidente e esperamos que haja a\u00ed um equil\u00edbrio nas contas, mas pelo desenvolvimento da economia, e n\u00e3o onerando as empresas\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo o executivo, h\u00e1 outras maneiras pelas quais o governo pode buscar recursos, como a taxa\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o de produtos que custam abaixo de US$ 50, e a aplica\u00e7\u00e3o do imposto de renda progressivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO equil\u00edbrio fiscal n\u00e3o est\u00e1 atrelado a reonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento. Deveriam tomar medidas para, por exemplo, aumentar o imposto de renda para quem ganha mais. O caminho pela onera\u00e7\u00e3o das empresas n\u00e3o \u00e9 o mesmo que pa\u00edses desenvolvidos tomaram historicamente para se tornar o que s\u00e3o hoje\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/istoedinheiro.com.br\/haddad-impacto-32-bi-com-desoneracoes-ibpt\/\">https:\/\/istoedinheiro.com.br\/haddad-impacto-32-bi-com-desoneracoes-ibpt\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contribuinte tem at\u00e9 1\u00ba de abril para quitar d\u00edvidas com a Receita<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 18\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Os contribuintes com d\u00edvidas junto \u00e0 Receita Federal poder\u00e3o sanar os d\u00e9bitos por meio do Programa de Autorregulariza\u00e7\u00e3o incentivada de tributos at\u00e9 o dia 1\u00ba de abril. A iniciativa criada pela lei 14.740\/23, permite que os cidad\u00e3os&nbsp;quitem&nbsp;somente o valor principal da d\u00edvida, sem necessidade de pagamento de multas de mora e de of\u00edcio e dos juros de mora. Como entrada, ser\u00e1 preciso pagar 50% da d\u00edvida e o d\u00e9bito remanescente poder\u00e1 ser parcelado em at\u00e9 48 vezes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o advogado&nbsp;M\u00e1rcio Miranda Maia, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Maia &amp; Anjos Advogados, para aderir ao Programa \u00e9 preciso fazer um pedido no e-CAC &#8211;&nbsp;Portal do Centro Virtual de Atendimento, na aba &#8220;Legisla\u00e7\u00e3o e Processo&#8221;,&nbsp;junto ao requerimento de ades\u00e3o, apresentar o DARF que comprove o pagamento da integralidade da d\u00edvida ou da 1\u00aa presta\u00e7\u00e3o. Por fim, \u00e9 importante lembrar que fica condicionada \u00e0 confiss\u00e3o da d\u00edvida pelo devedor mediante entrega ou retifica\u00e7\u00e3o das declara\u00e7\u00f5es correspondentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Vale ressaltar que tanto pessoas f\u00edsicas como jur\u00eddicas, s\u00e3o pass\u00edveis de ades\u00e3o e a norma vale para quaisquer tributos administrados pela Receita que n\u00e3o tenham sido constitu\u00eddos at\u00e9 30\/11\/23, inclusive aqueles que estejam sob fiscaliza\u00e7\u00e3o; e para os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios que venham a ser constitu\u00eddos entre 30\/11\/23 e 1\/4\/24.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o especialista, a autorregulariza\u00e7\u00e3o incentivada abrange todos os tributos administrados pela Receita inclu\u00eddos os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios decorrentes de auto de infra\u00e7\u00e3o, de notifica\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento e de despachos decis\u00f3rios que n\u00e3o homologuem, total ou parcialmente, a declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o.&nbsp;O programa, no entanto, n\u00e3o se aplica a d\u00e9bitos j\u00e1 constitu\u00eddos, nem discutidos em processos em andamento e tamb\u00e9m \u00e9 vedada a ades\u00e3o de d\u00e9bitos apurados na forma do Simples Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado ainda afirma que s\u00e3o muitos os benef\u00edcios para quem aderir ao programa. Segundo Maia, est\u00e1 o fato de haver a exclus\u00e3o das multas de of\u00edcio, multas de mora e juros de mora, com redu\u00e7\u00e3o de 100% das rubricas indicadas, com pagamento \u00e0 vista de, no m\u00ednimo, 50% do valor dos d\u00e9bitos a t\u00edtulo de entrada. Al\u00e9m disso, o valor remanescente pode ser parcelado em at\u00e9 48 presta\u00e7\u00f5es, acrescida de juros calculados pela taxa Selic e h\u00e1 a possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o de PF\/BN (limitado a 50% sobre o saldo remanescente), bem como a de utiliza\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rio (pr\u00f3prios ou de terceiros).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Apesar do elevado valor exigido como entrada e da exclus\u00e3o das empresas optantes pelo Simples Nacional do programa, n\u00e3o deixa de ser uma boa oportunidade para regulariza\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos Federais.&nbsp;Importante mencionar que para ter acesso ao benef\u00edcio, o contribuinte dever\u00e1 confessar a d\u00edvida por meio da entrega ou retifica\u00e7\u00e3o das declara\u00e7\u00f5es correspondentes ou, excepcionalmente, mediante cadastramento do d\u00e9bito apenas nas situa\u00e7\u00f5es a que se aplica. Tamb\u00e9m podem ser inclu\u00eddas no programa d\u00edvidas constitu\u00eddas entre 30\/11\/23 at\u00e9 1\/24&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O s\u00f3cio M\u00e1rcio Maia ainda pontua que a Receita destaca a redu\u00e7\u00e3o das multas e dos juros n\u00e3o ser\u00e1 computada na base de c\u00e1lculo do IRPJ, CSLL &#8211; Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido, PIS\/Pasep e Cofins.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quem aderir ao programa precisa assumir o compromisso de quitar o d\u00e9bito, pois no caso de inadimpl\u00eancia com tr\u00eas parcelas consecutivas, seis alternadas ou uma parcela, estando pagas todas as demais, est\u00e1 prevista a exclus\u00e3o do contribuinte no programa. A rescis\u00e3o ocorre em casos espec\u00edficos, como a definitividade da exclus\u00e3o ouindeferimento da utiliza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos&#8221;, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/quentes\/400560\/contribuinte-tem-ate-1-de-abril-para-quitar-dividas-com-a-receita\">https:\/\/www.migalhas.com.br\/quentes\/400560\/contribuinte-tem-ate-1-de-abril-para-quitar-dividas-com-a-receita<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Companhias a\u00e9reas tentam alterar rating para reduzir d\u00edvida tribut\u00e1ria de R$ 4 bi<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 18\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Representantes das maiores companhias a\u00e9reas do Brasil pediram ao Minist\u00e9rio da Fazenda uma negocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas tribut\u00e1rias que totalizam R$ 4 bilh\u00f5es na inten\u00e7\u00e3o de dar um al\u00edvio financeiro para o setor, segundo apurou o Valor. As negocia\u00e7\u00f5es ocorrem com a pasta no momento em que o governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) quer, de outro lado, que as empresas diminuam os pre\u00e7os das passagens a\u00e9reas, ponto que preocupa a equipe econ\u00f4mica pelo peso na infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas alegaram \u00e0 Fazenda que h\u00e1 dificuldade para aderir \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es abertas por meio das transa\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias para os valores que est\u00e3o na d\u00edvida ativa por causa da chamada capacidade de pagamento (Capag), esp\u00e9cie de rating estabelecido para os contribuintes &#8211; quanto maior, menor o desconto. Com a revis\u00e3o da nota, querem que a Fazenda reconhe\u00e7a que sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 pior do que foi avaliado anteriormente. As d\u00edvidas de todo o setor ultrapassam R$ 30 bilh\u00f5es, mas as que pediram negocia\u00e7\u00e3o somam R$ 4 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e9reas est\u00e3o nas categorias A e B e tentam rebaixar essas notas para C ou D &#8211; o que poderia gerar desconto de at\u00e9 100% em multa, juros e encargos legais. Querem que seja levado em considera\u00e7\u00e3o o leasing das aeronaves e o ac\u00famulo de d\u00edvidas com outros \u00f3rg\u00e3os, como a Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espa\u00e7o A\u00e9reo (Decea).<\/p>\n\n\n\n<p>A capacidade de pagamento desconsidera o leasing e as aeronaves acabam entrando na conta como patrim\u00f4nio. Por\u00e9m, lembram, ter\u00e3o que ser devolvidas ou substitu\u00eddas pelas companhias \u00e0s empresas em algum momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o governo do presidente Lula tem procurado alternativas para reduzir o pre\u00e7o das passagens a\u00e9reas. No fim de dezembro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que \u00e9 justamente isso que preocupa no \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPCA). Dados do IBGE mostraram que o componente avan\u00e7ou 47,23 em 2023 no IPCA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDeve-se evitar que se crie um incentivo distorcido \u00e0s empresas\u201d \u2014 Felipe Salto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que est\u00e1 nos preocupando em rela\u00e7\u00e3o ao IPCA \u00e9 um item, as passagens a\u00e9reas. Cresceram nos \u00faltimos quatro meses 65%\u201d, apontou o ministro na ocasi\u00e3o. \u201cJ\u00e1 estavam caras quatro meses atr\u00e1s e agora subiram 65%\u201d, complementou. Semanas antes, o governo anunciou um acordo com as companhias, que se comprometeram a oferecer passagens a pre\u00e7os mais acess\u00edveis aos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do ex-diretor da Anac Ricardo Fenelon, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Fenelon Barretto Rost, como o setor \u201cainda est\u00e1 muito pressionado do ponto de vista financeiro pelos custos da pandemia, qualquer medida do governo que possa aliviar o fluxo de caixa das empresas \u00e9 muito bem-vinda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, para Felipe Salto, economista-chefe e s\u00f3cio da Warren Investimentos, ao mesmo tempo em que \u00e9 positivo aumentar as transa\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias para resolver conflitos e promover incrementos na receita, \u00e9 preciso buscar um equil\u00edbrio. \u201cDeve-se evitar que se crie um incentivo distorcido \u00e0s empresas, no sentido de acumular d\u00edvidas para negociar l\u00e1 na frente. Isso acabaria erodindo a arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria a m\u00e9dio prazo\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedir a revis\u00e3o da capacidade de pagamento \u00e9 comum a diferentes setores e empresas, segundo o tributarista Fl\u00e1vio de Haro Sanches, s\u00f3cio do CSMV Advogados. Ele avalia que o pedido sobre o leasing parece coerente. \u201cJ\u00e1 vi uma empresa, de outro setor, apresentar os dados e mostrar no balan\u00e7o dificuldades e um cen\u00e1rio de complica\u00e7\u00e3o, inclusive com laudo de auditoria, que atestou para a Fazenda que havia dificuldade financeira\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado faz um paralelo com a recupera\u00e7\u00e3o judicial, em que \u00e9 importante mostrar que h\u00e1 dificuldade financeira mas tamb\u00e9m chance de melhoria no futuro. Ele tamb\u00e9m destaca que existe judicializa\u00e7\u00e3o por causa da capacidade de pagamento e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) se comprometeu a revisar a Capag, por ver como foco de judicializa\u00e7\u00e3o, justamente o que se tenta evitar com a transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Sanches, havia uma certa caixa preta sobre como era feito o c\u00e1lculo da Capag e, por isso, criou-se uma tese jur\u00eddica para questionar o rating. \u201cJ\u00e1 existe a possibilidade administrativa de pedir para a procuradoria a revis\u00e3o, justamente porque eles querem evitar a judicializa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>De cada dez transa\u00e7\u00f5es, em cerca de tr\u00eas h\u00e1 pedido de revis\u00e3o da Capag e um \u00e9 concedido, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) do segundo semestre de 2023. Na \u00e9poca havia na Justi\u00e7a 71 casos de questionamento do rating (classifica\u00e7\u00e3o) aplicado pela Fazenda, com 18 recursos na segunda inst\u00e2ncia, sendo que 15 foram negados em primeiro grau.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2023, a Portaria n\u00ba 1.241 teve como objetivo tornar mais transparente o c\u00e1lculo realizado para medir a capacidade de pagamento. Foi aberto no site do \u00f3rg\u00e3o um caminho para que possam questionar os enquadramentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A portaria determina que a PGFN oriente o contribuinte sobre como pedir a revis\u00e3o da Capag, quando ele entender que os dados usados n\u00e3o foram adequados e que o rating n\u00e3o reflete sua atual situa\u00e7\u00e3o. A norma ainda abre a possibilidade de o devedor apresentar recurso se for negado pedido de revis\u00e3o. E garante a apresenta\u00e7\u00e3o de novo pedido, quando julgado definitivamente o anterior, se demonstrada a ocorr\u00eancia de fato superveniente que afete a an\u00e1lise original da capacidade de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Procuradas pelo Valor, a Fazenda e as companhias Gol, Azul e Latam n\u00e3o se manifestaram. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas A\u00e9reas (Abear) tamb\u00e9m foi questionada e n\u00e3o se pronunciou.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/18\/companhias-aereas-tentam-alterar-rating-para-reduzir-divida-tributaria-de-r-4-bi.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/18\/companhias-aereas-tentam-alterar-rating-para-reduzir-divida-tributaria-de-r-4-bi.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>STJ deve julgar lit\u00edgios tribut\u00e1rios de impacto nessa semana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 18\/01\/2024&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) pode julgar alguns processos tribut\u00e1rios relevantes na pr\u00f3xima quarta-feira. Est\u00e3o na pauta pelo menos tr\u00eas processos repetitivos, cujas decis\u00f5es dever\u00e3o ser seguidas pelas inst\u00e2ncias inferiores do Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os casos est\u00e1 a possibilidade de exclus\u00e3o do ICMS-ST da base de c\u00e1lculo do PIS e Cofins. Existem, na segunda inst\u00e2ncia, 1.976 a\u00e7\u00f5es sobre o assunto. Essa \u00e9 uma das chamadas &#8220;teses filhotes&#8221; da exclus\u00e3o do ICMS do c\u00e1lculo do PIS e da Cofins, a &#8220;tese do s\u00e9culo&#8221;, que garantiu bilh\u00f5es em cr\u00e9ditos fiscais aos contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento volta de pedido de vista. O relator, ministro Gurgel de Faria, \u00fanico a votar, se posicionou a favor da exclus\u00e3o. Ele considera que nesse caso envolvendo o ICMS-ST n\u00e3o se est\u00e1 falando de um tributo diferente. ICMS e ICMS-ST se diferenciam somente pela forma de recolhimento. Os ministros da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o julgam o tema por meio de dois recursos (REsp 1896678 e REsp 195826).<\/p>\n\n\n\n<p>Contribui\u00e7\u00f5es de terceiros e TUST<\/p>\n\n\n\n<p>Os ministros tamb\u00e9m poder\u00e3o definir se o limite de 20 sal\u00e1rios-m\u00ednimos \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 apura\u00e7\u00e3o da base de c\u00e1lculo de contribui\u00e7\u00f5es parafiscais arrecadadas por conta de terceiros. Todas as empresas s\u00e3o obrigadas a recolher as chamadas contribui\u00e7\u00f5es parafiscais, com al\u00edquota de 5,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o mapeou o lit\u00edgio no Relat\u00f3rio de Riscos Fiscais do projeto da Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) para 2023, mas n\u00e3o especificou o valor envolvido. As contribui\u00e7\u00f5es parafiscais s\u00e3o arrecadadas pela Receita Federal e destinadas ao Incra, Sesi, Senai, Sebrae, Senac, Sesc e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE). S\u00e3o diferentes das contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 Previd\u00eancia Social, de 20% sobre a folha de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O embate entre os contribuintes e a Fazenda Nacional diz respeito \u00e0 base sobre a qual deve ser calculado o tributo. As empresas alegam que a legisla\u00e7\u00e3o imp\u00f5e um teto de 20 sal\u00e1rios-m\u00ednimos. O Fisco defende que a contribui\u00e7\u00e3o deve incidir sobre o valor total da folha de sal\u00e1rios da empresa (Resp n\u00ba 1.898.532 e n\u00ba 1.905.870, Tema 1.079).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Pedro Siqueira, s\u00f3cio da \u00e1rea tribut\u00e1ria do Bichara Advogados, a sess\u00e3o a ser realizada no dia 25 de outubro traz grande expectativa para os contribuintes, podendo gerar a pacifica\u00e7\u00e3o de alguns temas que est\u00e3o sendo debatidos h\u00e1 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda um terceiro processo que trata da exclus\u00e3o do TUST\/TUSD da base de c\u00e1lculo do ICMS. As siglas se referem \u00e0s Tarifas de Uso dos Sistemas El\u00e9tricos de Transmiss\u00e3o e de Distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado espera que a Corte adote seu \u201cposicionamento hist\u00f3rico\u201d, de considerar os valores como tarifas inclu\u00eddas na conta de energia, que n\u00e3o poderia compor a base de c\u00e1lculo do tributo estadual.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/valor-juridico\/coluna\/stj-deve-julgar-litigios-tributarios-de-impacto-na-proxima-semana.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/valor-juridico\/coluna\/stj-deve-julgar-litigios-tributarios-de-impacto-na-proxima-semana.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nova etapa da reforma tribut\u00e1ria deve mexer em IR e Simples, sugere TCU<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 18\/01\/2024&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea t\u00e9cnica do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) enviou ao governo federal um parecer pr\u00e9vio com cinco principais recomenda\u00e7\u00f5es para a reforma tribut\u00e1ria sobre a renda, que ser\u00e1 proposta pelo Executivo ao Congresso at\u00e9 meados de mar\u00e7o. O objetivo \u00e9 que o relat\u00f3rio final forne\u00e7a insumos ou diagn\u00f3sticos para elabora\u00e7\u00e3o do projeto de lei, que vem sendo desenhado pelo Minist\u00e9rio da Fazenda, e para as discuss\u00f5es no Congresso.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 revisar a tabela do Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica (IRPF), considerando o aumento do n\u00famero de faixas de incid\u00eancia, a atualiza\u00e7\u00e3o da faixa de isen\u00e7\u00e3o e aumento das al\u00edquotas m\u00e1ximas. Valores n\u00e3o foram sugeridos at\u00e9 o momento pelos auditores. O presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva prometeu isentar de IR quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>No relat\u00f3rio pr\u00e9vio, ao qual o Valor teve acesso, os auditores conclu\u00edram que a atual tabela do IR favorece, de maneira desproporcional, as fam\u00edlias de maior renda. \u201cA al\u00edquota m\u00e1xima [da tabela] atinge contribuintes em faixas de renda muito desiguais, o que resulta em uma situa\u00e7\u00e3o em que os contribuintes de renda mais alta pagam uma propor\u00e7\u00e3o menor de sua renda em impostos do que os contribuintes de renda mais baixa, prejudicados pela desatualiza\u00e7\u00e3o da faixa de isen\u00e7\u00e3o da tabela\u201d, dizem os auditores.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eles ponderam que a simples readequa\u00e7\u00e3o da tabela do IR com a inser\u00e7\u00e3o de mais faixas e al\u00edquotas poderia ter \u201cefeito perverso\u201d, pois s\u00f3 atingiria os rendimentos classificados como tribut\u00e1veis, n\u00e3o alcan\u00e7ando os dividendos (hoje isentos de IR) nem os rendimentos de aplica\u00e7\u00f5es financeiras, que s\u00e3o tributados de forma mais branda.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a segunda recomenda\u00e7\u00e3o que consta no parecer pr\u00e9vio \u00e9 revisar a isen\u00e7\u00e3o de IRPF sobre dividendos, instituindo uma al\u00edquota de contribui\u00e7\u00e3o em conjunto com o aperfei\u00e7oamento da tributa\u00e7\u00e3o dos lucros apurados no Imposto de Renda das empresas (IRPJ).<\/p>\n\n\n\n<p>No documento, a equipe t\u00e9cnica do TCU diz que, caso haja somente a revis\u00e3o da tabela do IR sem o fim da isen\u00e7\u00e3o para dividendos, o peso da tributa\u00e7\u00e3o sobre a renda recairia principalmente sobre os trabalhadores assalariados e, no limite, incentivaria a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d, pois os dividendos s\u00e3o uma das fontes de renda dos que possuem maior capacidade contributiva (ricos).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eles lembram que o projeto de reforma do IR, proposto pelo governo Jair Bolsonaro ao Congresso, projetava ganho anual de R$ 63 bilh\u00f5es a R$ 76 bilh\u00f5es com a aplica\u00e7\u00e3o de uma al\u00edquota de 15% sobre lucros e dividendos. Considerando a compensa\u00e7\u00e3o com a diminui\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do IRPJ, o impacto cairia para R$ 20 bilh\u00f5es, mas ainda seria positivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m do car\u00e1ter arrecadat\u00f3rio (fiscal), ambas as medidas propostas nesses projetos de lei teriam o potencial de mitigar os efeitos regressivos na apura\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica\u201d, afirmam os auditores, lembrando que a proposta inicial do governo passado previa tamb\u00e9m a revoga\u00e7\u00e3o dos juros sobre o capital pr\u00f3prio (JCP), algo que o ministro Fernando Haddad (Fazenda) tentou emplacar em 2023, mas n\u00e3o teve sucesso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira recomenda\u00e7\u00e3o feita no parecer pr\u00e9vio \u00e9 a recalibra\u00e7\u00e3o dos par\u00e2metros do Simples Nacional e lucro presumido, o primeiro para empresas com faturamento at\u00e9 R$ 4,8 milh\u00f5es, e o segundo, R$ 78 milh\u00f5es. Os auditores constataram dois principais problemas com esses regimes: isen\u00e7\u00e3o dos lucros distribu\u00eddos pelas empresas e elevados limites de faturamento para enquadramento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses problemas identificados, diz o parecer pr\u00e9vio, incentivam \u00e0 \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d e violam o princ\u00edpio de equidade tribut\u00e1ria horizontal. O documento lembra que n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica internacional conceder benef\u00edcios fiscais a empresas com faturamento superior a US$ 1 milh\u00e3o. \u201cEssa disparidade no tratamento tribut\u00e1rio entre empresas sob diferentes regimes de tributa\u00e7\u00e3o resulta em distor\u00e7\u00f5es significativas no sistema tribut\u00e1rio brasileiro, prejudicando a justi\u00e7a e a equidade no tratamento dos contribuintes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra recomenda\u00e7\u00e3o que consta no parecer pr\u00e9vio \u00e9 aperfei\u00e7oar o Simples Nacional. Al\u00e9m da quest\u00e3o do limite muito alto de faturamento para enquadramento, os auditores criticam a exist\u00eancia de m\u00faltiplas faixas de faturamento e setores de atua\u00e7\u00e3o, cada uma com suas pr\u00f3prias al\u00edquotas. \u201cIsso gera competi\u00e7\u00e3o desigual no mercado, em que empresas com faturamento pr\u00f3ximo podem estar sujeitas a cargas tribut\u00e1rias distintas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a quinta recomenda\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de mecanismos que permitam a consolida\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es financeiras de todas as entidades de um grupo empresarial. Isso porque a base de c\u00e1lculo do IRPJ \u00e9 apurada individualmente por CNPJ, o que pode n\u00e3o refletir a realidade econ\u00f4mica dos grupos. \u201cEstes grupos frequentemente se estruturam com m\u00faltiplos CNPJ&#8217;s como parte de estrat\u00e9gias de planejamento tribut\u00e1rio\u201d, diz o parecer pr\u00e9vio. Os auditores lembram que v\u00e1rios pa\u00edses adotam a tributa\u00e7\u00e3o consolidada da renda, o que contribui para a equidade e imparcialidade e reduz pr\u00e1ticas de planejamento tribut\u00e1rio abusivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os t\u00e9cnicos tamb\u00e9m afirmam que a progressividade no sistema tribut\u00e1rio deve ser acompanhada \u201cde outras medidas que fortale\u00e7am a justi\u00e7a fiscal, como a simplifica\u00e7\u00e3o, a transpar\u00eancia, a fiscaliza\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o social\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O parecer pr\u00e9vio faz parte de um processo aberto pelo TCU para avaliar a tributa\u00e7\u00e3o sobre a renda no Brasil. O documento foi enviado para coment\u00e1rios da Casa Civil, da Receita Federal e da Secretaria Extraordin\u00e1ria da Reforma Tribut\u00e1ria. Depois dos gestores emitirem coment\u00e1rios, ser\u00e1 feita a vers\u00e3o final do relat\u00f3rio, que ser\u00e1 levado para vota\u00e7\u00e3o pelos ministros em plen\u00e1rio. O relator \u00e9 o ministro Augusto Nardes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2024\/01\/18\/nova-etapa-da-reforma-tributaria-deve-mexer-em-ir-e-simples-sugere-tcu.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2024\/01\/18\/nova-etapa-da-reforma-tributaria-deve-mexer-em-ir-e-simples-sugere-tcu.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Simples Nacional pode ser prorrogado para abril ou maio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 18\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista nesta quarta-feira (17), o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, M\u00e1rcio Fran\u00e7a, afirmou que o prazo de ades\u00e3o ao&nbsp;Simples Nacional&nbsp;pode ser prorrogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com prazo originalmente previsto para ser encerrado no dia 31 de janeiro, em menos de duas semanas, o regime especial de tributa\u00e7\u00e3o pode ter t\u00e9rmino apenas em abril ou maio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa prorroga\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer em uma resolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 mais simples. Nesse per\u00edodo da prorroga\u00e7\u00e3o, a gente prepara o Desenrola\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente acha que esse prazo, para efeito do Simples, poderia ser empurrado para a frente, para poder coincidir com o Dia das M\u00e3es, quer dizer, dar essa folga a todos os Simples do Brasil\u201d, disse Fran\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro afirmou ainda que Haddad dever\u00e1 dar uma resposta sobre a prorroga\u00e7\u00e3o do Simples Nacional at\u00e9 o fim desta semana.<\/p>\n\n\n\n<p>A prorroga\u00e7\u00e3o poderia ajudar milhares de empreendedores brasileiros e escrit\u00f3rios cont\u00e1beis que possuem diversas obriga\u00e7\u00f5es e prazos a serem cumpridos em janeiro, concomitantemente com o prazo original do Simples Nacional, dando mais tempo para garantir o enquadramento dos empres\u00e1rios no regime especial.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-resenha-de-noticias-fiscais wp-block-embed-resenha-de-noticias-fiscais\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"OoV6RRlD63\"><a href=\"https:\/\/noticiasfiscais.com.br\/assinatura-2\/\">Assine a Resenha<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Assine a Resenha&#8221; &#8212; Resenha de Not\u00edcias Fiscais\" src=\"https:\/\/noticiasfiscais.com.br\/assinatura-2\/embed\/#?secret=NJncPTeIB1#?secret=OoV6RRlD63\" data-secret=\"OoV6RRlD63\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Pacheco aponta compromisso do governo em reeditar MP da reonera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou nesta sexta-feira (19) que o governo federal vai revogar o trecho da medida provis\u00f3ria que trata da reonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento de 17 setores da economia (MP 1.202\/2023). Assim, a desonera\u00e7\u00e3o seguir\u00e1 valendo. Segundo Pacheco, o acordo foi feito em conversas com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>A MP foi publicada no fim de dezembro, algumas semanas ap\u00f3s o Congresso decidir prorrogar a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento. A inten\u00e7\u00e3o do governo com a medida \u00e9 diminuir o impacto da ren\u00fancia fiscal nas contas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A minha prefer\u00eancia foi pela sa\u00edda atrav\u00e9s do di\u00e1logo e da constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com o ministro Haddad e o presidente Lula. H\u00e1 o compromisso do governo federal de reeditar a medida provis\u00f3ria para revogar a parte que toca a folha de pagamento. Esse \u00e9 o compromisso pol\u00edtico que fizemos \u2014 afirmou o presidente do Senado durante um evento na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda-feira (15), Pacheco encontrou Haddad para discutir o tema. O presidente do Senado apontou que decidiu por n\u00e3o devolver a medida provis\u00f3ria, mas costurar outra sa\u00edda pol\u00edtica, porque \u201ca devolu\u00e7\u00e3o de uma medida provis\u00f3ria \u00e9 algo excepcional\u201d e porque \u201co texto apresentado pelo Executivo inclui outros assuntos\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Se a MP fosse somente relativa \u00e0 desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento, em que houve um pronunciamento robusto e rotundo do Congresso Nacional de prorroga\u00e7\u00e3o da desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento no Brasil, seria inconstitucional e seria devolvida, mas ela tem outros temas \u2014 apontou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pacheco refor\u00e7ou que a quest\u00e3o das desonera\u00e7\u00f5es pode ser tratada por meio de projeto de lei:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Teremos a prorroga\u00e7\u00e3o da desonera\u00e7\u00e3o da folha sem preju\u00edzo de o Executivo querer discutir atrav\u00e9s de projeto de lei \u2014 assinalou.<\/p>\n\n\n\n<p>Medida provis\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>A medida provis\u00f3ria foi editada pelo governo federal ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o, pelo Congresso Nacional, da Lei 14.784, de 2023, que prorroga para at\u00e9 o final de 2027 a desonera\u00e7\u00e3o da folha salarial para 17 setores da economia. A lei foi publicada depois de o Congresso derrubar o veto (VET 38\/2023) do presidente da Rep\u00fablica, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, ao projeto original da lei, aprovado pelos congressistas (PL 334\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>O benef\u00edcio da desonera\u00e7\u00e3o da folha permite que as empresas de 17 setores da economia paguem al\u00edquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre a folha de sal\u00e1rios. A MP editada pelo governo estabelece que, a partir de abril, a al\u00edquota menor de imposto valer\u00e1 apenas para um sal\u00e1rio m\u00ednimo por trabalhador. A remunera\u00e7\u00e3o que ultrapassar esse valor ter\u00e1 a tributa\u00e7\u00e3o normal (de at\u00e9 20%).<\/p>\n\n\n\n<p>O MP tamb\u00e9m determina a redu\u00e7\u00e3o gradual do benef\u00edcio at\u00e9 2027 e extingue at\u00e9 2025 os benef\u00edcios tribut\u00e1rios concedidos \u00e0s empresas de promo\u00e7\u00e3o de eventos inclu\u00eddas no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2024\/01\/19\/pacheco-aponta-compromisso-do-governo-em-reeditar-mp-da-reoneracao\">https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2024\/01\/19\/pacheco-aponta-compromisso-do-governo-em-reeditar-mp-da-reoneracao<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Ano Novo tribut\u00e1rio: principais altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2024 come\u00e7ou com uma s\u00e9rie de novidades na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria ap\u00f3s o governo federal publicar diversas medidas com altera\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o \u2014 sobretudo no \u00faltimo dia \u00fatil do ano de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 se esperava que o ano de 2024 seria bastante movimentado em raz\u00e3o da necessidade de regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria (aprovada tamb\u00e9m ao final de 2023), al\u00e9m da expectativa de que o governo federal apresente projetos para reforma da tributa\u00e7\u00e3o sobre a renda e sobre a folha de sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no apagar das luzes de 2023, por\u00e9m, foram publicadas diversas normas relacionadas a temas tribut\u00e1rios, com vig\u00eancia imediata, as quais os contribuintes precisam estar atualizados para evitar quaisquer preju\u00edzos.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, apresentamos algumas das recentes novidades legislativas de temas tribut\u00e1rios:<\/p>\n\n\n\n<p>Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 1.202\/2023 \u2014 revoga\u00e7\u00e3o Perse, reonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos e limita\u00e7\u00e3o da compensa\u00e7\u00e3o cr\u00e9ditos oriundos de decis\u00e3o judicial<br>Publicada em 29 de dezembro de 2023, a medida provis\u00f3ria introduziu significativas altera\u00e7\u00f5es em diversos temas tribut\u00e1rios, quais sejam:<\/p>\n\n\n\n<p>Revoga\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais anteriormente concedidos setor de eventos \u2013 Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), que previa al\u00edquota zero de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins);<\/p>\n\n\n\n<p>Cria\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00e3o mensal para a compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito oriundo de decis\u00e3o judicial transitada em julgado que ultrapasse o valor de R$ 10 milh\u00f5es (limite este que ser\u00e1 estabelecido em ato do Ministro de Estado da Fazenda e n\u00e3o poder\u00e1 ser inferior a 1\/60 do valor total do cr\u00e9dito) e previs\u00e3o de que a declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser apresentada em at\u00e9 cinco anos da data do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o ou da homologa\u00e7\u00e3o da desist\u00eancia da execu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo judicial;<\/p>\n\n\n\n<p>Revoga\u00e7\u00e3o da desonera\u00e7\u00e3o da folha de sal\u00e1rios (substitui\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o sobre a receita bruta em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 folha de sal\u00e1rios para os setores beneficiados);<\/p>\n\n\n\n<p>Onera\u00e7\u00e3o gradual da al\u00edquota da contribui\u00e7\u00e3o patronal incidente sobre a folha de pagamentos;<\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de reduzir os preju\u00edzos que ser\u00e3o suportados pelas empresas que eram beneficiadas pela desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos, a medida provis\u00f3ria em quest\u00e3o prev\u00ea a possibilidade de as empresas dos setores que foram impactados substituam a contribui\u00e7\u00e3o geral de 20% para as seguintes al\u00edquotas de:<\/p>\n\n\n\n<p>10% no ano de 2024;<\/p>\n\n\n\n<p>12,5% no ano de 2025;<\/p>\n\n\n\n<p>15% no ano de 2026;<\/p>\n\n\n\n<p>17,5% no ano de 2027;<\/p>\n\n\n\n<p>Um detalhe importante \u00e9 que tais al\u00edquotas diferenciadas n\u00e3o ser\u00e3o aplicadas sobre a totalidade da folha, mas apenas sobre o valor correspondente a um sal\u00e1rio-m\u00ednimo. A t\u00edtulo exemplificativo, para um empregado que receber R$ 5 mil, a empresa poder\u00e1 tributar R$ 1.412,00 em 10% e o restante dever\u00e1 ser tributado em 20%.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, para que a empresa fa\u00e7a jus \u00e0s al\u00edquotas diferenciadas, ser\u00e1 necess\u00e1rio firmar termo de compromisso a fim de se comprometer a manter quantidade de empregados em n\u00famero igual ou superior ao verificado em 1\u00ba de janeiro de cada ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei Complementar n\u00ba 204\/2023 \u2014 transfer\u00eancia de ICMS nas opera\u00e7\u00f5es interestaduais entre estabelecimentos<br>Ainda no dia 29 de dezembro de 2023, foi publicada a Lei Complementar n\u00ba 204\/2023 para vedar a incid\u00eancia do ICMS nas transfer\u00eancias realizadas entre estabelecimentos de mesma titularidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei em quest\u00e3o, muito embora publicada no apagar das luzes de 2023, \u00e9 a resposta do Congresso Nacional ao Supremo Tribunal Federal que, no julgamento da A\u00e7\u00e3o Declarat\u00f3ria de Constitucionalidade n\u00ba 49, reconheceu a inconstitucionalidade da incid\u00eancia de ICMS nas transfer\u00eancias de bens entre estabelecimentos de um mesmo titular e estabeleceu prazo para os estados disciplinarem as regras relacionadas \u00e0 transfer\u00eancia dos cr\u00e9ditos em tais opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, al\u00e9m de alterar a legisla\u00e7\u00e3o do imposto para passar a prever expressamente a n\u00e3o incid\u00eancia do ICMS na sa\u00edda de mercadoria de estabelecimento para outro de mesma titularidade, o Congresso Nacional tamb\u00e9m previu as regras de transfer\u00eancia dos respectivos cr\u00e9ditos das opera\u00e7\u00f5es anteriores, inclusive nas opera\u00e7\u00f5es interestaduais, em que os cr\u00e9ditos ser\u00e3o assegurados da seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p>Pela unidade federada de destino, por meio de transfer\u00eancia de cr\u00e9dito, por meio da aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota interestadual aplic\u00e1vel;<\/p>\n\n\n\n<p>Pela unidade federada de origem, nos casos em que houver diferen\u00e7a positiva entre os cr\u00e9ditos das opera\u00e7\u00f5es anteriores e o cr\u00e9dito transferido \u00e0 unidade federada de destino.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00favida que fica \u00e9 se cada um dos Estados ir\u00e1 regulamentar tal quest\u00e3o de forma uniforme ou se cada unidade estabelecer\u00e1 regras distintas (por exemplo, se a transfer\u00eancia ser\u00e1 obrigat\u00f3ria ou facultativa a crit\u00e9rio de cada estabelecimento), sobretudo em raz\u00e3o da exist\u00eancia de conv\u00eanio ICMS rec\u00e9m editado pelo Confaz, [1] que prev\u00ea a obrigatoriedade nas transfer\u00eancias interestaduais e os procedimentos para a transfer\u00eancia dos cr\u00e9ditos.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n\u00ba 14.787\/2023 \u2014 prorroga\u00e7\u00e3o do reporto at\u00e9 2028<br>Foi publicada a lei que prorrogou at\u00e9 2028 a vig\u00eancia do Regime Tribut\u00e1rio para Incentivo \u00e0 Moderniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 Amplia\u00e7\u00e3o da Estrutura Portu\u00e1ria (Reporto), que prev\u00ea a suspens\u00e3o do IPI, do imposto de importa\u00e7\u00e3o, do PIS e da Cofins na aquisi\u00e7\u00e3o interna e importa\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, equipamentos, pe\u00e7as, entre outros, destinados ao ativo imobilizado destinados \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o da estrutura portu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Portaria MF n\u00ba 14\/2024 \u2014 limites para utiliza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios<br>Na primeira semana de 2024, foi publicada pelo Minist\u00e9rio da Fazenda a Portaria prevista na Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 1.202\/2023 para estabelecer os limites mensais que dever\u00e3o ser observados para compensar o valor total dos cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios oriundos de decis\u00f5es judiciais transitadas em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o eles:<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00e9ditos de R$ 10 milh\u00f5es a R$ 99.999.999,99 \u2013 prazo m\u00ednimo de 12 meses;<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00e9ditos de R$ 100 milh\u00f5es a R$ 199.999.999,99 \u2013 prazo m\u00ednimo de 20 meses;<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00e9ditos de R$ 200 milh\u00f5es e inferior a R$ 299.999.999,99 \u2013 prazo m\u00ednimo de 30 meses;<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00e9ditos de R$ 300 milh\u00f5es e inferior a R$ 399.999.999,99 \u2013 prazo m\u00ednimo de 40 meses;<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00e9ditos de R$ 400 milh\u00f5es a R$ 499.999.999,99 \u2013 prazo m\u00ednimo de 50 meses; e<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00e9dito igual ou superior a R$ 500 milh\u00f5es \u2013 prazo m\u00ednimo de 60 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A tend\u00eancia \u00e9 que tais limita\u00e7\u00f5es sejam contestadas no Poder Judici\u00e1rio, uma vez que representam restri\u00e7\u00f5es ao direito dos contribuintes em exercer de forma plena um direito que foi j\u00e1 foi reconhecido judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-19\/o-ano-novo-tributario\/\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-19\/o-ano-novo-tributario\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Empresas podem questionar na Justi\u00e7a relat\u00f3rios de transpar\u00eancia salarial<\/strong><br>Data: 22\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas est\u00e3o preocupadas com a obriga\u00e7\u00e3o, institu\u00edda no fim do ano, de divulgar em seus sites ou redes sociais relat\u00f3rios de transpar\u00eancia salarial, em cumprimento ao que estabelece a Lei de Igualdade Salarial (n\u00ba 14.611 de 2023). O receio est\u00e1 em expor informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis \u00e0 concorr\u00eancia e de haver viola\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (LGDP) &#8211; o que pode gerar judicializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica\u00e7\u00e3o deve ocorrer em mar\u00e7o. Mas a partir de hoje, as empresas precisam fornecer informa\u00e7\u00f5es adicionais para o preenchimento ou retifica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio de transpar\u00eancia salarial ao Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE). O prazo vai at\u00e9 29 de fevereiro. Os dados ser\u00e3o analisados e deve haver a devolu\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio para a publica\u00e7\u00e3o. O documento vai considerar tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es inseridas no eSocial.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso a empresa n\u00e3o publique essas informa\u00e7\u00f5es, fica sujeita a multa administrativa de at\u00e9 3% da folha de sal\u00e1rios, limitado a 100 sal\u00e1rios m\u00ednimos &#8211; hoje R$ 140 mil. Na outra ponta, contudo, h\u00e1 o risco de ter que arcar com multa por descumprimento da LGPD, que pode chegar a at\u00e9 R$ 50 milh\u00f5es por infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor isso, a preocupa\u00e7\u00e3o das companhias em fazer a publica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es de forma adequada\u201d, diz a advogada Leticia Ribeiro, s\u00f3cia da \u00e1rea trabalhista do Trench Rossi Watanabe.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de divulga\u00e7\u00e3o nas redes sociais e no site da empresa foi institu\u00edda pelo Decreto n\u00ba 11.795, de 23 de novembro de 2023, que regulamentou a Lei de Igualdade Salarial. A norma tamb\u00e9m determina a divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego, todos os anos, em mar\u00e7o e setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a regulamenta\u00e7\u00e3o descrever os dados que ser\u00e3o utilizados nos relat\u00f3rios, afirmam especialistas, n\u00e3o estabelece qual ser\u00e1 a metodologia utilizada para a elabora\u00e7\u00e3o nem que informa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o efetivamente inclu\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a advogada Cibelle Linero, s\u00f3cia da \u00e1rea trabalhista do BMA Advogados, a Lei de Igualdade Salarial veio como uma \u00f3tima inciativa, semelhante ao que j\u00e1 se aplica em outros pa\u00edses, como B\u00e9lgica, Isl\u00e2ndia e Austr\u00e1lia, \u201cmas essa imposi\u00e7\u00e3o de publicar essas informa\u00e7\u00f5es nos sites das empresas e nas redes sociais trouxe um certo inc\u00f4modo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dependendo da forma que essas informa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o divulgadas, acrescenta Cibelle, pode expor funcion\u00e1rios &#8211; ainda que n\u00e3o sejam citados nomes. Ser\u00e1 f\u00e1cil, por exemplo, cita, identificar uma \u00fanica mulher que trabalha num setor dominado por homens \u201cS\u00e3o informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis que n\u00e3o poderiam ficar expostas\u201d, diz ela, destacando que h\u00e1, nesse caso, receio de viola\u00e7\u00e3o a dispositivos da LGPD.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Cibelle, contudo, se o governo n\u00e3o s\u00f3 lan\u00e7ar a nova plataforma, mas explicar o formato do relat\u00f3rio que pretende publicar, esses problemas poderiam ser minimizados. \u201cDependendo do formato, poder\u00e1 ser menos problem\u00e1tico\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcela Ortega Tavares e Rodrigo Takano, do Machado Meyer Advogados, consideram que obriga\u00e7\u00f5es posteriores \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da Lei de Igualdade Salarial podem reduzir o impacto positivo trazido com a norma.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o documento apresentar n\u00fameros absolutos de sal\u00e1rio e remunera\u00e7\u00e3o, por exemplo, poderia ser interpretada como afronta \u00e0 LGPD, segundo Takano. Nesse caso, diz, seria poss\u00edvel ingressar com a\u00e7\u00f5es judiciais para garantir o direito de n\u00e3o publicar o relat\u00f3rio de transpar\u00eancia salarial. \u201cEsse cen\u00e1rio de incerteza exp\u00f5e as empresas a danos irrepar\u00e1veis\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o advogado Luiz Eduardo Amaral, s\u00f3cio do FAS Advogados, existem associa\u00e7\u00f5es de sindicatos patronais que cogitam entrar com a\u00e7\u00f5es judiciais para questionar a publica\u00e7\u00e3o desses dados. \u201cA a\u00e7\u00e3o visa mostrar a incongru\u00eancia que existe na regulamenta\u00e7\u00e3o [decreto e portaria que o regulamenta], que obriga que as empresas sigam a LGPD, mas ao mesmo tempo informem os sal\u00e1rios, as remunera\u00e7\u00f5es, os b\u00f4nus, a evolu\u00e7\u00e3o salarial das pessoas. Ainda que se anonimize os nomes das pessoas, \u00e9 muito f\u00e1cil se descobrir\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com a divulga\u00e7\u00e3o dessas informa\u00e7\u00f5es, advogados tamb\u00e9m destacam que podem haver discrep\u00e2ncias na an\u00e1lise do Minist\u00e9rio do Trabalho, ao levar em considera\u00e7\u00e3o os cargos contidos na Classifica\u00e7\u00e3o Brasileira de Ocupa\u00e7\u00f5es (CBO), com as respectivas atribui\u00e7\u00f5es. Esse crit\u00e9rio est\u00e1 previsto no Decreto n\u00ba 11.795 e na Portaria n\u00ba 3.714, que o regulamenta. \u201cNo escrit\u00f3rio, temos cerca de 400 advogados e existe um CBO \u00fanico para a profiss\u00e3o. Se isso for usado de forma generalizada poder\u00e1 gerar uma grande distor\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o consigo discriminar se o profissional \u00e9 j\u00fanior, pleno ou s\u00eanior\u201d, diz Takano.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei de igualdade Salarial pretende tra\u00e7ar um plano para extinguir diferen\u00e7as salariais por conta do g\u00eanero. A diferen\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres no pa\u00eds vinha em tend\u00eancia de queda at\u00e9 2020. Em 2022, atingiu 22% &#8211; voltando ao patamar de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A remunera\u00e7\u00e3o mensal m\u00e9dia feminina, no per\u00edodo, foi de R$ 2.416. A masculina, de R$ 3.099. Isso significa que uma brasileira recebe, em m\u00e9dia, 78% do que ganha um homem. Os dados s\u00e3o do IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da an\u00e1lise desses dados, se for verificada a desigualdade, as empresas com mais de cem empregados dever\u00e3o elaborar e implementar um chamado Plano de A\u00e7\u00e3o para Mitiga\u00e7\u00e3o da Desigualdade Salarial e de Crit\u00e9rios Remunerat\u00f3rios entre Mulheres e Homens.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano dever\u00e1 estabelecer as medidas a serem adotadas com metas e prazos. Na elabora\u00e7\u00e3o e na implementa\u00e7\u00e3o do plano, dever\u00e1 ser garantida a participa\u00e7\u00e3o de representantes das entidades sindicais e dos empregados.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pelo Valor, o Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego n\u00e3o deu retorno at\u00e9 o fechamento da edi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/22\/empresas-podem-questionar-na-justica-relatorios-de-transparencia-salarial.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/22\/empresas-podem-questionar-na-justica-relatorios-de-transparencia-salarial.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>ESTADUAIS:&nbsp;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><strong>MUNICIPAIS: <\/strong>&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>NOT\u00cdCIAS SOBRE DECIS\u00d5ES ADMINISTRATIVAS FEDERAIS:<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carf libera concession\u00e1ria de ve\u00edculos de pagar PIS e Cofins<\/strong><br>Data: 21\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Concession\u00e1rias de ve\u00edculos conseguiram, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), um precedente contra a tributa\u00e7\u00e3o de valores devolvidos por montadoras \u2014 uma pr\u00e1tica comum no mercado, chamada de \u201chold back\u201d. A decis\u00e3o, da 2\u00aa Turma da 4\u00aa C\u00e2mara da 3\u00aa Se\u00e7\u00e3o, permite ao contribuinte levar a quest\u00e3o \u00e0 C\u00e2mara Superior, a \u00faltima inst\u00e2ncia do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao adquirir ve\u00edculos da uma montadora para revenda, as concession\u00e1rias costumam pagar um adicional, que vai de 1% a 1,5% do pre\u00e7o desses autom\u00f3veis, para um fundo de aplica\u00e7\u00e3o administrado pela fabricante. Esse fundo serviria para garantir uma margem de negocia\u00e7\u00e3o das concession\u00e1rias com os clientes finais. Depois, esse valor \u00e9 devolvido, com juros, em um intervalo determinado conforme a pol\u00edtica de cada fabricante. \u00c9 sobre essas devolu\u00e7\u00f5es que a Receita cobra PIS e Cofins.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o considera que o valor restitu\u00eddo a t\u00edtulo de \u201chold back\u201d seria uma esp\u00e9cie de bonifica\u00e7\u00e3o \u2014 que \u00e9 considerada receita e, portanto, tribut\u00e1vel. Para as concession\u00e1rias, por\u00e9m, n\u00e3o haveria novo ingresso de valor, mas sim uma devolu\u00e7\u00e3o de quantia paga anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema foi julgado em autua\u00e7\u00e3o fiscal recebida pela Iesa Ve\u00edculos, que revende carros da marca Renault no Rio Grande do Sul. Al\u00e9m da pr\u00e1tica do \u201chold back\u201d, os conselheiros discutiram a tributa\u00e7\u00e3o de descontos sobre ve\u00edculos dados para abatimento de despesas compartilhadas (processo n\u00ba 11080.730216\/2016-42).<\/p>\n\n\n\n<p>Por unanimidade, os conselheiros afastaram a natureza de receita de reembolsos relativos a despesas com publicidade, emplacamento e treinamento, entre outros. No caso do \u201chold back\u201d, a tributa\u00e7\u00e3o foi derrubada por maioria de votos \u2014 com placar de seis a dois.<\/p>\n\n\n\n<p>Prevaleceu o voto do relator, conselheiro Jorge Lu\u00eds Cabral. Para ele, o desconto dado sobre os ve\u00edculos, relativo a essas despesas, n\u00e3o pode ser tratado como b\u00f4nus de desempenho ou de produtividade. Seria apenas parcela redutora do custo da mercadoria vendida \u2014 o mesmo entendimento foi aplicado ao \u201chold back\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Iesa, acrescentou, assume os riscos comerciais e operacionais ao adquirir a propriedade dos ve\u00edculos negociados, diferentemente do que acontece no penhor mercantil. Nessa modalidade, as opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre de vendas diretas da f\u00e1brica para os clientes finais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu voto, ele levou em considera\u00e7\u00e3o ainda que a concession\u00e1ria se enquadra no regime monof\u00e1sico \u2014 a apura\u00e7\u00e3o de PIS e Cofins se concentra em um \u00fanico contribuinte, em geral no in\u00edcio da cadeia. \u201cN\u00e3o pode haver repercuss\u00e3o tribut\u00e1ria na recomposi\u00e7\u00e3o de custos de mercadorias vendidas, no caso de monofasia, para o mercado de ve\u00edculos automotores\u201d, afirmou o relator.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabral cita, no voto, que a Receita motiva a autua\u00e7\u00e3o pelo simples fato de que reembolsos n\u00e3o constam da lista excludente da legisla\u00e7\u00e3o de PIS e Cofins. Mas, para o conselheiro, n\u00e3o cabe atribuir o conceito de receita pela sua aus\u00eancia de uma opera\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. O ingresso analisado, acrescentou, precisa enquadrar-se no conceito de receita, conforme as Leis n\u00ba 10.637, de 2002 e n\u00ba 10.833, de 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>Contexto e an\u00e1lise<\/p>\n\n\n\n<p>No Carf, essa \u00e9 a primeira decis\u00e3o favor\u00e1vel aos contribuintes sobre \u201chold back\u201d, segundo Leandro Cabral, s\u00f3cio do Velloza Advogados. O precedente possibilitar\u00e1 que o assunto chegue \u00e0 C\u00e2mara Superior, o que poder\u00e1 alterar o entendimento das demais turmas do \u00f3rg\u00e3o. \u201cA decis\u00e3o considera a realidade da opera\u00e7\u00e3o entre montadoras e concession\u00e1rios, onde a pr\u00e1tica da recupera\u00e7\u00e3o de custo \u00e9 essencial \u00e0 viabilidade do neg\u00f3cio\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O que sensibilizou os julgadores no Carf, diz o advogado, foi que h\u00e1 reten\u00e7\u00e3o de um valor que ser\u00e1 devolvido e creditado \u00e0 concession\u00e1ria. \u201cExistem decis\u00f5es desfavor\u00e1veis em que acabam confundindo essa figura com a da bonifica\u00e7\u00e3o em mercadorias. Acabam se apegando ao nome b\u00f4nus e ignorando se h\u00e1 caracter\u00edstica de b\u00f4nus\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado reconhece que a sistem\u00e1tica de \u201chold back\u201d tem alguma similaridade com a figura da bonifica\u00e7\u00e3o do varejo. \u201cMas n\u00e3o seria a mesma coisa\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Jurisprud\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>No Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), as duas turmas que julgam o tema est\u00e3o divididas sobre a tributa\u00e7\u00e3o de bonifica\u00e7\u00f5es. Recentemente, a 2\u00aa Turma entendeu que incide PIS e Cofins sobre bonifica\u00e7\u00f5es e descontos obtidos pelo varejo na aquisi\u00e7\u00e3o de mercadorias (REsp 2090134), divergindo de posicionamento da 1\u00aa Turma (REsp&nbsp;1836082).<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda inst\u00e2ncia, a tributa\u00e7\u00e3o de \u201chold back\u201d tamb\u00e9m divide os julgadores. H\u00e1 precedente favor\u00e1vel aos contribuintes na 2\u00aa Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5\u00aa Regi\u00e3o (processo n\u00ba 0807864-63.2019.4.05.8100) e desfavor\u00e1vel na 3\u00aa Turma da mesma Corte (processo n\u00ba 0819381-02.2018.4.05.8100) e no TRF da 4\u00aa Regi\u00e3o (processo n\u00ba 5014845-14.2012.404.7200).<\/p>\n\n\n\n<p>A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) considera que os valores retidos pelas montadoras, a t\u00edtulo de \u201chold back\u201d, na verdade representam uma parte da margem de lucro das concession\u00e1rias. \u201cQuando as montadoras remuneram as concession\u00e1rias com as verbas denominadas hold back, esses recursos constituem receitas para as concession\u00e1rias, que ir\u00e3o integrar o seu resultado e devem compor a base de c\u00e1lculo do PIS e da Cofins\u201d, afirma o \u00f3rg\u00e3o em nota ao Valor.<\/p>\n\n\n\n<p>A PGFN acrescenta que, no Carf, a maioria dos precedentes indicam a possibilidade de tributa\u00e7\u00e3o, por meio do PIS e da Cofins, das receitas decorrentes das opera\u00e7\u00f5es de \u201chold back\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/21\/carf-libera-concessionaria-de-veiculos-de-pagar-pis-e-cofins.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/21\/carf-libera-concessionaria-de-veiculos-de-pagar-pis-e-cofins.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOT\u00cdCIAS RELACIONADAS A DECIS\u00d5ES JUDICIAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>FEDERAIS<\/strong>&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>TRF-4: S\u00f3cios-administradores de empresa s\u00e3o condenados por sonega\u00e7\u00e3o fiscal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 15\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A 5\u00aa Vara Federal de Caxias do Sul (RS) condenou os tr\u00eas s\u00f3cios-administradores de uma empresa sediada no munic\u00edpio ga\u00facho de Flores da Cunha por sonega\u00e7\u00e3o fiscal. Eles foram condenados a pena de reclus\u00e3o de quatro anos e dever\u00e3o pagar mais de R$ 27 milh\u00f5es para reparar o dano causado aos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2022, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) ingressou com a a\u00e7\u00e3o narrando que, entre outubro de 2002 e junho de 2005, os tr\u00eas s\u00f3cios-administradores de uma empresa de equipamentos e transportes deixaram de recolher tributos federais relativos ao Imposto de Renda (IRPJ), CSLL, PIS e Cofins com omiss\u00e3o de receitas. O autor afirmou que eles deixaram de declarar e confessar tais d\u00e9bitos, impedindo ou retardando o conhecimento e a cobran\u00e7a de tais cr\u00e9ditos pela Receita Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, os tr\u00eas homens sustentaram que a acusa\u00e7\u00e3o se baseia pelo simples fato deles integrarem a sociedade empresarial, mas n\u00e3o h\u00e1 provas de suas efetivas participa\u00e7\u00f5es na alegada fraude contra o Fisco. Alegaram que a den\u00fancia \u00e9 prec\u00e1ria na individualiza\u00e7\u00e3o da conduta dos r\u00e9us para que se possa resultar inequ\u00edvoca a autoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar o caso, o ju\u00edzo pontuou que o entendimento pac\u00edfico \u00e9 de que o autor do delito de sonega\u00e7\u00e3o fiscal \u00e9 todo aquele que tenha o poder de decidir pela pr\u00e1tica ou n\u00e3o da conduta criminosa, bem como de evitar a ocorr\u00eancia do resultado. \u201cDe fato, tratando-se de crimes tribut\u00e1rios, s\u00e3o autores do crime todos aqueles que possuem poderes de poderes de dire\u00e7\u00e3o e de administra\u00e7\u00e3o, fixando as diretrizes a serem seguidas, assim como aqueles que praticam conscientemente atos execut\u00f3rios, operacionalizando a fraude&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a ressaltou que os r\u00e9us, em seus interrogat\u00f3rios, buscaram sustentar sua desvincula\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica delituosa apurada pela autoridade fiscal. Entretanto, tal tese n\u00e3o se sustenta, pois n\u00e3o \u201c\u00e9 cr\u00edvel que, em uma empresa familiar, com apenas tr\u00eas s\u00f3cios e administradores, as decis\u00f5es estrat\u00e9gicas referentes \u00e0 gest\u00e3o e cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias n\u00e3o contassem com a participa\u00e7\u00e3o e contribui\u00e7\u00e3o de todos. Independentemente da implementa\u00e7\u00e3o de uma divis\u00e3o de tarefas em fun\u00e7\u00e3o das habilidades e afinidades de cada um, \u00e9 intuitivo que as quest\u00f5es de alto impacto, tais como a apura\u00e7\u00e3o e o recolhimento de tributos, exigiam o acompanhamento e o direcionamento conjunto dos respons\u00e1veis legais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O ju\u00edzo ainda destacou que a prova testemunhal proporcionou indicativos suficientes de que a empresa era administrada em sistema de gest\u00e3o compartilhada entre os s\u00f3cios. Dessa forma, restou comprovado que os tr\u00eas r\u00e9us foram os respons\u00e1veis pela omiss\u00e3o de receitas e consequente supress\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o dos tributos federais. \u201cEsse comportamento foi nitidamente revestido de dolo, na medida em que a conduta criminosa se estendeu por quase tr\u00eas anos e o modus operandi consistia na inser\u00e7\u00e3o reiterada e deliberada de informa\u00e7\u00f5es falsas nos documentos fiscais, o que revela, sem sombra de d\u00favida, a vontade livre consciente de praticar o comportamento descrito no tipo penal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi julgada procedente e a senten\u00e7a fixou a pena de quatro anos e nove meses de reclus\u00e3o, em regime inicial semiaberto. Tamb\u00e9m foi definido o valor m\u00ednimo de indeniza\u00e7\u00e3o para repara\u00e7\u00e3o do dano em R$ 27.359.863,00. Cabe recurso (com informa\u00e7\u00f5es do TRF-4).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/15\/trf-4-socios-administradores-de-empresa-sao-condenados-por-sonegacao-fiscal.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/15\/trf-4-socios-administradores-de-empresa-sao-condenados-por-sonegacao-fiscal.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>STJ: Recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o impede a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a redirecionada a s\u00f3cios<\/strong><strong><br><\/strong>Data: 16\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Uma decis\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) declarou que o deferimento de pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial de empresa n\u00e3o impede o andamento de a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a (execu\u00e7\u00e3o) redirecionada aos s\u00f3cios, ap\u00f3s desconsidera\u00e7\u00e3o da sua personalidade jur\u00eddica. A decis\u00e3o da \u200b3\u00aa Turma da Corte foi un\u00e2nime.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o colegiado, eventual constri\u00e7\u00e3o dos bens dos s\u00f3cios n\u00e3o afeta o patrim\u00f4nio da empresa em recupera\u00e7\u00e3o, nem atinge a sua capacidade de reestrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo julgamento, a turma entendeu que a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica com base na teoria menor prevista pelo artigo 28 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC) tamb\u00e9m se aplica \u00e0s sociedades an\u00f4nimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente da teoria maior trazida pelo artigo 50 do C\u00f3digo Civil, foi admitida a desconsidera\u00e7\u00e3o apenas com a demonstra\u00e7\u00e3o do estado de insolv\u00eancia da empresa e de que a personalidade jur\u00eddica constitui obst\u00e1culo ao ressarcimento dos preju\u00edzos causados. Assim, n\u00e3o haveria a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o de desvio de finalidade ou da confus\u00e3o patrimonial entre os s\u00f3cios e a sociedade empres\u00e1ria para o alcance de seus bens.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica da empresa ocorreu no andamento de uma a\u00e7\u00e3o de consumo. A decis\u00e3o foi mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios (TJDFT).<\/p>\n\n\n\n<p>Os s\u00f3cios recorreram ao STJ. Alegaram ser acionistas \u2013 e n\u00e3o s\u00f3cios \u2013 das empresas que tiveram a personalidade jur\u00eddica desconsiderada. Tamb\u00e9m argumentaram que o veto ao par\u00e1grafo 1\u00b0 do artigo 28 do CDC excluiria sua responsabiliza\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o seria poss\u00edvel a desconsidera\u00e7\u00e3o das sociedades an\u00f4nimas. Eles tamb\u00e9m defendiam a suspens\u00e3o do cumprimento da execu\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o do deferimento do pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator do caso no colegiado, ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, declarou em seu voto que a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica sem exigir prova de fraude, abuso de direito ou confus\u00e3o patrimonial pode ser admitida para sociedades an\u00f4nimas, desde que seus efeitos se restrinjam \u00e0s pessoas que detenham efetivo controle sobre a gest\u00e3o da companhia (REsp 2.034.442). Nesse sentido, o ministro apontou precedente da 4\u00aa Turma, no qual o colegiado definiu que o tipo societ\u00e1rio da empresa n\u00e3o \u00e9 fator determinante para a aplicabilidade da teoria (AREsp 1.811.324).<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao pedido de suspens\u00e3o das execu\u00e7\u00f5es, Villas B\u00f4as Cueva comentou que, conforme decidido pela 2\u00aa Se\u00e7\u00e3o da Corte, o deferimento da recupera\u00e7\u00e3o judicial, a despeito de suspender as a\u00e7\u00f5es e as execu\u00e7\u00f5es contra e sociedade em recupera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o impede o prosseguimento das execu\u00e7\u00f5es nem gera a suspens\u00e3o ou a extin\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es ajuizadas contra terceiros devedores solid\u00e1rios (REsp 1.333.349).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Justamente por n\u00e3o afetar o patrim\u00f4nio do devedor principal, ou seja, da empresa em recupera\u00e7\u00e3o, \u00e9 que o legislador ressalvou os direitos e os privil\u00e9gios dos credores contra coobrigados, fiadores e obrigados de regresso (artigo 49, par\u00e1grafo 1\u00ba, da LREF), admitindo o prosseguimento de eventuais execu\u00e7\u00f5es contra eles instauradas&#8221;, completou (Com informa\u00e7\u00f5es do STJ).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/16\/stj-recuperacao-judicial-nao-impede-acao-de-cobranca-redirecionada-a-socios.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/16\/stj-recuperacao-judicial-nao-impede-acao-de-cobranca-redirecionada-a-socios.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acesso ao Perse: TRF3 concede benef\u00edcio a pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o sem inscri\u00e7\u00e3o no Cadastur<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 18\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A 3\u00aa Turma do Tribunal Regional Federal da 3\u00aa Regi\u00e3o (TRF3) autorizou a participa\u00e7\u00e3o da pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o de um posto rodovi\u00e1rio de SP no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). A empresa havia recorrido de uma decis\u00e3o que negou sua ades\u00e3o ao programa por n\u00e3o estar previamente inscrita no Cadastro de Prestadores de Servi\u00e7os Tur\u00edsticos (Cadastur).<\/p>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de reduzir as perdas do setor de lazer e turismo a partir da pandemia de Covid-19, o Perse foi criado pelo governo federal. Em linhas gerais, ele proporciona al\u00edquota zero de Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ), Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL), da contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/Pasep e Cofins, inicialmente por 60 meses para as empresas contempladas. Por\u00e9m, a Medida Provis\u00f3ria 1.202, editada no final do ano anterior, reduziu esse per\u00edodo, gerando contesta\u00e7\u00f5es por parte de contribuintes e parlamentares.<\/p>\n\n\n\n<p>A exig\u00eancia inicial de inscri\u00e7\u00e3o no Cadastur, estabelecida pela Portaria ME 7.163\/2021, do Minist\u00e9rio da Economia, especificava que prestadores de servi\u00e7os tur\u00edsticos, como restaurantes, cafeterias e bares, s\u00f3 teriam direito aos benef\u00edcios do programa se estivessem regularizados no Cadastur na data de publica\u00e7\u00e3o da Lei 14.148\/2021, que instituiu o Perse.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, a Lei 14.592, publicada em 30 de maio de 2023, passou a exigir regulariza\u00e7\u00e3o no Cadastur at\u00e9 18 de mar\u00e7o de 2022 para participa\u00e7\u00e3o no programa.<\/p>\n\n\n\n<p>O voto vencedor, do desembargador Carlos Delgado, acatou o recurso do posto rodovi\u00e1rio, garantindo sua inclus\u00e3o no Perse independentemente da regulariza\u00e7\u00e3o no Cadastur at\u00e9 18 de mar\u00e7o de 2022. Delgado foi apoiado pelos desembargadores Rubens Calixto e Nery Junior, divergindo do voto da relatora Consuelo Yoshida, que contou apenas com o apoio da desembargadora Adriana Pileggi.<\/p>\n\n\n\n<p>No seu voto, Delgado criticou a regulamenta\u00e7\u00e3o da portaria do Minist\u00e9rio da Economia, considerando-a uma \u201cindevida inova\u00e7\u00e3o jur\u00eddica\u201d por impor restri\u00e7\u00f5es aos direitos dos contribuintes n\u00e3o estabelecidas pela lei que criou o Perse. Ele reconheceu a altera\u00e7\u00e3o legislativa da Lei 14.592\/2023, mas argumentou que esta n\u00e3o poderia retroativamente legitimar a exig\u00eancia do Cadastur at\u00e9 18 de mar\u00e7o de 2022 para ades\u00e3o ao programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Debate sobre acesso ao Perse est\u00e1 no STF<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre a obrigatoriedade do Cadastur para bares e restaurantes tamb\u00e9m est\u00e1 no Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade 7.544, movida pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a CNC, a exig\u00eancia viola os princ\u00edpios da isonomia e capacidade contributiva; da livre-concorr\u00eancia; da livre iniciativa; da neutralidade; e da razoabilidade e da proporcionalidade. A Medida Provis\u00f3ria 1.202\/2023 tamb\u00e9m limitou os benef\u00edcios do Perse e \u00e9 alvo de cr\u00edticas tanto de contribuintes quanto de parlamentares. O seu impacto futuro ainda \u00e9 incerto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"uyMQyBTIg8\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/trf3-concede-acesso-ao-perse-a-posto-de-combustivel-sem-inscricao-previa-no-cadastur-18012024\">TRF3 concede acesso ao Perse a pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o de posto sem inscri\u00e7\u00e3o no Cadastur<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;TRF3 concede acesso ao Perse a pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o de posto sem inscri\u00e7\u00e3o no Cadastur&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/trf3-concede-acesso-ao-perse-a-posto-de-combustivel-sem-inscricao-previa-no-cadastur-18012024\/embed#?secret=uyMQyBTIg8\" data-secret=\"uyMQyBTIg8\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>CNI e CNC v\u00e3o ao STF contra isen\u00e7\u00e3o de imposto sobre remessas postais de at\u00e9 US$ 50<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 19\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) e a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC) ajuizaram a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a isen\u00e7\u00e3o do imposto de importa\u00e7\u00e3o para bens de at\u00e9 US$ 50 destinados a pessoas f\u00edsicas no Brasil. Na ADI, as entidades questionam a constitucionalidade de dispositivos do Decreto-Lei 1804\/1980, da Lei 8032\/90 e da Portaria MF 612\/2023, que tratam da isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a CNI e a CNC, a desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria das importa\u00e7\u00f5es de pequeno valor em remessas postais de outros pa\u00edses ao Brasil n\u00e3o tem equivalente nas transa\u00e7\u00f5es nacionais. Assim, a carga tribut\u00e1ria seria inteiramente suportada por empresas brasileiras, configurando viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios constitucionais da isonomia, da livre concorr\u00eancia, do mercado interno como patrim\u00f4nio nacional e do desenvolvimento nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa isen\u00e7\u00e3o fiscal para bens de at\u00e9 US$ 50, no ambiente comercial e com habitualidade, provoca distor\u00e7\u00e3o no mercado e cria uma concorr\u00eancia desleal. Al\u00e9m disso, desprotege o mercado interno, que tem uma prote\u00e7\u00e3o constitucional\u201d, argumenta o diretor jur\u00eddico da CNI, Cassio Borges.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi numerada como ADI 7.589. A relatoria cabe \u00e0 ministra C\u00e1rmen L\u00facia, por preven\u00e7\u00e3o, uma vez que a magistrada \u00e9 relatora da ADI 7.503, com o mesmo objeto. A distribui\u00e7\u00e3o por preven\u00e7\u00e3o ocorre quando h\u00e1 a coincid\u00eancia, mesmo que parcial, do objeto de uma a\u00e7\u00e3o com o de outra j\u00e1 a cuidado de um magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ADI 7.503, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de Cal\u00e7ados (Abical\u00e7ados) e Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Cal\u00e7ados e Artefatos (Assintecal) alegaram viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da isonomia tribut\u00e1ria e argumentaram que o Minist\u00e9rio da Fazenda n\u00e3o teria compet\u00eancia para dispor sobre as al\u00edquotas do imposto de importa\u00e7\u00e3o por meio da Portaria MF 612\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, C\u00e1rmen L\u00facia n\u00e3o conheceu da a\u00e7\u00e3o alegando que as autoras n\u00e3o tinham legitimidade para prop\u00f4-la. Com isso, a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 seu m\u00e9rito analisado. Segundo a ministra, a norma trata de mat\u00e9ria de direito tribut\u00e1rio com reflexos e incid\u00eancia sobre diversos setores da economia. J\u00e1 o objeto de atua\u00e7\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es seria restrito, n\u00e3o satisfazendo o crit\u00e9rio da pertin\u00eancia tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a magistrada entendeu que eventual ofensa \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o seria reflexa. Para ela, n\u00e3o ficou demonstrado o descumprimento da Constitui\u00e7\u00e3o pelo conte\u00fado da portaria. Conforme a julgadora, para apreciar a ADI, seria necess\u00e1rio examinar primeiro se a portaria est\u00e1 de acordo com o arcabou\u00e7o infralegal, algo fora da al\u00e7ada do Supremo.<\/p>\n\n\n\n<p>Remessa Conforme<\/p>\n\n\n\n<p>A isen\u00e7\u00e3o questionada pelas entidades se aplica apenas \u00e0s remessas de bens de pequeno valor entre pessoas f\u00edsicas. No caso de encomendas enviadas do exterior por pessoas jur\u00eddicas, aplicam-se as regras do Remessa Conforme, programa da Receita Federal que isenta do imposto de importa\u00e7\u00e3o as compras de at\u00e9 US$ 50 feitas mediante o cumprimento de algumas condi\u00e7\u00f5es pelas empresas situadas no exterior. Mesmo com a isen\u00e7\u00e3o do imposto de importa\u00e7\u00e3o, ainda incide o ICMS sobre essas compras.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Milton Gato, consultor de com\u00e9rcio exterior e head da \u00e1rea aduaneira do Finocchio &amp; Ustra Sociedade de Advogados, nos \u00faltimos anos, as remessas de produtos importados a pessoas f\u00edsicas no Brasil tiveram um aumento consider\u00e1vel. Dados do Banco Central compilados pela CNI mostram que, em 10 anos, entre 2013 e 2022, as importa\u00e7\u00f5es de pequeno valor (at\u00e9 US$ 50) saltaram de US$ 800 milh\u00f5es para US$ 13,1 bilh\u00f5es \u2013 o equivalente a R$ 67,8 bilh\u00f5es, montante que representou 4,4% do total de bens importados em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o consultor, o Remessa Conforme tem se revelado eficaz. Ele destaca, no entanto, que ainda pode haver casos de subfaturamento (ou seja, de declara\u00e7\u00e3o de compra de valor maior como se fosse de US$ 50) ou em que uma pessoa jur\u00eddica se passe por pessoa f\u00edsica para se valer da isen\u00e7\u00e3o do imposto de importa\u00e7\u00e3o prevista em lei para opera\u00e7\u00f5es entre pessoas f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-jota-info wp-block-embed-jota-info\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"kGPjFb8GE2\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/cni-e-cnc-vao-ao-stf-contra-isencao-de-imposto-sobre-remessas-postais-de-ate-us-50-19012024\">CNI e CNC v\u00e3o ao STF contra isen\u00e7\u00e3o de imposto sobre remessas postais de at\u00e9 US$ 50<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;CNI e CNC v\u00e3o ao STF contra isen\u00e7\u00e3o de imposto sobre remessas postais de at\u00e9 US$ 50&#8221; &#8212; JOTA Info\" src=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/tributario\/cni-e-cnc-vao-ao-stf-contra-isencao-de-imposto-sobre-remessas-postais-de-ate-us-50-19012024\/embed#?secret=kGPjFb8GE2\" data-secret=\"kGPjFb8GE2\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"2\">\n<li><strong>ESTADUAlS<\/strong>&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>TJSP garante verba p\u00fablica sem certid\u00e3o fiscal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Data: 16\/01\/2024<\/p>\n\n\n\n<p>Uma maternidade de Campinas (SP), em recupera\u00e7\u00e3o judicial, obteve na Justi\u00e7a o direito de continuar recebendo repasses de recursos p\u00fablicos sem a apresenta\u00e7\u00e3o de certid\u00e3o de regularidade fiscal. A decis\u00e3o \u00e9 da 3\u00aa C\u00e2mara de Direito P\u00fablico do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP).<\/p>\n\n\n\n<p>No pedido de liminar, a maternidade, entidade filantr\u00f3pica sem fins lucrativos, alegou que a Prefeitura de Campinas negou o repasse de R$ 1,2 milh\u00e3o por n\u00e3o apresentar certid\u00e3o fiscal referente \u00e0 seguridade social &#8211; \u00fanica que n\u00e3o foi dispensada pela legisla\u00e7\u00e3o. Mas que esses recursos seriam indispens\u00e1veis \u00e0 continuidade de suas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Na decis\u00e3o, os desembargadores acataram a argumenta\u00e7\u00e3o da maternidade. Levaram em considera\u00e7\u00e3o que a falta desses recursos poderia acarretar preju\u00edzos significativos aos \u201cservi\u00e7os de sa\u00fade essenciais\u201d disponibilizados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local. Citam, no ac\u00f3rd\u00e3o que deferiu a tutela de urg\u00eancia, dois precedentes do colegiado no mesmo sentido &#8211; tamb\u00e9m ligados \u00e0 \u00e1rea de sa\u00fade (processo n\u00ba 2136612-08.2023.8.26.000).<\/p>\n\n\n\n<p>Para a relatora, desembargadora Paola Lorena, \u201cainda que existam disposi\u00e7\u00f5es legais e constitucionais no sentido de que o repasse de verbas p\u00fablicas est\u00e1 condicionado a regularidade fiscal da entidade, considerando se tratar de entidade filantr\u00f3pica, que presta servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carente local, a pend\u00eancia de tal documento n\u00e3o \u00e9 suficiente para obstar o repasse\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota ao Valor, a Prefeitura de Campinas informa que a \u201cSecretaria de Sa\u00fade est\u00e1 cumprindo a decis\u00e3o judicial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Julio Mandel, do escrit\u00f3rio Mandel Advocacia, considera a decis\u00e3o do TJSP acertada. De acordo com ele, o repasse deveria ocorrer mesmo se n\u00e3o fosse uma entidade filantr\u00f3pica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Fisco tem seus meios de cobrar. E a legisla\u00e7\u00e3o j\u00e1 prev\u00ea um prazo para essa regulariza\u00e7\u00e3o e parcelamentos espec\u00edficos para empresas em recupera\u00e7\u00e3o\u201d, diz ele, acrescentando que \u201cn\u00e3o repassar o que \u00e9 devido causaria danos irrepar\u00e1veis e inviabilizaria em tese a pr\u00f3pria transa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria prevista em lei e prejudicaria o universo de credores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Advogado do caso, Ricardo Siqueira lembra que, al\u00e9m da quest\u00e3o do repasse, o hospital discute ainda na Justi\u00e7a a pr\u00f3pria concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial. Segundo ele, apesar de haver precedente favor\u00e1vel do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), o TJSP ainda mant\u00e9m entendimento de que associa\u00e7\u00f5es civis sem fins n\u00e3o teriam direito ao processo. \u201cAssocia\u00e7\u00e3o em recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 algo raro em S\u00e3o Paulo\u201d, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>No precedente, os ministros da 4\u00aa Turma do STJ entenderam que, \u201capesar de n\u00e3o se enquadrarem literalmente nos conceitos de empres\u00e1rio e sociedade empres\u00e1ria do artigo 1\u00ba da Lei n\u00ba 11.101\/2005 para fins de recupera\u00e7\u00e3o judicial, as associa\u00e7\u00f5es civis tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o inseridas no rol dos agentes econ\u00f4micos exclu\u00eddos de sua sujei\u00e7\u00e3o (LREF, artigo 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>Prevaleceu no julgamento, realizado em 2022, o voto do ministro Luis Felipe Salom\u00e3o. O relator, Raul Ara\u00fajo, ficou vencido. Em seu voto, Salom\u00e3o destaca que muitas associa\u00e7\u00f5es civis, apesar de n\u00e3o serem sociedade empres\u00e1ria propriamente dita, possuem imenso relevo econ\u00f4mico e social, seja em raz\u00e3o de seu objeto, seja pelo desempenho de atividades perfazendo direitos sociais e fundamentais em que muitas vezes o Estado \u00e9 omisso e ineficiente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele acrescenta que \u201c\u00e9 justamente em raz\u00e3o de sua relev\u00e2ncia econ\u00f4mica e social que se tem autorizado a recupera\u00e7\u00e3o judicial de diversas associa\u00e7\u00f5es civis sem fins lucrativos e com fins econ\u00f4micos, garantindo a manuten\u00e7\u00e3o da fonte produtiva, dos empregos, da renda, o pagamento de tributos e todos os benef\u00edcios sociais e econ\u00f4micos decorrentes de sua explora\u00e7\u00e3o\u201d (AgInt no TP 3654).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/16\/tjsp-garante-verba-publica-sem-certidao-fiscal.ghtml\">https:\/\/valor.globo.com\/legislacao\/noticia\/2024\/01\/16\/tjsp-garante-verba-publica-sem-certidao-fiscal.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"3\">\n<li><strong>MUNICIPAIS<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retrospecto Tribut\u00e1rio &#8211; 15\/01 a 22\/01 Governo cria grupos t\u00e9cnicos para regulamentar reforma tribut\u00e1ria Data: 15\/01\/2024 O governo federal deu o pontap\u00e9 inicial para regulamentar a reforma tribut\u00e1ria e criou um programa para ajudar na elabora\u00e7\u00e3o de anteprojetos de lei sobre o tema. 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